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Advogado vai pedir à Igreja católica R$ 2 milhões por vítima de abusos de padres de Limeira

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O advogado que representa vítimas de abuso sexual que teriam sido cometidos por padres vinculados à Diocese de Limeira (SP) vai pedir à Igreja Católica indenização de ao menos R$ 2 milhões para cada uma das vítimas.

A maioria dos casos está relacionada ao pároco Pedro Leandro Ricardo, afastado da Basílica Santo Antônio de Pádua, de Americana (SP), mas há denúncias envolvendo outros membros do clero. Os padres negam os abusos e a Diocese diz que investiga os casos.

Neste sábado (13), vítimas da cidade de Araras (SP) que teriam sido molestadas por Pedro Leandro e também pelo padre Carlos Alberto da Rocha, contaram à EPTV, afiliada TV Globo, sobre os abusos.

“Nós temos de reparar as vidas devastadas. O valor de R$ 2 milhões, por vítima, é um bom começo”, argumenta Roberto Tardelli.

Segundo o advogado, ainda não há um número fechado de vítimas, uma vez que novas denúncias estão aparecendo e envolvem outros nomes.

Além da investigação da Diocese de Limeira, o padre Pedro Leandro Ricardo é alvo de inquéritos nas cidades de Americana, Limeira e Araras, mas o caso corre em segredo de Justiça.

Novas denúncias

Uma das vítimas dos padres vinculados à Diocese de Limeira contou à EPTV que os abusos ocorreram quando tinha entre 16 e 17 anos, época em que estava no seminário. O homem que está casado há quatro anos e tem uma filha pequena, conta que decidiu denunciar o caso após ver os relatos de outras vítimas. “Senti que era hora de me juntar a elas”, disse.

Ex-coroinha, ele relata que sofreu primeiro com a aproximação do padre Carlos Alberto Rocha, e depois do padre Pedro Leandro Ricardo.

“Estava no seminário quando tive o primeiro contato com o padre Carlos. Foi como um pai, no começo foi tudo bem. Mas com o decorrer do tempo começou umas atitudes estranhas. Eu pousava na Casa Paroquial em decorrência das missas que a gente fazia no fim de semana, e um dia ele ele estava só de cueca, veio colocar a mão em mim, nas minhas partes íntimas, e comecei a ficar constrangido com isso. Isso foi por um bom tempo, até o dia em que ele pegou no meu pênis”, conta.

Segundo a vítima, a relação de poder exercida pelo padre sobre o seminarista deixava-o em situação delicada. “Ele [Carlos] comentava que eu deveria ficar quieto e entender como era o funcionamento da Igreja”, afirma.

Sobre o padre Pedro Leandro Ricardo, o homem conta que o abuso teria ocorrido quando tinha 17 anos, durante uma viagem dos dois para a cidade de Porto Ferreira (SP). “Ele veio colocar as mãos nas minhas partes íntimas e eu pedi para parar. Ele perguntou ‘se eu não gostava desse tipo de carinho’ e eu disse que não. Depois ele foi no seminário se explicar, e disse que eu não tinha entendido a intenção real dele”, destaca.

“Isso [abuso] foi muito impactante pra mim, porque era meu sonho ser padre. Eu cresci na igreja, fui coroinha, tinha aquele sonho de poder ajudar as pessoas e via nessa vida de sacerdote, essa possibilidade. Coisa que eles mataram. Eles mataram dentro de mim essa possibilidade. Destruíram meu sonho”, completa.

O que diz a Diocese de Limeira?

Sobre as denúncias de abusos, a Diocese de Limeira divulgou nota em que informa que o padre Pedro Leandro Ricardo “encontra-se suspenso desde o dia 27 de janeiro até que todas as denúncias sejam esclarecidas, conforme observância do Código de Direito Canônico” e que “não existe nenhuma denúncia formal contra o padre Carlos Alberto da Rocha na Diocese de Limeira”, mas que “as denúncias também estão sendo apuradas, conforme observância do Código de Direito Canônico.”

Sobre o pedido de indenização que a defesa das vítimas fará à Igreja Católica, a Diocese de Limeira informou que “não irá se manifestar, no momento”.

O que dizem os padres?

À EPTV, a defesa do padre Pedro Leandro informou que ele nega as acusações de abuso sexual. O G1 não conseguiu contato com o defensor do padre Carlos Alberto da Rocha. Em nota divulgada na sexta-feira, o religioso negou a acusação de abuso contra ele.

Fonte: G1

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Quase 40% dos católicos avaliam deixar a igreja após casos de abuso sexual

Padre com crianças
Padre com crianças

Mais de um terço dos católicos moradores dos Estados Unidos (37%) consideram abandonar a igreja após a série de escândalos de abusos sexuais relatados por padres, de acordo com um estudo feito pelo instituto de pesquisa norte-americano Gallup.

O resultado atual é 15 pontos percentuais superior ao registrado em 2002, quando as notícias do abuso levavam 22% dos fiéis a questionar a permanência na igreja.

A pesquisa surge após a condenação do cardeal australiano George Pell, que chegou a ser o terceiro mais importante da hierarquia do Vaticano. Ele foi condenado na última terça-feira (12) a seis anos de prisão por cinco crimes de abuso sexual contra dois menores, cometidos há mais de 20 anos.

O analista do instituto de pesquisa, Jeffrey M. Jones, afirma que a condenação do cardeal tem afetado mais os sentimentos dos católicos norte-americanos do que a descoberta do jornal The Boston Globe, que revelou, em 2002, o abuso generalizado de integrantes da igreja católica na região de Massachusetts. O caso é tema central do filme Spotlight: Segredos Reveladosvencedor do Oscar de Melhor Filme em 2016.

O levantamento aponta ainda que os católicos menos assíduos eram os mais propensos a reconsiderar sua afiliação à igreja (46%). Dos católicos que comparecem mensalmente às missas, 37% afirmam que questionaram se deveriam seguir na doutrina.

No geral, 62% dos católicos pesquisados em 2019 disseram que não questionaram seu compromisso. Na avaliação de Jones, deve ser notado que só porque alguém questiona se deve permanecer na igreja não significa que ela decidirá abandoná-la.

“Muitos católicos podem considerar deixar a igreja, mas acabam decidindo não fazer isso. Eles também podem não ter intenção de ir embora, mas simplesmente responder a essa pergunta como uma forma de expressar sua frustração com o modo como a igreja lidou com o problema”, avalia Jones.

A pesquisa aponta ainda que mais de 40% dos católicos norte-americanos entrevistados disseram ter “muita fé” no Papa Francisco e nos padres de sua igreja. Ao mesmo tempo, apenas 20% disseram ter a mesma quantidade de fé em bispos dos EUA e outros líderes católicos nos EUA e padres católicos no país.

O estudo da Gallup foi realizado a partir de entrevistas com 581 católicos norte-americanos entre os dias 21 e 27 de janeiro e 12 a 28 de fevereiro, época em que o papa convocou líderes de igrejas de todo o mundo para uma cúpula de quatro dias sobre abuso sexual.

Fonte: R7

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Mulher que ajudou a desmascarar João de Deus comete suicídio

Sabrina Bittencourt (Foto: Arquivo pessoal)
Sabrina Bittencourt (Foto: Arquivo pessoal)

Ativista social e uma das mulheres que ajudou a desmascarar abusos sexuais de João de Deus e Prem Baba (conhecido como guru do amor e acusado de abuso sexual de suas discípulas), Sabrina Bittencourt, 38, teria cometido suicídio no sábado (02/02), segundo ativistas e fontes próximas à vítima.

Uma nota de falecimento comunicada à imprensa assinada por Maria do Carmo Santos (presidente da ONG Vitimas Unidas, com a qual Sabrina trabalhava) na manhã deste domingo (03/02), confirmava a morte da mulher.

Procurado pela equipe de Marie Claire, o Consulado Brasileiro em Barcelona afirmou que não poderia dar informações sobre nenhum residente brasileiro sem prévia autorização dos familiares. As autoridades espanholas até agora não confirmaram o suicídio ou a morte de Bittencourt.

“O grupo Vítimas Unidas comunica com pesar o falecimento de Sabrina de Campos Bittencourt ocorrido por volta das 21h deste sábado, 02 de fevereiro, na cidade de Barcelona, na Espanha, onde vivia. A ativista cometeu suicídio e deixou uma carta de despedida relatando os porquês de tirar sua própria vida. Pedimos a todos que não tentem entrar em contato com nenhum integrante da família, preservando-os de perguntas que sejam dolorosas neste momento tão difícil. Dois dos três filhos de Sabrina ainda não sabem do ocorrido e o pai, Rafael Velasco, está tentando protege-los. A luta de Sabrina jamais será esquecida e continuaremos, com a mesma garra, defendendo as minorias, principalmente as mulheres que são vítimas diárias do machismo. Agradeço o apoio de todos”, dizia a nota divulgada e assinada por Maria do Carmo Santos.

No sábado (02/02) às 20h05, Sabrina, que é Doutora Honoris Causa por seu trabalho humanitário pela UCEM – Universidad del Centro, no México, escreveu post em sua conta no Facebook em que fala sobre sua vida, a luta pelas mulheres e minorias e que logo se uniria à Marielle Franco [vereadora carioca assassinada no Rio de Janeiro em março do ano passado]. “Marielle me uno a ti. Eu fiz o que pude, até onde pude. Meu amor será eterno por todos vocês. Perdão por não aguentar, meus filhos.”. Sabrina, que morava em Barcelona, deixa três filhos.

Ativismo

De família mórmon, Sabrina foi abusada desde os 4 anos por integrantes da igreja frequentada pelos pais e avós. Aos 16, ficou grávida de um dos estupradores e abortou. Bittencourt se dedicou à militância por vítimas de abuso por  líderes religiosos, dentre eles Prem Baba e João de Deus.

Ela é uma das criadoras da plataforma Coame, sigla para Combate ao Abuso no Meio Espiritual, ferramenta que concentra denúncias de violações sexuais cometidas por padres, pastores, gurus e congêneres. Sabrina ajudou, principalmente, as vítimas de abuso sexual de João de Deus, investigando as acusações junto à imprensa. A ativista também auxiliou a filha do próprio médium, Dalva Teixeira, na denúncia contra o pai por abuso.

Em relato em primeira pessoa feito em dezembro de 2018 à Marie Claire, Sabrina — que dizia sofrer de câncer linfático — contou sobre a vida de abusos e como se tornou uma das principais vozes e forças de apoio a vítimas de violência sexual, principalmente dentro de grupos religiosos. Alvo de ameaças de morte, ela vivia fora do Brasil e se mudava frenquentemente.

Caso João de Deus

Sabrina fazia parte do grupo Somos Muitas, que no ano passado, divulgou uma série de acusações de abuso sexual que teriam sido praticados pelo médium João Teixeira de Faria, 76, mais conhecido como João de Deus, em Abadiânia, interior de Goiás. Com as informações coletadas pelo grupo e com a ajuda de Sabrina, o MP do estado instaurou a própria força-tarefa e denunciou o líder espiritual, com uma prisão sendo decretada no dia 16 de dezembro.

Em janeiro, Sabrina também apresentou outra denúncia ao Ministério Público sobre o suposto envolvimento de João de Deus em casos de tráfico internacional de bebês e escravização de mulheres.

A seguir, leia na íntegra o post de Sabrina postado no Facebook na noite de sábado (02/02):

“Marielle me uno a ti. Somos semente. Que muitas flores nasçam dessa merda toda que o patriarcado criou há 5 mil anos! Eu fiz o que pude, até onde pude. Meu amor será eterno por todos vocês. Perdão por não aguentar, meus filhos. VOCÊS TERÃO MILHARES DE MÃES NO MUNDO INTEIRO. Minhas irmãs e irmãos na dor e no amor, cuidem deles por mim… ❤️Eu sempre disse que era só uma pequena fagulha. Nada mais. Só pó de estrelas como todos. USEM A SUA PRÓPRIA VOZ. A SUA PRÓPRIA VONTADE. TOMEM AS RÉDEAS DE SUAS PRÓPRIAS VIDAS E ABRAM A BOCA, NÃO TENHAM VERGONHA! ELES É QUEM PRECISAM TER VERGONHA. Não aguento mais. Todas as provas, evidências, sistemas de apoio, redes organizadas e sobretudo, meu legado e passagem por aqui está entregue ou chegará às mãos corretas. As REDES DE APOIO AOS BRASILEIR@S FORAM CRIAD@S E SE EXPANDIRÃO NA VELOCIDADE DA LUZ! Não se desesperem. Dessa vida só levamos o mais bonito e o aprendido. Paulo Pavesi, eu sinceramente sinto muito pela morte do seu filho. Tenha certeza, que se eu soubesse da sua história na época, implicaria minha vida e segurança como fiz com centenas de pessoas. Damares, eu sei que você não teve tratamento psicológico quando deveria e teve sequelas, servindo de marionete neste sistema de merda que te cooptou, acolheu e com o qual você se sente em dívida o resto da sua vida. Não tenho dúvidas que você amou e cuidou da sua “Lulu” como gostaria de ter sido cuidada e protegida na sua infância, mas ela nao é uma bonequinha bonita que você poderia roubar e sair correndo… Giulio Sa Ferrari, eu te considerei um irmão e você sabia de todas as minhas rotas de fuga… eu vi em você a pureza de um menino que nunca foi notado por uma sociedade neurotípica que não entendia os neuroatípicos, mas reputação é algo que se constrói e não é de um dia ao outro. Gabriela Manssur, muito obrigada por me fazer ter esperança de que elas serão ouvidas e atendidas em suas necessidades. João de Deus, Prem Baba, Gê Marques, Ananda Joy, Edir Macedo, Marcos Feliciano, DeRose Pai, DeRose filho, todos os padres, pastores, bispos, budistas, espíritas, hindús, umbandistas, mórmons, batistas, metodistas, judeus, mulçumanos, sufis, taoístas, meus familiares, Marcelo Gayger, Jorge Berenguer, eu desconheço a sua infância e a sua criação pelo mundo, mas sei no meu íntimo que TODO MENINO NASCEU PURO e foi abusado, corrompido, machucado, moldado, castrado, calado, forçado a fazer coisas que não queria, até se converter talvez, cada um à sua maneira, em tiranos manipuladores (em maior ou menor grau) que ao não controlar os próprios impulsos, tentam controlar a quem consideram mais frágil e assim praticam estupros, pedofilia, adicções diversas… Eu sei, eu sinto, eu vi. Mas ainda assim, preferi SEMPRE ficar do lado mais frágil nesta breve existência: mulheres, crianças, idosos, jovens, povos originários, afrodescendentes, refugiados, ciganos, imigrantes, migrantes, pessoas com deficiência, gays, pobres, lascados, fudidos, rebeldes e incompreendidos… Essa vida é uma ilusão e um jogo de arquétipos do bem e do mal, de dualidades… desde que o mundo é mundo. Vivo num outro tempo desde que nasci e sempre senti que vivia num mundo praticamente medieval. Volto pro vazio e deixo minha essência em PAZ. Aos meus amigos, amadas e amantes, nos encontraremos um dia! Sintam meu amor incondicional através do tempo e do espaço. SIM e FIM.”

Fonte: Marie Claire