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TV Record é condenada a produzir e exibir programas especiais falando bem de religiões afro

 Publicado por Tiago Chagas – gnoticias.com.br – em 15 de maio de 2015

TV Record é condenada a produzir e exibir programas especiais falando bem de religiões afroA Justiça determinou que a TV Record e a Rede Mulher produzam e exibam quatro programas especiais sobre religiões afro-brasileiras, com teor explicativo. Ambas as emissoras foram condenadas a conceder o direito de resposta a essas religiões por terem exibido matérias que foram consideradas ofensivas.

A ação que resultou na sentença foi ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF), em conjunto com o Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro-Brasileira (INTECAB) e o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e da Desigualdade (CEERT).

Em uma decisão liminar, a juíza federal Marisa Cláudia Gonçalves Cucio entendeu que a exibição de relatos de pessoas que se converteram à Igreja Universal, mas antes eram adeptas às religiões afro-brasileiras, sendo tratadas como “ex-bruxa”, “ex-mãe de encosto” e acusadas de terem servido aos “espíritos do mal” era um desserviço à população.

“Este tipo de mensagem desrespeitosa, com cunho de preconceito […] tem impacto poderoso sobre a população, principalmente a de baixa escolaridade, porque é acessada por centenas de milhares de pessoas que podem recebe-la como uma verdade”, explicou a juíza Marisa Cucio na ocasião.

As emissoras recorreram, mas o juiz Djalma Moreira Gomes, da 25ª Vara Federal Cível em São Paulo (SP) decidiu que as emissoras incorreram em ofensa às religiões afro-brasileiras. “Os fatos imputados na inicial estão comprovados e são, ademais, incontroversos”, afirmou o juiz na sentença, acrescentando que as rés sequer negaram as acusações, procurando extrair a “conotação de ofensivos” que foram atribuídos pelos autores.

Na sentença, Gomes menciona trechos Constituição Federal que tratam dos serviços a que as emissoras de TV são incumbidas, e frisa que estes devem ser “prestados visando à consecução dos fins da República Federativa do Brasil, entre eles a promoção do bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

O juiz destaca que como concessão pública, as emissoras são “longa manus [termo em latim que significa executor de ordens] do Estado no desempenho dessa atividade, e como o próprio Estado deve se comportar no cumprimento das regras e princípios constitucionais legais”.

A decisão obriga a Record e a Rede Mulher a produzirem quatro programas com duração mínima de uma hora cada, usando seus próprios espaços físicos, equipamentos e pessoal técnico. Cada programa deverá ser exibido duas vezes, nos horários que as ofensas foram veiculadas, com três chamadas para a exibição no dia ou na véspera.

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Igreja Universal: culpa do terremoto no Nepal é das “oferendas que as pessoas fazem ao diabo”

Profile photo of Tiago Chagas Publicado por Tiago Chagas -gnoticias.com.br-em 15 de maio de 2015

 

Igreja Universal: culpa do terremoto no Nepal é das “oferendas que as pessoas fazem ao diabo”A Igreja Universal parece determinada em incutir aos fiéis a ideia de que os terremotos no Nepal são sinais do fim dos tempos. Em uma reunião no Templo de Salomão, o bispo Clodomir Santos disse que “quem fez isso não foi Deus, mas o diabo”.O encontro realizado na última quarta-feira, 13 de maio, reuniu milhares de fiéis, que foram ao megatemplo da Universal descobrir “os motivos que levaram a acontecer o terremoto”.

Um repórter da revista Veja SP, que foi ao local como um visitante comum, relatou que o bispo Clodomir Santos atribuiu o tremor de terra às “oferendas que as pessoas fazem ao diabo”.

Deixando de lado as questões científicas (o Nepal é localizado em uma área que é o encontro de placas tectônicas, e está sujeito a tremores de maior ou menor intensidade por esse motivo), o bispo disse que a receita para evitar novas tragédias como essa é buscar a Deus: “A bênção precisa vir em toda a nossa plenitude”, afirmou.

Na internet, muitos usuários das redes sociais ironizaram a publicação da Universal (foto): “A Igreja Universal convocou os fiéis para palestras sobre os terremotos no Nepal. Não sabia que Edir Macedo também é geólogo”, zombou um dos internautas.

A assessoria de imprensa afirmou, em comunicado enviado ao jornal O Globo, que “a reunião do Templo de Salomão em questão abordou, entre outros temas, uma reflexão sobre o terremoto no Nepal sob o ponto de vista da fé, na busca de respostas para tragédias como essa”.

Em uma publicação em seu site oficial no dia 03 de maio, a Igreja Universal já atribuía ao terremoto uma característica de profecia bíblica: “Sinais de que o Fim dos Tempos já começou estão por toda parte, apesar de os incrédulos não admitirem. Uma série de acontecimentos ao redor do planeta não deixa dúvidas do que foi profetizado na Bíblia”, destacava o artigo.

Jean Wyllys pede que Ministério Público investigue o “exército” de gladiadores da Igreja Universal

Profile photo of Tiago ChagasPublicado por Tiago Chagas em 5 de março de 2015

Jean Wyllys pede que Ministério Público investigue o “exército” de gladiadores da Igreja UniversalO deputado federal e ativista gay Jean Wyllys (PSOL-RJ) pediu providências ao Ministério Público sobre o “exército” de jovens da Igreja Universal do Reino de Deus, afirmando temer que eles se tornem extremistas religiosos.

Em uma entrevista à rádio Gaúcha, Wyllys disse que o grupo de jovens “Gladiadores do Altar” se vestem e se portam como soldados, e que não há uma certeza sobre sua atuação: “Os soldados estão sendo treinados e formados para servir ao altar, e o propósito não está claro”.

Citando a Constituição Federal, o deputado afirmou que toda a organização paramilitar é proibida no país, e que o grupo organizado da Universal se caracteriza dessa forma.

“O Ministério Público e as autoridades já deveriam ter se manifestado”, afirmou o deputado, dizendo estar preocupado com a formação de “um exército religioso”, pois a militarização presume um inimigo, e na sua visão, os inimigos poderiam ser os adeptos de outras religiões.

“Essas coisas não são tomadas como sérias, sempre fechamos os olhos para o fundamentalismo religioso, que já virou uma força política”, disse Wyllys, que observou o fato de que vários vídeos com demonstrações dos “Gladiadores do Altar” foram removidos do YouTube: “A Igreja Universal está com medo da repercussão”.

Jean Wyllys já havia comparado a iniciativa com os extremistas muçulmanos do Estado Islâmico, e disse que teme que, se algo acontecer nesse sentido, a Igreja Universal se exima de culpa alegando que essa não era a intenção.

O ativista gay disse também que existe um histórico de violência verbal e física de membros da Universal contra minorias religiosas, como os adeptos de religiões afro-brasileiras, e homossexuais.

A Igreja Universal se posicionou sobre as dúvidas de Jean Wyllys a respeito do projeto “Gladiadores do Altar” e afirmou que as impressões do deputado sobre o assunto são resultado da união de “ódio e burrice”, e que suas alegações eram uma “injúria”.