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Religião favorece pensamento intuitivo, afirma estudo

 

RAFAEL GARCIA
DE WASHINGTON

Muita gente rejeita o estereótipo que descreve ateus como pessoas racionais e analíticas e religiosos como intuitivos e espontâneos. Um experimento feito na Universidade Harvard, porém, sugere que esse clichê pode ter um fundo de verdade.

No trabalho, cientistas avaliaram o estilo de raciocínio preferido por mais de 800 voluntários e viram que aqueles com tendência maior a usar a intuição eram mais propensos a crer em Deus e entidades sobrenaturais.

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Para chegarem à conclusão, os pesquisadores submeteram os voluntários a um questionário sobre crença religiosa e a problemas de raciocínio que avaliavam o estilo de pensamento de cada pessoa.

As perguntas eram, na verdade, "pegadinhas" que enganam especialmente as pessoas que contam com a intuição para lidar com números.

O resultado do experimento saiu em um estudo publicado na revista científica "Journal of Experimental Psychology". O trabalho, coordenado pelo psicólogo Amitai Shenhav, indica que pessoas mais racionais tendem a crer menos em Deus.

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ÓBVIO?

Pode parecer uma conclusão óbvia, mas psicólogos ainda não tinham encontrado um jeito de testá-la.

Os cientistas de Harvard afirmam ter conseguido comprová-la agora porque usaram uma metodologia que avalia o estilo de raciocínio das pessoas sem levar em conta a magnitude da inteligência de cada um.

Em outras palavras, conseguiram evitar a armadilha que associa reflexão a pessoas mais inteligentes e intuição a pessoas mais burras.

"Uma das coisas que eu aprecio sobre a discussão entre uso de raciocínio reflexivo ou intuitivo é que não existe uma resposta certa sobre qual dos dois deve ser usado em cada ocasião", disse Shenhav à Folha. "Ambos são importantes para todo mundo, mas nós somos diferentes uns dos outros."

Segundo ele, muitos voluntários classificados como pessoas intuitivas tinham ido bem em dois testes de QI que haviam sido aplicados antes do experimento.

"Em testes de inteligência-padrão, existem poucas questões com respostas intuitivas que vêm à mente imediatamente", explica o psicólogo.

"É preciso trabalhar uma longa cadeia de raciocínio em cada um deles até que surja a resposta. O teste que usamos tem perguntas projetadas especialmente para oferecer uma resposta errada tentadora logo de cara."

O mais inesperado, porém, talvez seja que é possível moldar o tipo de crença religiosa que os voluntários têm.

Em outro teste, voluntários tinham de escrever uma redação sobre a importância da intuição. Logo após a tarefa, algumas pessoas titubeavam em perguntas sobre suas crenças religiosas, com tendência maior a relatar crença em entidades sobrenaturais.

"Talvez a maneira como somos educados a pensar de maneira reflexiva ou intuitiva ao longo da vida tenha alguma influência sobre nossas crenças", afirma o psicólogo. "Não sei dizer se isso é uma coisa boa ou ruim."

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Papa é acusado de ‘ocultar a situação de emergência’ da Igreja

DA EFE

O teólogo e dissidente religioso suíço Hans Küng criticou o papa Bento XVI por "esconder a situação de emergência" da Igreja Católica, que "se encontra doente do sistema romano" e comparado o pontífice com Vladimir Putin, o primeiro-ministro russo.

"A vida eclesiástica colapsou em nível de paróquia", afirma Küng por ocasião da visita do papa esta semana à Alemanha em entrevista adiantada neste domingo pela revista "Der Spiegel".

O teólogo suíço, ao qual o Vaticano retirou em 1979 a licença para ensinar teologia católica, considera que "a hierarquia eclesiástica não teve até agora a coragem de admitir sinceramente e às claras a realidade da situação".

Professor emérito da Universidade de Tübingen, no sul da Alemanha, Küng afirma que as imagens dos grandes atos protagonizados pelo papa não fazem mas do que mostrar de maneira enganosa uma igreja poderosa.

"Enquanto isso se sabe que esses atos não fornecem praticamente nada às paróquias", comenta o teólogo, que no passado trabalhou estreitamente com Joseph Ratzinger, o atual Bento XVI.

Além disso critica o papa por cultivar "um culto pessoal sem igual, que se encontra em contradição com o que pode ser lido no Novo Testamento".

Por isso explica que existem "similitudes estruturais e políticas" entre o primeiro-ministro russo e a política de restauração dos papas na Santa Sé depois do Concílio Vaticano II, que na realidade conduziu a uma renovação do entendimento ecumênico.

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Em São Paulo, Dalai Lama diz ser um ‘bom cristão’ e promove seu livro

 

Líder religioso tibetano está no país e deu coletiva de imprensa nesta sexta.
Ele citou a China como mau exemplo no contexto do meio ambiente global.

Fábio TitoDo G1, em São Paulo

O Dalai Lama disse nesta sexta-feira (16), em entrevista coletiva em São Paulo, ser um "bom cristão" e aproveitou para fazer propaganda de seu novo livro, que nem sequer foi traduzido para o português.

Questionado se acredita haver uma maneira de as diferentes religiões conviverem em harmonia, ele respondeu que todas as crenças têm o mesmo objetivo, de construir paz interior.

"Um amigo australiano uma vez me descreveu como ‘um bom cristão’. Eu disse: sim, tudo bem. E lhe disse que ele era um bom budista", afirmou. Ele disse ainda não ser um bom praticante da meditação e das orações, mas que busca aplicar seus valores e crenças no cotidiano, o que, segundo ele, é o "mais importante".

O Dalai Lama dá entrevista nesta sexta-feira (16) em São Paulo (Foto: Fabio Tito/G1)O Dalai Lama dá entrevista nesta sexta-feira (16) em São Paulo (Foto: Fabio Tito/G1)

O tibetano repudiou o preconceito entre as religiões. "Há pessoas que não podem ouvir que um outro é muçulmano, por exemplo. Você precisa, antes, pegar o Corão (livro sagrado islâmico) e lê-lo, pode até compará-lo com a Bíblia para ver como eles trazem a mesma mensagem", declarou.

O líder tibetano brinca exibindo seu novo livro (Foto: Nacho Doce/Reuters)O líder tibetano brinca exibindo seu novo livro
(Foto: Nacho Doce/Reuters)

Livro
Em seguida, aproveitou para fazer propaganda de seu novo livro. "Eu mesmo tinha uma necessidade de entender essa questão melhor. Estudei e constatei que todas as religiões trazem a mesma mensagem, como está escrito no meu novo livro", disse, exibindo um exemplar em inglês.

Mas, ao ser informado por assessores que o livro ainda não foi traduzido para o português, ele brincou: "Então, o dinheiro de vocês não será gasto".

Entre uma pergunta e outra, enquanto o tradutor passava para o português as respostas dadas no inglês com forte sotaque, o líder budista mostrava seu bom humor fazendo poses para os fotógrafos.

China
Quando a pergunta foi sobre o debate ecológico entre as nações, o Dalai Lama fez uma breve menção à China, país que controla a região do Tibete e é contrário à representatividade política do monge budista.

"O cuidado com a importância ecológica está crescendo. Minha impressão é que os governos estão mais propensos a tomar decisões pelo meio ambiente. Mas há países que têm interesses nacionais maiores que os globais, como a China, e isso não é uma coisa boa para o mundo", afirmou.

No Brasil desde quinta-feira (15), quando proferiu uma palestra para empresários em São Paulo, o Dalai Lama está em sua quarta visita ao país. No sábado, ele realiza novas palestras antes de deixar o país.

Dalai Lama
Tenzin Gyatso, que é o 14º Dalai Lama seguindo o conceito de reencarnação do Budismo, é monge e doutor em filosofia budista. Ele luta pelos direitos dos tibetanos desde que partiu para o exílio na Índia em 1959, quando fracassou uma revolta contra o domínio chinês, exercido desde o início daquela década.

Trinta anos depois do início da luta, em 1989, o monge recebeu o Prêmio Nobel da Paz por suas tentativas de chegar a um acordo sobre o futuro do Tibete.

Atualmente, cerca de 140 mil tibetanos vivem no exílio, a maioria deles na Índia. O governo tibetano no exílio não é reconhecido formalmente por nenhum país.