Categorias
Bíblia Estudos

Examinai Tudo e Retenha o que é bom

Essa famosa orientação do apóstolo Paulo encontra-se em sua primeira carta aos Tessalonicenses (1 Tessalonicenses 5:21). Na maioria das traduções bíblicas em português, o texto é vertido como “Examinai tudo. Retende o bem” ou “Julgai todas as coisas, retende o que é bom”.
Para entender o que Paulo quis dizer, precisamos olhar para o contexto em que a frase foi escrita. Ela não era um conselho genérico sobre estilo de vida, mas sim uma instrução prática sobre o discernimento espiritual e comunitário.

O Contexto Original: Testar as Profecias

No ambiente da igreja primitiva em Tessalônica, havia muitas manifestações espirituais e pessoas que afirmavam falar em nome de Deus (as profecias). Logo nos versículos anteriores (1Ts 5:19-20), Paulo diz: “Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias”.
A comunidade corria o risco de ir para dois extremos opostos:

  1. O ceticismo total: Rejeitar tudo o que as pessoas diziam para evitar serem enganados.
  2. A ingenuidade cega: Aceitar qualquer mensagem sem questionar, apenas porque parecia espiritual.
    Paulo propõe o equilíbrio através de três pilares:
  • “Examinar tudo” (ou pôr à prova): A palavra grega original usada por Paulo para “examinar” é dokimazo, que era o termo técnico para testar a pureza dos metais e moedas para ver se eram legítimos ou falsificados. Paulo orienta os fiéis a agirem como ouvintes atentos, passando as mensagens por um crivo, avaliando se o que estava sendo dito estava alinhado com o ensinamento de Cristo.
  • “Retende o que for bom”: Uma vez testada a mensagem ou a situação, aquilo que gerasse edificação, verdade e amor deveria ser guardado, acolhido e praticado.
  • “Abstende-vos de toda forma de mal” (v. 22): O complemento direto do pensamento. O que não passasse no teste de qualidade moral e espiritual deveria ser prontamente descartado.

A Aplicação Prática para os Dias de Hoje

Embora tenha nascido no contexto das profecias da igreja primitiva, esse princípio se tornou uma das maiores máximas de sabedoria prática da história, aplicando-se perfeitamente à nossa relação com o conhecimento, a cultura e as experiências humanas:

  • Filtro Crítico: Não precisamos nos isolar do mundo ou ignorar tudo o que vem de fora do nosso círculo de crenças. Podemos ler, ouvir e conhecer realidades diferentes. O segredo é manter um filtro crítico ativo, em vez de absorver tudo passivamente.
  • Aproveitamento Seletivo: Em um livro, em uma conversa, em uma filosofia de trabalho ou na arte, é perfeitamente possível encontrar elementos valiosos (o “bom”) mesmo que a totalidade daquela obra ou pensamento não seja perfeita. A maturidade reside em absorver o que constrói e deixar de lado o que destrói.
  • A Pedra Bruta do Caráter: Esse exercício de examinar e reter exige esforço constante. Funciona como o trabalho minucioso e paciente de desbastar e lapidar a nós mesmos diária e conscientemente, separando o que é excesso ou impureza daquilo que tem real valor ético e humano.
  • Ajude este Pastor fazendo um PIX para a chave celular: 61986080227
Categorias
Bíblia Estudos

ASCENSÃO PLANETÁRIA E A RELAÇÃO COM A BIBLIA

Ascensão Planetária

O conceito de ascensão planetária (ou transição planetária) é uma ideia central em movimentos espiritualistas modernos, como a Nova Era. Ele defende que a Terra e a humanidade estão passando por uma elevação de frequência vibracional, mudando de uma dimensão de dor e provações para uma dimensão de maior paz e consciência espiritual.
Embora a expressão exata “ascensão planetária” não exista no texto bíblico, muitas pessoas que estudam esses temas encontram paralelos metafóricos e proféticos entre os dois conceitos.

Os Principais Pontos de Conexão

Estudiosos do espiritualismo e da teologia comparada costumam correlacionar a ascensão planetária com as escrituras bíblicas através de três visões principais:

1. A Transição para uma “Nova Terra”

Na visão bíblica, o fim dos tempos não significa a destruição total da criação, mas a sua renovação. O livro do Apocalipse e os profetas do Antigo Testamento falam abertamente sobre uma transformação global.

  • O paralelo: Na Nova Era, a ascensão planetária é justamente a transição da Terra de uma “terceira dimensão” densa para uma “quinta dimensão” regenerada.
  • Na Bíblia: “E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram…” (Apocalipse 21:1)

2. O Processo de Separação (O Joio e o Trigo)

As teorias de ascensão planetária afirmam que nem todos passarão para a nova era de consciência ao mesmo tempo. Aqueles que não vibrarem na frequência do amor e da empatia teriam que continuar sua evolução em outros orbes mais densos.

  • O paralelo: Isso se assemelha muito às parábolas de Jesus sobre a colheita espiritual e a separação dos caminhos.
  • Na Bíblia: A Parábola do Joio e do Trigo (Mateus 13:24-30) e a separação entre as ovelhas e os bodes (Mateus 25:31-33) ilustram esse momento de divisão de destinos espirituais baseados na conduta e no coração de cada um.

3. As “Dores de Parto” do Planeta

Os defensores da transição planetária apontam que o período de mudança é marcado por crises climáticas, convulsões sociais e intensificação de conflitos — eventos necessários para a limpeza cásmica da Terra.

  • O paralelo: Jesus usou exatamente a mesma metáfora ao descrever os sinais dos tempos antes da grande transformação.
  • Na Bíblia: “Porquanto se levantará nação contra nação… e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas estas coisas são o princípio das dores [de parto].” (Mateus 24:7-8)

A Diferença de Perspectiva

Apesar dessas semelhanças nas descrições dos eventos, o motor por trás de cada conceito é diferente:

  • Na Visão Bíblica Tradicional: A transformação é um ato teocêntrico (conduzido por Deus). Trata-se do cumprimento do plano divino, do retorno de Cristo e do estabelecimento do Reino de Deus, onde a salvação vem pela fé e pela graça.
  • Na Visão Espiritualista/Nova Era: A ascensão é vista como um processo cosmológico e evolutivo natural. É uma mudança de física quântica e frequencial, onde a humanidade eleva sua própria consciência através do autoconhecimento e do amor universal, sem a necessidade de um julgamento punitivo.
    Muitos espiritualistas modernos enxergam Jesus não apenas como o salvador no sentido religioso restrito, mas como um “Mestre Ascensionado” que veio trazer o gabarito dessa frequência mais alta (o Amor) para que a humanidade pudesse, eventualmente, trilhar o mesmo caminho de ascensão.
  • Se este estudo foi útil para você, faça uma doação de qualquer valor para este Pastor pela chave:
  • 61986080227
  • Pr. Ângelo Medrado
Categorias
Estudos

 “Do Ouvir ao Agir: A Palavra como Cinzel da Fé”

Estudando a Palavra de Deus


Para entender como a fé que vem pelo ouvir se desdobra na prática, podemos olhar para três dimensões:

1. A Oração como Escuta (E não apenas fala)

Muitas vezes, a oração é vista apenas como um monólogo, um momento de apresentar pedidos, angústias e agradecimentos a Deus. No entanto, se a fé é alimentada pelo ouvir, a verdadeira oração exige o silêncio.

  • O Culto ao Silêncio Interior: Para que o Rhema (a palavra viva e direcionada) seja percebido, é preciso calar o ruído dos pensamentos, das preocupações e do ego.
  • Mudar a Postura: Em vez de começar a oração com “Ouve, Senhor, porque teu servo fala”, a dinâmica de Romanos 10:17 inverte a ordem para a postura do jovem profeta Samuel: “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve” (1 Sm 3:9). A fé é fortalecida quando saímos da oração sabendo o que Deus quer de nós, e não apenas o que nós queríamos Dele.

2. A Meditação como a “Ruminação” da Palavra

Na tradição espiritual, a meditação sobre as Escrituras não é uma especulação intelectual, mas um exercício de absorção profunda. Antigos teólogos usavam a metáfora da ruminação: extrair o nutriente da palavra aos poucos.

  • A Transição do Ouvir para o Guardar: Maria, mãe de Jesus, é o maior exemplo bíblico dessa prática. O Evangelho de Lucas repete que ela “guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração”.
  • O Impacto na Mente: A neurociência e a psicologia moderna mostram que aquilo que ouvimos e repetimos para nós mesmos molda as nossas crenças e comportamentos. Quando meditamos na Palavra (o ouvir repetido e focado), estamos, na verdade, renovando a nossa mente (Romanos 12:2), substituindo pensamentos de medo e dúvida por convicção e paz.

3. Fé e Atitude: O Ouvir que Transforma em Obra

Como vimos que na raiz hebraica (Shemá) ouvir e obedecer são a mesma palavra, a fé que nasce da escuta espiritual não consegue ficar estática. Ela gera movimento.
O Apóstolo Tiago complementa perfeitamente o pensamento de Paulo ao escrever:

“Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos. Aquele que ouve a palavra, mas não a pratica, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência.” (Tiago 1:22-24)

  • O Alinhamento Espiritual: A fé é a certeza interior que nasce quando ouvimos a Deus. A obra (a atitude) é a materialização visível dessa certeza no mundo.
  • O Desbastar da Pedra: Esse processo de ouvir, meditar e praticar funciona como o trabalho de um escultor. Cada palavra ouvida e praticada é um golpe suave que vai retirando os excessos, as imperfeições e as arestas da nossa natureza bruta, moldando o nosso caráter e revelando a nossa verdadeira identidade e propósito.
    Em resumo, a fé não é um sentimento místico que surge do nada; ela é uma resposta de confiança a uma Voz que se revelou. Na prática, nós nos alimentamos dessa Voz quando silenciamos para orar, guardamos a mensagem na meditação e permitimos que ela guie cada uma de nossas ações diárias.
    Como essa transição do “ouvir” para o “silenciar” e “praticar” ressoa na sua própria experiência ou nos seus estudos atuais?
  • Ajude este Pastor enviando uma oferta de amor para o
  • PIX 61986080227