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Monge tibetano ateia fogo ao próprio corpo na China

 

 

DA ASSOCIATED PRESS

Um grupo de ativistas tibetanos disse que um ex-monge budista ateou fogo ao próprio corpo como forma de protesto contra o domínio chinês na região.

O grupo Free Tibet disse que o homem de 19 anos de idade pôs-se em chamas sábado na cidade de Aba, oeste da China, que tem sido palco de uma série de protestos desse tipo.

A polícia apagou o fogo e o estado de saúde do homem era desconhecido.

O grupo disse que o homem era o oitavo manifestante tibetano que colocava fogo no próprio corpo só neste ano.

Ele teria gritado "O Tibet precisa de liberdade!" e pedido o retorno do líder espiritual tibetano, o Dalai Lama, que está exilado na Índia.

Um homem que atendeu o telefone na sede da polícia de Aba desligou quando perguntado pela reportagem se o incidente havia ocorrido.

Telefonemas para outros escritórios do governo não foram atendidos.

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Republicanos tomam "bênção" de eleitorado conservador em feira

 

 

LUCIANA COELHO
DE WASHINGTON

A poucos passos do estande que vende camisetas e bottons com dizeres como "Antiaborto, pró-armas, direitista e cristão, e daí?" um panfleto promete a suposta conversão: "É OK ser ex-gay".

Adiante, assinaturas são colhidas para exigir do governo o fim do financiamento ao planejamento familiar. Do outro lado do corredor, defensores da Ciência Criacionista explicam suas teses.

Entre as banquinhas, circulam sujeitos paramentados como americanos do século 18, peruca inclusa, e casais com crianças que esperam pelo Jantar de Gala da Fé, Família e Liberdade.

Estamos na Cúpula dos Eleitores pelos Valores Morais, que teve sua sexta edição anual na semana passada, em Washington.

À primeira vista, o circo em um grande hotel parece uma coleção de grupos radicais que atrai uma parcela marginal do eleitorado. Com o acirramento da polarização eleitoral nos EUA e o espectro político recalibrado para a direita, porém, ele se tornou uma escala inevitável para os pré-candidatos republicanos.

Neste ano, 7 dos 8 possíveis adversários de Barack Obama que pontuam nas pesquisas discursaram ali (a exceção foi Jon Huntsman). "Com uma lutadora na Casa Branca, finalmente venceremos em questões como aborto, casamento, família e liberdade religiosa", disse Michele Bachmann, deputada.

Sem a ex-governadora do Alasca Sarah Palin na disputa, a direita cristã ainda não se comprometeu com nenhum candidato.

Bachmann foi recebida aos gritos de "te amamos". O empresário Herman Cain, novo líder das pesquisas, foi o mais aplaudido. Já o governador do Texas, Rick Perry, corteja esse público como um bote salva-vidas para sua campanha, enquanto Mitt Romney, favorito entre os moderados, tenta contornar a rejeição ao fato de ser mórmon.

Com isso em vista, parábolas envolvendo Deus e profissões de fé não faltaram em nenhum dos discursos à cobiçada plateia de cerca de mil pessoas que pagou US$ 99 (R$ 174) para estar ali.

Segundo a pesquisa mais recente do Gallup, feita no meio do ano, apenas 4% do eleitorado coloca as questões comportamentais e morais como sua maior prioridade na hora de votar.

O poder do grupo, porém, não se ampara em números, mas nos decibéis de uma mensagem amplificada por radialistas conservadores e na exposição na mídia que a polêmica lhe garante.

Além disso, em um país onde o voto não é obrigatório, a história mostra que eleitores que defendem uma certa causa com afinco têm mais motivação (portanto, probabilidade) de irem às urnas.

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De véu, muçulmana é impedida de fazer prova do Detran

 

ALENCAR IZIDORO
DE SÃO PAULO

Uma muçulmana foi impedida neste sábado de fazer uma prova do Detran em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, por se negar a retirar seu véu –usado por mulheres islâmicas por motivo religioso.

A dona de casa Ahlam Abdul El Saifi, 29, teve seu exame para renovar a CNH bloqueado, chamou a PM e registrou queixa na delegacia.

"Houve discriminação religiosa", protestou Jihad Hassan Hammadeh, xeque ligado à União Nacional das Entidades Islâmicas no Brasil.

O caso ocorreu às 8h30 no CFC (Centro de Formação de Condutores) São Bernardo.

Almeida Rocha/Folhapress

Ahlam Abdul Saifi acusa o Detran de impedi-la de terminar a prova de renovação da carteira de motorista

Ahlam Abdul Saifi acusa o Detran de impedi-la de terminar a prova de renovação da carteira de motorista

Ahlam, cuja foto da CNH foi tirada de véu, estava no meio da prova teórica, diante do computador, quando foi informada pela autoescola que precisaria tirar seu véu.

O CFC diz que a ordem foi dada pelo provedor responsável por monitorar os exames do Detran (que são vigiados por câmeras na sala de aula).

Como não é permitido fazer prova com boné e gorro, por atrapalhar a identificação, a alegação era que a regra também valeria para véu.

Além de Ahlam, havia outras duas alunas na sala (que, segundo ela, concluíram seus exames normalmente).

O dono do CFC, Neoclair Santo Silvestrini, disse à Folha que também considerou a proibição "um absurdo". "Mas ninguém fez por maldade nem discriminação. Foi por medo de ser punido pelo Detran."

O sindicato das autoescolas diz que houve um mal-entendido –e que a prova da mulher acabou bloqueada por queda do sistema.

O Detran divulgou nota dizendo que "repudia veementemente" qualquer preconceito e "condena" a situação ocorrida pela manhã em São Bernardo do Campo.

O órgão diz que "não há qualquer orientação" de sua parte "que justifique a conduta da direção do citado Centro de Formação de Condutores".

Segundo a nota do Detran, "mediante a grave denúncia", será aberto um processo administrativo "para apurar os fatos e tomar as medidas cabíveis, que incluem, inclusive, a possibilidade de descredenciamento da autoescola".