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O Reino de Deus

Como ensinou o apóstolo Paulo, se nossa esperança em Cristo se resumisse apenas a esta vida, seríamos os mais miseráveis dos homens (1 Coríntios 15:19).

Alguns pensam que é o céu. Outros dizem que é aqui na terra. Alguns acham que é um sentimento de fraternidade entre os crentes cristãos ou a própria Igreja. Outros o consideram totalmente apocalíptico. Que Reino é este do qual Jesus Cristo falava frequentemente?

Jesus Cristo disse: “Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça” (Mateus 6:33).

Em uma parábola, explicando a importância vital do Reino de Deus:

“Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo. Outrossim, o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas” (Mateus 13:44-45).

Este Reino era o tema central do evangelho — a boa nova — que Jesus pregou:

“E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus, e dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho” (Marcos 1:14-15).

Ao nos ensinar a orar, Ele instruiu que tivéssemos o anseio de que: “Venha o teu reino”, acrescentando: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6:10).

O Messias retornaria para implantar Seu Reino aqui na terra?

Marcos e Lucas usam a expressão “reino de Deus”. O Evangelho de Mateus foi escrito primariamente para os judeus, que evitavam pronunciar o nome de Deus por reverência à Sua santidade. Por isso, Mateus utilizava “Reino dos Céus” (o reino de onde Deus governa) como sinônimo.

Esse domínio e reinado soberano sobre o céu e a terra levavam muitos judeus do primeiro século — como José de Arimateia — a estarem “esperando o reino de Deus” (Marcos 15:43). Aguardava-se a vinda visível de um Messias enviado por Deus para restaurar o trono e cumprir a profecia bíblica, libertando Israel do jugo romano.

Apenas uma aceitação interior ou a Igreja?

Uma interpretação equivocada frequentemente surge de traduções que dizem: “O reino de Deus está dentro de vós” (Lucas 17:21, ARA). Contudo, Jesus estava respondendo aos fariseus, que se opunham a Ele (Lucas 17:20); portanto, o governo de Deus certamente não estava nos corações deles.

A tradução mais precisa e coerente com o contexto é: “O reino de Deus está entre vós” (ou “no vosso meio” — Lucas 17:21, ARC). O Reino estava ali porque o próprio Rei — Jesus — estava presente no meio deles, manifestando o poder e os sinais da era vindoura.

Embora o termo exija submissão pessoal e aceitação interior de Deus como Soberano, Jesus deixou claro que o Reino de Deus também se manifestará futuramente de forma literal, visível e grandiosa.

A definição e o Rei de toda a criação

Para definir o Reino de Deus, é preciso olhar para o significado da palavra reino: o governo de um monarca ou a esfera de sua autoridade (o seu domínio).

Em qualquer reino, existem quatro elementos essenciais:

  1. O governante (o monarca);
  2. O território ou esfera sobre a qual ele governa;
  3. Os súditos (as pessoas dentro do reino);
  4. Um sistema de leis para administrar a ordem.

Portanto, o Reino de Deus refere-se essencialmente ao governo soberano de Deus. Nesse sentido básico, o Reino já existe hoje, pois o Criador é soberano sobre toda a criação: “O SENHOR reina” (Salmos 93:1; 96:10). No entanto, as Escrituras apontam para um tempo futuro em que esse governo será aceito de forma universal e visível em toda a terra.

O atual governante deste mundo

Antes da criação da humanidade, houve uma rebelião celestial liderada por um arcanjo que se tornou Satanás (o Adversário), acompanhado de anjos caídos (demônios) (Isaías 14; Ezequiel 28; Apocalipse 12:4). Quando nossos primeiros pais cederam à tentação no Éden, a humanidade passou a refletir o desgoverno espiritual do maligno.

As Escrituras descrevem Satanás como:

  • O “príncipe deste mundo” (João 12:31);
  • O “deus deste século” (2 Coríntios 4:4);
  • Aquele que “engana todo o mundo” (Apocalipse 12:9).

Deus permitiu que a humanidade experimentasse as consequências de viver afastada de Seus caminhos. Embora Deus mantenha o controle supremo e soberano sobre as nações (Daniel 2:20-21), grande parte do sofrimento e da corrupção moral do mundo atual é fruto da influência direta desse sistema oponente.

Deus, o Rei de Israel

Da época de Moisés até o estabelecimento da monarquia com Saul, Deus governou Israel diretamente por meio de juízes e sacerdotes. O profeta Samuel relembrou esse período afirmando que “o SENHOR, vosso Deus, era o vosso rei” (1 Samuel 12:12).

Contudo, influenciados pelas nações vizinhas, o povo rejeitou o governo divino direto em troca de um rei humano (1 Samuel 8:7). A história da monarquia israelita demonstrou uma grande lição: mesmo possuindo as leis divinas, o ser humano é incapaz de alcançar a verdadeira paz e justiça sem uma transformação profunda no coração e a remoção das influências malignas.

O Messias reinará no trono de Davi

Muitas profecias predisseram um futuro rei da linhagem de Davi para governar o mundo com justiça:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz…” (Isaías 9:6-7).

Quando questionado por Pôncio Pilatos se era rei, Jesus respondeu: “Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo” (João 18:37), apontando para uma reformulação completa e literal da ordem mundial.

Os reinos humanos e o quinto reino eterno

Conforme registrado na visão de Daniel 2 (a estátua de metais) e Daniel 7 (os quatro animais), a história humana seria marcada por sucessivos impérios mundiais (Babilônia, Medo-Persa, Grécia e Roma).

Contudo, esses impérios terrenos serão substituídos por um quinto reino:

“Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e esse reino não passará a outro povo… esmiuçará e consumirá todos esses reinos e será estabelecido para sempre” (Daniel 2:44).

Trata-se da vinda literal de Jesus Cristo para assumir o controle definitivo do planeta, inaugurando a única verdadeira esperança para a humanidade (Daniel 7:13-14).

O mundo transformado da era vindoura

Com o retorno de Cristo, o sistema de Satanás será banido por mil anos (Apocalipse 20:1-3). O mundo passará por uma regeneração radical:

  • Jerusalém será a capital global e o Trono do Senhor (Jeremias 3:17);
  • A paz universal substituirá os conflitos bélicos (Isaías 2:4);
  • A harmonia na natureza será restaurada (Isaías 11:6-9);
  • Desertos florescerão e haverá cura física e espiritual (Isaías 35:1-6).

Os seguidores de Cristo reinarão com Ele

Os fiéis que se submeteram a Deus nesta era não irão apenas para um céu abstrato; eles ressuscitarão ou serão transformados para receber a imortalidade na segunda vinda de Cristo (1 Coríntios 15:50-53; 1 Tessalonicenses 4:16-17), reinando com Ele sobre a terra como reis e sacerdotes (Apocalipse 5:10; 20:4). O próprio Jesus garantiu aos discípulos que eles se sentariam em tronos para governar (Mateus 19:28; Lucas 22:29-30).

Conclusão: Vivendo o Reino Hoje

Compreender o Reino de Deus exige equilibrar duas dimensões:

  1. O aspecto futuro: A certeza absoluta da intervenção de Cristo para instaurar um governo físico e perfeito na Terra.
  2. O aspecto presente: A necessidade de nos alinharmos às leis do Reino hoje, permitindo que o caráter do Rei transforme nossas vidas no presente.

Como ensinou o apóstolo Paulo, se nossa esperança em Cristo se resumisse apenas a esta vida, seríamos os mais miseráveis dos homens (1 Coríntios 15:19). Ter essa visão do futuro nos dá propósito, motivação e a direção correta para que possamos orar diariamente com sinceridade: “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6:10).

📦 Material complementar recomendado:

  • Livros de estudo citados: O Evangelho do Reino e Qual é o Seu Destino?.
  • Autor desconhecido
  • Pr Ângelo Medrado

Por Ângelo Medrado

Pr. Batista, Avivado, Bacharel em Teologia, PhDr. Pedagogo Holístico docente Restaurador, Reverendo pela International Minystry of Restoration - USA - Autor dos Livros: A Maçonaria e o Cristianismo, O Cristão e a Maçonaria, A Religião do Anticristo, Vendas Alto Nível com Análise Transacional, Comportamento Gerencial.
Casado, 4 filhos, 6 netos, 2 bisnetos.