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Sobre a “injustiça” de Deus

A “injustiça” de Deus como fruto da injusta interpretação humana.

por Cleiton Maciel Brito-gospelprime-

 

Sobre a “injustiça” de Deus

Ouvem-se muitas críticas, principalmente no meio acadêmico, mas também dentro da “roda dos evangélicos” à forma como Deus “agia” no Antigo Testamento. Essas críticas costumam  associar esse “Deus dos antigos” a um “tirano”, que “ordenava o extermínio de povos”, que se “arrependia de ter feito o homem”, que não exercia misericórdia, etc. A imagem que se forma de Deus, sob esse olhar crítico, é de um Deus  instável, movido por ira, colérico. Em uma palavra, um Deus que parece mais um homem do que um ser perfeito, transcendente.

De fato, textos como o de Josué 6:21, Deuteronômio 20:16, Juízes 1:8, e muitos outros, lidos de maneira apressada, sem uma reflexão profunda, e sob o prisma emocional, podem ser interpretados como sendo provas da ação de um Deus atroz e vingativo.

Contudo, não obstante eu entender a dificuldade de se olhar para passagens bíblicas como as indicadas acima sem ficar, primeiramente, impactado, e até sem compreendê-las a princípio, penso que devemos ir além do caráter emotivo da leitura, e arrazoarmos sobre o que significava e qual o sentido da ação de Deus no contexto da história do povo hebreu (que expressa, de forma localizada e pontual, o relacionamento de Deus com a história humana).

A ideia aqui, é, com efeito, trazer pontos pra reflexão sobre o assunto, mais do que apontar uma resposta.

Nessa perspectiva, penso que há um ponto fulcral que, enquanto cristãos,  aprioristicamente devemos levar em conta: que Deus não é injusto quando pune o homem (Romanos 3:5-7). A alma que pecar essa morrerá (Ezequiel 18:4). Logo, quando Deus pune, Ele está sendo justo. Quando não pune, é porque houve arrependimento, e Ele, assim, está sendo misericordioso.

Isso fica nítido quando olhamos os textos de Paulo (principalmente), e colocamos nossa atenção na “Teologia”. Mas mesmo se formos apanhar exemplos do mundo social, sob a luz da Sociologia, observaremos que o Direito,  a Jurisprudência, e as práticas sociais refletem (ainda que de forma imperfeita e muitas vezes, invertida) uma lógica similar a forma como Deus opera face aos atos dos homens, agindo de conformidade com a aproximação ou o distanciamento destes em relação a sua santidade.

Isso significa dizer que, de forma semelhante, há uma ação “punitiva” humana  na medida em que a sensibilidade social média de justiça é “aviltada”, e assim, considera-se a pena de um crime justa. Quer dizer, a ideia do que é justo e injusto se dá sempre dentro de uma relação entre o que a sociedade considera normal, e o que ela considera desvio. Quando há o desvio, pressupõem-se a punição. E esta é, em tese, proporcional ao tipo de desvio cometido. Há desvios que não são crimes (como não usar determinado tipo de roupa para um casamento), mas todo crime é considerado um desvio, e a pena sobre o crime terá como balizadores a forma como ele atinge a sensibilidade social, o tipo médio do que seria um bom comportamento na sociedade, e o conhecimento que quem cometeu o crime tem sobre seus atos.

Pensando nestes termos, e buscando traçar um paralelo com a discussão teológica e bíblica, acredito que seja mister a formulação das seguintes questões com vistas à reflexão sobre a “injustiça” de Deus: qual seria a sensibilidade de Deus em relação aos nossos atos “criminosos”? O que é a justiça para Ele? Como nossas práticas o “atingem”? Será que essa crítica ao modus operandi de Deus não é fruto de olhamos mais para a “punição” do que para o crime que se cometeu? Será que se refletíssemos sobre a profundidade do crime que é o negar Deus, o não submeter-se a sua vontade, não acharíamos sua punição justa?

 É importante pontuar que no Antigo Testamento, onde estão a maioria dos texto que os críticos usam com maior frequência para apontar a “injustiça de Deus”, Ele revelava-se  ao povos,  mas estes negavam-no. Observavam o testemunho de Deus no passado, o que Ele havia realizado, mas queriam viver seu próprio tempo. Dito de outra forma, possuíam um conhecimento de qual era a vontade de Deus, tinham o passado como registro histórico dessa vontade, dispunham do presente como aguda voz chamando-os ao arrependimento, viam como seria o futuro sem o Senhor, mas mesmo assim preferiram “andar com suas próprias pernas”. (Como registro, vale lembrar que muitos hebreus, os escolhidos para uma”experiência arquétipa”, também seguiram esses passos, por isso, como punição, foram prostrados no deserto (1 Coríntios 10:1-11), enquanto os obedientes chegaram a Canaã).

Isso mostra que, ao contrário do que alguns críticos dizem, não havia vários “Deus” no passado. Ele era o mesmo. O que havia eram vários homens, diferentes respostas humanas ao chamado de Deus ao arrependimento. Abraão creu, e se tornou “amigo de Deus”, mas logo ali, em Sodoma e Gomorra, muitos não creram; preferiram ser inimigos de Deus, não obstante o testemunho de Ló, e a constante oração de Abraão em favor deles. Em Jericó, a maioria não creu, mas Raabe creu, e se tornou parte da ascedência de Jesus. Em Nínive, o próprio Jonas não creu que o povo creria, mas este creu, e foi polpado da ira de Deus.

E poderíamos continuar citando outro exemplos, e mostrando que não é que Deus é diferente, mas é o homem que, indiferente, prefere andar por seus próprios caminhos, o que, em relação à perfeição e à santidade do Criador, é a maior injustiça do universo, posto ser uma abominação à “sensibilidade da justiça divina”. Sob essa visão, qualquer punição efetuada por Deus é justa. Arriscaria-me a dizer que, dada a sua santidade, até a morte eterna como pena pela rebeldia humana ainda é um ato misericordioso. Uma pena o homem não compreender isso. 

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Assembleia de Deus Madureira libera divórcio para pastores e líderes

Nenhum pastor poderá ser destituído do seu cargo por motivo de divórcio ou novo casamento.

por Jarbas Aragão-gospelprime-

 

Assembleia de Deus Madureira libera divórcio para pastores e líderes
AD Madureira libera divórcio para pastores e líderes

Embora a Bíblia diga que o líder cristão deve ser “marido de uma só mulher”, a Assembleia de Deus Ministério de Madureira, pensa diferente. Durante a Assembleia Geral Extraordinária da CONAMAD (Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil Ministério de Madureira) realizada no mês de julho, foi aprovada uma alteração no estatuto que possibilita que os membros e pastores possam se divorciar.

Impensável até alguns anos atrás, a decisão da Assembleia de Deus faz com que ela incorra numa prática que já é comum em outras denominações. O grupo de igrejas liderado por Manoel Ferreira tem aparecido na mídia ultimamente por seu suposto envolvimento no desvio de dinheiro da Petrobras.

A decisão de “liberar” o divórcio foi mal recebida em alguns segmentos da igreja. Os documentos divulgados nas redes sociais provam que entre 8 e 11 de julho durante a convenção nacional, a Madureira cedeu à pressão.

O argumento principal é que existem situações em um casamento que permitiriam a “dissolução do matrimônio”, entre elas: abuso físico e/ou psicológico, adultério, abandono emocional e espiritual”. Nenhum versículo bíblico que de sustentação a essa decisão foi citado, contrariando a ideia dos evangélicos que defendem que a Bíblia é sua regra de “fé e prática”.

O portal Gospel Prime entrou em contato com a CONAMAD via telefone e e-mail. O secretário executivo da convenção afirmou que não pode atestar o documento divulgado por não ter o original em mãos. Ao ser questionado sobre a política atual da igreja sobre pastores e líderes divorciados, não quis comentar o assunto.

A secretária do ministério no Rio de Janeiro também não quis comentar, limitou-se a dizer que “não tinham informações sobre o caso”.

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A família de Ló

 (extraído do jornal árvore da Vida)

Ao falar do final dos tempos e da vinda do Senhor Jesus, o Evangelho de Lucas menciona não apenas a família de Noé, como também a de Ló: “O mesmo aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre e destruiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do Homem se manifestar” (Lucas 17:28-30).

Ló, que era sobrinho de Abraão, viveu em uma época que precedeu o julgamento de Deus sobre as pessoas, assim como Noé. Ló era considerado um homem justo e sentia-se afligido pelo comportamento libertino de seus contemporâneos em Sodoma, cidade onde vivia (2 Pedro 2:7). Apesar disso, não vemos nele um testemunho de alguém que tinha uma aliança com Deus e uma vida comprometida com Ele. Tampouco vemos em Ló a mesma busca por Deus e por fazer Sua vontade como vemos em seu tio. Não fosse  pela intercessão de Abraão, talvez Ló nem mesmo escapasse da destruição de Sodoma (Gênesis 18:16-33; cf. 19:29).

Gênesis 13 mostra que ele seguia Abraão e com ele se tornou rico, mas não mostra que em toda sua vida tenha erigido um altar e invocado o nome do Senhor como fazia Abraão (vs. 4-5). Um dia, houve contenda entre os pastores de Ló e os pastores de seu tio; este sugeriu que ambos se apartassem. Seria razoável Ló deixar Abraão escolher antes dele para onde ir, mas em vez disso, ele “escolheu para si” toda a campina fértil do Jordão (vs. 10-11). Sua escolha indica que ele era egocêntrico e que queria viver uma vida mais fácil, fazendo o que lhe era mais conveniente. Ló não se importou com seu tio já idoso e muito menos em saber qual era a vontade de Deus. Por fim o caminho que ele escolheu levou-o a Sodoma, um lugar onde os homens eram maus e grandes pecadores contra o Senhor e ali passou a morar (vs. 12-13).

Ló estava à porta da cidade, lugar de honra para quem era juiz, quando dois anjos foram enviados para resgatá-lo (Gênesis 19:3, 9). Os anjos recusaram o convite de pernoitar em sua casa, pois somente queriam cumprir sua missão de tirá-lo dali o mais rápido possível. Mas, pela insistência de Ló, eles entraram em sua casa onde se banquetearam. Vieram, então, os moradores da cidade para abusar de seus hóspedes. Ló procurou preservar-lhes a vida, oferecendo suas filhas, virgens, para que os homens fizessem com elas o que bem quisessem (vs. 5-8). Que confusão!

Ló se acostumou com o “estilo” de vida de Sodoma e se tornou insensível à maldade e perversidade da cidade. Resultado, mesmo tendo mantido suas filhas virgens, ele as expôs a situações tão constrangedoras. Isso tudo mostra que a escolha de Ló afetou não somente a ele como também toda a sua família. Seus futuros genros não foram convencidos por ele a sair daquela cidade e escapar de seu julgamento, pois pensaram que Ló gracejava com eles. Isso revela que as palavras de Ló não eram levadas a sério por eles (v.14). Que situação lamentável!

Ao serem levados para fora da cidade, mesmo puxado pela mão, Ló apresentou certa resistência em sair, dizendo: “Assim não, Senhor meu” (vs.16-18), mas foram advertidos pelo anjo a nem olhar para trás, mas a fugir para o monte, a fim de não perecerem. Infelizmente, sua esposa não lhe deu ouvidos e olhou para trás, para onde seu coração estava apegado, e tornou-se uma estátua de sal. A menção desse fato pelo Senhor Jesus indica que ela se tornou um sinal de vergonha e advertência para todas as gerações. Já as filhas de Ló decidiram, após embriagá-lo, cometer incesto com ele para dar-lhe descendência. Isso revela que Ló não conseguiu colocar nelas alguns princípios divinos quanto ao modo de viver que agradava a Deus. Por não serem instruídas nos caminhos do Senhor, não tiveram temor a Deus, e o resultado desse incesto foi o surgimento de dois povos, amonitas e moabitas, que se tornaram grandes inimigos do povo de Deus e tiveram o mesmo fim de Sodoma e Gomorra (Sofonias 2:9).

Das experiências de Ló aprendemos que não é suficiente ficarmos indignados com a situação atual do mundo, mas devemos ter um coração de aprender lições de fé e dependência de Deus, vistas em Abraão, seu tio. Precisamos também contabilizar as consequências de nossas escolhas, e para isso orar antes de tomar qualquer decisão, pois, se não negarmos a nós mesmos, podemos pôr em risco toda nossa família.

Também vemos que não podemos nos acostumar com as coisas do mundo e permitir que as práticas mundanas façam parte de nossa família, pois elas podem se tornar um tropeço na hora de querer fugir das tentações. Precisamos fugir para a vida da igreja, onde muitos de coração puro invocam o Senhor (2 Timóteo 2:22)! Precisamos nos consagrar ao Senhor e invocar Seu nome e não somente ficar perto de quem tem esse viver. Quando estamos em Sua presença e buscamos fazer Sua vontade, nossa família inteira é beneficiada, poupada de destruição e de situações vergonhosas e podemos ser úteis a Deus. Que o Senhor tenha misericórdia de nós e não permita que nossa casa seja como a de Ló!