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Eleições, religião e cidadania

Querem impedir os cristãos de eleger os correlacionados com sua doutrina e fé

Eleições, religião e cidadania

Estou verificando na Internet algo que já aconteceu em 2010.  Muitas pessoas estão tentando impedir que os cristãos expressem a sua fé nas eleições.

O ateu pode indicar o seu candidato, geralmente do grupo partidário conhecido por todos, aqueles que querem o aborto, a ideologia de gênero, a liberação da maconha e outros itens nessa direção.

E querem impedir os cristãos de eleger os correlacionados com sua doutrina e fé. Uma frase que vi hoje dizia o seguinte: “Se cristão falasse de Jesus com a mesma garra que defende seu candidato, o Brasil já estaria evangelizado! Qual o objetivo dessa frase? Está claro que é envergonhar, constranger o cristão para ele não se manifestar sobre as eleições.

Já relatei que, em 2010, a coligação da ex-presidente tentou impedir a manifestação cristã nas eleições.  Perderam a ação ajuizada no Tribunal Superior Eleitoral, pois a defesa apresentada e a manifestação da Procuradoria Geral da República garantiram o direito de manifestação sobre o aborto, naquela época, e sobre todos os temas morais.

Em boa hora, vários pastores e Igrejas emitiram o documento denominado Eleições 2018: Carta aberta à Igreja Brasileira.  No documento, os signatários orientam sobre os requisitos necessários dos candidatos, para atenderem à Doutrina Cristã,  e pedem para os cristãos seguirem as seguintes recomendações:

1. Que o SENHOR, o Deus Triúno, conduza em suas campanhas os candidatos honestos, bem-intencionados, comprometidos com a transparência e a moralidade, com princípios virtuosos de vida em sociedade e com uma visão cristã de mundo, a fim de que estes consigam ser eleitos aos cargos a que concorrem;

2. Que o SENHOR, o Deus Triúno, mude o coração daqueles que estão dispostos a votar em candidatos envolvidos em casos de corrupção, nem permita que estes sejam eleitos;

3. Que o SENHOR, o Deus Triúno, refreie a representação de ideologias anticristãs em nossos parlamentos estaduais e no Congresso Nacional;

4. Que o SENHOR, o Deus Triúno, frustre toda a tentativa de fraude no sistema eleitoral;

5. Que o Senhor, o Deus Triúno, não permita mais confusão e outros atos de violência, a fim de que essas eleições sejam concluídas pacificamente;

6. Que o Senhor, o Deus Triúno, por meio da obra santificadora do Espírito Santo, traga um verdadeiro avivamento à sua Igreja no Brasil, provocando um grande e duradouro impacto cultural, moral e social, por meio de homens e mulheres que produzam frutos dignos de arrependimento.

Algumas recomendações:

a) Para a escolha de candidato, recomenda-se conhecer bem o seu caráter, ideias e a ideologia do partido;

b) Apoie propostas que defendam a dignidade do ser humano e a vida em qualquer circunstância, desde sua concepção no ventre materno;

c) Rejeite candidatos com ênfases intervencionistas na esfera familiar, educacional, eclesiástica e artística;

d) Repudie qualquer ideologia que se oponha aos princípios do Reino de Deus, isto é, à mensagem e aos ensinamentos da Bíblia;

e) Apoie candidatos que expressam compreender a função primordial do Estado em prover e promover justiça e segurança para seus cidadãos;

f) Por fim, ao indicar um candidato para amigos e familiares, faça-o com respeito às opiniões diferentes da sua, lembrando que, apesar de você acreditar na pessoa para quem está dando e pedindo voto, como cristãos, nossa esperança última de sociedade perfeita deve estar na consumação dos séculos, quando Jesus voltará para reinar com cetro de justiça.

O Brasil só começou a mudar depois que os internautas cristãos perderam o medo de se apresentar na Internet. A ditadura do “politicamente correto” os impedia de se manifestarem, pois eram, e ainda são tachados de “fascistas”, “nazistas”, preconceituosos, conservadores, e outras palavras que os detratores do cristianismo se utilizam para amedrontar os cristãos. Cristãos também são cidadãos com todos os direitos e deveres dos demais brasileiros. E, portanto, podem ser eleitos.

É preceito constitucional a proibição de discriminação por crença religiosa. Não somente dentro da Igreja, na vida cidadã também.  E Jesus Cristo já se manifestou sobre o comportamento corajoso que os cristãos devem ter: “Tende confiança, sou eu, não tenhais medo” (Mt 14,27).

Quem está defendendo os preceitos cristãos nas eleições ou na escolha dos candidatos está evangelizando. E nós cristãos podemos, sim, e devemos, sim, escolher cristãos verdadeiros, para a Câmara Federal, para o Senado Federal e para a presidência da República, se nós quisermos ter um país melhor para nós mesmos, nossos filhos, nossos netos e todos os brasileirinhos e as brasileirinhas que vierem à luz pela Graça Divina.

João Carlos Biagini

João Carlos Biagini, advogado sênior na Advocacia Biagini, bacharel em Letras e em Direito. Coautor no livro Imunidades das Instituições Religiosas, coordenado pelos profs. Drs. Ives Gandra da Silva Martins e Paulo de Barros Carvalho (Noeses, 2015) e autor do livro “Aborto, cristãos e o ativismo do STF” (AllPrint, 2017).

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O que é o terceiro céu? Quantos céus existem na Bíblia?

A Bíblia usa a palavra “céu” para falar de três lugares diferentes: a atmosfera, o espaço e o Céu espiritual. A Bíblia não fala se o Céu espiritual está dividido em partes, isso é só especulação.

A Bíblia fala no terceiro céu?

Sim. O terceiro céu é o paraíso, o Céu espiritual. A expressão “terceiro céu” só aparece em 2 Coríntios 12:2, quando Paulo fala sobre uma visão que teve. O Céu espiritual é o lugar onde Deus mora, com os anjos. Os salvos, quando morrem, vão morar nesse Céu, junto de Deus por toda a eternidade. É um lugar espiritual, perfeito, que não pode ser destruído.

Veja também: como é o Céu? O que a Bíblia ensina sobre o Céu?

Quais são os outros dois céus?

Dá para entender das referências ao céu que os outros dois são a atmosfera e o espaço maior do Universo em geral. A atmosfera, ou firmamento, é descrita como o lugar onde as nuvens ficam e os pássaros voam. Cobre a terra toda e é muito importante porque fornece chuva (Gênesis 1:6-8). O céu (Universo) é o lugar do sol, da lua e das estrelas. Fica acima da atmosfera e é muito maior (Salmos 8:3).

Os astrônomos dos tempos bíblicos tinham conhecimentos bastante avançados, por isso é natural que eles conseguissem fazer uma distinção entre a atmosfera e o espaço. Provavelmente pensavam no Céu espiritual como um lugar acima ou além do Universo, em uma dimensão diferente, que não podemos ver.

O Céu espiritual está dividido em partes?

A Bíblia não fala se há divisões dentro do Céu. Parece que há recompensas especiais para algumas pessoas mas é tudo muito vago. As teorias sobre diferentes níveis dentro do Céu para pessoas mais ou menos abençoadas são só mitos sem fundamento.

O mais importante na Bíblia é o fato que o Céu existe e podemos morar lá. Basta aceitar Jesus como seu senhor e salvador. A terra é apenas uma sombra da glória do Céu, que vai além daquilo que nós podemos imaginar (1 Coríntios 13:12).

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Populismo espiritual

O populista espiritual usa o púlpito para transmitir aos crentes um evangelho carrancudo, santarrão, pesado, difícil de carregar nos ombros.

Populismo espiritual

Podemos chamar de “populismo espiritual” a prática de espiritualizar tudo para exibir uma suposta piedade cristã, a fim de se autoafirmar e de angariar a simpatia da comunidade evangélica.

O termo “populismo”, quando empregado na ciência política, define a atuação de líderes demagogos, geralmente carismáticos, que dizem o que o povo quer ouvir, sem compromisso com a verdade, com as contas públicas nem com a ética governamental.

Evitando a mediação das instituições políticas, assim como a própria submissão à ordem jurídica, o político populista busca estabelecer um canal direto com a população por meio de discurso fácil, assistencialismo, apelo ao ressentimento e exploração das mazelas sociais, o que costumar “dar certo” em termos eleitorais, mas muito errado no que toca ao desenvolvimento de uma sociedade, e por uma razão simples: as promessas de um populista não têm fundamento.

Por sua vez, a espiritualização consiste num tipo de visão de mundo em que todos os eventos são explicáveis espiritualmente, desde a inflação até uma enfermidade crônica, passando pela falência da empresa ou um namoro complicado. Nessa concepção, todas as coisas tornam-se passíveis de uma avaliação “espiritual”, a qual pode indicar peremptoriamente a presença de “espíritos territoriais”, a possessão demoníaca – que existe, mas não explica tudo – ou a falta de fé.

À semelhança de Eva, que pôs a culpa na serpente, quem vive a espiritualizar todas as coisas terceiriza responsabilidades. A causa do problema sempre é vista como fruto da batalha espiritual, sem se atentar para aspectos morais, sociais, econômicos, ideológicos, axiológicos, culturais ou educacionais. Frequentemente a causa espiritual do problema reside mesmo na falta de discernimento de quem tudo espiritualiza.

Juntando, então, o populismo com a espiritualização, tem-se a figura do populista espiritual, verdadeiro entrave à maturidade de uma igreja, ao testemunho cristão e à cultura cristã.

A partir de uma teologia equivocada, de um conhecimento bíblico precário e de uma cosmovisão dualista, o populista espiritual não consegue entabular um diálogo sem citar um versículo bíblico, vê demônio alojado em todo lugar, negligencia a leitura de livros que poderiam ajudá-lo, despreza o estudo, tem prazer na divulgação da própria espiritualidade e exige que todo juízo de valor seja precedido de um relatório do que a pessoa produziu “no Reino de Deus”. Ele é muito santo, ele é muito bom, ele é muito espiritual, ele ouve a voz de Deus diariamente, ele conhece como ninguém o mundo espiritual, ele dá “bom dia” ao Espírito Santo, ele revela mistérios, e seu grito “na Terra” é um verdadeiro espanto.

O populista espiritual é muito chato, pois é um censor do pensamento alheio. Se não quiser se aborrecer, não leia perto dele um poema ou letra de música “do mundo”, e, se ele for arminiano pentecostal, não cite um calvinista cessacionista que tenha dito alguma coisa válida – ele vai te censurar duramente, porque pensa ter nas mãos a chave da verdade doutrinária e teológica, ainda que ele mesmo seja um profundo ignorante.

O populista espiritual entende que a suficiência das Escrituras significa que ele não pode ler nada mais que a Bíblia, quando, na realidade, a suficiência das Escrituras nos diz que é impossível ser salvo senão pela graça, mediante a fé no sacrifício vicário e expiatório de Jesus. De forma muito ignorante e alijada de toda sabedoria, o populista espiritual propala a falsa tese de que todas as suas proposições doutrinárias são fruto da leitura individual que faz da Bíblia, sem ter a mínima noção de que é também herdeiro de séculos de história da Igreja – embora demonstre administrar muito mal o patrimônio que recebeu.

O populista espiritual usa o púlpito para transmitir aos crentes um evangelho carrancudo, santarrão, pesado, difícil de carregar nos ombros, mas ao mesmo tempo é ele quem dedica o culto ao não convertido como se o centro das atenções devesse ser o convidado, e não a Pessoa de Cristo. O resultado disso é que para os de fora o evangelho é macio, enquanto para os de dentro o evangelho é como uma bola de chumbo segurando o pé.

Não há possibilidade de crescimento espiritual se a percepção do mundo e da Bíblia for tão bisonha como aquela sustentada pelo populista espiritual. Para afastar esse vício, porém, é preciso começar seguindo o protocolo: diagnosticando-o de modo claro e objetivo, a fim de que a igreja possa discernir quando estiver diante dos sintomas.

Alex Esteves

Ministro do Evangelho na Assembleia de Deus em Salvador/BA. Membro do Conselho de Educação e Cultura da CONFRAMADEB. Bacharel em Direito. Casado e pai de três filhos.