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As profecias bíblicas, Irã, EUA, Israel e a terceira guerra mundial

O que o profeta Ezequiel fala sobre a tensão e os rumores de guerra atualmente.

EUA, Irã, Iraque e Israel. (Foto: Reprodução / Montagem)

O Irã entra na história bíblica e profética, ainda como Pérsia, através de seu mais famoso guerreiro e conquistador, Ciro, o grande, que estrategicamente uniu os medos e os persas na conquista da Babilônia (539 A.C.), pondo fim ao império do grande e terrível rei Nabucodonosor. O Império Persa, na época do rei Assuero, descendente de Ciro, se estendia da Índia à Etiópia (Ester 1:1-2).

Foi no governo persa que o povo judeu teve autorização real, apoio político e material para voltar para a terra de Israel, por meio de decreto para restaurar e construir a cidade de Jerusalém e seus muros, conforme Daniel 9:25a: “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém”. Esse decreto foi dado por Artaxerxes Longimanus, em 445 a.C. (Neemias 2.1-8), dando início à reconstrução da cidade, dos muros e do Templo de Salomão.

Foi, todavia, durante o Império Persa, na época da rainha Ester, que o povo judeu travou uma de suas maiores batalhas pela sobrevivência.

Hamã, inimigo mortal de Israel, ascendeu a ministro do Império, e, de forma vingativa, elaborou a morte de todos os judeus, fazendo a seguinte proposta indecorosa ao rei Assuero: “Se bem parecer ao rei, decrete-se que os matem; e eu porei nas mãos dos que fizerem a obra dez mil talentos de prata, para que entrem nos tesouros do rei” (Ester 3:9).

Ao saber do plano macabro de Hamã, Mardoqueu, o judeu, assistente do rei, mandou avisar à rainha Ester que seu povo, sua família e ela mesma corriam iminente perigo de aniquilação. Ester se colocou diante do rei (Et.5:1-3) e rogou por sua vida e pela de seu povo (Et.7:1-6). Hamã foi desmascarado e executado (Et.7:7-10), e os judeus foram salvos pela intervenção do rei persa. Portanto, concluímos que a relação dos antigos persas com o povo judeu foi positiva no período bíblico.

 Os judeus na Pérsia no período pós-bíblico

As relações da Pérsia com os judeus nos séculos seguintes foram relativamente boas e amistosas. Muitas famílias judaicas no fim do cativeiro não retornaram para Israel, mas se estabeleceram, permanentemente, tanto na Babilônia (atual Iraque) quanto em Susã (antiga capital do Império Persa), mantendo seu vínculo histórico com Israel e servindo a nação que os acolheu.

As tradicionais famílias de judeus persas permaneceram no Império Persa por, aproximadamente, dois mil e quinhentos anos, convivendo com o zoroastrismo (religião antiga dos persas), e prosperaram em todas as áreas em que lhes foi permitido atuar pelos reis (Xás) persas.

Passaram pelo colapso do Império Aquemênida em 330 a.C. após as conquistas de Alexandre, o Grande, depois pelo Império Sassânida em 224 d.C., até que, em 633, árabes muçulmanos invadiram o Irã, conquistando o país por volta de 651. Com o surgimento do Império Safávida (1501), promoveu-se o xiismo islâmico como a religião oficial, em detrimento do sunismo (corrente ou tradição religiosa muçulmana dos sunitas), que durou até 1722.

Já no período moderno, temos o governo dos Xás (reis), com o grande guerreiro e general persa Nader, que se tornou o Xá do Império Persa. Em 1906 houve a Revolução Constitucional Persa, e se estabeleceu o primeiro parlamento da nação, que operava dentro do sistema político de monarquia constitucional. Já em 1935, por meio de um decreto real, mudou-se o nome de Pérsia para Irã, que significa “terra dos arianos”.

Após um golpe de Estado apoiado por Reino Unido e Estados Unidos, em 1953, o Irã tornou-se gradualmente autocrático. A crescente oposição contra a influência estrangeira e a repressão política culminou no fim da monarquia dos Xás através da Revolução Iraniana, liderada pelos aiatolás (os mais altos dignitários na hierarquia religiosa xiita), em 11 de Fevereiro de 1979, desde então, a nação é chamada de República Islâmica do Irã.

Comunidade judaica no Irã. (Foto: BEHROUZ MEHRI / AFP)

Apesar de todos estes acontecimentos envolvendo a nação dos antigos persas, a comunidade judaica continua presente no atual Irã: “os 25 mil judeus que ainda vivem no país podem praticar a sua fé. Isto é, com a condição de que não se envolvam na política e não se manifestem a favor de Israel” (Revista Judaica Morashá).

Historicamente, os judeus do Irã já foram em número muito maior, a evasão em massa intensificou-se depois da independência do Estado de Israel, prática que contabiliza, a cada ano, centenas de judeus que deixam o Irã e imigram para Israel (não sem grandes dificuldades burocráticas promovidas pelo governo de Teerã). E soma-se 80% os números dos judeus iranianos que abandonaram o país depois dos acontecimentos políticos ocorridos no Irã, a partir de 1979, quando a Revolução Islâmica colocou o aiatolá Ruhollah Khomeini como líder supremo do país e muitos judeus foram executados sob a acusação de serem sionistas (pró-Israel).

Desde a Constituição Iraniana de 1979, sujeitou-se os judeus ao status de dhimmi, isto é, a todas as restrições impostas pelo Islã às minorias religiosas, o que impede a comunidade judaica iraniana a se manifestar contra o governo, ou mesmo a favor de Israel e EUA: “Além disso, a vida comunitária é totalmente monitorada pelo Ministério da Cultura e Guia Islâmico, bem como pelo da Inteligência e Segurança” (Revista Judaica Morashá).

 Irã, Iraque, EUA e Israel na Equação

Dado esse pano de fundo bíblico/histórico, podemos partir para uma análise do atual momento envolvendo o Irã, Iraque, EUA e Israel.

O conflito dos EUA com o Irã tem seu início, ou pelo menos seu marco histórico, no ataque à embaixada americana no Irã por jovens estudantes militantes e islâmicos, que a tomaram em 04 de Novembro de 1979, quando 52 norte-americanos foram feitos de reféns, sendo libertos apenas no dia 20 de Janeiro de 1981, depois de 444 dias, em face do acordo de Argel, na Argélia, em 19 de Janeiro de 1981.

Esta atitude contra a soberania americana foi entendida como uma reação iraniana radical contra: a presença estrangeira no país; a tentativa de “ocidentalizar” uma nação predominantemente muçulmana; a liderança do Xá Mohammad Reza Pahlavi, em face de sua aproximação ao ocidente, especialmente ao governo americano, e da corrupção em seu governo.

A partir de então, os EUA passaram a ser o “grande Satã” para a liderança dos aiatolás no Irã, servindo como agente catalizador de uma unidade nacional contra um inimigo externo, bem distante, o que frustrava qualquer ideia democrática e permitia uma repressão interna.

A tentativa iraniana de influenciar religiosamente o Iraque, país vizinho de maioria xiita governado, com mão de ferro, pela minoria sunita, foi por água abaixo quando o presidente e ditador Saddam Hussein iniciou um ataque ao Irã no dia 22 de setembro de 1980. A guerra Irã-Iraque durou 8 anos (término: 20 de agosto de 1988, após a Resolução 598 da ONU) e resultou em um banho de sangue, com grandes perdas de vidas entre os combatentes e a população civil (oficialmente 1 milhão de mortos).

Com a queda do regime de Saddam Hussein em 2003, a relação entre Irã e Iraque começou a se normalizar, a ponto do Iraque permitir que muçulmanos xiitas do Irã fizessem suas peregrinações a lugares sagrados xiitas no país. Em março de 2008, o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi o primeiro presidente iraniano a visitar o Iraque desde a revolução islâmica de 1979. O premiê iraquiano Nouri al-Maliki fez várias visitas de Estado ao Irã desde 2006. Em janeiro de 2010, Irã e Iraque assinaram mais de 100 acordos econômicos e de cooperação («Mottaki: No one can harm Iran-Iraq relations»).

Essa aproximação só foi possível devido à ascensão dos muçulmanos xiitas ao governo iraquiano, o que também possibilitou a entrada ilegal de muitos iranianos no Iraque para apoiar os grupos insurgentes, além de fomentar a retaliação às tropas americanas no Iraque. Além disso, o Irã tem enviado armamentos e tropas terrestres ao Iraque para auxiliar na luta contra os extremistas da al Qaeda e contra o Estado Islâmico (grupos terroristas de orientação sunita) no Iraque.

Podemos afirmar que, atualmente, o governo de Teerã é o maior aliado de Bagdá, algo simplesmente impossível há duas décadas. Esta aproximação justifica a presença do terrorista iraniano Qasem Suleimani no Iraque.

Israel entrou na equação como efeito colateral, como peão no jogo de xadrez, o bode expiatório.

 Qasem Soleimani – O general terrorista admirado no Irã

Qasem Soleimani. (Foto: AFP / Getty)

Quem é Qasem Soleimani e por que no “dia 3 de janeiro de 2020, o presidente Donald Trump, autorizou um ataque aéreo por meio de um drone MQ-9 Reaper contra um comboio que viajava perto do Aeroporto Internacional de Bagdá”? (BBC Brasil). “O ataque causou a morte de dez passageiros, incluindo o general iraniano Qasem Soleimani, o vice-comandante das Forças de Mobilização Popular do Iraque, Abu Mahdi al-Muhandis, além de quatro altos oficiais iranianos e quatro oficiais iraquianos” (BBC Brasil).

De acordo com a BBC Brasil “Trump alegou que Soleimani tem cometido atos de terror para desestabilizar o Oriente Médio nos últimos 20 anos”. Cabe destacar que o ataque contra o general e terrorista Soleimani aconteceu poucos dias após manifestantes invadirem a embaixada dos EUA em Bagdá, entrando em confronto com as forças americanas no local. De acordo com o Pentágono, Soleimani teria aprovado os ataques à embaixada, assim como uma resposta a um ataque de míssil contra uma base militar no Iraque, que matou um civil americano na sexta-feira passada.

Nas palavras de Filipe Figueiredo, Soleimani foi quem “articulou a operação russa na Síria, para manter Assad no poder, forneceu equipamentos e treinamento aos houthis do Iêmen, arregimentou os diversos grupos iraquianos em uma frente coesa e transformou as relações entre Irã e o Hezbollah em uma parceria que transpôs as fronteiras do Líbano, presentes hoje na Síria e no Iraque”. Além disso, também foi ele quem articulou e pensou o atentado no centro judaico em Buenos Aires, em 1994, que deixou 300 feridos e 85 mortos.

 Por quê o Irã e EUA estão envolvidos no confronto?

O Irã e os EUA estão envolvidos diretamente nesse confronto pelo fato de estarem disputando influência no Iraque, devido à sua importância estratégica, em face da presença de petróleo no país (5o maior produtor de petróleo do Mundo), e tendo em vista sua importância para manter um equilíbrio mundial na produção de petróleo juntamente com a Arábia Saudita.

O Irã sempre teve uma importância geopolítica significativa devido à sua localização, no cruzamento entre o Sul, o Centro e o Ocidente da Ásia. E, principalmente, em face das suas grandes reservas de combustíveis fósseis, que incluem a maior oferta de gás natural no mundo, a quarta maior reserva comprovada de petróleo e o escoamento deste para Rússia e China, seus maiores compradores e aliados políticos.

Por isso, este tem disputado a liderança política e religiosa na região do Oriente-Médio, principalmente contra a Arábia Saudita (aliada dos EUA). Acredito que agora esteja explicado porque o aumento no preço do petróleo nos últimos dias.

A retaliação imediata do Irã como ato de vingança à morte de seu famoso general terrorista foram os ataques a duas bases americanas no Iraque, sem vítimas americanas e com baixo prejuízo material.

O que foi uma demonstração de força externa dos aiatolás para o público interno, mas sem maiores complicações no atual confronto com os EUA. São temerosas, porém, as retaliações que virão através de atentados terroristas. Uma vez que a vida alheia não tem valor algum para o radicalismo dos líderes iranianos (vide a notícia da morte de cinquenta pessoas pisoteadas e as centenas de feridos no sepultamento de Qasem Soleimani).

 Israel, no confronto indireto contra o Irã

Quanto às ameaças do líder religioso supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e de seus porta-vozes de atacar Israel, se os EUA atacarem o Irã em resposta à retaliação ou “terrível vingança”, Tzvi Jofrre registrou: “Se o [presidente dos EUA, Donald] Trump retaliar a vingança do Irã, atacaremos Haifa, Tel Aviv e acabaremos com Israel”, disse Mohsen Rezaei no domingo.

O secretário acrescentou que o Irã é “muito sério” em se vingar e teria como alvo todos os interesses dos EUA na região. “O assassinato do mártir General Soleimani estabeleceu uma nova revolução no Irã contra a América”, disse Rezaei.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em coletiva de imprensa concedida no dia 8 de janeiro de 2020, ao lado do embaixador americano em Israel, David Friedman, advertiu o Irã de que o país sofrerá “um golpe esmagador” se atacar Israel.

Os altos oficiais de segurança israelenses reportaram ao gabinete de defesa que é improvável que o Irã ataque Israel em retaliação à ação dos EUA, que matou Soleimani no Iraque.

Também, nesta segunda-feira (6), em seus primeiros comentários públicos, o major-general israelense, Herzi Halevi, chefe do Comando Sul das IDFs, disse que o episódio faz parte do conflito entre o Irã e os EUA por busca de influência no Iraque. Halevi disse que Israel está pronto para lançar uma “resposta significativa” se a retaliação da República Islâmica incluir operações de seus aliados palestinos, como a Jihad Islâmica Palestina, com sede em Gaza.

Apesar das chances serem baixas de um ataque do Irã ao país dos judeus, as Forças de Defesas de Israel (IDFs) estão se preparando militarmente para proteger as fronteiras com a Síria e o Líbano e reforçando a defesa na região da Faixa de Gaza.

Uma leitura da nota oficial do Itamaraty mostra um posicionamento claro e maduro sobre o terrorismo ao afirmar: “Ao tomar conhecimento das ações conduzidas pelos EUA nos últimos dias no Iraque, o Governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo”.

Demonstrou-se, portanto, que se deixou um posicionamento passivo para um posicionamento ativo no combate ao terrorismo: “Diante dessa realidade, em 2019 o Brasil passou a participar em capacidade plena, e não mais apenas como observador, da Conferência Ministerial Hemisférica de Luta contra o Terrorismo, que terá nova sessão em 20 de janeiro em Bogotá”. Se apoiando em condições sine qua non, “O Brasil condena igualmente os ataques à Embaixada dos EUA em Bagdá, ocorridos nos últimos dias, e apela ao respeito da Convenção de Viena e à integridade dos agentes diplomáticos norte-americanos reconhecidos pelo governo do Iraque presentes naquele país”.

 A questão profética – 3a Guerra Mundial?

O profeta Ezequiel no seu capitulo 38 profetizou que, no futuro, ou nos últimos tempos, a nação de Israel seria terrivelmente atacada por uma coalizão que viria do extremo norte de Israel, liderada por Gogue, da terra de Magogue, de uma forma devastadora: “Então subirás, virás como uma tempestade, far-te-ás como uma nuvem para cobrir a terra, tu e todas as tuas tropas, e muitos povos contigo” (Ez.38:9).

Gogue, o príncipe e chefe de Meseque, e Tubal não virão só, mas terão grandes e fortes aliados, incluindo a Pérsia (Ez.38:5), que é o atual Irã, para batalhar contra Israel.

Contudo, essa federação de nações, incluindo os persas, não prosperará e será derrotada: “E te farei voltar, e porei anzóis nos teus queixos, e te levarei a ti, com todo o teu exército, cavalos e cavaleiros, todos vestidos com primor, grande multidão, com escudo e rodela, manejando todos a espada” (Ez.38:4).

À primeira vista, isso pode parecer a 3a Guerra Mundial às portas, envolvendo Israel, Irã e muitas outras nações em uma grande batalha sangrenta (Ez.38:14-23).

Entretanto, a verdade é que essa porção profética refere-se a um período em que Israel estará vivendo em paz na terra (Ez.38:8-12), o que aponta para a primeira metade da Tribulação, quando Israel estará gozando de seu tratado de paz com o Anticristo nos primeiros três anos e meio (Dn.9:27Ap.11:2; 12:6; 13:5).

Aliança de paz quebrada pelo próprio Anticristo, que moverá uma grande perseguição a Israel. Porém, este já é um outro assunto.

Pastor Batista, Diretor dos Amigos de Sião, Mestre em Letras – Estudos Judaicos (USP).

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EUA x IRÃ: Terceira Guerra Mundial, iniciando no Oriente Médio, agora é uma tendência

   Posted by  on 04/01/2020

“Os Falcões da Guerra nos EUA comemoram efusivamente o assassinato do General iraniano Qassem Soleimani não porque acreditam que isso enfraqueceu o Irã … Mas porque acreditam que [com o ataque dos EUA] passamos por um ponto irreversível de escalada no conflito do Oriente Médio”.  O provável assassinato ilegal de Soleimani pelos Estados Unidos – e os aplausos efusivos que provocou – levaram muitos a expressar temores de um [novo e último] conflito global, catapultando brevemente o tópico de uma “Terceira Guerra Mundial” para o topo da lista de tendências do Twitter. 

Tradução, edição e imagens:  Thoth3126@protonmail.ch

Terceira Guerra Mundial agora é uma tendência, iniciando no Oriente Médio, os “Falcões” [warlords-senhores da guerra] se alegram com a decisão de Trump de assassinar o líder militar iraniano

Fonte:  https://www.commondreams.org/news/2020/01/03/world-war-iii-trends-hawks-rejoice-trump-decision-assassinate-iranian-military

Sentenças entre [ ] são de autoria do tradutor.

O secretário de Estado Mike Pompeo

Enquanto os defensores da paz manifestavam alarme com a perspectiva real de um conflito total com o Irã após o assassinato de quinta-feira à noite do principal líder militar daquele país sob ordens do presidente dos EUA, Donald Trump , os falcões da guerra que tiveram sob sua mira o Irã pelos últimos anos comemoraram com entusiasmo a decisão de Trump de atacar – e até sugeriram que o presidente deveria ir mais longe, um ataque visando as estruturas das refinarias de petróleo do país persa.

“A política iraniana de Trump tenta incitar a guerra com o Irã desde que ele renegou o acordo nuclear em maio de 2018”. — Sina Toossi, Conselho Nacional Iraniano-Americano

“Para o governo iraniano: se vocês quiserem permanecer no negócio de petróleo, deixe a América e nossos aliados em paz e deixe de ser o maior patrocinador estatal de terrorismo do mundo”twittou a senadora Lindsey Graham (R -Carolina do Sul), uma apoiante de longa data. da mudança de regime no Irã.

Os Senadores republicanos Marco Rubio (Flórida), Tom Cotton (Arkansas), Jim Risch (R.-Idaho) e Ben Sasse (Nebrasca) se juntaram ao coro de aplausos [dos warlords, senhores da guerra], saudando Trump por tomar uma “ação decisiva”.

Trita Parsi, vice-presidente executiva do Quincy Institute for Responsible Statecraft, twittou em resposta à torrente de elogios de que “os falcões da guerra estão comemorando o assassinato de [Qassem] Soleimani não porque acreditam que isso enfraqueceu o Irã. Ou o IRGC [Guarda Revolucionária do Irã] Iraque. Mas porque eles acreditam que passamos por um ponto sem retorno na escalada do conflito na região”.

“A partir daqui, a guerra é inevitável, eles acreditam”, acrescentou Parsi. “E comemoram.”

provável assassinato ilegal de Soleimani pelos Estados Unidos – e os aplausos efusivos que provocou – levaram muitos a expressar temores de um [novo e último] conflito global, catapultando brevemente o tópico de uma “Terceira Guerra Mundial” para o topo da lista de tendências do Twitter. Trump, por sua vez, simplesmente twittou uma imagem de uma bandeira americana após o ataque:

A decisão de Trump de eliminar o general Soleimani, bem como de pelo menos seis outros , com um ataque de drones em Bagdá veio depois que o Pentágono ameaçou o Irã com uma ação preventiva em resposta a supostas indicações de que estava planejando ataques às forças americanas na região do Oriente Médio.

Embora o Pentágono não tenha dado um pingo de evidência de que Soleimani ou grupos de milícias planejavam os ataques, os meios de comunicação corporativos da MSM ecoaram obedientemente a linha do governo Trump, levando alguns comentaristas a verem paralelos com o acúmulo da invasão do governo Bush em 2003.

“Não vejo como parar o que está por vir, a guerra do Mediterrâneo ao [rio] Indus [Paquistão, único pais muçulmano com ARSENAL NUCLEAR] e a dura repressão nos EUA que pode viciar as eleições de 2020”,  disse Barnett Rubin, do Centro de Cooperação Internacional. “Este é o teste para os democratas: nossos ‘líderes’ [marionetes corruptos] aprenderam alguma coisa desde 2003? Receio essa resposta.”

Observadores advertiram que o assassinato de Soleimani pelos EUA, além da violação do acordo nuclear do governo Trump no ano passado e de outras ações agressivas, efetivamente impediriam a possibilidade de negociações pacíficas com o Irã.

“O que quer que aconteça a seguir, entenda e nunca pare de apontar que Donald Trump assumiu o cargo sem crise com o Irã”, disse Stephen Miles, diretor executivo da Win Without War. “Ele então encheu seu gabinete com vários defensores da guerra, se afastou de um acordo diplomático multilateral e se envolveu propositadamente em ‘pressão máxima’. Ele é o dono disso”.

“líder supremo” do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, prometeu rapidamente “retaliação severa” em resposta ao assassinato de Soleimani, e o ministro das Relações Exteriores do Irã Javad Zarif acusou os EUA de cometer “um ato de terrorismo de Estado”. Em meio a temores de ataques de vingança, o Departamento de Estado na sexta-feira  pediu aos cidadãos dos EUA que deixem o Iraque imediatamente.

“A política de Trump no Oriente Médio procura incitar a guerra com o Irã desde que ele renegou o acordo nuclear em maio de 2018”disse Sina Toossi, analista sênior de pesquisa do Conselho Nacional Iraniano Americano. “Se uma guerra estourar, a culpa recai diretamente sobre essa política desastrosa e seus proponentes”.

“Trump acha que conseguiu seu momento “Bin Laden” em um ano eleitoral”acrescentou Toossi . “Na realidade, ele cometeu o pior erro estratégico de um líder americano desde a invasão do Iraque. As consequências serão sentidas nos próximos anos”.

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EUA X Rússia: mídia russa diz que Terceira Guerra Mundial é “iminente”

Jornais e TVs da Rússia já mostram a preparação de abrigos antinucleares

 

 

EUA X Rússia: mídia russa diz que Terceira Guerra Mundial é “iminente”
EUA X Rússia: mídia russa diz que 3ª Guerra é “iminente”
A tensão entre russos e norte-americanos, sobretudo por causa do conflito na Síria, poderá resultar numa Guerra Mundial. O governo da Rússia está pedindo que todos os seus oficiais e figuras importantes da sociedade regressem ao país imediatamente.

As especulações aumentaram após o presidente Vladimir Putin ter cancelado uma visita a França, onde debateria o papel do país no conflito sírio. O anúncio ocorre poucos dias depois do Kremlin ter movido mísseis nucleares para a fronteira com a Polônia.

O ex-presidente Mikhail Gorbachev declarou no início da semana que o mundo está num “ponto perigoso” no que diz respeito ao conflito político entre russos e americanos. Parte da imprensa internacional afirma que uma guerra global poderá ser iminente.

O jornal russo Moskovsky Komsomolets alertou que Putin está fazendo um “jogo surpreendentemente arriscado” no conflito sírio. Analistas acreditam que as hostilidades na Síria poderiam provocar um “confronto militar direto” entre as nações em uma escala semelhante à Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962. A publicação afirma também que “Se a Rússia defender seu aliado [Síria] ou considerar um ataque às forças norte-americanas, isso certamente levaria a um conflito como a uma Terceira Guerra Mundial.

Analisando as relações complicadas entre os dois países, o chefe do Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia, Andrey Kortunov, disse à BBC: “Tivemos relações ruins durante a Guerra Fria, mas […] a relação era mais ou menos estável, pois sabíamos o que esperar um do outro, sabíamos as regras do jogo. Hoje não temos nada parecido com isso. Então as relações não são estáveis. Isto é o que faz com que esta relação seja mais perigosa.”

“Atualmente, a Rússia está mais do que preparada, sobretudo do ponto de vista psicológico, para uma espiral de confrontação com o Ocidente”, afirmou o cientista político Gueorgui Bovt ao site de notícias Gazeta.ru. Ele avalia os cenários possíveis, levando-se em conta as dificuldades econômicas da Rússia. No primeiro deles, otimista, as duas potências “chegam a um acordo sobre novas condições de coexistência”. O outro é catastrófico. A Rússia reagirá, partindo da máxima “se não se pode evitar o confronto, deve-se ser o primeiro a bater”.

Já o site do jornal Fontanka anunciou que o governo russo se prepara para racionar o pão “por causa de uma futura guerra”. As autoridades afirmam que pretendem apenas regular o preço da farinha. Na principal emissora pública do país, o apresentador do programa estrela do domingo à noite anunciou que as baterias antiaéreas russas na Síria vão “derrubar” aviões americanos.

O canal de notícias 24 horas Rossia 24 exibiu uma reportagem sobre a preparação de abrigos antinucleares em Moscou.

Por sua vez, diferentes generais americanos analisaram os possíveis cenários de conflitos globais durante um encontro da Associação de Tropas Terrestres dos EUA. A maioria dos militares concordam que Rússia e China, cujos exércitos têm passado por grandes modernizações tecnológicas, estão se tornando cada vez mais uma ameaça séria para os EUA. Com informações de Independent,Gospel prime, SputnikNTEB