Eclética - Ad Majorem Dei Gloriam -Shema Yisrael Adonai Eloheinu Adonai Ejad, = "Ouve Israel! O Senhor é Nosso Deus e Senhor, o Senhor único." PIX: 61986080227
Um grupo de 35 cristãos que distribuíam literatura cristã no estado indiano de Chhattisgarh foi assediado por nacionalistas hindus radicais e entregue à polícia local, no dia 11 de outubro.
Foi dito aos cristãos que não tinham mais permissão para distribuir sua literatura, apesar de terem recebido permissão prévia da polícia.
O incidente ocorreu na vila Basuguda, localizada em Chhattisgarh. De acordo com Joseph, pastor da Assembléia de Hebron, o grupo de 35 cristãos estava distribuindo Novos Testamentos e folhetos evangélicos no mercado da vila quando foram confrontados por nacionalistas hindus radicais. Os radicais apreenderam os alfabetizados e gritaram com os cristãos com linguagem abusiva.
“Tivemos permissão para fazer o trabalho de divulgação, mas os radicais se comportaram sem piedade”, disse Joseph à International Christian Concern (ICC).
Mais tarde, os cristãos foram levados para a delegacia local. Lá, eles disseram à polícia que não teriam permissão para continuar a distribuir o Novo Testamento e os folhetos do Evangelho.
“Embora tivéssemos permissão para realizar atividades em sete aldeias, tivemos que encerrar o trabalho após a segunda aldeia ” , continuou o pastor Joseph. “ A polícia nos disse que não podíamos continuar. É triste que a polícia tenha seguido as instruções dos radicais. Eles deveriam nos dar proteção e nos permitir continuar nosso trabalho pacífico de distribuição.”
Em toda a Índia, os ataques às minorias religiosas continuam a aumentar em número e em gravidade. De acordo com um relatório recente da Alliance Defending Freedom, os cristãos na Índia já sofreram 218 ataques apenas em 2019.
Com a polícia local muitas vezes tomando o partido dos autores dessa violência, é provável que os ataques a minorias religiosas continuem aumentando.
Hinários e Bíblias nos bancos da igreja. (Foto: Kyler Nixon / Unsplash)
No ano de 1985, a confiança em líderes religiosos nos Estados Unidos era de 67%, com mais da metade dos norte-americanos declarando que confiava que o clero era formado por pessoas com padrões altos de honestidade e ética.
Passados alguns anos, a confiança em líderes religiosos desabou para 37%, que é o mais baixo índice desde 1977, quando o Instituto Gallup iniciou a pesquisa. As motivações para a queda são diversas.
Desde escândalos sexuais envolvendo líderes católicos, até a crescente onda de vertentes teológicas que buscam explorar as pessoas, ao invés de edifica-las na congregação e acolhe-las na fé.
É evidente que maus líderes não estão preocupados com a opinião das pessoas. Charlatões não se importam de serem apontados como tais. Mas líderes verdadeiros, pastores fiéis a Deus, estes se importam.
Quando pensamos nisto, logo nos vem os desafios de liderança que enfrentou o apóstolo Paulo. Ele teve que lidar com falsos ensinamentos, com a rebeldia, com traidores e opositores ao seu ministério.
O grande desbravador cristão tinha como exemplo o Mestre dos mestres, Jesus Cristo. Ele buscava desenvolver uma liderança baseada no bom exemplo e em padrões elevados de ética e honestidade.
Sem dúvidas, Paulo é um dos maiores exemplos de liderança do Novo Testamento. E seu padrão de liderança era baseado no modelo de Jesus, conforme o que aprendeu sobre o Mestre.
Uma das lições deixada por ele, em 2 Coríntios 10.12 a 14, é que devemos lidar com o orgulho da maneira adequada. Não devemos nos gloriar fora da medida, mas ter um espírito de humildade.
Apesar de ter plantado tantas igrejas e evangelizado tantas pessoas, o apóstolo tinha consciência de que não deveria se orgulhar além da “reta medida que Deus nos deu”. Ou seja, tinha consciência de que estava edificando o Reino de Deus.
Ele demonstrou a importância da autocrítica, sabendo que não somos superiores a ninguém, mas servos do Senhor. A vaidade pode ser altamente prejudicial à imagem de um líder cristão, é preciso cautela.
Também é preciso conhecer e respeitar os limites da liderança, sabendo que não somos senhores feudais e que nossa autoridade espiritual tem certos limites éticos.
Um líder religioso, por exemplo, não pode escolher que tipo de roupa uma pessoa pode usar, ainda que possa instruir sobre a decência, conforme 1 Timóteo 2.9.
Aqueles que almejam servir de bom exemplo, influenciando de maneira positiva os irmãos na fé, devem também tomar a Palavra de Deus como manual de conduta.
Charles Spurgeon aconselhou: “A Palavra nos manterá retos na opinião, confortáveis no espírito, santos na conversação e esperançosos na expectativa”.
O apóstolo Paulo também listou algumas qualidades do líder cristão, que são: “Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar” (1 Timóteo 3.2).
Portanto, a boa avaliação da opinião pública sobre a maneira como pastores, bispos, padres e sacerdotes cristãos se comportam, dependerá muito da forma como agimos diante dos conselhos bíblicos.
Os Arautos do Evangelho recusaram a intervenção determinada pelo papa Francisco. Alvo de investigação do Ministério Público, e da própria Santa Sé, após graves denúncias de abusos físicos e psicológicos, o grupo católico divulgou uma nota afirmando que a medida determinada pelo Vaticano é inválida.
Na última quinta-feira (17/10/2019), o presidente dos Arautos do Evangelho, Felipe Eugenio Lecaros Concha, recebeu dom Raymundo Damasceno Assis e dom José Aparecido Gonçalves de Almeida, nomeados pelo Vaticano, respectivamente, como comissário e auxiliar. No encontro, Concha declarou que os arautos não reconhecem os religiosos como comissários da associação da qual ele é “presidente legitimamente eleito”.
Um dos pontos questionados pelo presidente dos Arautos é de que o decreto se destina a uma “Associação Pública de Fiéis”, quando eles são uma “Associação Privada de Fiéis”. Para Felipe Concha, “a diferença de natureza jurídica entre ambas as formas associativas faz com que não corresponda aos Arautos receber este decreto”, explicou.
Ele acrescentou que as associações privadas de fiéis, por natureza própria, não são passíveis de serem comissariadas. O presidente do grupo concluiu afirmando que “trata-se, portanto, de um decreto nulo. Não é uma questão de querer aceitá-lo ou não; na realidade, ele sequer está destinado para nós”.
Novas denúncias
Após a reportagem especial do Metrópoles, o Ministério Público de São Paulo recebeu novas denúncias contra integrantes dos Arautos do Evangelho. A comunidade tem pouco mais de 3 mil pessoas no Brasil, nasceu com base em dogmas católicos e está submetida a uma rotina de princípios ultraconservadores. Das recentes acusações instauradas pela comarca do município de Caieiras, quatro são referentes a supostos abusos sexuais que teriam sido praticados pelo monsenhor João Clá.
Tais delações foram protocoladas no Ministério Público de São Paulo (MPSP), após a reportagem revelar detalhes do cotidiano de crianças e adolescentes habituados ao regime de internato, em basílicas que remete a castelos.
Há dois anos, vieram a público vídeos em que líderes religiosos dos Arautos do Evangelho supostamente praticavam exorcismo em menores de idade. As gravações mostram o momento em que os encarregados dos rituais davam tapas na cabeça de adolescentes e crianças.
As cenas viralizaram. Entretanto, pouco depois, os Arautos voltaram ao anonimato. E retornaram à doutrina de jovens a partir de uma rotina que começou a ser questionada por pais. E, agora, virou alvo das autoridades.
As imagens de 2017 são, na verdade, frame de uma realidade oculta com sérios indícios de desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), lei que resguarda os direitos dos menores. Os depoimentos apontam que crianças a partir dos 7 anos podem ser vítimas de alienação parental, lavagem cerebral, assédio sexual, estupro, violência física e psicológica, bullying, violação e controle de correspondência.
A colombiana Maria Paula Pinto Vargas, 22 anos, é uma das cinco pessoas que procuraram o Ministério Público após a publicação da matéria do Metrópoles. À reportagem, a jovem contou que ainda era criança quando teve o primeiro contato com os Arautos, em 2009. Na ocasião, alguns integrantes visitaram sua escola em Bogotá. Um ano depois, com o aval dos pais, ela se mudou para o Brasil e passou a morar em um dos internatos para moças: a Ordem Segunda, ramo feminino dos Arautos.
Maria Paula relata que, inicialmente, se sentia especial por estar ali e pela atenção que recebia do monsenhor João Clá. Por conta disso, custou a entender que algumas atitudes do líder religioso configuravam abuso. Certa vez, após a realização de uma missa, a jovem disse ter sido beijada por Clá.
“Ele beijou uma menina na bochecha e, em seguida, me deu um na boca. Eu tinha uns 11 ou 12 anos. Acho que ele só não tentou mais vezes porque ficou muito doente”, diz. O religioso teve um derrame cerebral em 2017, época em que ocorreram os vazamentos dos vídeos com supostos exorcismos praticados por ele e seus seguidores.
Canadense também denuncia
Outra denunciante de João Clá é Maria Paula Martinez Gómez, 22 anos, também colombiana. Assim como a conterrânea, ela conta ter sido forçada a beijar o monsenhor. Tudo acontecia, segundo o relato, no interior da Ordem Segunda. Por ainda ser uma criança, diz ter demorado a entender que estava sendo vítima de um crime sexual.
“Eu era uma menina pequena e não entendia o que estava acontecendo. Não entendia que isso, com o tempo, se transformaria num trauma, numa vergonha, e em algo que não quero lembrar. “João me deu beijos na boca. Isso ocorreu em duas ou três oportunidades”, recorda-se a jovem.
Também pesa contra o chefe dos Arautos a denúncia de uma canadense, hoje com 27 anos. Ela tinha 12 quando diz ter sido abusada por João Clá. Segundo relato da moça, ele chegou a tocá-la nos seus seios e nas nádegas. A estrangeira conseguiu se afastar da congregação em 2014.
Além das denúncias de abusos sexuais, há relatos de maus-tratos, alienação parental e abuso psicológico. Amanda Merotto Lamas Reinders, 25, moradora de Vitória (ES), também ex-Arauto, confirma que os abusos cometidos por João Clá eram acobertados dentro da Ordem Segunda, inclusive por mulheres com posições de destaque na hierarquia.
Amanda não chegou a ser vítima dos supostos crimes, mas procurou o MPSP para contar o que viu nos anos em que ficou enclausurada na congregação. “Isso era comentado com muita discrição lá dentro e era muito mais comum do que se imaginava. Ele nunca fazia isso na frente de padres, de membros da Ordem Primeira, e do ramo masculino, menos ainda diante de alguém da família”, relata.
Ainda há um espanhol que também denunciou esta semana supostos abusos sofridos no período em que passou na congregação.
Delegacia abre investigação
Além da nova frente de investigação aberta pelo Ministério Público paulista, também foi iniciada uma apuração na Delegacia da Criança em Joinville, em Santa Catarina, onde há uma escola mantida pelos Arautos do Evangelho. Tânia Harada, delegada da Polícia Civil do estado, confirmou ter instaurado inquérito, mas disse não poder repassar mais informações, pois as averiguações estão no início.
Ao longo de várias semanas, o Metrópoles esteve em quatro capitais que mantêm sedes dos Arautos. Visitou castelos, entrevistou ex-integrantes da comunidade religiosa e familiares ligados aos devotos. A reportagem também teve acesso a uma representação protocolada junto ao MPSP que corre em segredo de Justiça. Os relatos são chocantes.
Os efeitos desse caldo de supostos crimes foram relatados em dezenas de testemunhos aos quais o Metrópoles teve acesso. Em geral, os jovens que deixaram de conviver com os arautos se queixam de trauma emocional e grande dificuldade de ressocialização. Inclusive no ambiente escolar, já que há diferenças sensíveis entre a formação pedagógica curricular padrão e aquela oferecida dentro dos internatos.
Até a passagem para os internatos, os pais mantêm um contato próximo com os filhos e os instrutores. Participam dos eventos extracurriculares, reuniões, orações e recebem visitas dos religiosos em suas casas, em uma relação saudável, que cria uma sensação de confiança.
Os problemas começam a acontecer, segundo os relatos de pais e de ex-internos, quando é autorizada a ida aos castelos. Só na unidade masculina de Caieiras, na Serra da Cantareira, estão confinados 150 garotos. Há ainda a casa das meninas, chamada Monte Carmelo. As sedes ficam a 4km uma da outra. Depois de reclusas, as crianças e os jovens passam a ter pouco ou nenhum contato com o mundo externo.
Órgãos sexuais
Os arautos carregam um livreto chamado Preces, que reúne orações a serem lidas durante o dia e até instrução para tomar banho e lavar as mãos. Primeiro, deve-se ensaboar a cabeça e o rosto. Depois, o pescoço e o tronco, seguindo para a parte da frente e, só então, as costas. Sempre iniciando pelo membro direito, depois o esquerdo. Os adeptos conferem hierarquias às partes do corpo.
Os órgãos sexuais são tabus. Nunca devem aparecer em conversas, nem mesmo no material pedagógico, segundo os relatos de ex-arautos. A todos é recomendado que não observem qualquer corpo nu, nem o próprio, muito menos o dos colegas. Televisões são proibidas e as músicas se limitam a cantos religiosos e composições clássicas. Eles devem participar de, ao menos, uma missa diariamente