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O pecado trouxe terríveis distorções em nossa capacidade de crer em Deus

LIDERANÇA

MEDO

 

Por: Rodolfo G. Montosa

Quando o povo de Israel saiu do Egito, ainda tinha marcas profundas dessa terrível experiência passada na terra opressora. O tempo da escravidão trouxe muita insegurança/medo, pois era evidente a fragilidade do povo diante dos poderes e gigantes que os dominavam. A autoestima tinha sido destruída, a confiança despedaçada, a incerteza cresceu num tanto que fez sombra em tudo o que passaram a ver na caminhada. No episódio do envio dos 12 espias (Números 13), somente dois tiveram a confiança que Deus os livraria de todas as barreiras (versículo 30). Os outros 10 afirmaram que o povo daquela terra era mais forte do que nós (versículo 31), aos nossos próprios olhos nos sentíamos tão pequenos!

A formação do medo em nossos corações aconteceu para muito além de nossas histórias pessoais. É fácil perceber que, desde crianças, temos muitos medos diferentes: medo de perder a mãe (ansiedade de separação), medo do desconhecido (angústia do estranho), medo de um objeto deixar de existir (permanência do objeto), medo de animais, medo de ruídos, do escuro, dos monstros, fantasmas, ladrões, dentre uma lista interminável. Pela Bíblia, o medo entrou no coração da humanidade logo após o ato de desobediência, quando Adão e Eva esconderam-se por medo (Gênesis 3.10). De fato, o pecado trouxe terríveis distorções em nossa capacidade de crer e descansar em Deus pelo simples fato de termos nos tornado indignos de confiança. A afetação da alma distorceu nossa visão de confiança no Senhor, nossa capacidade de ter esperança, causando desesperança, ou melhor, desespero. Assim é como os 10 espias estavam em profundo desespero.

A sustentação do medo passou a ser multiplicada pela influência da sociedade, pois o povo começou a reclamar (versículo 30), e também pela influência da mídia, pois espalharam notícias falsas (versículo 32). Criou-se um verdadeiro clima de pânico, levando todo o povo a crer que estavam destinados à morte. Cairiam novamente nas garras de um novo tirano. Perderiam seus sonhos, bens, família, liberdade. O medo é multiplicado pelos comentários sem fim. Pais ministram insegurança a seus filhos. Líderes apavorados provocam reações descontroladas nos liderados. A conta foi covarde: dez pessoas espalhando desconfiança contra dois tentando transmitir segurança. O terror se instala. Daí por diante é só choro, angústia e grande perturbação.

A libertação do medo veio somente sobre as vidas de Josué e Calebe porque não se concentraram como eram aos seus próprios olhos ou aos olhos do inimigo. Fixaram sua atenção no que eram aos olhos de Deus. Não precisaram se sentir pequenos: eles eram pequenos! Mas tinham um grande Deus que tinha feito a firme promessa de que daria a terra prometida. Isso bastou para seus corações se encherem de confiança.

O medo é saudável até o ponto de nos manter alertas e defensivos. Mas quando o medo nos domina, torna-se cruel. Ele paralisa, gera angústia, rouba o sono, tira a paz, traz transtornos de ansiedade, produz pânico, leva ao terror, provoca aversão ou conduz à hostilidade. De fato vivemos uma sociedade com muito medo. Alguns estudiosos já catalogaram mais de 400 diferentes tipos de fobias. Na Bíblia, a palavra medo aparece 563 vezes e terror aparece 116 vezes, indicando que o assunto não é um problema dos dias de hoje, mas que sempre esteve presente na história da natureza humana.

Onde há medo não há confiança, segurança, alegria, fé. Pela Bíblia, não precisamos temer a morte(Salmo 23.4), nem pessoas (Salmo 27.1; 56.4, 11), nem sequer más notícias (Salmo 112.7), pois se o Senhor é por nós, quem será contra nós? (Romanos 8.31) Mas o que verdadeiramente lança fora o medo de nossos corações é conhecer o perfeito amor de Jesus (1 João 4.18). Para arrancar o medo de dentro de nossos corações precisamos perceber o grande amor de Cristo. Isso nos basta!

Qual é o seu medo? O que tira seu sono? Para você o Senhor diz: não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel (Isaías 41.10). Ele está presente. Ele é nosso Deus. Ele faz coisas poderosas a nosso favor. Por isso podemos dizer: nada temerei!

Data: 9/9/2011 08:51:32

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O Tesouro de Davi: comentários aos Salmos editados por C.H.Spurgeon (Salmo 1)

 

SALMO 1

Este Salmo pode ser considerado como o Salmo prefácio, posto que nele há uma ideia do conteúdo de todo o livro. O desejo do Salmista é ensinar-nos o caminho para a bem-aventurança e advertir-nos da destruição segura dos pecadores. Este é, pois, o assunto do primeiro Salmo, que pode ser considerado, em certos aspectos, como o texto sobre o qual o conjunto dos Salmos forma um sermão divino. C. H. S.

O Salmista diz mais, e de modo apropriado, sobre a verdadeira felicidade, neste curto Salmo, do que qualquer dos filósofos, ou que todos eles juntos; estes não fazem mais que enrolar-se; Deus vai certeiramente ao ponto e diz o essencial. John Trapp.

Vers. 1. Bem-aventurado. Observe-se como este Livro dos Salmos começa com uma bênção, assim como o famoso Sermão de nosso Senhor no monte. A palavra traduzida como «bem-aventurado» é uma palavra muito expressiva. No original é plural, e é uma questão discutida se se trata de um adjectivo ou de um substantivo. Daí que podemos coligir a multiplicidade das bênçãos que repousam sobre o homem, a quem Deus justificou, e a perfeição e grandeza das bênçãos de que gozará.

Bem-aventurado o varão que não anda no conselho de maus. Este homem segue o conselho prudente, e anda nos mandamentos do Senhor, seu Deus. Para ele os caminhos da piedade são caminhos de paz e de bem-aventurança. Os seus passos são ordenados pela Palavra de Deus e não pela astúcia e argúcias do homem carnal. É um sinal certo de graça interior o facto de que o modo de andar foi transformado e que a impiedade é apartada das nossas acções. C.H.S

A palavra haish é enfática neste homem; é um entre mil que vive para o cumprimento do fim para o qual Deus o criou. Adam Clarke.

Nem se detém no caminho dos pecadores. O pecador tem um caminho ou modo particular de transgredir; um é um bêbado, o outro é pouco honrado ou de má fé, o outro impuro. Há poucos que se entreguem a toda classe de vícios. Há muitos avaros que aborrecem a embriaguez, e muitos bêbados que aborrecem a avareza; e assim a respeito de outras coisas. Cada um tem o seu pecado dominante; portanto, como diz o profeta: «Deixe o ímpio o seu caminho» (Is 55:7). Pois bem, bem-aventurado o que não anda por um caminho semelhante. Adam Clarke.

Nem se assenta na roda dos escarnecedores. Que outros se mofem do pecado, da eternidade, do Inferno e do Céu e do Deus eterno; este homem conhece uma filosofia melhor que a dos infiéis e tem um sentido muito claro da presença de Deus para permitir que o Seu nome seja blasfemado.

Quando os homens vivem no pecado, vão de mal a pior. No começo andam meramente no conselho dos descuidados e dos ímpios, que não se preocupam com Deus – o mal é, pelo contrário, de carácter mais prático que o habitual –, mas depois disto habituam-se ao mal e andam no caminho dos pecadores declarados que voluntariamente quebrantam os mandamentos de Deus; e se são deixados sozinhos, vão um passo adiante e volvem-se mestres e tentadores deploráveis em relação aos demais, e com isso se sentam na cadeira dos escarnecedores. Graduaram-se no vício, e como verdadeiros doutores de condenação, concedeu-se-lhes o título, e os demais consideram-nos como professores em Belial. Mas o homem bem-aventurado, o homem que possui todas as bênçãos de Deus, não pode ter contacto com personagens desta classe. Mantém-se puro e livre destes leprosos; aparta as maldades dele como vestidos manchados pela carne; sai de entre os perversos e vai para fora do acampamento levando a reproche de Cristo. Oh, se pudéssemos ter graça para nos manter separados assim dos pecadores! C. H. S.

Vers. 2. Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR. «A lei do SENHOR» é o pão diário do crente verdadeiro. E, contudo, nos dias de David, que reduzida era a quantidade de inspiração, porque apenas havia nada mais do que os cinco primeiros livros de Moisés! Quanto mais, pois, deveríamos louvar toda a Palavra escrita que temos o privilégio de possuir nas nossas casas! Mas, ah!, que trato tão pobre damos a este anjo do Céu. Não somos como os esquadrinhadores de Bereia quanto às Escrituras. Quão poucos há entre nós que podem reclamar a bênção deste texto! C. H. S.

A «vontade» a que se alude aqui, é o deleite do coração, e o prazer certo na lei, que não se olhe ao que a lei promete, nem ao que ameaça, mas só a isto: que «a lei é santa, justa e boa». Daí que não só é amor à lei, mas que também é um deleitar-se amoroso na lei que nem a prosperidade, nem a adversidade, nem o mundo, nem o príncipe do mundo podem tirar ou destruir; porque abre caminho vitoriosamente no meio da pobreza, da má fama, da cruz, da morte e do Inferno e no meio das adversidades é quando brilha mais. Martinho Lutero.

E em sua lei medita de dia e de noite. Neste versículo tão simples há todo um mundo de santidade e espiritualidade; e se em oração e em dependência de Deus nos sentamos e o estudamos, poderemos contemplar muito mais do que nos apresenta à vista. É possível que quando o lermos ou o olhemos vejamos pouco ou nada; o servo de Elias foi olhar uma vez e não viu nada; por isso Elias deu-lhe a ordem de ir olhar sete vezes. «O que vês agora?» – perguntou-lhe o profeta –. «Vejo uma nuvem que sobe, como a palma da mão», e, em pouco tempo, toda a superfície dos céus se achava coberta de nuvens. Igualmente é possível que se lance um olhar rápido sobre uma passagem e não se veja nada; medita sobre ela com frequência; logo verás luz, como a luz do Sol. Jos. Carvil.

«A boca dos justos meditará sabedoria.» Por isso Agostinho tem na sua tradução «conversar»; o qual é uma formosa metáfora, posto que indica um conversar constante, familiar, com a lei do Senhor, que é aquilo em que o homem se devia ocupar, porque o falar é peculiar do homem. Martinho Lutero

O homem piedoso lê a Palavra de dia para que, vendo os demais as suas boas obras, possam glorificar a seu Pai que está nos Céus; fá-lo-á de noite para não ser visto dos homens; de dia, para mostrar que não é um dos que temem a luz; de noite, para mostrar que é um dos que podem brilhar na sombra; de dia, porque é a hora de obrar, e assim obra enquanto é de dia; de noite, para que o seu Senhor não venha, como ladrão na noite, e o encontre ocioso.Richard Baker.

Não tenho descanso, se não for em companhia do livro. Tomás de Kempis.

Vers. 3. Será como árvore plantada; não uma árvore silvestre, mas «uma árvore plantada», escolhida, considerada como propriedade, cultivada e protegida de ser desarreigada, porque «toda planta que não plantou meu Pai celestial, será desarraigada».

Junto a correntes de águas. De modo que até se falta uma corrente, há outra disponível. Os rios do perdão e os rios da graça, os rios da promessa e os rios da comunhão com Cristo, são fontes de provisões que jamais falham.

Que dá o seu fruto a seu tempo. O homem que se deleita na Palavra de Deus, recebe instrução dela, dispõe de paciência na hora do sofrimento, fé na hora da prova e gozo santo na hora da prosperidade. O dar fruto é uma qualidade essencial do homem que possui graça, e o seu fruto será na ocasião certa. C. H. S.

Os ímpios têm os seus dias marcados, as suas ocasiões, as suas obras e os seus lugares determinados, aos quais se aderem estreitamente; de modo que se o seu vizinho morresse de fome, nem por isso se apartaria de seu costume. Mas o homem bem-aventurado, sendo livre em todos os momentos, em todos os lugares, para todas as obras e para todas as pessoas, acode a servir e a ajudar sempre que houver uma necessidade.

E a sua folha não cai. Descreve antes o fruto do que a folha, e, por isso, intima-se ao que professa a palavra de doutrina que dê primeiro os frutos de vida se não querer que o seu fruto murche, porque Cristo amaldiçoou a figueira que não dava fruto. Martinho Lutero.

E tudo o que faz, prosperará. Assim como há uma maldição envolta na prosperidade do malvado, há também uma bênção escondida nas cruzes, perdas e aflições do justo. As provas e tribulações do santo pertencem à administração divina, e por meio delas cresce e dá fruto em abundância. C. H. S.

A prosperidade externa, segue-se ao acto de andar com Deus, que é muito doce; como o zero, que quando segue um dígito aumenta o valor do número, ainda que ele mesmo, em si mesmo, não é nada.John Trapp

Ver. 4. Não são assim os ímpios. Nota o uso da palavra, «maus» ou ímpios, porque, como vimos ao começo do Salmo, estes são os principiantes no mal e são os pecadores que ofendem menos. Estes são os que prescindem de Deus, ainda que continuem sem alterar-se na sua moralidade. Se este é o teu  triste estado, qual será a condição dos pecadores francos e declarados, os infiéis e reprovados? C. H. S.

Que são como a moinha. Este é seu carácter: intrinsecamente sem valor, mortos, inúteis, sem substância e levados pelo vento. C. H. S.

Que arrebata o vento. Aqui vemos o seu destino e condenação: a morte os arrebatará com as suas rajadas terríveis de fogo, no qual serão totalmente consumidos. C. H. S.

Aqui, de passagem, podemos ver que os maus têm algo de que dar graças, sem que o saibam; que podem agradecer aos piedosos pelos dias bons que vivem na terra, posto que é por eles e não por si mesmos que gozam do que gozam. Porque como a moinha, enquanto está unida ao trigo, goza de alguns privilégios por causa do trigo, posto cuidadosamente no celeiro, mas logo que é tirada e separada do trigo é lançada e esparramada pelo vento, assim também os maus, enquanto que se achem na companhia dos bons, no meio deles, participam por sua causa de algumas das bênçãos prometidas aos bons; mas se os bons os abandonam ou são se apartados deles, então cai sobre eles como que um dilúvio de fogo, como ocorreu a Sodoma quando Loth a abandonou e se foi da cidade. Sir Richard Baker.

Vers. 5. Portanto, não se erguerão na congregação dos justos. Toda a igreja tem um demónio nela. A cizânia cresce nos mesmos sulcos que o trigo. Não há nenhuma era que tenha sido limpa de toda a moinha. Os pecadores mesclam-se com os santos, e a escória com o ouro. Os preciosos diamantes de Deus acham-se ainda no mesmo terreno que os calhaus.

Os pecadores não podem viver no Céu. Estariam fora do seu elemento. Seria mais fácil para um peixe viver encarrapitado numa árvore do que para um malvado viver no Paraíso. C. H. S.

Vers. 6. Porque Jehová conhece o caminho dos justos, ou como o hebraico ainda de modo mais pleno: «O Senhor é conhecedor do caminho dos justos.» Ele está observando constantemente o seu caminho, e ainda que o caminho possa passar por entre a névoa e a obscuridade, tudo, o Senhor o conhece.

Porém o caminho dos maus conduz à perdição. Não somente vão perecer eles mesmos, mas que também perecerá o seu caminho. O justo: cinzela o seu nome na rocha, mas o mau escreve a sua lembrança sobre a areia. C. H. S.


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Tesouro de David: versão resumida em espanhol

Tradução de Carlos António da Rocha

http://no-caminhodejesus.blogspot.com/

É PROIBIDA A REPRODUÇÃO DESTE TEXTO SEM CITAR NA ÍNTEGRA ESTA FONTE

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Como entender que tudo coopera para o nosso bem?

 

Imagem do avatarPor Paulo César Nunes do Nascimento (perfil no G+ Social) em 19 de agosto de 2011

Como entender que tudo coopera para o nosso bem?

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Rm 8.28)

Talvez este seja um dos versículos mais citados por nós evangélicos, especialmente diante de situações adversas vividas por outras pessoas! Geralmente buscamos conforto e refúgio nesse versículo.

Mas muitas vezes, Rm 8.28 é usado meramente como último recurso ou fuga face às complexidades da vida cristã. Quando irmãos conosco as tragédias que atingiram as suas vidas, nos sentimos impotentes, não encontramos palavras capazes de produzir conforto e tranqüilidade, então recorremos a Rm 8.28 e dizemos: “É assim mesmo irmão, todas as coisas cooperam…”

No entanto, a experiência cristã tem mostrado que esse versículo é doce e fácil de ser digerido até o momento em que as tragédias da vida não batem a nossa porta e invadem a nossa casa.

Esta semana recebi um email com o seguinte conteúdo: (12/06/07)“Não sei se você conhecia um amigo nosso que fez o CLM aqui no passado, o Carlinhos e a esposa Cristina. O Gino e eu fomos ontem à tarde no sepultamento deles em Goiânia. Sofreram um acidente de carro e morreram os dois no local, deixando dois filhos, um de 13 (menina) e o outro de 10 (menino).”

Como estas crianças pré-adolescentes irão entender que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus diante da dura realidade de terem perdido pai e mãe no mesmo dia e numa fase da vida tão complicada como a pré-adolescência?

Como entender que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus quando se tem uma mãe maravilhosa, uma esposa dedicada, serva de Deus, que aos 55 anos descobre que está com câncer e 43 dias depois vem a falecer?

Como entender que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus quando se dedica toda a vida à tradução da Bíblia para um povo indígena na Colômbia, depois de publicado os guerrilheiros queimam todos os exemplares? O missionário vem para o Brasil começa um processo de revisão desse NT que fora queimado e aí descobre que está com câncer na medula. Pede a Deus apenas duas coisas: dê-me ainda mais um tempo para que eu possa completar esta revisão e ver os meus netos crescerem. Obtém como resposta NÃO, e pouco tempo depois morre. Como entender?

O apóstolo Paulo nos deixou nesse texto algumas orientações que, se forem bem assimiladas por nós, nos proporcionarão maturidade cristã, e nos capacitarão a lidar com as tragédias de forma menos dramática. Observem: não de forma calma, tranqüila, mas de forma menos dramática.

Para entendermos que Deus manobra todas as coisas (inclusive tragédias) para o bem daqueles que o amam, é preciso que tenhamos em mente que…

1. Deus trabalha em cima de projetos eternos. VS. 29,30

Observemos o resumo que Paulo faz do projeto eterno de Deus em relação aos seus.
…conheceu de antemão… Predestinou… Essas duas ações divinas se deram na eternidade.
…chamou… Justificou… Essas outras duas ações divinas se deram, aconteceram num momento histórico das nossas vidas. Ele nos chamou através da pregação da sua Palavra. Quando respondemos positivamente ao seu chamado, ele nos declarou justos em Cristo Jesus.
…glorificou… Esta última ação divina se dará no futuro, no momento da vinda de Jesus.

Ocorrerá no futuro? Ou já ocorrera no passado?

Essa declaração de Paulo é considerada a mais ousada expressão de fé das escrituras. A glorificação dos servos de Deus se dará em algum momento no futuro, mas ele fala dela como já consumada no passado.
O princípio que podemos extrair desses versículos é que o que Ele planejou na eternidade acerca das nossas vidas tem o seu desfecho final garantido. Independentemente dos contratempos e das tragédias que atingem as nossas vidas hoje.
Amados, o Senhor nosso Deus trabalha em cima de projetos eternos, de sorte que pra Ele não existe surpresas, acontecimentos inesperados, tragédias repentinas. Para Ele está fora de cogitação declarações tais como: “Não tive o controle da situação! Sinto-me impotente diante do que está acontecendo! Tudo aconteceu tão de repente!!!”
Todas essas coisas fazem parte da nossa experiência. De fato, nós somos surpreendidos por algumas tragédias, por desastres, por perdas repentinas; nós nos sentimos impotentes diante de sofrimentos prolongados vivenciados por nós ou por pessoas intimamente ligadas a nós.

De fato nós não conseguimos entender nem perceber que todas as coisas vão cooperar para o nosso bem. Isso é fato!
· Na verdade, algumas tragédias, alguns desastres, algumas perdas e alguns sofrimentos. São entendidos e explicados com o tempo. (José do Egito). “Vós na verdade, intentaram o mal contra mim, porém Deus o tornou em bem…” Gn 50.20a.
· Outras e outros, porém, nos atingem aqui, mas os seus motivos e as suas razões se processam numa dimensão acima da nossa, os quais ficam sem explicação para nós. De maneira que, quando tentamos ou alguém tenta oferecer uma explicação plausível, tece comentários e chega a conclusões equivocadas.
· Jó sofreu uma tragédia familiar, uma tragédia financeira, uma tragédia física, e uma tragédia matrimonial.
O que se passava com Jó aqui na terra eram efeitos, resultados, de algo que se processava numa dimensão espiritual que ele desconhecia.

Todos os seus amigos que tentaram oferecer explicações plausíveis, falaram bobagens.

Em situações como esta de Jó, em que as tragédias ficam sem explicações e nós não conseguimos enxergar como essas coisas vão cooperar para o nosso bem, precisamos entender que para Deus, numa dimensão espiritual acima da nossa, todas as coisas estão perfeitamente claras e são perfeitamente explicáveis.
Precisamos descansar e confiar, que de alguma maneira, que nós desconhecemos, Ele promoverá o bem para nós porque
Ele trabalha em cima de projetos eternos.

Mas em segundo lugar, para entendermos que Deus manobra todas as coisas para o nosso bem (inclusive as tragédias), preciso que tenhamos em mente que…

2. O laço amoroso de Deus para conosco não se rompe mesmo diante das piores tragédias da vida v.35

No v.35 Paulo faz uma pergunta retórica “Quem nos separará do amor de Cristo?” ao fazer esta pergunta Paulo não estava em busca de respostas. Ele a fez simplesmente para fins de argumentação; para enfatizar uma verdade que ele já sabia.
Em seguida ele passa a alistar uma série de circunstâncias incômodas que quando estamos no meio delas temos dificuldade de perceber e entender o amor de Deus por nós. V. 35.

O que Paulo está enfatizando com estás duas perguntas retóricas e que nenhuma dessas circunstâncias incômodas, nenhuma tragédia da vida é capaz de romper o laço do amor de Deus para conosco.
Mas, pastor, como entender o amor de Deus por nós diante das tragédias da vida?… diante de um casamento desfeito?… diante do abandono do marido?… diante da morte dos pais quando ainda se é muito novo?… diante das agonias de um parente com uma doença incurável?… diante do fato de ter sido e ainda ser rejeitado?… quando se perde o emprego ou a fonte de renda para o sustento da família?… quando se é abandonado pelos pais?…quando Ele remove das nossas vidas as pessoas que mais amamos?

Em circunstâncias como essas é extremamente difícil perceber e entender o amor de Deus.

No entanto, nas Escrituras, o Senhor afirma e reafirma o seu amor para com o seu povo, especialmente em circunstâncias em que o povo sente o abandono e o desamparo do Senhor. Em Is 49.14,15 está escrito:

“Mas Sião disse: O Senhor me desamparou o Senhor se esqueceu de mim. Pode uma mãe esquecer-se do filho que ainda mama, de modo que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti.”

No Sl 27.10 Davi fala desse amor imutável do Senhor:

“Ainda que meu pai e minha mãe me desamparassem, o Senhor me recolheria.”
Observemos que para afirmar e reafirmar a imutabilidade do seu amor para conosco, até mesmo em meio as tragédias da vida o Senhor usa como ponto de comparação o mais elevado nível de amor nos relacionamentos humanos: o amor dos pais para com os filhos.

Portanto, tenhamos sempre em mente que o laço amoroso de Deus para conosco não se rompe mesmo diante das piores tragédias da vida.

Mas em terceiro lugar, para entendermos que Deus manobra todas as coisas (inclusive as tragédias) para o nosso bem, é preciso que tenhamos em mente que…

3. O laço amoroso de Deus para conosco ultrapassa os limites da própria morte. Vs. 38,39

A morte impõe limites a existência terrena, mas Paulo diz que nem mesmo ela põe fim à ligação amorosa de Deus para com os seus servos, nem mesmo ela rompe, quebra, desfaz o laço amoroso de Deus para com os seus filhos.
Desde novo convertido eu aprendi que a Bíblia fala de três tipos de morte: física, espiritual e eterna. Também aprendi que o conceito básico que inclui esses três tipos de morte é separação. Separação do espírito e do corpo, separação da comunhão com Deus, separação eterna do Criador.
Se este conceito de morte estiver teologicamente correto, o que Paulo está dizendo é que nem mesmo a “separação poderá nos separar do amor de Deus”.

Na experiência humana a morte é o ponto alto, o ápice de uma tragédia. Tragédias que terminam com a morte de pessoas, são mais angustiantes e dramáticas.

Entender o amor de Deus em tragédias desse tipo é muito difícil do que em qualquer outra situação.
Geralmente as pessoas acham que se Deus as amasse não teria tirado a vida do seu ente querido; se Deus amasse o seu ente querido não teria permitido que ele morresse numa situação como aquela.
Pensamentos como estes geram revoltas, abalam a fé, levam muitas pessoas a desacreditarem do amor de Deus.
Em momentos assim é preciso maturidade cristã, é preciso visão correta da morte: Deus não deixou de nos amar porque o nosso ente querido morreu de forma tão trágica, Ele não deixou de amar o que foi vítima da tragédia, porque o seu laço amoroso para conosco, diz Paulo, ultrapassa os limites da própria morte.
Amados esses meus 22 anos de evangelho, uma das declarações mais belas que eu já ouvi face à dura realidade da morte foi de um indígena. Fazendo uma visita para uma irmã de sua comunidade que estava com câncer em estado terminal, ele disse:
“vá minha irmãzinha, vá em paz! O câncer pode comer a sua carne, mas não pode comer o seu espírito”. (Senhor Jair – etnia Dâw).
Esse homem tão simples, na simplicidade da sua fé, expressou maturidade, visão correta da morte. Mesmo matando-a, o câncer não seria capaz de pôr fim à sua existência espiritual, ao seu relacionamento com Deus numa outra dimensão, de desfazer, de romper o laço amoroso de Deus para com sua serva.

Em outras palavras, Paulo já havia falado sobre isso na carta aos Romanos 14.7,8: Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos para o Senhor vivemos; se morremos para o Senhor morremos. Quer pois, vivamos ou morramos, SOMOS DO SENHOR.

Pr. Paulo César Nascimento