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666: Desvendando o verdadeiro significado do ‘número da besta’ e outros mitos do Apocalipse

Imagem de explosão na terra

CRÉDITO,THINKSTOCK

Legenda da foto,“Livro da revelação” descreve fim dos tempos

Dragões, cavalos com cabeça de leão e cordeiros com sete olhos. Essas são algumas das visões do Apocalipse – uma palavra que vem do grego antigo “revelação” e é descrita no último, mais estranho e mais controverso livro da Bíblia cristã.

O “livro da revelação” consiste em uma série de visões que seriam uma profecia do fim dos tempos. Foi usado ao longo da história para explicar desastres que vão da peste ao aquecimento global, passando pelo acidente nuclear de Chernobyl.

Algumas figuras e palavras conhecidas, como por exemplo Armagedom, também vêm do Apocalipse, embora nem todos saibam disso. E o livro tem diversas influências em livros, cinema e música até hoje.

Mas, quando João escreveu o livro, no século 1, ele não estava apenas querendo explicar acontecimentos futuros.

Alguns acadêmicos acreditam que ele usava códigos e símbolos para alertar os cristãos da época sobre a adoração ao imperador de Roma e lançar um ataque ao poderoso regime.

Dia do Julgamento, de John Martin

CRÉDITO,ALAMY

Legenda da foto,Juízo Final em quadro de John Martin; Deus aparece no trono e, à esquerda, as forças de Satã são derrotadas

O “número da besta” – 666 – é, talvez, a referência mais famosa do Apocalipse. O trecho que o cita diz: “Quem tiver discernimento, calcule o número da besta, pois é número de homem, e seu número é 666”.

Até hoje, 666 é usado para falar sobre a imagem do mal. Mas qual seria o significado por trás dele?

Era comum, na Antiguidade, usar números para disfarçar um nome. Nos alfabetos grego e hebraico, toda letra tem um número correspondente. Então, se você somasse todas as letras do seu nome, você tinha um código numérico.

O professor Ian Boxall, da CUA (Catholic University of America), dá um exemplo com Anna.

Em telha, professor escreve Anna
Legenda da foto,Na Antiguidade, era costume disfarçar nomes substituindo-o por números

“A” vale 1 e “N” vale 50. Anna, então, seria 102.

Se você escrever o nome do imperador Nero Cesar no alfabeto hebraico, a equação fica: 200+60+100+50+6+200+50=666.

Em telha, pesquisador escreve Nero Cesar
Legenda da foto,Em números, nome do imperador Nero Cesar vira 666

Historiadores acreditam que a perseguição de Nero a cristãos em Roma fez com que ele fosse uma figura odiada pelos primeiros cristãos.

Outros mitos

Diversos outros mitos conhecidos vêm do Apocalipse – e têm relação com a situação de Roma na época.

Nem todo mundo sabe, por exemplo, que Armagedon vem da Batalha do Armagedon, descrita no livro. O nome Armagedon é baseado no nome do Megido, um monte que hoje fica em Israel.

Segundo estudiosos, “ar” (ou “har”) significa monte em hebraico, e “magedom” (ou “magedo”) equivale a Megido. Na época de João, o Megido era um sangrento campo de batalha e abrigava uma das legiões mais cruéis de Roma.

Busto de Nero

CRÉDITO,PHOTOS.COM

Legenda da foto,Nero pode ter sido odiado por perseguição a cristãos

A batalha do Armagedom é uma luta entre o bem o mal – Deus e Satã – durante os últimos dias do mundo.

Já os cavaleiros do Apocalipse são quatro homens, em cavalos nas cores branca, vermelha, preta e verde. Eles soltariam no mundo a morte, guerra, fome e conquista, representando a violência resultante de escolher não seguir a palavra de Deus – a Roma imperial.

Outra imagem famosa do livro é a da besta do apocalipse e suas sete cabeças, que emerge do oceano e exige ser adorada. O nome de uma blasfêmia está escrito em cada uma das suas cabeças.

Cavaleiros do Apocalipse retratados em Bíblia de 1522

CRÉDITO,SPL

Legenda da foto,Cavaleiros do Apocalipse retratados em Bíblia de 1522

A besta seria Roma, e suas cabeças representariam os sete imperadores que a Roma antiga havia tido naquele tempo. Os nomes de blasfêmias representam a tendência dos imperadores romanos de se chamarem de deuses.

Influências

Até hoje, o Apocalipse tem influência na cultura a aparece em várias referências modernas.

Entre os filmes que fazem referência a ele estão O Sétimo Selo (1957), Fim dos Dias (1999), Filhos da Esperança (2006) e É o Fim (2013) – todos usam a imagem do fim do mundo.

Na literatura, estão entre os exemplos best sellers como a série Deixados para Trás (1995), O Nome da Rosa, de Umberto Eco (1980) e Revelação, de CJ Sansom.

Muitos músicos, de compositores clássicos a bandas de heavy metal, foram influenciados por temas da revelação.

O Iron Maiden batizou seu disco de 1982 de The Number of the Beast (O número da besta), enquanto o álbum do Muse de 2006, Black Holes and Revelations, traz os Cavaleiros do Apocalipse na capa.

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“O APOCALIPSE VAI COMEÇAR!”

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O que a Bíblia diz sobre a batalha de “Gogue e Magogue” e quando ela vai acontecer?

Escatologia — Fim dos Tempos.
FONTE: GUIAME, CRIS BELONI
Batalha final. (Foto: Flickr / Kmargo1)
Batalha final. (Foto: Flickr / Kmargo1)

“Quando terminarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá para enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a batalha. Seu número é como a areia do mar.” (Ap 20.7-8)

Sobre o nome Magogue

Magogue — biblicamente falando, era filho de Jafé e neto de Noé.

“Estes foram os filhos de Jafé: Gômer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tirás.” (Gênesis 10.2)

Seus descendentes se estabeleceram no extremo norte e, depois disso, o nome “Magogue” se tornou o nome daquela terra. Então, Magogue deu origem a um ou mais povos.

Gogue — foi um príncipe rebelde da terra de Magogue, que liderou um exército para atacar o povo de Deus.

Mas, no livro de Ezequiel, Gogue e Magogue são nomes “simbólicos” dados às nações que se rebelam contra Deus e são hostis ao seu povo. Veja o que diz a profecia:

“Veio a mim esta palavra do Senhor: Filho do homem, vire o rosto contra Gogue, da terra de Magogue, o príncipe maior de Meseque e de Tubal; profetize contra ele e diga: Assim diz o Soberano Senhor: Estou contra você, ó Gogue, príncipe maior de Meseque e de Tubal.” (Ezequiel 38.1-3)

“Quando Gogue atacar Israel, será despertado o meu furor…” (Ezequiel 38.18)

Perceba que existe uma conexão entre as profecias apresentadas nos livros de Ezequiel e Apocalipse. Lembrando que Ezequiel foi escrito por volta de 590 a.C. e Apocalipse, aproximadamente, em 95 d.C. Na estrutura dos textos apresentados há uma referência a uma guerra contra o povo de Israel.

Diáspora e a Lei do Retorno

Veja ainda que no capítulo 39 do livro de Ezequiel, diz que o povo de Israel viveu arrasado e espalhado por muitas nações, mas que se recupera das guerras e é reunido novamente.

“Então eles saberão que eu sou o Senhor, o seu Deus, pois, embora os tenha enviado para o exílio entre as nações, eu os reunirei em sua própria terra, sem deixar um único deles para trás.” (Ezequiel 39.28)

E o que vemos através da história? Que os judeus realmente estão retornando para Israel em número cada vez maior e por vários motivos: antissemitismo, crise econômica, ideologia religiosa, sionismo e, mais recentemente, pela pandemia por Covid-19.

Desde 2020, o processo de imigração de judeus acelerou muito. Segundo dados oficiais do Parlamento Israelense, só em maio de 2021 foram abertos cerca de 700 casos, contra 130 no mesmo mês de 2019. Isso porque qualquer judeu, assim como filhos ou netos, pode se beneficiar da “Lei do Retorno” e obter automaticamente a cidadania israelense. A ministra da Imigração, Pnina Tamano-Shata, previa a chegada de 90 mil judeus só em 2020.

Mais atualmente, com a invasão russa à Ucrânia, é de se esperar que mais judeus desembarquem em Israel, fugindo do caos e da violência por parte dos soldados russos.

Conforme o Correio Braziliense, cerca de 100 mil judeus vivem na Ucrânia hoje, de acordo com Yael Branovsky, porta-voz da Sociedade Internacional de Cristãos e Judeus em Jerusalém.

A pedido de Israel, cerca de 4 mil israelenses que vivem no país já se registraram na embaixada em Kiev desde o final de janeiro de 2022, segundo o porta-voz do ministério, Lior Haiat.

Paz em Israel

No tempo em que todo Israel estiver vivendo em paz, segurança e prosperidade em seu próprio território, então, conforme a profecia bíblica, será atacado numa batalha que a Bíblia chama de Gogue e Magogue.

Em seguida, haverá um grande terremoto e várias catástrofes naturais, acontecimentos vistos como “julgamentos de Deus”. O capítulo 39 de Ezequiel diz ainda que Israel sairá vencedor, que sua terra será purificada e que as nações verão a glória de Deus.

Gogue e Magogue: uma guerra real ou espiritual?

Possivelmente, uma coalizão — união entre nações que têm o mesmo objetivo. Trata-se de uma profecia que indica pessoas reais, já que por trás das nações existem governantes.

Batalha final. (Foto: Flickr / Kmargo1)

Logo, concluímos que não se trata apenas de um movimento espiritual maligno. No livro “Ezequiel — Introdução e Comentário” da Série Cultura Bíblica, página 218, o autor John Taylor comenta que “o nome é menos relevante do que aquilo que simboliza, a saber: o cabeça personificado das forças do mal que intentam a destruição do povo de Deus.

Na Bíblia de Estudo NVI, nos comentários da página 1432, diz que “a restauração futura de Israel como reino da casa de Davi, sofrerá resistência por parte de uma coligação maciça das potências mundiais, com o intuito de destruir o reino de Deus”.  Mas esse intento vai terminar com o triste cenário de “cadáveres espalhados pelos campos da terra prometida”.

Também é possível que o nome Gogue tenha sido utilizado para indicar os povos descendentes de Jafé. Vale a pena observar que Meseque e Tubal, citados na profecia, também foram filhos de Jafé.

Entre a simbologia e a literalidade

“Nos montes de Israel você cairá, você e todas as suas tropas e as nações que estiverem com você. Eu darei você como comida a todo tipo de ave que come carniça e aos animais do campo.” (Ezequiel 39.4)

Quando a Bíblia diz que “aves comem cadáveres” possivelmente está se referindo a pessoas de carne e osso, já que as aves não devoram espíritos. Então, possivelmente, Gogue e Magogue será uma guerra no mundo real.

“Naquele dia darei a Gogue um túmulo em Israel.” (Ezequiel 39.11)

Espíritos também não são enterrados. Então, a conclusão mais lógica é a de que não se trata apenas de criaturas espirituais. Mas, é claro, que por trás de todas essas nações haverá um líder espiritual, que é o próprio satanás.

Mas o povo de Deus sempre será protegido. Veja:

“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado; aquele que nasceu de Deus protege, e o Maligno não o atinge. Sabemos que somos de Deus e que o mundo todo está sob o poder do Maligno.” (1 João 5.18-19)

É possível identificar as nações que se reunirão contra Israel?

Todo cuidado é pouco na interpretação das profecias apocalípticas. O professor Luiz Sayão alerta sobre as dificuldades de interpretar textos que são proféticos e apocalípticos ao mesmo tempo. Embora o cenário aponte para uma batalha física, há uma série de simbolismos presentes.

Talvez não seja adequado buscar as nações da antiguidade na geografia do Oriente Médio atual. Aliás, conforme Sayão “os povos que habitam aquela região, em grande parte, não são os povos da antiguidade”.

Ele cita como exemplo a Síria. “Os sírios de hoje são árabes, e os sírios de antigamente eram arameus”. O teólogo esclarece que as conexões geográficas não se encaixam nas profecias em questão, já que o cenário atual envolve povos diferenciados.

É possível identificar alguns lugares, mas não todos. Por exemplo, quando a Bíblia cita “Elão” se refere à região da antiga Pérsia, conhecida hoje por Irã. Assur, que era a capital da Assíria, é o atual Iraque.

Arã é Síria. Cuxe pode ser a terra da Etiópia, mas há outras alternativas dependendo do texto. Mizraim é Egito. Pute é a região da Líbia, mais ao lado ocidental. Gomer está na região da antiga Anatólia, mais para o lado do norte, e Magogue também. E Javã é uma expressão geral para a Grécia.

Mas perceba também que a Bíblia utiliza nomes de nações para representar a iniquidade e a corrupção humana de forma global. Egito, Babilônia e Império Romano, por exemplo, representam a mesma coisa. Esses nomes nem sempre são usados para falar das nações, especificamente, mas como modelo de impiedade.

Gogue pode ser uma referência ao Anticristo?

Quando a profecia usa o termo “Gogue e Magogue” ela parece indicar um grupo de governantes, mas também parece falar diretamente com uma pessoa, no singular. Isso faz com que muitos estudiosos cheguem à conclusão de que pode se tratar do Anticristo.

Daí, alguns estudiosos deste século apontam para a Rússia ou o Irã, por exemplo, e passam a sugerir nomes de nações que estarão envolvidas no conflito. O professor Luiz Sayão não aconselha esse tipo de interpretação e explica que Gogue e Magogue é uma referência às forças do mal que apoiam o Anticristo.

Então, apontar este ou aquele como a personificação do Anticristo não é viável, nem mesmo tentar indicar quais nações farão parte do ataque. Além disso, nem todos os teólogos concordam que a batalha será literal.

Invasão russa à Ucrânia

Com a invasão russa à Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, muitos estão se perguntando se é o prelúdio de uma Terceira Guerra Mundial. É o fim dos tempos? Depois disso virá a guerra de Gogue e Magogue? Não há como responder, mas provavelmente não.

Os judeus ainda não estão vivendo em paz em Israel e nem todos retornaram. Além disso, estamos diante de um conflito entre Rússia e Ucrânia. Não se sabe quando as nações se reunirão para atacar Israel.

Porém, há teólogos que acreditam que a Rússia é Magogue, usando como justificativa sua localização geográfica (ao norte) e associando o nome da nação com o antigo nome “Rosh”.

Conclusão

O termo Gogue e Magogue é utilizado na Bíblia para indicar que haverá uma batalha contra Israel. Esse exército inimigo será muito numeroso. Sabemos disso porque a profecia diz, metaforicamente: “como a areia do mar”.

Será formado por nações inimigas que estão espalhadas pelo mundo inteiro. Mas existe ainda uma pergunta bem difícil de responder: quando vai acontecer essa batalha? A profecia em Apocalipse diz “quando terminarem os mil anos”. A profecia em Ezequiel diz “em anos futuros, nos dias vindouros”.

Essa questão do milênio é, provavelmente, a que mais divide os teólogos em suas interpretações. “Mil anos” é um termo simbólico ou literal? Já está acontecendo ou é uma profecia para o futuro? O milênio vem antes ou depois da Grande Tribulação? Essas são perguntas que vamos abordar em breve.

E esse foi o estudo desta semana. Espero que tenha tirado a sua dúvida e também colaborado para o seu crescimento espiritual. Beijo no coração e até a próxima, se Deus quiser!

Por Cris Beloni, jornalista cristã, pesquisadora e escritora. Lidera o Movimento Bíblia Investigada e ajuda as pessoas no entendimento bíblico, na organização de ideias e na ativação de seus dons. Trabalha com missões transculturais, Igreja Perseguida, teorias científicas, escatologia e análise de textos bíblicos.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.