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Religiões de matriz africana exigem o fim das igrejas nos presídios

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Integrantes da umbanda e candomblé na ALERJIntegrantes da umbanda e candomblé na ALERJ

Grupos de matriz africana se reuniram na última quinta-feira (5) em uma audiência pública com o presidente da Comissão de Defesa de Direitos Humanos e Cidadania, deputado Marcelo Freixo (Psol), na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Durante a sessão, os grupos entregaram um documento repudiando casos de intolerância religiosa, enumerando dez reivindicações para evitar o “surgimento de novos ataques”. Uma delas é o fechamento imediato das igrejas nos presídios no Rio de Janeiro.

“Os ‘traficantes evangélicos’ — os mesmos que vem destruindo templos e aterrorizando afro-religiosos — são arregimentados no cárcere e recebem anotações por ‘bom comportamento’ por suas conversões”, argumenta a carta em um pedido feito ao Tribunal de Justiça do Estado.

Os representantes das religiões de matriz africana pedem ainda que os ministros religiosos que promovem a perseguição contra grupos como umbanda, candomblé, batuque e Tambor de Mina, sejam acionados por crime de ódio e enquadrados na Lei de Segurança Nacional.

Entre os outros pontos citados no documento estão a promoção de políticas públicas e reparação das vítimas expulsas “de seus territórios sagrados e de culto pelos traficantes evangélicos”, fazendo menção aos casos de destruição de terreiros por líderes do tráfico.

Contradição

Embora os grupos de matriz africana utilizem como argumento a defesa pela liberdade religiosa, seu pedido apenas destaca a intolerância religiosa contra o cristianismo, que tem um trabalho consolidado dentro dos presídios.

A presença de missionários evangélicos é disparadamente numerosa nas prisões cariocas, se comparada a outras religiões. Dentre as 100 instituições aprovadas pela Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) para fazer assistência espiritual nos presídios do Rio em 2015, 81 são igrejas evangélicas — 47 de denominação pentecostal, 20 de missão e 14 de outras origens.

“Esta predominância acompanha uma tendência de crescimento dos evangélicos na sociedade, apontada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na pesquisa, percebemos que tanto para os detentos quanto para os funcionários das penitenciárias, a presença religiosa tem um efeito apaziguador e calmante em um ambiente muito tenso”, destacou o pesquisador Clemir Fernandes.

  Fonte: Guia-me
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Policiais destroem igreja, espancam fiéis e enterram Bíblias na China

Polícia invade a Igreja Rongguili, em Guangzhou, na CHinaPolícia invade a Igreja Rongguili, em Guangzhou, na CHina

Oficiais e policiais anti-motim do condado de Zhecheng, liderados pelo vice-governador, junto com policiais à paisana, chegaram à Igreja de True Jesus na cidade de Anping, sob a jurisdição de Shangqiu, na região central da China.

O grupo estava em 60 veículos e bloqueou as interseções que levam à igreja. As autoridades alegaram que a congregação estava em contato com países estrangeiros, o que a tornava ilegal e, portanto, deveria ser fechada.

Para impedir que as autoridades invadissem a igreja, mais de 60 crentes – que vigiam o local há mais de três meses – usaram bancos para barricar a entrada. Incapazes de entrar, os oficiais ordenaram que mais de 100 policiais à paisana derrubassem a cerca de arame que protegia o prédio e invadissem o local.

“Assim que eles entraram na igreja, quebraram a caixa de ofertas e embolsaram o dinheiro, que totalizou milhares de RMB (Renminbi, moeda oficial da China). Eles também nos questionaram sobre onde todo o dinheiro da nossa igreja era mantido”, disse um membro da congregação.

O crente acrescentou que, incapazes de encontrar o dinheiro, os oficiais ordenaram que policiais à paisana removessem as câmeras de vigilância dentro da igreja e depois atacassem violentamente os crentes. Quinze pessoas foram espancadas e lançadas ao chão, onde gemiam de dor.

Violência

De acordo com uma testemunha, uma cristã de 60 anos, ao ouvir as autoridades instruindo os policiais a vandalizar e invadir a igreja, tentou esmagar a cabeça contra um carro da polícia como forma de protesto. Vários policiais a agarraram e a espancaram.

Outra mulher de 50 e poucos anos correu para ajudá-la, mas também foi violentamente atacada e teve duas costelas quebradas. Alguns policiais deram um tapa no rosto de um crente paralítico de 70 anos e espancaram brutalmente vários outros crentes, fazendo-os perder a consciência por mais de meia hora.

Alguns crentes e espectadores tiraram fotos e vídeos da cena. Com medo de que suas atrocidades fossem expostas, os policiais confiscaram os aparelhos celulares.

Depois de atacar os crentes com violência, a polícia cavou um buraco e enterrou as Bíblias e hinários que haviam confiscado e retirado quase tudo da igreja, incluindo um grande portão de ferro, 13 aparelhos de ar condicionado, alto-falantes, máquinas de lavar, um computador, um piano no valor de 30.000 RMB (cerca de US $ 4.280) e outros itens. A polícia levou o diretor da igreja que foi detido por 15 dias.

Um morador local revelou que a construção da igreja, cobrindo uma área de mais cerca de 40.000 metros quadrados, foi concluída em julho de 2018. Foi construída com os fundos recolhidos pelos crentes por mais de dois milhões de RMB (cerca de US $ 300.000).

Eles alegam que a acusação do governo de que a igreja estava em contato com países estrangeiros era apenas uma desculpa para eles assumirem a igreja e convertê-la em uma casa de repouso no futuro. Por enquanto, as autoridades bloquearam a entrada da igreja com terra. O chão de concreto no pátio foi completamente destruído. Os prejuízos pela destruição da igreja ainda não foram contabilizados.

Fonte: Guia-me

 

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Cristianismo e Islamismo

Cristianismo e Islamismo (MC)

 A coexistência é possível

  1. Não há que esconder: quem lê a Bíblia e quem lê o Alcorão percebe, sem ilusões, que cada uma das duas religiões crê que o seu Livro encerra a verdadeira revelação e, portanto, só a sua religião está certa. Há o exclusivismo cristão, que afirma em Jesus Cristo:Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida e ninguém vem ao Pai senão por mim.João 14:6 e que Jesus Cristo é o único nome dado entre os homens pelo qual podemos ser salvos Actos 4:12; e há, do outro lado, a máxima que todo o crente muçulmano proclama sem ambiguidade: Não há outro deus senão Deus e Maomé é o Seu Profeta – acompanhando esta máxima o ensino que por “o Seu Profeta” se entende o último e portanto portador da mensagem suprema de salvação para quem crer e obedecer. O Islamismo afirma que Jesus foi um grande Profeta, mas não o Filho de Deus, e a sua mensagem foi realmente muito importante até que o Alcorão foi revelado.

  1. Pode dizer-se que, ao nível da revelação escrita, o Cristianismo crê não ser necessário o Islamismo, pois tudo o que ohomem precisaé reconhecer Cristo como Senhor e Salvador (o que implica cumprir a vontade de Deus revelada por Cristo); e o Islamismo diz que o Cristianismo está ultrapassado, pois Maomé veio trazer a última e definitiva palavra de salvação. O Islamismo é, nesta perspectiva, a reforma do Cristianismo e com mais razão do Judaísmo. Na verdade, ao nível dos textos chamados sagrados por cada uma das três religiões (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo) elas excluem-se claramente: o Cristianismo vê em Jesus Cristo o mediador de uma Nova Aliança Hebreus 12:24, logo, substituindo a Antiga Aliança com Israel; e o Islamismo vê em Maomé o profeta que reforma o Cristianismo, ainda que encontremos no Alcorão palavras muito positivas sobre o Judaísmo e o Cristianismo:, como estas: Na verdade, os que crêem, os que praticam o Judaísmo, os cristãos e os sabeus – os que crêem em Deus e no último Dia e praticam o bem – terão a recompensa junto do seu Senhor. Para eles não há temor (Alcorão 2:62 – Sabeus eram membros de uma corrente religiosa existente na Arábia dos dias de Maomé).

  1. Falando apenas do Cristianismo e do Islamismo, parece ser muito difícil, ou mesmo impossível, se ficarmos pelos textos bíblicos ou alcorânicos, uma coexistência pacífica. Mas há aspectos a ter em conta para encontrarmos fundamentos para tal coexistência e mesmo cooperação, hoje urgentemente necessárias.

Convém sublinhar à partida que não há na Bíblia uma rejeição radical e indiferenciada das religiões que não tenham Iahweh como único Deus. No Antigo Testamento é evidente que há oposição renhida a religiões dos povos que rodeiam Israel ou com que Israel convive, mas esta oposição tem de ver com características específicas dessas religiões, como os sacrifícios humanos que praticavam, com a prostituição sagrada, com a idolatria. Os crentes israelitas proclamam enfaticamente no “Shema” que o Senhor Deus, Iahweh, é o único Deus Deuteronómio 6:4, e confessam que os deuses dos povos são deuses falsos, mas não encontramos mandamentos para combater, de modo indiferenciado, todas as religiões opostas a Iahweh. Fazendo do Antigo Testamento uma leitura cristã (Jesus Cristo é a chave hermenêutica da Bíblia), repudiamos todo o uso descrito nele da violência usando o nome de Deus, mas é importante assinalar que não há em toda a Bíblia, para o cristão, mandamento que permita qualquer forma de “compulsão na religião”, expressão que no Alcorão em português é dita assim: Não há constrangimento na religião Alcorão 2:256. Para os discípulos de Cristo há, é certo, a responsabilidade de difundir as Boas Novas por toda a terra Mateus 28:20, mas essa difusão é pela pregação Romanos 10:17. Os cristãos dos primeiros séculos não pegaram em armas para obrigar os povos a aceitarem o Evangelho e escolheram ser perseguidos e mortos a perseguirem e matar. As Cruzadas vieram muito mais tarde e no seio de uma Cristandade subvertida, com influências externas.

Se tem de haver um combate entre o Cristianismo e as outras religiões, esse combate deve ser pela palavra, pela pregação, pela escrita. Sem nunca esquecer que o cristão é chamado a fazer o bem, como Jesus Actos 10:38; Efésios 5:1.

  1. Autores islâmicos têm sublinhado a sura acima citada (Alcorão 2:256) para repudiar a associação que muitas vezes se faz entre “jihad” e “guerra santa”, violenta. E nesse caso, serão eles os primeiros a declarar erradas as interpretações dos radicais fanáticos que espalham a morte em nome deAllah. Provavelmente, os dias que vivemos não são muito propícios aos que quiserem dar uma imagem mais fiel do Alcorão, mas os cristãos não devem confundir o Islamismo oficial com as interpretações abusivas de pessoas que alcançaram uma forma delirante de religião, nem deixar-se cair na lógica do “olho por olho, dente por dente” na reacção aos fundamentalistas. A coexistência entre cristãos e islâmicos é possível se os cristãos e os islâmicos não se olharem como inimigos a destruir mas como pessoas com ideias diferentes. Especialmente, importa reconhecer que o Cristianismo não pode esquecer que quem o quer guiar é o Espírito de Deus, cujo fruto é amor, alegria, paz, entre outros valores.Gálatas 5:22

  1. Os cristãos devem também estar atentos a valores veiculados pelo Islamismo. Num mundo em que as igrejas estão vazias e a fé cristã está quase ausente da vida quotidiana, é um desafio para o Ocidente verificar o interesse que os povos islâmicos dedicam à sua religião. Vemos, indubitavelmente, exageros lamentáveis entre muitos povos muçulmanos, mas temos de nos perguntar se a alternativa melhor é este desânimo e desencanto dos povos que se identificaram tradicionalmente com o Cristianismo. Por outro lado, não é difícil compreender que os povos islâmicos nos vejam como o mundo do Mal, se pensarmos na degradação de costumes que entre nós reina. A corrupção politica e económica alastra-se, a família está em derrocada, as drogas são responsáveis por mais de 70% da criminalidade, o sexo tornou-se um tema banal e conspurcado. A Europa, os Estados Unidos, o Canadá, a Austrália, a América Latina, honram-se da sua matriz cristã, mas cada vez é menor a influência da mensagem de Cristo nesses lugares. A oposição firme do Islamismo ao consumo de bebidas alcoólicas (que os estudiosos do Islão estendem a qualquer dependência) é mais um valor que o “ocidente cristão” deve ter presente para se não mostrar tão arrogante no seu progressismo.

  1. Outro valor intrínseco do Islamismo é a sua simplicidade. Não tem sacerdotes nem tem um culto faustoso. Nesse aspecto parece-se bastante com o Protestantismo (aliás, já é antiga essa comparação do Islamismo com o Protestantismo, especialmente o Calvinismo). Essa simplicidade inclui, no Alcorão, uma rejeição vigorosa da idolatria, de que o Cristianismo adulterado das Igrejas não está eficazmente liberto, se entendermos ídolo, como o fezGaraudy, como tudo o que reduz o infinito ao finito. Nesta perspectiva, o Islamismo é uma interpelação às Igrejas – incluindo as Novas Igrejas, dostele-evangelistas e outros que pregam a prosperidade e o sucesso, o dízimo e outras formas de tornar mais difícil a vida dos povos.

  1. O Cristianismo e o Islamismo podem conviver e cooperar mutuamente se cada um deles se recusar a impor-se ao outro. Os cristãos têm de renunciar a classificar o Islamismo como uma falsa revelação, porque não têm eles próprios revelação para tal dito. A Bíblia diz:As coisas escondidas são do Senhor, as coisas reveladas são para nós e nossos filhosDeuteronómio 29:29. Não está, pois, revelado, para nós, o que é o Islamismo. Já vimos que o Alcorão tem palavras positivas sobre o Cristianismo. Encontramos nele também frases elogiosas sobre Jesus, sobre Maria, sobre os Apóstolos. É verdade que nem sempre o Islamismo mesmo oficial foi coerente com essas afirmações do Alcorão e subjugou mesmo pela espada os cristãos ou exigiu taxas especiais aos cristãos que vivessem em suas terras – e os cristãos vieram a pagar na mesma moeda, guerreando também e “convertendo” pela espada muçulmanos. Mas é urgente criar condições para a coexistência e o respeito mútuo. Os cristãos não têm de renunciar à evangelização. Têm apenas de santificar a Cristo nos seus corações e estar sempre preparados para responder, com mansidão e temor, a qualquer que vos pedir a razão da esperança que neles há 1ª Pedro 3:15.

  1. Quando penso no que chamo acima “exclusivismo cristão” (Jesus é o único Salvador) e penso no dever de respeitar outras religiões, agrada-me fazer esta parábola: «Helena é uma mulher jovem e solteira que trabalha num escritório com três colegas homens, também solteiros. Um dia apaixona-se por um deles, que também a ama e casam-se. Agora que ama o seu marido deve odiar ou desprezar os outros dois? Não. Deve ser fiel ao marido mas pode manter amizade pelos outros.» Se a família que mora ao meu lado prefere Maomé a Cristo, terei de a odiar? Não – basta ser fiel a Cristo e dar razão da minha fé,com mansidão e temor.

Manuel Pedro Cardoso
Figueira da Foz,
Espada do Espírito