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Arqueologia confirma: Antes de rastejar, as cobras tinham pernas

 

por Giovanna Montemurro

A. Houssaye/Divulgação

Antes de rastejar, as cobras tinham pernas. Isso pode lembrar outra história, mas para cientistas estudando a evolução desses répteis, uma nova tecnologia de raio X deve ajudar a esclarecer se eles evoluíram de lagartos terrestres ou marinhos (uma discussão antiga – e acalorada).

Novas imagens em 3D, publicadas na revista Journal of Vertebrate Paleontology, mostram que a arquitetura interna dos ossos das pernas das cobras antigas é muito parecida com a dos lagartos terrestres modernos, fornecendo evidências sobre a origem das serpentes.

Segundo a pesquisa, existem apenas três cobras fossilizadas com ossos das pernas preservados. O paper analisou um fóssil encontrado há 10 anos nas rochas de 95 milhões de idade do Líbano, o Eupodophis descouensi – uma cobra de 50 centímetros de comprimento com pernas de 2 centímetros. Ele é considerado um estágio intermediário na evolução das cobras e, por isso, essencial para a compreensão da evolução desses répteis.

 

O estudo descobriu que muito provavelmente essas espécies perderam as pernas porque passaram a crescer mais devagar. As imagens também revelaram que a perna tinha uma articulação no joelho e um calcanhar, mas não tinha pé.

Ainda faltam estudos para comprovar a origem das serpentes, e entender melhor o motivo do “sumiço” das pernas, mas com essas imagens os pesquisadores acreditam ter realizado um grande avanço no sentido de compreender sua evolução.

 

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Órgãos do papa não podem ser doados, diz Vaticano

 

Papa no papamovel

REUTERS

CIDADE DO VATICANO (Reuters Life!) – O papa Bento 16 abriga no seu coração muito carinho pela causa da doação de órgãos, mas nenhuma parte do seu corpo poderá ser usada para salvar vidas após a sua morte, segundo o Vaticano.

Um médico da Alemanha tem usado o fato de o papa possuir um cartão de doador de órgãos, emitido por uma associação médica, para promover essa prática. O Vaticano diz que já pediu que ele pare com isso, mas o médico se recusa.

Para resolver a questão, o secretário particular do papa, monsenhor Georg Gaenswein, enviou uma carta ao médico, cujo teor foi noticiado no programa em alemão da Rádio do Vaticano.

"É verdade que o papa tem um cartão de doador de órgãos (…), mas, contrariando a opinião pública, o cartão emitido na década de 1970 na prática se tornou inválido com a eleição do cardeal (Joseph) Ratzinger para o pontificado", diz a carta.

Em 1999, seis anos antes de ser eleito papa, Ratzinger divulgou que sempre andava com o cartão de doador, e estimulou as doações como sendo "um ato de amor".

O Vaticano diz que, quando um papa morre, seu corpo pertence a toda a Igreja, e precisa ser sepultado intacto. Além do mais, se órgãos do pontífice fossem doados, eles se tornariam relíquias em outros organismos caso o papa seja declarado santo.

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Manifestações unem cristãos e muçulmanos

Foto da cruz sobre um monte                                              Foto adicionada pela Igreja virtual

Lourival Sant?Anna – O Estado de S.Paulo

Ao entrar na Praça Tahrir, Hany Mohamed junta-se a um grupo de homens ajoelhados na calçada, para a quarta oração do dia. Adel Wagdi espera a alguns metros. "Sou cristão", explica.

Tem havido celebrações cristãs na praça, rodeadas por muçulmanos em gesto de proteção. Num cartaz de papelão feito à mão, uma lua crescente e uma cruz selam a harmonia entre as duas religiões, num país em que são comuns ataques contra igrejas coptas (cristãs). O último ocorreu na virada do ano, em Alexandria, em que a explosão de uma bomba matou 23 pessoas. Um cartaz escrito em inglês, dirigido a Mubarak, diz: "Obrigado por nos unir. Agora vá embora."

Rindo, Wagdi saca o celular do bolso para fotografar um homem com outro cartaz: "Mubarak, filho de Shaddad (herói pré-islâmico da Península Arábica), usou os camelos dele para liberar a praça", em referência à montaria usada por homens que atacaram os manifestantes na semana passada. Os egípcios trouxeram sua famosa verve humorística para a praça. Outro cartaz diz: "Eu preferia que o primeiro ataque aéreo (do Egito contra Israel, na guerra de 1973, que resultou na derrota árabe) tivesse sido contra o Egito, e Mubarak tivesse governado Israel por 30 anos." Uma moça segura um cartaz pedindo: "Preciso me formar. Vão embora." Escolas, assim como o comércio e serviços, estão fechadas desde o início dos protestos.

Do outro lado da praça, parte das pedras reunidas para defender os manifestantes dos ataques de grupos pró-Mubarak é usada para escrever frases no chão, como "US$ 70 bilhões", a fortuna que se acredita que Mubarak e sua família tenham amealhado intermediando virtualmente todos os negócios importantes no país. E, para ter certeza de que o presidente entendeu, a mesma mensagem foi escrita com pedras em quatro línguas: "Go away, Fuera, Dégage, Raus". Há muitas palavras de ordem, mas a preferida é essa: "Erhal" – "Vá embora".

"Ele é presidente desde que nascemos", dizem Mohamed e Wagdi. "Chega."

PARA ENTENDER

Cristãos coptas são 9% da população

A imensa maioria dos egípcios (90%) é de muçulmanos sunitas. Em segundo lugar vêm os cristãos ortodoxos coptas, cerca de 9% da população nacional. O centro da religião é Alexandria, onde fica o patriarca da Igreja, atualmente o papa Shenouda III. Estima-se que existam hoje cerca de 20 milhões de cristãos coptas, sendo que 16 milhões estão no Egito. Fiéis estão também espalhados pelas regiões central, leste e sul da África.