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“João de deus” – Prefeitura de Anápolis manda demolir prédio de João de Deus na cidade

Edifício de quatro pavimentos foi erguido sem licença, ao lado da casa onde o médium mora no município goiano
ED FERREIRA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

ED FERREIRA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
Fernando Caixeta

O município de Anápolis (GO), onde João de Deus passa os dias quando não está fazendo atendimentos na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO), entrou na Justiça contra o médium, pedindo a demolição de um prédio do cirurgião espiritual, construído em um imóvel vizinho à casa onde ele mora.

João Teixeira de Faria (nome verdadeiro de João de Deus) foi intimado da decisão nessa segunda-feira (10/12), conforme consta na movimentação processual do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). O médium é acusado de estupros e abusos sexuais. Desde que o escândalo veio à tona, na madrugada de sábado (8), as denúncias se multiplicaram.

DANILO BOAVENTURA/PORTAL6
Danilo Boaventura/Portal6

Edifício alvo de ação da prefeitura fica ao lado de uma das casas (muro bege e portões marrons) que o médium possui em Anápolis (GO). Tanto o prédio quanto a residência são de João de Deus – é nela que ele mora

Até a segunda (10), o paradeiro dele era desconhecido. No entanto, o cumprimento do mandado de intimação indicaria que o médium estaria em casa, em Anápolis. O imóvel alvejado pela prefeitura fica ao lado (veja abaixo). No local – o Lote 7, Quadra S, na Rua Everton Batista – havia uma residência que deu lugar a um edifício de quatro pavimentos, ainda em construção.

A obra foi embargada por fiscais no dia 25 de outubro, pois estava sendo edificada sem expedição de alvará de licença e elaboração do projeto. João de Deus chegou a ser notificado a comparecer à prefeitura para que a situação fosse regularizada, mas não teria ido ao órgão.

Uma semana após a visita da fiscalização, e com a obra ainda embargada, servidores da Gerência Municipal retornaram ao local e constataram que os trabalhos haviam sido irregularmente reiniciados. Seis dias depois, o prédio já estava invadindo a frente e a lateral além dos limites do lote.

O município pediu urgência para a interdição da obra e a proibição de ocupação até o julgamento do caso. Solicitou, ainda, a demolição do imóvel.

Veja o documento:

Município de Anápolis pede a demolição de prédio irregular de João de Deus by Metropoles on Scribd

 

Decisão
O juiz responsável pelo caso, Carlos Eduardo Rodrigues de Souza, acatou o pedido de urgência em interditar o imóvel.

De início, infere-se claramente dos autos que a obra teria sido edificada à revelia da expedição do imprescindível alvará de construção e do indispensável projeto arquitetônico previamente aprovado pelo município, tratando-se, assim, de uma edificação completamente irregular

Trecho da decisão do juiz Carlos Eduardo Rodrigues de Souza

A decisão ressalta existirem indicativos de que a construção avançou indevidamente sobre os recuos frontais e laterais, violando norma urbanística vigente.

“O requerido, de sua parte, desobedeceu o embargo administrativo e, passando ao largo da legislação municipal, continua realizando novas intervenções na construção para terminá-la”, diz a decisão.

O magistrado reforça que a ocupação e o uso do prédio à revelia de projeto arquitetônico aprovado pode ensejar prejuízos para os vizinhos, “havendo, inclusive, risco para a própria estrutura do edifício e para as pessoas incautas que frequentam o local”.

A multa, caso João de Deus insista em ocupar o imóvel, é de R$ 2 mil por dia. Uma audiência de conciliação está marcada paras as 15h do dia 12 de março de 2019.

No processo, que corre no TJGO, não consta a indicação do advogado de defesa de João de Deus. O Metrópoles entrou em contato com o escritório de Alberto Zacharias Toron, que o defende das acusações de estupro, mas não obteve retorno até a última atualização deste texto.

Escândalo
Após o escândalo envolvendo o médium vir à tona, os promotores de Justiça de Goiás receberam diversas ligações no fim de semana. Eles formaram uma força-tarefa e disseram que, nesta terça-feira (11/12), as vítimas começam a ser ouvidas. A partir daí e de provas colhidas, o Ministério Público de Goiás (MPGO) pode pedir a interdição da Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia.

“Já há uma coordenação nacional com todas as promotorias das outras cidades e depoimentos marcados para outros Ministérios Públicos, como o de São Paulo e o de Minas Gerais. Isso vai servir para as vítimas se sentirem à vontade para procurar o MP”, disse o promotor Luciano Miranda, coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal (Caocrim), um dos coordenadores da força-tarefa.

Ao lado da promotora Patrícia Otoni Pereira, coordenadora do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos (Caodh), ele deu entrevista coletiva nessa segunda (10), no MPGO, para explicar mais detalhes das investigações.

Ambos serão responsáveis por orientar os titulares que irão atuar no caso. De acordo com informações do Ministério Público de Goiás, a força-tarefa vai auxiliar profissionais de outros estados a receberem as acusações quando procurados pelas vítimas. O número de relatos, até essa segunda-feira, somava mais de 200 vítimas em todo o país e até mesmo no exterior.

Até agora os crimes a serem apurados são: estupro, abuso sexual mediante fraude e estupro de vulnerável. “Enquanto não tivermos algo concreto, por cautela, não podemos ingressar com nenhuma ação no Judiciário para interditar o estabelecimento de João de Deus. Vamos tomar todas as medidas no âmbito criminal e civil a partir das denúncias”, ressaltou o promotor do MPGO Luciano Miranda.

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Direitos humanos são negados a cristãos em várias partes do mundo

Setenta anos após a Declaração Universal o que mais se vê é violência e morte em nome da religião

Cristãos coptas em funeralCristãos coptas em funeral. (Foto: Getty Images)

Em 10 de dezembro, é celebrado o aniversário de 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Em 1948, o documento mais traduzido do mundo (mais de 500 idiomas) inspirou governos a defender a dignidade do ser humano.

Mas pode-se dizer que a teoria não foi colocada em prática na maioria das nações. Embora o texto condene escravidão e tortura e defenda todo tipo de liberdade, o que mais se vê é violência e morte, principalmente em nome da religião.

Se continuarmos assim, “a questão dos direitos humanos corre o risco de ficar desacreditada em todos os sistemas internacionais”, alertou Michael Farris, presidente da ADF (Alliance Defending Freedom), uma ONG cristã que promove a liberdade religiosa.

Farris defende que é hora de “lutar incansavelmente por todos os nossos irmãos e irmãs que sofrem violações de seus direitos humanos para garantir liberdade e justiça para todos”.

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Quando terminou a Segunda Guerra Mundial, em 1945, as pessoas se perguntavam como a civilização tinha chegado a um estado tão degradante de crueldade. Para impedir que cenas como aquelas fossem repetidas no futuro é que vários governantes e pensadores criaram uma “declaração universal”.

O texto básico se resume em garantir uma série de condições para que homens e mulheres pudessem viver em harmonia, pacificamente, com dignidade, respeito e liberdade. Houve atualizações nesse texto ao longo dos setenta anos, mas seus artigos continuam os mesmos.

A “Carta Magna da Humanidade” como também é conhecida a Declaração, porém, não tem conseguido proteger as pessoas e nem garantir que elas sejam livres para adorar a Deus ou seguir os passos de Cristo, como propõe a Bíblia.

Restrições aos cristãos continuam

O que se vê pelo mundo são governos que intensificam a perseguição aos cristãos de forma cada vez mais violenta. Há cada vez menos liberdade para quem se decide pelo cristianismo.

Em 2015, sete países foram adicionados à lista das nações que cometem crimes hediondos contra as pessoas que professam uma fé diferente da que o país considera como “religião oficial”. Esses países são República Centro-Africana, Egito, Iraque, Nigéria, Paquistão, Síria e Vietnã.

No Paquistão, por exemplo, os cristãos têm sido acusados de forma abusiva e sem controle algum. Os tribunais têm seguido em frente com suas penas e execuções, muitas vezes, sem as devidas investigações em favor do réu.

Atualmente, a Coreia do Norte é a nação que mais se destaca por perseguir cristãos. Por lá as pessoas não têm seus direitos básicos garantidos. Além disso, em vários países orientais, a sharia (lei islâmica), em especial as “leis de blasfêmia” praticamente ignoram os direitos humanos.

Os governantes dessas nações violam todos os padrões internacionais com suas doutrinas religiosas, o que tem sido um abuso contra as minorias. Extremistas muçulmanos são encorajados a cometer atos de violência ainda piores que os da Segunda Guerra Mundial.

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