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Parada Gay de SP vai criticar igreja que veta uso de camisinha

 

DE SÃO PAULO

"Nem os santos te protegem", dirá o slogan de um dos trios elétricos da Parada Gay de São Paulo, no próximo domingo (26).

O carro, que vai tratar de prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis, criticará pela primeira vez as igrejas que proíbem o uso da camisinha. O carro será adornado com releituras de imagens de santos.

A cutucada em dogmas religiosos estará em toda a parada, cujo tema deste ano foi inspirado na Bíblia: "Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia!".

Religiosos das igrejas Anglicana, Católica e Presbiteriana, além do Candomblé, Umbanda e Judaísmo confirmaram presença, segundo a organização.

Os hotéis econômicos da região da Paulista já estão com as reservas lotadas.

No resto da cidade, a lotação não vai passar de 50%, diz Bruno Omori, presidente da Abih-SP (associação de hotéis). "É um bom momento para aproveitar São Paulo, vazia com o feriado."

A estimativa é que 3 milhões de pessoas participem do desfile na Paulista. Festas e debates acontecerão paralelamente. A programação completa pode ser consultada no sitewww.paradasp.org.br.

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Juiz que cancelou união gay diz que agiu por Deus

22/06/2011 – 13h54

 

JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA

"Deus me incomodou, como que me impingiu a decidir", disse o juiz Jeronymo Villas Boas, que cancelou um registro de união estável de um casal de homens na semana passada, em Goiânia.

Decisão de juiz que cancelava união gay é anulada

A declaração do magistrado foi dada na manhã desta quarta-feira, na Câmara dos Deputados, em um ato das frentes parlamentares Evangélica e da Família e de lideranças evangélicas em defesa do juiz.

Apesar de afirmar que sua decisão não é discriminatória e "se resume ao controle de legalidade do ato" específico do casal de Goiânia, que não teria preenchido todos os requisitos necessários para o registro da união, Villas Boas deixou claro seu descontentamento com a decisão do STF que reconheceu a união estável para casais gays. "Eu respeito a Constituição como ela foi escrita."

Em vários momentos de sua fala, o juiz fez referências a Deus e à fé dos presentes. Ao argumentar que um juiz não pode ter medo ao proferir suas decisões, disse temer "a Deus, não aos homens".

Após o ato, questionado sobre a eventual influência da religião na sua decisão, Villas Boas se irritou e ensaiou deixar o local. "Eu, como você, tenho direito a expressar a minha fé e sou livre para exercer o meu ministério. Isso não interfere nos meus julgamentos. Mas sou pastor da Assembleia de Deus Madureira. E não nego a minha fé."

O juiz disse ainda que está tranquilo e seguro da decisão que tomou e que, se não for "impedido por decisão superior", vai fazer o mesmo controle com outros registros de uniões homoafetivas.

Deputados da bancada evangélica presentes declararam apoio irrestrito ao magistrado. "Essa desobediência santa nos inspira", afirmou o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ).

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Israel realiza maior exercício de guerra de sua História

 

Guila Flint

De Tel Aviv para a BBC Brasil

Crianças participam de treinamento em abrigo de escola israelense (Reuters)

Sirenes já soaram em todo país às 11h da manhã

Israel realiza nesta quarta-feira o exercício de guerra mais abrangente já feito no país, prevendo um cenário em que grandes cidades seriam atacadas por mísseis disparados a partir de Líbano, Síria, Irã e Faixa de Gaza.

Pela primeira vez na história das simulações de guerra do país – realizadas anualmente – membros do governo participam do treinamento, se abrigando em um bunker nuclear, recentemente construído na região de Jerusalém.

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De acordo com o jornal Yediot Ahronot, o bunker se encontra em um lugar secreto, escavado embaixo de montanhas próximas de Jerusalém, e foi construído de forma a ser "imune" a ataques de mísseis e de armamentos não convencionais, inclusive nucleares.

O novo bunker também conta com meios de comunicação considerados como os mais avançados do mundo.

Neste exercício, pela primeira vez as autoridades utilizariam redes de telefonia celular para alertar os habitantes do país a entrar em abrigos antiaéreos, com o soar das sirenes.

O treinamento inclui o soar de duas sirenes de alarme, uma às 11h e outra às 19h (horário local), que seriam ouvidas em todas as regiões do país.

De acordo com o vice-ministro da Defesa de Israel, Matan Vilnay, o objetivo é treinar a população a correr para os abrigos, tanto em locais de trabalho como em residências.

Para Vilnay, o exercício realizado em Israel "é o maior treinamento desse tipo no mundo inteiro".

"Na próxima guerra o setor civil se tornará uma frente de batalha em todos os aspectos", afirmou o ministro, acrescentando que o objetivo principal do exercício é aperfeiçoar a coordenação entre órgãos públicos civis e militares.

Mísseis químicos

Entre os cenários considerados estão a eventualidade de ataques com mísseis químicos contra cidades israelenses, a explosão de aviões de caça em áreas residenciais e a necessidade de evacuar rapidamente milhares de civis de áreas ameaçadas.

Em caso de ataques químicos, piscinas públicas serão utilizadas para atender pessoas contaminadas por substâncias tóxicas.

A reportagem da BBC Brasil esteve na rua Allenby, uma das principais de Tel Aviv, quando a sirene das 11h soou.

Apesar do chamado, a maioria das pessoas continuou a andar normalmente, e donos das lojas não correram para abrigos antiaéreos.

A maioria afirmou que nem sabia para onde deveria correr se houvesse um perigo real.

Nos centros das grandes cidades de Israel, as construções são antigas e os prédios não possuem abrigos antiaéreos.

Indagado sobre a reação das pessoas que não correram para os abrigos, o ministro Vilnay respondeu que "o mais importante é lembrar as pessoas da possibilidade de um ataque maciço contra Israel e estimulá-las a pensar em quais lugares se abrigariam no caso de um alarme verdadeiro".

De acordo com as avaliações dos serviços de Inteligência de Israel, o grupo xiita libanês Hezbollah, assim como Síria e Irã, têm milhares de mísseis prontos para lançar contra as cidades israelenses.

O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, também teria centenas de mísseis com o alcance de cerca de 60 quilômetros, que poderiam atingir as cidades do sul e do centro de Israel.