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Cabala – O misticismo judaico revelado

 

Qual a origem do Universo? Por que estamos aqui? De onde vem a vida? O que acontece depois da morte? Imagine se você pudesse fazer todas essas perguntas diretamente para a autoridade máxima no assunto. Isso mesmo: que tal ter uma conversa com Deus e ouvir dele todas as respostas? Agora imagine que as respostas já existem, e foram passadas de geração a geração por um grupo de sábios estudiosos, do início dos tempos até os dias de hoje. Pois essa é a definição da cabala: uma revelação feita por Deus para os homens, capaz de esclarecer todos os mistérios que rondam a humanidade. Conheça aqui a história do misticismo judaico e saiba como a cabala está conquistando o planeta.

por Texto Daniel Schneider

No princípio, Deus criou os céus e a Terra. "Faça-se a luz", e a luz foi feita. Depois, Deus criou o homem e o chamou Adão. Findos os 7 dias da Criação, o Senhor viu que tinha feito algo bom. O homem habitava o paraíso e tinha contato direto e constante com Ele. E daí Deus resolveu passar ao homem toda a sabedoria da cabala. "Adão conhecia a cabala", dizem alguns praticantes. O assunto, porém, é controverso entre os próprios cabalistas. Teria o conhecimento da cabala sido passado de Adão a seus descendentes até Noé, depois até Abraão, Moisés e em seguida aos grandes mestres históricos, que selecionavam rigorosamente aqueles que estariam aptos a ser seus discípulos? Não há consenso sobre o momento em que a cabala foi revelada ao homem, mas todos os cabalistas concordam que o ensinamento sagrado veio diretamente do Criador, assim como os 613 mandamentos judaicos contidos na Torá, a bíblia judaica, que os cristãos chamam de Pentateuco. "A cabala é além do tempo, ela não tem nem começo nem fim", diz o rabino israelense Joseph Saltoun, ex-professor do Centro de Estudos da Cabala, em São Paulo, e que hoje leciona em Vancouver, no Canadá.
Mas, afinal, o que é a cabala? Bem, para tornar mais simples a tarefa de explicar, vamos começar dizendo o que ela não é. Ok, cabala NÃO É religião, autoajuda, superstição, magia, bruxaria, sociedade secreta, meditação, adivinhação, interpretação de sonhos, ioga, hipnose ou espiritismo, embora possa estar relacionada a todas essas coisas. Agora fica mais simples entender o que a cabala É: um conjunto de ensinamentos sobre Deus, o homem, o Universo, a Criação, o Caminho, a Verdade e coisas afins; uma revelação de Deus para o homem. "Ela nos diz por que o homem existe, por que nasce, por que vive, qual é o objetivo de sua vida, de onde vem e para onde vai quando completa sua vida neste mundo", diz Marcelo Pinto, representante do centro de cabala Bnei Baruch no Brasil. "O ser humano tem muitas questões, e a cabala é um caminho espiritual que permite trazer de volta o elo com a verdadeira origem de tudo", explica Ian Mecler, professor de cabala no Rio de Janeiro e escritor de livros como O Poder de Realização da Cabala (Editora Mauad). Para Shmuel Lemle, professor da Casa da Cabala, também no Rio, "nada acontece por acaso. Existem leis de causa e efeito. Assim como existem leis físicas como a lei da gravidade, existem leis espirituais".
Independentemente de quando a cabala tenha surgido, o modo como a conhecemos hoje é o resultado da transmissão desses ensinamentos por meio da tradição judaica. A palavra cabala (????, em hebraico, cuja pronúncia mais próxima do original é "cabalá") significa receber/recebimento. A cabala é uma forma de misticismo, pois ensina que é possível ao homem ter contato direto com esferas superiores da realidade, ou mesmo com manifestações do próprio Criador. Portanto, de um modo simplificado, a cabala é o misticismo judaico, ou a corrente mística ligada à tradição do judaísmo, para ser mais exato.

União com o criador

Grosso modo, a cabala está para o judaísmo assim como o gnosticismo está para o cristianismo e o sufismo está para o islã. Gnosticismo e sufismo são as correntes místicas ligadas respectivamente às tradições cristã e muçulmana. Como misticismos, essas 3 correntes têm muito em comum (veja o quadro da página ao lado). A maior parte das diferenças está no modo de transmissão do conhecimento, adaptado à tradição em que aquele tipo de misticismo se desenvolveu. Esse raciocínio não vale apenas para as 3 religiões chamadas abraâmicas (por serem todas herdeiras do patriarca Abraão) mas também para as místicas orientais, como hinduísmo, tao e budismo, além do zoroastrismo na Pérsia, só para citar as mais conhecidas.
Se a cabala é um tipo de misticismo, talvez seja o caso de explicar: o que é misticismo? Em poucas palavras, é a crença na possibilidade de percepção, identidade, comunhão ou união com uma realidade superior, representada como divindade(s), verdade espiritual ou o próprio Deus único, por meio de forte intuição ou de experiência direta em vida. Na intenção de atingir esse tipo de experiência, as tradições místicas fornecem ensinamentos e práticas específicos, como meditação e aperfeiçoamento pessoal consciente. Nosso foco nesta reportagem, a cabala, não é exceção. Para entender melhor, vamos dar uma espiada no passado?

Tradição oral

Seja qual for o primeiro e privilegiado homem a ter recebido o conhecimento esotérico da cabala, ninguém discute que os ensinamentos foram transmitidos oralmente ao longo de muitas gerações, até que alguém resolvesse eternizá-los na escrita. Os primeiros escritos conhecidos com referências a esses ensinamentos datam do século 1. São livretos reunidos numa coleção chamada Heichalot ("Os Palácios"), que versam sobre os passos necessários para ascender evolutivamente através de 7 palácios celestiais, com ajuda de espíritos angelicais. Mas os livros mais importantes da cabala são o Sefer Yitizirah (Livro da Criação) e o Zohar (Livro do Esplendor), ambos de origem incerta. O primeiro teria sido escrito no século 2, mas seu autor é desconhecido. No caso do Zohar, a situação é ainda mais complexa. Para alguns cabalistas, ele foi escrito pelo rabino Shimon bar Yochai, também no século 2. A maioria dos estudiosos, porém, acredita que o Livro do Esplendor seja de autoria do escritor judeu-espanhol Moisés de León, que divulgou os manuscritos no século 13.
Embora o Sefer Yitizirah e o Zohar concentrem em suas páginas os principais ensinamentos da cabala, é importante lembrar que a Torá é tão importante quanto eles. Isso porque, segundo a cabala, a Torá contém ensinamentos preciosos codificados dentro do texto sagrado – decifrar esses ensinamentos ocultos é, por sinal, um dos principais propósitos do misticismo judaico. Uma das maneiras de interpretar a bíblia hebraica é recorrer a códigos e números: a guematria, a face matemática da cabala (veja reportagem na página 32), atribui valores numéricos a cada uma das 22 letras do alfabeto hebraico. A ordenação dessas letras no texto bíblico seria uma das maneiras que Deus teria encontrado para revelar ao homem os segredos do Universo.
As interpretações da Torá são tão importantes que foram divididas em 4 níveis de profundidade. O 1º nível, Peshat, é aquele com que todos leitores estão acostumados, mais simples, que compreende o sentido literal do texto. O 2º, Remez, já considera os significados alegóricos da linguagem (alusões). No 3º nível, Derash, entram comparações entre trechos similares e metáforas. O último nível seria aquele que compreende o sentido secreto e misterioso da mensagem divina: Sod. Juntos, os nomes das interpretações já possuem um significado próprio. Combinando-se as primeiras letras de cada um, obtém-se a palavra PaRDeS, que significa paraíso e remete à finalidade última do esforço de interpretação. Isto é, ao finalmente compreender a mensagem que Deus colocou nos textos sagrados, o cabalista receberia de volta o conhecimento do paraíso, como se lhe fosse devolvida a chave para retornar ao Éden, do qual Adão foi expulso por desobediência. "É como uma gota retornando ao oceano, de volta à realidade divina. Não é um processo fácil", diz o rabino Leonardo Alanati, da Congregação Israelita Mineira.
Mestres e discípulos
Durante séculos, especialmente após a destruição do Segundo Templo em Jerusalém pelos romanos, no ano 70, a sabedoria da cabala foi cuidadosamente transmitida "por mestres iluminados somente a pequenos grupos de seus discípulos mais brilhantes e inspirados", conta Alanati. Os discípulos ideais eram homens maduros (mais de 40 anos), pais de família, de comportamento exemplar e ávidos por descobrir os segredos do Universo. Não eram muitos, portanto, aqueles que se tornavam mestres e davam continuidade à transmissão do conhecimento oral.
Para boa parte dos cabalistas, as restrições tinham uma razão clara: o público não estava preparado para receber esses ensinamentos. "Esse é o principal motivo para a transmissão restrita", opina Mecler. "Hoje, a evolução da ciência ajuda a compreender muitos dos ensinamentos antigos", diz. Mas o motivo de tanto segredo não era somente a escassez de discípulos ideais. Em diversas épocas, por razões diferentes, os judeus foram proibidos de professar publicamente sua fé – a perseguição aos cabalistas atingiu o clímax no século 16, durante a Inquisição espanhola (veja reportagem na página 56). Além disso, "a cabala contém uma reinterpretação revolucionária do texto bíblico, que usa uma simbologia complexa e uma linguagem ambígua", diz Alanati. Por causa disso, em muitas ocasiões os cabalistas foram considerados hereges. Até hoje, o estudo da cabala é condenado por várias vertentes do judaísmo.
Entre o período final da Idade Média e o fim da Idade Moderna, houve um ressurgimento da cabala. No século 13, o Zohar foi distribuído pelo escritor espanhol Moisés de León; no século 16, os conhecimentos foram sistematizados pelo místico Moisés Cordovero, um dos sábios a se refugiar na cidade israelense de Safed; em seguida, Isaac Luria divulgou novas interpretações dos ensinamentos, que foram espalhados por vários mestres pela Europa, fazendo da cabala a teologia dominante em círculos escolásticos e no imaginário popular judaico; e, no século 18, o rabino Baal Shem Tov fundou o hassidismo, variante ortodoxa do judaísmo que ensinava uma versão mais "fácil" da cabala. De todo modo, "a essência é a mesma há 4 mil anos", diz Mecler. "O conhecimento não muda, assim como as leis da física não mudam. Muda só a forma de transmitir", diz Lemle.
Hoje, com o advento da internet, o conhecimento da cabala é acessível a qualquer interessado, ainda que de forma simplificada. "Estamos prontos, então a hora chegou", conclama Lemle. Nos séculos 20 e 21, foram feitas diversas traduções do Zohar para o hebraico moderno (o idioma original é o aramaico) e para o inglês (não existe uma versão completa em português). Mas o fator que mais contribuiu para a popularização da mística judaica foi a recente adesão (desde a década de 1990) de celebridades como Madonna, Mick Jagger, David Bechkam, Britney Spears e outras (veja reportagem na página 44).
A organização responsável pelo surgimento da cabala pop é o Kabbalah Centre, uma escola de cabala fundada em 1984 na cidade de Los Angeles. Lá, como você pôde perceber ao ler o nome dos famosos, o acesso aos ensinamentos não é restrito a judeus. "Temos alunos de várias religiões", diz Yehuda Berg, um dos coordenadores do centro americano. "Não vejo problema nisso."
Nem todos estudiosos aceitam a ideia de que a cabala deva ser acessível a todos. A atitude do Kabbalah Centre provocou reações indignadas de cabalistas mais tradicionais, como o iraquiano Yitzhak Kadouri, um dos mais importantes estudiosos da cabala no último século. "A cabala não é moda", disse em 2004, comentando a adesão de Madonna ao misticismo. "Ela deve ser estudada somente por judeus."
Controvérsias à parte, a verdade é que a cabala ganhou milhares de aspirantes de diversas religiões nos últimos anos. Mas essa não é a primeira vez que acontece esse tipo de "sincretismo". Veja a seguir como diversas crenças e religiões encontraram na cabala uma parceira de peso.
Parcerias poderosas
Durante o Renascimento, a cabala despertou interesse de grupos místicos cristãos, intrigados com a compatibilidade entre as duas tradições. O resultado foi a criação da cabala cristã (ou católica), que levou novos níveis de interpretação aos textos sagrados cristãos. "Considero Jesus um mestre de cabala", diz Mecler. Um sincretismo mais profundo resultou no surgimento da chamada cabala hermética, que reúne ensinamentos de gnosticismo, alquimia, astrologia, religiões egípcia, greco-romana e pagãs, tarô, tantra, maçonaria, hermeticismo, neoplatonismo, hinduísmo e budismo, em uma espécie de síntese de todas as tradições místicas ditas autênticas. Outra variante é a cabala prática, que trabalhava com o uso da magia, incluindo a criação de amuletos e encantamentos, e teve seu apogeu na Idade Média (veja reportagem na página 62).
Mas, além dessas tradições cabalísticas distintas, a própria cabala judaica tem diferentes correntes. Uma delas é a já citada cabala pop. Outra variante tem como expoente o Bnei Baruch Kabbalah Education & Research Institute, fundado em 1991. Autodenominado o maior grupo de cabalistas em Israel, o Bnei Baruch não considera a cabala um misticismo, mas "uma ferramenta científica para o estudo do mundo espiritual". A proposta deles para compreender o Universo é aliar os estudos científicos da física, da química e da biologia às ferramentas cabalísticas. Seu fundador e atual diretor, o filósofo Michael Laitman, é Ph.D. em cabala pela Academia Russa de Ciências e mestre em biocibernética médica.
Além dessas e, claro, do judaísmo hassídico, existem outras correntes – mais conservadoras, mais literais, mais flexíveis… "Cada escola se liga mais em um ou outro mestre", esclarece Mecler. As diferenças são na ênfase em cada aspecto da sabedoria, mas todas seguem a base comum dos textos sagrados e da tradição oral. "Existem muitos mestres, e cada um pode escolher aquele com o qual se identifica, mas não há diferença na base do ensinamento", diz Lemle. Afinal, como costumam dizer, "a Verdade é uma só". Que tal conhecer um pouco dela?
Deus-infinito
Assim como a religião judaica, a cabala afirma que tudo o que existe vem de Deus. Entretanto, o Deus único não é compreendido exatamente da mesma maneira. Se, para a religião tradicional, Deus é o todo-poderoso Criador de todas as coisas, para a cabala Ele não é somente o Criador mas é também a Criação. Ou seja, a Criação não é dissociada do Criador, mas parte d’Ele. A existência de Deus não seria, portanto, distinta do espaço e do tempo; o espaço e o tempo estariam contidos no próprio Deus-Infinito. Mas não vá pensando que já entendeu, porque isso não é assim tão simples. E nem imagine que essas racionalizações vão proporcionar a você um entendimento profundo de Deus. Por um simples fato: segundo a cabala, ou mesmo a religião judaica, o Deus-Infinito não pode ser compreendido pela nossa mente física limitada.
Claro que, apesar disso, os cabalistas não deixam de estudar esses ensinamentos, porque os consideram fundamentais para prosseguir no caminho da evolução espiritual. Um dos estudos mais importantes é justamente o que diz respeito à natureza da divindade. Para começar, os cabalistas preferem o termo Deus-Infinito – uma tradução para ??? ??? (lê-se da direita para a esquerda), ou Ein Sof, aquele que veio antes de tudo, que precede a Criação. Veja o que diz o Zohar sobre o Ein Sof: "Antes de dar qualquer formato ao mundo, antes de produzir qualquer forma, Ele estava só, sem forma e sem semelhança com qualquer outra coisa. Quem então pode compreender como Ele era antes da Criação? Por isso é proibido emprestar-Lhe qualquer forma ou similitude, ou mesmo chamá-Lo pelo Seu nome sagrado, ou indicá-Lo por uma simples letra ou um único ponto… Mas, depois que Ele criou a forma do Homem Celestial, Ele a usou como um veículo por onde descer, e Ele deseja ser chamado por Sua forma, que é o nome sagrado ‘YHWH’".
Pode parecer estranho não poder dar um nome a Deus, tornando-o de certa maneira inacessível para os homens. Afinal, se é assim, como pode existir uma experiência mística que permite esse acesso? Bem, a cabala explica que o contato com Deus é realizado indiretamente, por meio de um de seus desdobramentos. "Para tornar-se ativo e criativo, Deus criou as 10 sefirot ou emanações. As sefirot formam a Árvore da Vida, que representa os aspectos de Deus existentes dentro de nós", explica o rabino Alanati. Ou seja, uma maneira de ter o contato místico com Deus é através de uma das 10 sefirot, as mesmas representadas no famoso diagrama. Alanati explica que as 7 esferas mais baixas estão diretamente relacionadas com os 7 dias da Criação descritos no livro do Gênese.
Mas como teria se dado exatamente a Criação? A cabala tem um livro dedicado a esse tema: o já citado Sefer Yitizirah. O texto ensina que a primeira emanação do Ein Sof foi ruach (espírito/ar), que em seguida gerou fogo, responsável por formar água. A existência real dessas substâncias potenciais foi comandada por Deus, que as utilizou como matérias-primas de toda a Criação. Por exemplo, a água deu origem à terra, o fogo originou o céu e o ar ocupou o espaço entre eles para formar nosso planeta. Ainda segundo o Sefer, o Cosmos é dividido em 3 partes (cada uma delas contendo uma combinação dos 3 elementos primordiais): o mundo (ou, com alguma abstração, o espaço), o ano (tempo) e o homem.
A cabala divide o Universo em 4 planos de existência, divididos hierarquicamente a partir da emanação do Ein Sof até nós. Nessa ordem, teríamos então: o Atziluth (Mundo da Emanação ou das Causas), que recebe a luz diretamente do Ein Sof; o Beri’ah (Mundo da Criação), onde não há matéria e onde moram os anjos de mais alta hierarquia; o Yitizirah (Mundo da Formação), onde a Criação assume forma material; e o Assiah (Mundo da Ação), onde se completa a Criação e se localiza todo o Universo físico e suas criaturas. No sistema luriânico, um quinto mundo é mencionado, acima do primeiro, e que serviria de mediação entre o Ein Sof e o Mundo da Emanação.
Planos superiores
É curioso observar que, na cabala luriânica, desenvolvida no século 16 pelo rabino Isaac Luria, há um conceito que lembra a Teoria do Big Bang. Segundo essa linha cabalística, a primeira ação de Ein Sof para criar o Universo teria sido uma contração sobre si mesmo, que teria provocado uma catástrofe inicial chamada tohu, gerando um vácuo. Em seguida, esse váculo teria sido preenchido com as emanações divinas (de uma maneira explosiva, tendo em vista a grande velocidade dos acontecimentos narrados) e, a seguir, "retificado" nos mundos que você conheceu no parágrafo anterior.
Enquanto estiver no Mundo da Ação, o homem está sujeito a dirigir o corpo físico que lhe foi concedido, mas seu objetivo deve ser sempre o mesmo: aprender e evoluir para ascender aos planos superiores. "O judaísmo acredita que a alma é eterna e subdividida", diz Alanati. "A vida continua em outras realidades além da nossa, aguardando a ressurreição. A cabala é a única corrente dentro do judaísmo que defende o conceito de reencarnação: algumas almas retornam a este mundo em outro corpo, até acabar de cumprir a sua missão. Ou então elas voltam para nos trazer bênçãos e luz através de seu ser altamente desenvolvido". Segundo ele, seria possível uma alma atingir o estágio de evolução necessário em uma única vida, mas é comum receber mais algumas chances, num processo de reencarnação que também faz parte dos aprendizados evolutivos.
Segundo a cabala, a alma humana é dividida em 3 partes básicas. A mais "baixa", chamada nefesh, é a parte animal, responsável pelos instintos e reflexos corporais. Acima dessa estaria ruach, o espírito ou alma média, que contém as virtudes morais e a habilidade de distinguir o que é bom e o que é ruim. A alma alta, neshamah, seria a terceira parte, que representa o intelecto e distingue o homem das outras formas de vida, por permitir a vida após a morte. É a neshamah que permite a percepção da existência de Deus.
Outras duas partes da alma humana são discutidas no Zohar: chayyah, que permite a consciência da força divina, e yehidah, a parte da alma que é alta o suficiente para atingir o maior nível possível de união com o Criador. "A meta é alcançar o propósito para o qual fomos criados: a equivalência de forma com a Força Superior. Todo o trabalho na cabala tem esse objetivo", resume Marcelo. Na hipótese remota de a humanidade finalmente se unir ao Criador, em uma fusão completa e perfeita, o que aconteceria? O fim do mundo? O começo de uma nova e gloriosa Criação? Bom, isso nem mesmo os mestres cabalistas sabem responder…
VOLTA ÀS ORIGENS
Grupo de jovens israelenses se reúne em uma caverna perto da vila de Beit Meir, em Jerusalém, para estudar a cabala, em maio de 2010. Uma vez por semana, cerca de 12 judeus ortodoxos se encontram nesta caverna perto da cidade sagrada para repetir um ritual antigo: analisar e discutir, por horas a fio, os textos de livros como o Zohar.
FESTA MÍSTICA
Mais de 2 mil estudantes da cabala se reuniram na Times Square, em Nova York, para celebrar a chegada do Ano-Novo Judeu, Rosh Hashana, em setembro de 2001. O canto, a dança e as vestes brancas são típicos de uma nova geração de cabalistas, que considera a festa, a celebração e a alegria tão importantes quanto a meditação e as longas sessões de estudo dos textos antigos.
LADO A LADO
Judeus ortodoxos e soldados israelenses rezam juntos na tumba do rabino Isaac Luria, em Safed, Israel. Luria, um dos mais importantes cabalistas de todos os tempos, foi o responsável pela renovação do misticismo no século 16 com a criação da cabala luriânica e a divulgação de seus ensinamentos para além dos círculos judaicos.
BANHO SAGRADO
Um judeu se banha nas águas geladas da Mikve HaAri, localizada em Safed, Israel. Cabalistas repetem há anos o ritual, prestando homenagem ao rabino Isaac Luria, que teria utilizado as mesmas águas no século 16. Alguns se banham todos os dias, mas o mais comum é realizar o ritual na véspera do Shabat.
SÓ PARA JUDEUS
O cabalista Yitzhak Kadouri segura um exemplar do Zohar na biblioteca de sua casa em Jerusalém, em 2004. Um dos maiores estudiosos contemporâneos da cabala, Kadouri ganhou notoriedade por sua influência política e por suas declarações polêmicas. Em 2004, durante visita de Madonna a Israel, ele se recusou a falar com a cantora, dizendo que "o estudo de cabala é proibido para as mulheres, e também para os que não são judeus".

A cabala no tempo
Conheça a evolução da corrente mística judaica, da criação do Universo até os dias de hoje

Criação
Origem – 3700 a.C.
Deus cria Adão. Há quem defenda que ele teria sido o primeiro conhecedor da cabala, obtida diretamente do Criador.
Patriarca – 1800 a.C.
Nasce Abraão, patriarca dos judeus, dos cristãos e dos muçulmanos. Para alguns, ele seria o primeiro conhecedor da cabala.
Êxodo – 1500 a.C.
O profeta Moisés teria recebido a cabala diretamente de Deus no monte Sinai, juntamente com a Torá e os Mandamentos.
Templo – 516 a.C.
É erguido o Segundo Templo em Jerusalém. A chamada Torá Oral é transmitida ao longo dos anos.
Formação
Diáspora – 70 D.C.
Perseguição romana e destruição do Segundo Templo. Segunda diáspora. Cabala é mantida em segredo.
Palácios – Séc. 1
É escrita a coleção de literatura judaica conhecida como Heichalot ("Os Palácios"), que inspirou motivos cabalísticos.
Manuscritos – Séc. 2
É escrito o livro Sefer Yitizirah, a obra mais antiga do chamado esoterismo judaico. Segundo a tradição, é escrito também o Zohar, no idioma aramaico, pelo rabino Shimon bar Yochai.
Título – Séc. 11
O termo cabala passa a ser usado para identificar o misticismo judaico. Não há consenso se o pioneiro nesse uso foi o filósofo judeu Shlomo ibn Gevirol ou o cabalista espanhol Bahya ben Ahser.
Expansão
Redescoberta – Séc. 13
O Zohar é descoberto (ou escrito, segundo alguns estudos) e distribuído pelo escritor judeu-espanhol Moisés de León.
Renovação – Séc. 16
Sábios cabalistas refugiam-se na cidade de Safed, em Israel: entre eles está Isaac Luria, criador da cabala luriânica.
Vivência – Séc. 18
Fundado pelo rabino e místico judeu Baal Shem Tov, o judaísmo hassídico, ramo ortodoxo que prega a vivência mística da fé judaica, populariza uma forma mais simples de cabala no Leste Europeu.
Tradução – Séc. 20
O rabino Yehuda Ashlag, fundador do Kabbalah Centre de Israel, completa em 1922 a primeira tradução do Zohar para o hebraico moderno. Em 1984, Philip Berg funda o Kabbalah Centre de Los Angeles.
Ao acompanhar esta linha do tempo, você vai notar algumas discrepâncias entre o que dizem as tradições judaicas e a opinião dos estudiosos. O caso mais exemplar é o do Zohar: no século 13, Moisés de León distribuiu a primeira versão escrita da obra, alegando que havia encontrado os manuscritos originais, do século 2. Conta-se, porém, que um homem rico ofereceu à viúva de Moisés de León uma alta soma de dinheiro pelos originais. Desolada, ela teria confessado que seu marido era o verdadeiro autor.

Uma verdade, muitos caminhos
Cada misticismo tem seu próprio método para chegar até a Verdade. Mas a essência é a mesma. Veja aqui as semelhanças e diferenças entre 6 correntes místicas

CABALA

O que é – O misticismo judaico é baseado na crença de que todos os segredos do Universo foram revelados por Deus, de forma codificada, na Torá. Os cabalistas procuram desvendar esses segredos.
Principal texto – Distribuído no século 13 pelo rabino Moisés de León, o Zohar ajuda a explicar os ensinamentos ocultos na Torá.
Principal patriarca – Abraão, embora não haja consenso se o primeiro conhecedor da cabala teria vindo antes (Adão ou Noé) ou depois (Moisés).
Entidade máxima – Ein Sof, o Deus-Infinito, que criou o Universo usando as 22 letras do alfabeto hebraico e as 10 emanações chamadas de sefirot.

GNOSTICISMO

O que é – Gnose é um tipo especial de conhecimento, uma espécie de saber profundo. Ligado à história do cristianismo, o gnosticismo possui elementos pagãos e outros sincretismos.
Principal texto – Escrito por volta do séc. 2, o Pistis Sophia relata os ensinamentos de um Jesus ressuscitado aos apóstolos.
Principal patriarca – Para os gnósticos, Jesus Cristo é o maior mestre de todos os tempos, mas não é considerado o próprio Deus.
Entidade máxima – O Absoluto. Num conceito próximo ao do Ein Sof, Ele também tem emanações, conhecidas como "Æons".

SUFISMO

O que é – A palavra remete à ideia de pureza. Enquanto o islã crê no encontro com Deus após a morte, o sufismo defende essa possibilidade ainda em vida, por meio de uma experiência mística, chamada irfan.
Principal texto – Escrito no século 11 pelo sábio persa Hujwiri, o Kashf al Mahjub ("Revelando o Velado") discute os principais conceitos sufistas.
Principal patriarca – O profeta Maomé teria transmitido os ensinamentos sufistas àqueles que poderiam experimentar um encontro com Alá.
Entidade máxima – Seguindo a tradição islâmica, Alá é o único Deus, embora tenha uma coleção de nomes, assim como acontece na cabala.

RAJA IOGA
O que é – Originado no hinduísmo, o raja ioga ("ligação", em sânscrito) também está presente no budismo e consiste em disciplinas mentais muito além das práticas mais conhecidas no Ocidente.
Principal texto – Os textos hindus conhecidos como Ioga Sutra explicam os meios de atingir o Samadhi, que seria a união completa com Deus.
Principal patriarca – Não tem. Entretanto, uma figura histórica importante é Patañjali, autor dos Yoga Sutra e de outros textos filosóficos.
Entidade máxima – Brahman é para o Ioga a Realidade Eterna, Infinita, Imutável, Origem e Identidade de tudo o que há no Universo.

ZOROASTRISMO

O que é – Misticismo surgido na antiga Pérsia, baseado nos ensinamentos de Zaratustra. Dizem que os iniciados detinham o conhecimento místico necessário para dominar as forças da natureza.
Principal texto – Chamado Gathas, traz versos que exploram a essência divina da Verdade, da Mente Sadia e do Espírito de Justiça.
Principal patriarca – O profeta Zaratustra (ou Zoroastro) viveu em algum momento entre os séculos 16 e 10 a.C. e teria sido o autor do Gathas.
Entidade máxima – Chamado por Zaratustra de "o Deus não criado", por ser a origem de tudo, Ahura Mazda é onisciente, mas não onipotente.

TAO

O que é – Profundamente dualista, o tao prega o caminho do equilíbrio entre os eternos opostos. Viver em harmonia, agindo com sutileza por meio do "não agir" (wu-wei), seria a chave para atingir o Tao.
Principal texto – O Tao Te Ching ("Livro do Caminho e da Virtude") serviu de inspiração não só para o taoismo, mas também para o zen-budismo.
Principal patriarca – Autor do Tao Te Ching, o reverenciado Lao Tsé (o nome significa Velho Mestre) é envolto em mistérios.
Entidade máxima – Verdadeira natureza do Universo, o Tao o precede e o abarca completamente. Não personificado, confunde-se com o próprio Caminho.

Fonte: super.abril.com

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DEUS: O ÚNICO COMANDANTE DO UNIVERSO.

Por Leandro Borges

“Portanto, escreva as coisas que você vai ver, tanto as que estão acontecendo agora, como as que vão acontecer depois.” (Apocalipse cap.1 vers.19).

“Meus queridos amigos, não acreditem em todos os que dizem que têm o Espírito de Deus. Ponham à prova essas pessoas para saber se o espírito que elas têm vem mesmo de Deus; pois muitos falsos profetas já se espalharam por toda a parte. É assim que vocês poderão saber se, de fato, o espírito realmente é de Deus: quem afirma que Jesus Cristo veio como um ser humano, tem o Espírito que vem de Deus. Mas quem nega isso a respeito de Jesus, não tem o Espírito de Deus; o que ele tem é o espírito do Inimigo de Cristo. Vocês ouviram dizer que esse espírito viria, e agora ele já está no mundo.” (Apocalipse cap.4 vers.1,2,3).

Podemos definir esta passagem acima, em uma única frase: “O FUTURO CHEGOU !!!” ou “A PORTA DO CÉU JÁ FOI ABERTA !!!”

João foi convidado a entrar por esta porta, pois ele já teve a visão do Cristo em glória no meio da Sua igreja. Depois que João teve essa primeira visão do Cristo exaltado que cuida e protege a Sua igreja, vemos que então se dá início a revelação de “como as que vão acontecer depois.”

É importante lembrar que Cristo revelou-se primeiro como aquele que conhece a Sua noiva no íntimo. Cristo conhece perfeitamente todas as virtudes e fraquezas da Sua noiva. Nenhum defeito da Sua noiva está oculto diante do Seus olhos. Contudo, o Cristo exaltado aponta para a Sua noiva o caminho e retorno e diz que Ele é o remédio para a Sua própria igreja. Cristo não rejeita a Sua noiva, pois sabe que Ele é o único remédio para ela (sua igreja).

É preciso sempre se lembrar que o céu aberto não apenas libera acontecimentos, mas também libera entendimento !!!

João teve a visão das grandes tenções que a noiva (igreja) enfrentará até a segunda vinda do Noivo. Esta revelação também inclui a destruição dos poderes do mal. Mas, antes de serem destruídas, estas forças más se empenharão num esforço desesperado de frustrar os planos de Deus, tentando destruir o Seu povo. Esta é exatamente a grande tensão entre o Reino de Deus e o reino de Satanás.

Somente quando eu e você miramos todas as coisas, inclusive nossas tribulações, desde o aspecto do trono, é que obtemos um verdadeiro discernimento da história !!!

Para quem conhece bem o livro de Apocalipse, sabe que a mensagem central do livro é mostrar para a noiva (igreja) perseguida, que o nosso Deus está no Trono do Universo. Para que você possa entender melhor sobre o Seu juízo, observe esta explicação abaixo:

A) Antes do mundo perseguir a igreja = (a abertura dos 7 selos) !

B) Deus visita o mundo com Seu juízo parcial = (as 7 trombetas) !

C) O Seu juízo final revelado a João = (as 7 taças) !

Se observarmos com atenção estas 3 coisas e incluirmos algumas outras que foram reveladas a João, podemos chegar as seguintes conclusões:

A) DEUS: Foi revelado a João que Ele está entronizado e governando o Seu universo, ou seja, tudo Ele vê e tudo Ele comanda. Ele é o Senhor dos exércitos e Grande Supremo do Universo. somente Ele possui poder e autoridade totalmente ilimitados !!!

B) SATANÁS: Seu poder e autoridade são completamente inferiores e limitados. Satanás se encontra em uma outra esféra, na qual somente Deus através de Seu poder e autoridade totalmente ilimitados, tem absoluto controle sobre esta esféra !!!

C) DEMÔNIOS: Pelo fato de Satanás estar em uma esféra na qual ele não pode sair, ele não pode agir pessoalmente sobre a terra. Então, através da esféra de onde ele se encontra, Satanás dá as ordens aos seus anjos (demônios) ou (agentes de Satanás), para que eles ajam na terra !!!

João viu que Deus está entronizado e governando o Seu universo. Não importa quão temíveis ou incontroláveis forças do mal pareçam agir na terra, elas não podem frustrar os desígnios de Deus, e muito menos vencer a igreja, pois Deus, do Seu trono, está governando o Universo.

O destino da igreja nunca esteve nas mãos dos homens, mas sim nas mãos de Deus. Enquanto que nos dias de hoje, a terra está completamente bêbada de tanto sangue, incendiada pelo ódio, rancor, raiva, adultérios, traições, guerras, terremotos, maremotos, facções, falsas religões, falsos deuses, falsos testemunhos, etc, precisamos levantar os nossos olhos para que possamos ver o nosso Comandante assentado sobre um Alto e Sublime Trono. Ele é quem governa o universo.

Quando estamos sobre provas e tribulações, precisamos fixar nossos olhos Naquele que é o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Somente quando olharmos todas as coisas (inclusive nossas tribulações), desde o aspecto do trono, é que alcançamos o verdadeiro discernimento da história.

O livro de Apocalipse é o livro da soberania de Deus, ou seja, da vitória de Deus. Aquele que criou todas as coisas, estão no controle de tudo e levará a história para uma consumação final, onde Ele sairá vitorioso. A essência desta revelação é mostrar que todas as coisas são governadas por Aquele que está assentado sobre o Trono.

A) O trono é um símbolo da soberania inabalável de Deus !!!

B) O trono é o verdadeiro centro do universo !!!

C) O trono não está na terra, mas está no céu !!!

João viu “o glorioso Deus está assentado sobre o Seu Trono.”  É exatamente esta a mensagem que tem consolado as igreja perseguidas, torturadas, e martirizadas. Saber que “o glorioso Deus está assentado sobre o Seu Trono.” É de lá que Ele tudo vê e observa !!!

Quando João olhou para o trono, ele disse que: “Brilhava feito Pedras Preciósas”.

João descreve a Deus como um ser absolutamente misterioso, único, singular, ou totalmente outro. João diz que Ele é semelhante a ???

A) Pedra de jaspe: É pura, cristalina, e sem nenhum tipo de poluição;

B) Diamente: Abundância em Luz;

C) Sardônio (cor vermelha mais translúcida que existe);

E não parou somente por aí: João viu muitas belezas, riquezas, e abundâncias em luz.

Pelo Senhor marchamos sim, Seu exército poderoso é;

Sua glória será vista em toda terra;

Vamos cantar o canto da vitória;

Glória a Deus! Vencemos a batalha;

Toda arma contra nós perecerá;

O nosso General é Cristo;

Seguimos os Seus passos, e nenhum inimigo nos resistirá !!!

QUE DEUS TE ABENÇOE…

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02 DE FEBRERO DE 2013

5. EL CUERPO DE CRISTO ES UNO (CONCLUSIÓN)
Las dos cartas del apóstol Pablo a los creyentes de la iglesia en Corinto que integran el Nuevo Testamento (1)  son cronológicamente la tercera y cuarta de las escritas por los apóstoles de Jesucristo. Las denominadas “paulinas” son trece; sin considerar la carta a los hebreos, cuya autoría sigue en discusión. La primera de estas dos cartas fue escrita probablemente en el 56; desde Éfeso, donde Pablo vivió tres años según narra el médico Lucas (2) .
Por entonces la opulenta ciudad de Corinto, capital de la provincia de Acaya, era la más grande de Grecia; su puerto daba lugar a un enorme desarrollo comercial que la ubicaba entre los centros urbanos más famosos de su época; según distintos historiadores su población era de entre medio millón y 650 mil habitantes. Su poderío económico era muy visible, y estaba estrechamente relacionado con su elevado nivel de inmoralidad (3) .
Pablo llegó allí desde Atenas en su segundo viaje misionero y vivió en esa pesada atmósfera durante un año y medio (4) , probablemente entre los años 50 y 51. Lucas nos informa de las grandes dificultades que enfrentó Pablo mientras cumplía con fidelidad la misión recibida del Señor. En ese tiempo no dejó de trabajar con sus manos haciendo tiendas, ni de testificar de Jesucristo. Dios le fortaleció en una visión nocturna diciéndole:
" No temas, sino habla, y no calles; porque yo estoy contigo, y ninguno pondrá sobre ti la mano para hacerte mal, porque yo tengo mucho pueblo en esta ciudad" (5) .
En Corinto conocería a Aquila y Priscila, matrimonio de judíos creyentes perseguidos desde de Italia por decreto imperial. Trabajarían juntos por ser del mismo oficio y trabarían una fiel amistad; tan fuerte que, tras establecer esta comunidad de fe, partirían juntos hacia Éfeso, donde el matrimonio iniciaría una iglesia en su casa.
Pablo explica a los corintios, con paciente actitud propia de un profesor de la secundaria, lo que significa ser un solo cuerpo en Cristo Jesús. Investiguemos – aunque modestamente- algunos puntos salientes de su enseñanza:
Ya en el comienzo Pablo nos sorprende con la introducción; tras presentarse dice: a la iglesia de Dios que está en Corinto”. Notemos dos afirmaciones que surgen de la manera en que dirige su salutación:
1. la iglesia de Dios: la preposición de  significa “posesión, pertenencia, origen o procedencia”. Entendemos aquí que la iglesia es una posesión (pertenencia) de Dios, pues en Él se origina y de Él procede.
2. que está en Corinto: la preposición en  indica “en qué lugar, tiempo o modo se determinan las acciones del verbo”. El lugar, obviamente, es la ciudad de Corinto; y el tiempo es el presente del verbo estar: “está”.
En conclusión: Pablo le escribe a la asamblea que está en la ciudad llamada Corinto, con pleno conocimiento del contexto histórico y social que es característico de los corintios en ese momento. Lo hace en respuestaala consulta enviada en mano por tres miembros de esa iglesia: Estéfanas, Fortunato y Acaico (6) . Es lógico pensar que estos mismos regresarían a Corinto como portadores de la respuestade Pablo.
De todos modos, me surgen algunas preguntas:
¿Por qué aclararía Pablo que le escribe a la iglesia de Dios? ¿Podía, acaso, haber otra iglesia que no fuese de Dios? Si a la anterior le diésemos una respuesta afirmativa: ¿Podían coexistir en una misma congregación la iglesia de Dios y la que no lo es?
Dejo estas cuestiones para reflexión de los estimados lectores, pero volveremos sobre este tema, próximamente.
Suponiendo que ya hubiese existido un servicio oficial de correo en aquella época ¿qué dirección postal hubiese tenido que poner Pablo? Difícilmente la de un lugar específico de culto (como era la sinagoga para los judíos). Sin duda alguna sería el domicilio particular de algún hermano, porque el texto nos informa que se reunían en casas. Allí comían juntos y celebraban la eucaristía. Esta práctica estaba en consonancia con el ejemplo dado por los primeros convertidos en Pentecostés y las prédicas de Pedro, y también con las palabras del Señor Jesucristo:
Otra vez os digo, que si dos de vosotros se pusieren de acuerdo en la tierra acerca de cualquiera cosa que pidieren, les será hecho por mi Padre que está en los cielos. Porque donde están dos o tres congregados en mi nombre, allí estoy yo en medio de ellos (7) .
Desde el inicio de esta serie venimos afirmando lo mismo que la Escritura: que la iglesia le pertenece a Dios. Siempre que digamos iglesia, y no especifiquemos nada más, remitiremos a la familia de Dios, Su pueblo de escogidos para ser santificados en Jesucristo, la esposa del Señor y, como veremos pronto, Su edificio de piedras vivas. Por supuesto que hay otras asambleas, otras iglesias. Nunca olvidaré aquella invitación que un individuo, todo vestido de negro, me hiciera en plena Oxford Street de Londres para que fuese a la iglesia de Satanás (8) .
¿QUIÉNES ERAN LOS CORINTIOS?
Pablo encabeza su salutación dirigiéndose: “a los santificados en Cristo Jesús” . (9)
Podemos afirmar, junto a Pablo, que estos creyentes eran miembros de la iglesia de Dios que se congregaban en Corinto; allí los había alcanzado Jesucristo para apartarlos del pecado y vivir en santidad; para ser sal y luz en la tierra y ejemplos de vida a sus conciudadanos. Leyendo ambas cartas sabemos que había unos hermanos más consagrados que otros; también los que mostraban distintos grados de carnalidad y los que eran débiles en la fe.
Pablo describe lo que habían sido muchos de ellos antes de ser rescatados por el amor del Padre: fornicarios, idólatras, adúlteros, afeminados, homosexuales, ladrones, avaros, borrachos, maldicientes y estafadores (10) . Sólo algunos de ellos pertenecían a la clase intelectual o ilustrada, como Crispo y Sóstenes (11) ; menos aún eran afluentes, poderosos o de la nobleza (12) . Puede llamar la atención el hecho que, en una ciudad corrompida, esos individuos de pasado tortuoso fueran transformados en miembros de la familia de Dios y fuesen ejemplo de una nueva vida de santidad. Pero, no debiéramos olvidar nunca las palabras de Jesús:
Los que están sanos no tienen necesidad de médico, sino los enfermos. No he venido a llamar a justos, sino a pecadores al arrepentimiento”. (13)  No debiéramos olvidar lo que Pablo les dice a los tesalonicenses:
“Pero nosotros debemos dar siempre gracias a Dios respecto a vosotros, hermanos amados por el Señor, de que Dios os haya escogido desde el principio para salvación, mediante la santificación por el Espíritu y la fe en la verdad,  a lo cual os llamó mediante nuestro evangelio, para alcanzar la gloria de nuestro Señor Jesucristo”. (14)
Tampoco olvidemos al Apóstol Pedro, a los: “elegidos según la presciencia de Dios Padre en santificación del Espíritu, para obedecer y ser rociados con la sangre de Jesucristo: Gracia y paz os sean multiplicadas”. (15)
¿QUÉ PROBLEMAS TENÍAN LOS CORINTIOS?
Si el Apóstol se dirige a los corintios como a la iglesia de Dios y como a santos, uno pensaría que allí no debería haber ningún problema. Todo lo contrario a la realidad ; pues tenían muchos. Por eso, los resumiremos con sus citas para evitar que algún desprevenido lector crea que estamos describiendo el estilo de vida actual, de gran semejanza al “corintio”; ese que se exhibe en la vida tanto pública como privada, y hasta con cierto orgullo.
Lo cierto es que los corintios tenían serios problemas en su comunidad de fe; por ejemplo:
1. Se habían dividido en facciones detrás de predicadores de su predilección (1:10-13), hacían ostentaciónde su prejuiciada sabiduría mundana (1:17-2:16); acusaban a Pablo de no ser buenorador (2:1-5; 13:1) y de ofender a los intelectuales griegos por el énfasis que ponía en el sacrificio de Jesucristo en la cruz (1:26-31; 3:1-10).
2. Lejos de avergonzarse de sus prácticas carnales, se ufanaban de ellas (3:1-4) y contemporizaban con hipócrita tolerancia en los casos de inmoralidad (5:1-13), como por ejemplo el de fornicación (6:15-20).
3. Tenían conflictos matrimoniales y divorcios (7:1-40), y algunas de sus habituales peleas internas terminaban en juicios ante los tribunales, sin avergonzarse por el mal ejemplo que daban a los incrédulos (6:1-8).
4. Había permanentes disputas entre los convertidos del paganismo y los del judaísmo por el consumo de carne ofrecida a los ídolos (8:1-13), también entre todos por el lugar del varón y la mujer en la iglesia (11:1-17), y por la preeminencia de los dones espirituales en el culto (12:1-31).
5. Cometían abusos cuando celebraban la Cena del Señor (11:20-34), estaban en desacuerdo con la ofrenda a los santos (16:1-3), causaban desórdenes con el mal uso del don de lenguas (14:1-40), y negaban la resurrección de los muertos (capítulo 15).
6. Sus relaciones fraternales mostraban todos los síntomas de carecía del amor de Dios (13:1-13).
La lista nos hace insistir con la pregunta: ¿Cómo es posible que el apóstol Pablo llamase santos  a miembros tan imperfectos? Contestarla demandaría un profundo estudio teológico y este no es el lugar para hacerlo. Al menos, digamos que veinte siglos después no hay una sola congregación en el mundo entero que no padezca uno o más problemas de los padecidos por los corintios . Esto ocurre porque todos los miembros son pecadores alcanzados por la misericordia de Dios, para ser santificados hasta la venida de Su Hijo. Hasta ese esperado día, no habrá cristianos perfectos, sino pecadores en proceso diario de santificación; por pura gracia de Dios.
¿QUÉ ENSEÑA PABLO A LOS CORINTIOS QUE NOS SIRVA HOY?
Pablo, guiado por el Espíritu, enfrenta la cruda realidad; exhorta a los corintios y les muestra, con amor pero sin vueltas, las bendiciones que Dios tiene preparadas para quienes se arrepienten, cambian su conducta y se aferran al Señor Jesucristo. Además del capítulo 13, donde les expone el corazón del Evangelio del amor, les enseña:
1. La iglesia de Dios está formada por creyentes individuales.  Cada creyente es un miembro particular del cuerpo de Cristo; y un espíritu con Él; “todo me es lícito, pero no todo conviene” pasa a ser una regla ética aplicable tanto en Corinto como en cualquier sitio del mundo(1ª Corintios 12:27b; 6:17; 10:23a).
2. Somos muchos miembros pero el cuerpo es uno solo;  Cristo tiene un solo cuerpo con muchos miembros. Todos los que estamos en su cuerpo tenemos la mente de Cristo (1ª Corintios 12:12,20; 2:16).
3. La comunidad de fe es el cuerpo de Cristo.  Dios la confirma mediante la santificación de cada uno de los miembros -que solo Él añade cada día- (1ª Corintios 12:27a; 6:11).
4. Dios es soberano . Él coloca a los miembros en el cuerpo, como Él quiere (1ª Corintios 12:18)
5. No hay jerarquías en el cuerpo.  Ningún miembro puede ejercer autoridad sobre el resto; hacerlo, contraría la voluntad de Dios. Hasta los miembros que parecen más débiles son los más necesarios (1ª Corintios 12:22).
6. En el cuerpo todos somos miembros unos de otros. No haydesavenencias si los miembros se preocupan unos por otros: si uno padece, todos se duelen; si uno recibe honra, todos se gozan; (1ª Corintios 12: 25,26).
El carácter universal de la iglesia de Dios se manifiesta en cada lugar del planeta donde haya hijos e hijas suyos, que se congreguen en el nombre y para la gloria de Jesucristo. Un cuerpo espiritual en Cristo; una escuela donde aprendemos a vivir la nueva vida en Cristo, no un club exclusivo para graduados.
Ninguna comunidad de fe en el mundo es dueña de la iglesia de Dios, pues todas pertenecen a ella. El evangelio de Jesucristo predicado por sus Apóstoles es uno solo; y tan concluyente, que nadie puede excusarse de no comprenderlo; ni justificarse por acomodarlo a interpretaciones privadas que contraríen su espíritu. Quien lo haga conscientemente, demuestra no discernir el cuerpo de Cristo (16) , siendo ésta una de las características del Anticristo (17) . ¡El Señor nos libre de caer en manos de los falsificadores de la Verdad! (18)
En la próxima concluiremos con La iglesia es Una  ( 6. El edificio de la iglesia es Uno). Hasta entonces, si el Señor lo permite, Paz a todos.
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Notas
1. Las dos primeras son las cartas a los tesalonicenses. En 1ª Corintios 5:9 Pablo menciona una anterior escrita a ellos, aún no encontrada; por lo que esta sería la segunda a los corintios
2. Los Hechos 20:31
3. Por las calles de esta cosmopolita ciudad desfilaban griegos, romanos, africanos, judíos y visitantes de remotos lugares. Las tradiciones y mentalidades más diversas convergían en la capital: del levante sirio llegó el culto a Melkart y Astaré; de Roma, los espectáculos sangrientos; los frigios implantaron la veneración a Cibeles, la madre de los dioses. Corinto  estaba consagrada a Afrodita, quien contaba con mil sacerdotisas que le rendían culto prostituyéndose . No debiera llamar la atención que, con el término korinthiazesthai , se denominara a la práctica de la prostitución. Además, los corintios frecuentaban las numerosas termas, teatros y basílicas, y los intelectuales tenían acceso a escuelas filosóficas de gran relieve. Aunque el panorama no parecía el más propicio para una vida cristiana, Corinto  era una bisagra entre oriente y occidente; el escenario clave para quienes eran agentes de cambio de la historia.
4. Los Hechos 18:1-18
5. Los Hechos 18:9,10
6. 1ª Corintios 16:17; Pablo hace referencia a esa misiva de los corintios en 1ª Corintios 7:1a; 25a; 8:1a; 10:13; 11:2; 12:1; 15:1
7. Mateo 18:19-20. En Los Hechos 2:46 los primeros convertidos perseveraban unánimes en el templo y partían el pan en las casas donde se juntaban para comer y alabar a Dios. También predicaban en el pórtico de Salomón y en las casas (Los Hechos 5:12,42). Al dejar de predicarles a los judíos Pablo se reunía con los creyentes en casa de Justo, vecino de la sinagoga (Los Hechos 18:7).No se descarta que Aquila y Priscila recibieran a los fieles en su hogar, ya que eso harían cuando estuvieran en Éfeso. Son varios los hogares de creyentes que se mencionan en el NT como “la iglesia que está en su casa”. Veremos más sobre este tema, próximamente.
8. Citado en P+D, Agentes de cambio, en “La sangre, agente de cambio sostenible”; Con sangre todo cambia (III)
9. 1ª Corintios 1:2a “a la iglesia de Dios que está en Corinto, a los santificados en Cristo Jesús”; y en 2ª Corintios comienza de manera similar: “a la iglesia de Dios que está en Corinto, con todos los santos que están en toda Acaya:”
10. 1ª Corintios 6:8-12
11. Los Hechos 18:8,17
12. 1ª Corintios 1:26
13. Lucas 5:31,32
14. 2ª Tesalonicenses 2:13-14
15. 1ª Pedro 1:2
16. 1ª Corintios 2:14; 11:29; también el apóstol Pedro exhorta: “entendiendo primero esto, que ninguna profecía de la Escritura es de interpretación privada, porque nunca la profecía fue traída por voluntad humana, sino que los santos hombres de Dios hablaron siendo inspirados por el Espíritu Santo.”2ª Pedro 1:20,21
17. 1ª Juan 2:18,22; 4:3; 2ª Juan 1:7
18. 2ª Corintios 2:17; Mateo 7:15; 24:11,24; 26:60; Marcos 13:22; Lucas 6:26; Los Hechos 6:13;1ª Corintios 15:15;2ª Corintios 11:13,26; Gálatas 2:4; 2ª Pedro 2:1

Autores: Óscar Margenet Nadal

©Protestante Digital 2013

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