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A Saga da Família Medrado:

Do Coronelismo da Chapada Diamantina

ao Legado de Fé e Educação no Brasil

1. As Origens Coloniais e o Poder na Bahia (Séculos XVIII e XIX)

A trajetória da família Medrado no Brasil confunde-se com a própria interiorização da Bahia a partir da primeira metade do século XVIII. O sobrenome, de raízes ibéricas galego-portuguesas, ganha força na história colonial com o Capitão-Mor José da Rocha Medrado (c. 1730–1771). Inicialmente estabelecidos na região de Bom Jesus do Rio de Contas, os membros do clã migraram para a antiga Vila de Santa Isabel do Paraguaçu (atual Mucugê) com a descoberta das riquíssimas jazidas de diamantes no século XIX.

Na Chapada Diamantina, os Rocha Medrado consolidaram-se como grandes latifundiários, proprietários de fazendas históricas como a Fazenda Sumidouro, e exerceram forte domínio político e militar sob a patente de coronéis da Guarda Nacional. Figuras como o senador estadual Augusto Landulfo da Rocha Medrado e o deputado constituinte Sebastião Landulfo da Rocha Medrado ditaram os rumos políticos locais. O poder do clã era tão marcante que o Coronel Doca Medrado mantinha homens que integraram os Voluntários da Pátria na Guerra do Paraguai (1870) e o Batalhão Patriótico das Lavras Diamantinas (em defesa do governo de Arthur Bernardes contra a Coluna Prestes em 1925). A influência intelectual também gerou marcos na literatura, como a célebre “Carta Aberta a Jorge Amado” escrita por Landulfo da Rocha Medrado Filho na década de 1920 contra a sátira do escritor em ABC de Castro Alves.

2. A Virada Espiritual e Intelectual: Ângelo Barbosa Medrado (Final do Século XIX a 1920)

Nesse mesmo cenário do sertão baiano, floresceu Ângelo Barbosa Medrado (nascido em 1868), casado com Maria Murtinho. Homem culto, de escrita

eloquente e ortograficamente rica, buscou profunda liberdade de pensamento por meio da educação e da fé. Afastando-se do catolicismo tradicional romano — expressando em seus escritos sua decepção com o romanismo —, converteu-se ao protestantismo batista como fruto das primeiras missões no estado.

Tornou-se um dos primeiros representantes da Junta de Richmond no Brasil, sendo citado nominalmente na autobiografia do pioneiro missionário norte-americano Zacarias Clay Taylor (cofundador da Primeira Igreja Batista de Salvador em 1882 e do Seminário Batista do Sul).

 Alinhado com a visão de líderes como o missionário judeu-russo Salomão Ginsburg — que defendia que o Brasil deveria ser evangelizado e liderado por brasileiros capacitados —, Ângelo tomou uma decisão crucial na década de 1920, quando já atuava como Vice Moderador da Primeira Igreja Batista em Itabuna: encaminhar seus filhos varões ao Ministério Batista.

3. A Segunda Geração: A Vocação dos Irmãos Natanael e Enoque

Cumprindo o propósito de seu pai, os dois filhos de Ângelo formaram a nova geração de pregadores e educadores do protestantismo brasileiro:

  • Pr. Natanael Barbosa Medrado (n. 1909): O filho mais velho, que seguiu para o Recife para estudar no tradicional Seminário Batista do Norte do Brasil.
  • Pr. Enoque Barbosa Medrado (nascido em Jequié): O filho caçula, que se formou no Seminário Batista do Sul do Brasil (no Rio de Janeiro) e desbravou frentes missionárias inóspitas pelo país.

4. O Roteiro do Desbravamento Missionário (Pr. Enoque Barbosa Medrado)

  • Rondônia e Acre (A Amazônia Ocidental): O Pastor Enoque e sua esposa Elza Medrado fixaram residência em Porto Velho, no então Território Federal de Rondônia. Ali, atuou na consolidação da Primeira Igreja Batista local e estendeu frentes de apoio social até o Acre. Foi durante sua missão em Porto Velho, em 1944, que nasceu seu filho, Gézio Duarte Medrado.
  • Paraná (O Pioneirismo no Sul): Na década de 1940, migrou para o Norte do Paraná, liderando a junta fundadora e sendo o primeiro presidente da Primeira Igreja Batista de Rolândia (na Fazenda Bimini). Teve seu nome eternizado nos anais da Câmara dos Deputados como um dos pioneiros na fundação da Primeira Igreja Batista de Londrina, além de iniciar congregações em Cambé, Mandaguari, Maringá, Goioerê e Cianorte, Terra Rica entre outros.
  • O Interior Paulista: No início dos anos 1950, estabeleceu-se na região da Alta Noroeste (Promissão e Penápolis), atuando como líder itinerante ao longo da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.

   Enoque B. Medrado e Elza sua esposa

5. O Legado Eterno na Capital de São Paulo

Em meados dos anos 1950, o Pastor Enoque e Dona Elza fixaram residência definitiva na capital paulista, no tradicional bairro do Limão, dedicando décadas a trabalhos sociais e religiosos. O reconhecimento por sua vida de serviço comunitário eternizou seu nome na capital por meio de decreto oficial da Prefeitura, que nomeou a Praça Pastor Enoque Barbosa Medrado na Vila Albertina/Limão.

6. A Continuidade do Legado: O Prof. Dr. Gézio Medrado e a Família

A união do Pastor Enoque com Dona Elza gerou cinco filhos (Gézio, Judite, Leda, Solon e Ângelo).

  • Prof. Dr. Gézio Duarte Medrado: Personalizando o ápice do ideal de Salomão Ginsburg e de seu avô Ângelo sobre a importância da formação intelectual, tornou-se um brilhante jurista e acadêmico. Mestre e Doutor em Direito das Relações Sociais pela PUC-SP, manteve os laços históricos com as causas batistas ao assumir a Diretoria Geral do Colégio Batista Brasileiro e a presidência da Rede Batista de Educação. Recebeu da Câmara Municipal a honraria de Cidadão Paulistano em 2016.

7. O Ministério e o Empreendedorismo: O Pastor Ângelo Duarte Medrado

Dando continuidade ao legado de liderança pastoral, Ângelo Duarte Medrado — filho do Pastor Enoque — uniu a vocação teológica à atuação empresarial. Chamado ao ministério pastoral em Brasília (DF), formou-se em teologia pela Faculdade Teológica de Brasília (FATEB) e concluiu seu Doutorado em Novo Testamento pela Multiuniversidade Cristocêntrica. À frente da Igreja Batista da Restauração de Vidas, destacou-se também como prolífico autor de obras teológicas e de gestão, publicando livros marcantes como Maçonaria e Cristianismo, O Cristão e a Maçonaria, A Religião do Anticristo, Comportamento Gerencial e Vendas de Alto Nível com Análise Transacional.

Seja pela espada dos antigos capitães-mores de Mucugê, pela pena culta de Ângelo Barbosa Medrado nas Lavras Diamantinas, pela palavra de fé do Pastor Enoque e de seu filho Ângelo, ou pelas salas de aula e tribunais do Prof. Dr. Gézio, a história desta linhagem da família Medrado permanece como um testemunho vivo de fé, coragem e rigor intelectual na construção do Brasil

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“Além do Rito: O Propósito do Batismo”

O batismo

A aplicação pastoral da passagem de Marcos 16:16 (“Quem crer e for batizado será salvo”) é de extrema relevância para a vida da comunidade de fé, o pastoreio de novos convertidos e a vivência comunitária. Sob a ótica pastoral e pedagógica, essa declaração de Cristo transcende o debate doutrinário abstrato e se converte em um guia prático para a liderança e para o cuidado das pessoas.

Abaixo, detalho os principais eixos de aplicação pastoral desta passagem:

1. A Intencionalidade no Acolhimento e no Discipulado

  • Da Decisão ao Cuidado: Pastoralmente, o crer não é um ponto final, mas um ponto de partida. O líder ou pastor tem a responsabilidade de acolher aquele que manifesta a fé, entendendo que a decisão inicial por Cristo precisa ser nutrida por meio de um discipulado intencional.
  • Preparação para o Batismo: O batismo não deve ser tratado como um ritual burocrático ou meramente mecânico, mas como um momento solene de ensino. É a oportunidade de ouro para o pastor explicar a profundidade da aliança, ajudando o crente a compreender que está deixando velhas práticas para abraçar uma nova identidade.

2. A Importância do Testemunho Público e da Identidade Comunitária

  • Rompendo com o Isolamento: Na sociedade contemporânea, é comum que a religiosidade se torne algo estritamente privado, individualista e invisível. Pastoralmente, o batismo atua como um antídoto contra esse isolamento: ele exige um testemunho público perante a comunidade.
  • Senso de Pertencimento: Ao ser batizado, o crente é inserido de forma visível na família da fé. Para o pastor, isso significa integrar o novo membro ativamente no corpo eclesial, mostrando-lhe que a salvação tem uma dimensão comunitária — ninguém se salva sozinho, mas caminha junto com os irmãos.

3. O Cuidado com o Legalismo e com o Formalismo Religioso

  • A Ordem dos Fatores: O texto coloca o crer antes do batismo. Pastoralmente, isso lembra a liderança que o rito exterior (o batismo) não substitui a conversão do coração (a fé). O pastor deve zelar para que os membros não caiam na armadilha do formalismo, achando que a cerimônia por si só garante a graça, desvinculada de uma vida de entrega genuína a Cristo.
  • A Graça como Motor: A ênfase pastoral deve estar sempre na obra redentora de Jesus e na resposta de fé do indivíduo. Os sacramentos e ordenanças apontam para a graça, e não para o mérito humano.

4. A Responsabilidade Missionária da Igreja

  • O Chamado para a Ação: Esta passagem está inserida no contexto da Grande Comissão (Marcos 16:15). Pastoralmente, ela desafia a igreja a olhar para fora de suas quatro paredes.
  • Equipar os Fiéis: Se o evangelho precisa ser anunciado para que as pessoascreiam, o papel do pastor é capacitar a comunidade para que cada crente seja um agente de esperança em seu cotidiano (no trabalho, na família e na vizinhança), tornando acessível a mensagem que conduz à salvação.

Pr.Ângelo Medrado

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O Toque da Trombeta: Está o Seu Coração Pronto para o Fim dos Tempos?

A promessa do retorno de Jesus Cristo é um dos pilares fundamentais da fé cristã. As Escrituras Sagradas tratam desse evento não como uma teoria distante, mas como uma certeza iminente que deve moldar profundamente o estilo de vida, as prioridades e o caráter do crente.

Este estudo bíblico examina o que a Palavra de Deus diz sobre a volta de Cristo e como o cristão deve se manter vigilante e preparado.

1. A Certeza e a Incerteza do Momento

A Bíblia afirma categoricamente que Jesus voltará, mas também nos lembra que o momento exato é conhecido apenas por Deus.

  • A promessa fiel: O próprio Jesus garantiu aos seus discípulos: “E se eu for e vos preparar o lugar, virei outra vez e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também” (João 14:3).
  • A surpresa do dia: A Escritura compara a vinda do Senhor à chegada de um ladrão à noite, indicando que pegará o mundo de surpresa. Em Mateus 24:36, Jesus declara: “Porém daquele Dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão meu Pai, só.”
  • A exortação à vigilância: Por não sabermos o dia, o mandamento central é a prontidão constante: “Portanto, estai vós também apercebidos; porque o Filho do Homen há de vir à hora em que não o estais pensando” (Mateus 24:44).

2. O Perigo da Negligência e da Complacência

Um dos maiores riscos para a vida espiritual é a ilusão de que há muito tempo antes de o Senhor retornar, o que pode levar à apatia e ao esfriamento da fé.

  • A parábola das dez virgens: Registrada em Mateus 25:1-13, esta parábola ilustra a diferença entre os prudentes e os néscios. Cinco virgens tinham azeite suficiente em suas lamparinas para esperar o noivo, enquanto as outras negligenciaram a provisão. Quando o noivo chegou de improviso, as unpreparedas ficaram de fora. O azeite simboliza a comunhão genuína e contínua com o Espírito Santo.
  • O servo infiel: Jesus alertou sobre o servo que diz consigo mesmo: “O meu senhor tarde em vir” e passa a maltratar os companheiros e a viver dissolutamente. A surpresa do retorno trará consequências severas para aquele que descuidou de seus deveres espirituais (Mateus 24:48-51).

3. O Que Significa Estar Preparado?

Estar preparado para a vinda de Cristo vai muito além de saber datas ou ter um discurso teológico correto; envolve uma transformação prática diária:

  • Viver em santidade e pureza: “E a vós, que sois atribulados, descanso convosco, quando o Senhor Jesus se manifestar desde o céu com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não acham o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Tessalonicenses 1:7-8). A expectativa da Sua vinda purifica o nosso caráter.
  • Cumprir a missão com fidelidade: O Senhor espera nos encontrar trabalhando. Em Lucas 12:42-43, Ele elogiamento o servo prudente que é encontrado alimentando a sua serva no tempo certo. Isso significa usar nossos dons, pregar o Evangelho e servir ao próximo.
  • Manter o coração livre de pesos: “Olhai por vós mesmos, não aconteça que o vosso coração se carregue de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos sobrevenha de improviso” (Lucas 21:34).

“O que testifica estas coisas diz: Certamente presto venho. Amém. Ora, vem, Senhor Jesus!” — Apocalipse 22:20

Conclusão e Reflexão

A volta de Cristo não deve ser encarada pelo cristão como um motivo de medo ou desespero, mas sim como a grande esperança da redenção final. No entanto, essa promessa nos convoca a um exame de consciência sincero.

Diante disso, vale a pergunta para meditarmos hoje: Se Jesus voltasse neste exato momento, o que Ele encontraria em sua vida, em seus pensamentos e em suas prioridades? Que possamos viver de tal maneira que possamos aguardar o Seu retorno com alegria e paz no coração.

Como você percebe a sua rotina espiritual atual diante dessa expectativa do retorno de Cristo?

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Pr.Ângelo Medrado