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Muita farofa e pouca carne: igrejas festeiras não doutrinadas

A alegria, o poder e o avivamento que se diz estarem sendo experimentados em nossas reuniões festivas têm se traduzido em mais anseio pela presença e pelo conhecimento do Senhor quando as festas se acabam?

Tiago Rosas
Por- 

Jovem de mãos levantadas no culto. (Foto: Shaun Frankland / Unsplash)

Ninguém nega que o povo de Deus seja um povo “festeiro” ou festivo, isto é, gostamos muito de encontros de celebração e confraternização.

Isso não é novidade: desde os tempos do Antigo Testamento, vê-se grandes festas, como Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos (instituídas pelo próprio Senhor), nas quais imensas multidões se apinhavam na cidade santa para celebrar ao Senhor.

Nessas festas religiosas, costumavam se congregar em Jerusalém gentes vindas das mais diversas partes do mundo, que não compareciam corriqueiramente ao grande templo.

Os judeus sabiam fazer festas pujantes, com muita música, danças, orações, estudos da Lei e, não podemos esquecer, muitos sacrifícios oferecidos a Deus e dos quais o próprio povo podia se alimentar em alguns casos. Eram festas religiosas com grandes banquetes, e que costumavam se prolongar por dias e até semanas!

Em escala muito menor, os cristãos do primeiro século também realizavam suas festas de celebração. Engana-se quem pensa que a igreja primitiva vivia só de perseguição e martírio.

Judas, irmão de Jesus, fala em sua carta de “festas de amor”, nas quais os irmãos se banqueteavam (embora houvessem os falsos cristãos no meio deles, se aproveitando dessas reuniões festivas – Jd v. 12). A igreja primitiva orava, evangelizava e temia a Deus, mas também “repartia o pão” em seus encontros semanais (At 2.42).

Na parábola do “filho pródigo”, o pai que recebe seu filho de volta proclama um grande banquete: “trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos” (Lc 15.23); e todos sabemos que o primeiro milagre de Jesus foi numa grande festa de casamento (Jo 2.1ss).

Faço essas considerações apenas para dizer que não é pecado a igreja hoje realizar festas e confraternizações, nem sou eu inimigo de cultos festivos nos quais congregamos um público maior do que aquele rotineiro. Por graça de Deus tenho ministrado com muita frequência em congressos, retiros e festividades de adolescentes, jovens, senhoras, lideranças e de igrejas em geral.

A grande questão é: tem esse mesmo entusiasmo estado presente na igreja noutros trabalhos igualmente importantes e vitais para a saúde espiritual do povo do Senhor, como reuniões de oração, cultos de ensino e atividades evangelísticas?

A alegria, o poder e o avivamento que se diz estarem sendo experimentados em nossas reuniões festivas têm se traduzido em mais anseio pela presença e pelo conhecimento do Senhor quando as festas se acabam?

A Escola Bíblica Dominical, em minha opinião, é um bom termômetro para a saúde espiritual da igreja.

Ainda que uma grande frequência à EBD não seja em si mesma definidora da real posição da igreja diante de Deus (lembremo-nos da igreja de Éfeso, que era bem doutrinada, porém, faltava-lhe “o primeiro amor” – Ap 2.1-7), é possível a partir deste termômetro percebermos o apreço que a igreja tem pela Palavra de Deus e pelo Deus da Palavra, que nela se faz conhecido e que nela espera ser buscado pelos seus filhos.

Será que somos igrejas “calorosas” ou, para usar um termo bíblico, fervorosas na Palavra? Ou a temperatura só esquenta quando em meio às festividades anuais?

Estão de parabéns aquelas igrejas que realizam suas festividades e confraternizações, mas que igualmente sentem-se motivadas para o estudo regular das Escrituras Sagradas e valorizam cultos e trabalhos de instrução bíblica e teológica!

Tenho conhecido pessoalmente algumas igrejas, e ouvido falar de algumas outras, nas quais a frequência regular de alunos e professores à Escola Dominical chegam aos 70% ou 80% da membresia da igreja. Igrejas de pequeno e médio porte com 80 a 120 pessoas presentes dominicalmente. Não é o ideal, mas é um ótimo começo.

Por outro lado, é lamentável a situação daquelas igrejas que lotam no sábado de festa, mas encontram-se vazias na manhã do domingo seguinte! Como podem conjuntos de jovens com 30 a 60 componentes não conseguirem formar uma classe sequer com metade desse número na EBD? Há professores dando aula “para o vento” em muitas igrejas.

Em grande parte, por descaso da direção da igreja (tragicamente há muitos pastores “movimenteiros” que não gostam de estudar a Bíblia, e tal postura se reflete nas igrejas por eles liderados), e também por desleixo dos líderes de jovens, muitos dos quais são ávidos por festas, mas vagarosos para o ensino, a oração e a evangelização.

Embora, como já disse, eu não seja contrário às festividades, devo dizer que em muitas delas não é Deus que está sendo glorificado e buscado, mas apenas o encontro social em si e o entretenimento religioso. De tais festas, diz Deus: “Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas violas” (Am 5.23).

E diante do descaso para com a oração e o estudo sério da Palavra, algumas igrejas precisam urgentemente atentar para a repreensão de Tiago: “Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza” (Tg 4.9). Há igrejas precisando lamentar e chorar ao invés de fazerem festas e confraternizações!

Tudo tem seu tempo, dizia Salomão (Ec 3.1). Mas por que algumas igrejas nunca encontram tempo para estudar a Bíblia e discipular os crentes na sã doutrina, preparando-os para a santidade, a adoração genuína, o serviço do Senhor e o testemunho público da fé cristã? Reflita cada um.

Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de dois livros: A Mensagem da cruz: o amor que nos redimiu da ira (2016) e Biblifique-se: formando uma geração da Palavra (2018).

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Arqueólogos descobrem mosaico mostrando cinco pães e dois peixes perto do mar da Galileia

O piso de mosaico da igreja queimada perto do mar da Galileia (Foto: Dr. Michael Eisenberg)

Arqueólogos que trabalham no local de uma igreja cristã primitiva perto do mar da Galileia desenterraram um mosaico representando cinco pães e dois peixes.

O mosaico foi descoberto na chamada Igreja Queimada na escavação Hippos-Sussita, em Gennesaret, hoje conhecida como Lago Kinneret, com vista para o Mar da Galiléia, no norte de Israel, relata o Haaretz.

Um dos milagres mais famosos de Jesus é a alimentação dos 5.000 com apenas cinco pães e dois peixes.

Juntamente com o pão e o peixe, o design do mosaico incorpora motivos de romã. A Igreja Burnt foi descoberta por uma equipe de arqueólogos em julho e desde então produziu algumas cerâmicas que datam da construção do edifício até o século V.

O edifício é chamado de “Igreja Queimada” porque caiu em ruínas após ser devastado pelo fogo. No entanto, por sorte, uma camada de cinza protegeu o piso de mosaico nos séculos seguintes dos danos causados ​​pelo sol.

Michael Eisenberg, co-diretor da escavação Hippos-Sussita, está trabalhando no local ao lado de Arleta Kowalewska. Ambos são do Instituto Zinman de Arqueologia da Universidade de Haifa.

Falando da estreita conexão do site com os primeiros seguidores de Cristo, o Dr. Eisenberg disse: “Olhando para baixo, eles devem ter pensado nos milagres e obras de Jesus ao redor do lago logo abaixo”.

Os pisos de mosaico foram descobertos na nave, na abside e nos corredores laterais. Graças à camada de cinzas, suas cores permanecem vivas hoje.

Os pães retratados no mosaico são todos de cores diferentes, algo que o Dr. Eisenberg disse que pode ter significado diferentes tipos de pão.

“Definitivamente, existem cinco pães, não três ou seis. Suas cores podem refletir diferentes tipos de farinha, trigo e cevada. Depois, há o par de peixes no mosaico na abside”, disse ele.

“A associação que veio à mente foi o milagre dos pães e peixes”.

Folha Gospel com informações de The Christian Today

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Pastores são obrigados a basear sermões em filosofias de Confúcio, na China

Igreja na China com uma cruz no topo (Foto: Japan Times)

Oficiais do governo chinês estão exigindo que a liderança das igrejas protestantes sancionadas pelo Estado baseie seus sermões em um livro que mistura ensinamentos bíblicos com pensamentos do filósofo chinês Confúcio.

De acordo com a revista Bitter Winter, os líderes cristãos afiliados ao Movimento Patriótico das Três Autonomias na cidade de Yuzhou receberam ordens de começar a ensinar a Bíblia através das lentes da cultura chinesa como parte dos esforços do Partido Comunista Chinês (PCC) para “sinicizar” o cristianismo.

Em julho, o Departamento de Assuntos Religiosos deu a todos os pregadores locais das Três Autonomias um livro intitulado “Os Analetos [de Confúcio] Encontram a Bíblia”. O livro mistura ensinamentos bíblicos com a teoria confucionista.

O livro foi publicado em 2014 e escrito por Shi Heng Tan, membro do Instituto das Religiões Mundiais da Academia Chinesa de Ciências Sociais, uma entidade afiliada ao governo chinês. Heng Tan foi acusado de ser um ator-chave na campanha de sinicização da China.

Confúcio, que viveu de 551 a 479 a.C., é um dos filósofos mais influentes da história chinesa. O confucionismo é uma filosofia que teve um profundo impacto na cultura chinesa ao longo dos séculos, ensinando os subordinados a serem obedientes ao sistema de governo.

Um pastor de Yuzhou disse ao Bitter Winter que os argumentos do livro deturpam completamente alguns ensinamentos da Bíblia.

“O PCC está mudando sutilmente nossa fé. Como ler a Bíblia agora é o mesmo que ler os analetos, isso não significa que basta ler os analetos e acreditar em Confúcio?”, questionou. “Esta é a erosão do cristianismo”.

Outros também alertaram sobre a tentativa do Partido Comunista Chinês de tornar a Bíblia compatível com a cultura chinesa. Algumas igrejas filiadas às Três Autonomias lançaram aulas para estudar os ensinamentos de Confúcio.

“Uma aula de estudo dos analetos leva o dia inteiro”, disse um participante da igreja que morava na província de Shandong. “Os participantes tiveram que tirar fotos segurando a Bíblia em uma mão e os analetos na outra, e postar as imagens na internet”.

Embora o governo chinês exerce controle sobre as igrejas aprovadas pelo Estado, ele reprime fortemente as igrejas independentes não registradas. Nos últimos anos, várias igrejas subterrâneas foram fechadas e seus membros foram presos.

Fonte: Guia-me com informações de The Christian Post