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Bigamia e poligamia na Bíblia.

Bigamia na Bíblia

Bigamia e Poligamia na Bíblia e no Judaísmo

A prática de um homem possuir mais de uma esposa é registrada na Bíblia, mas sua aceitação evoluiu de uma tolerância cultural para uma proibição rabínica rigorosa.

1. Registros e Regras no Antigo Testamento

A Bíblia registra a poligamia sem um mandamento de proibição direta, mas estabelece limites e adverte sobre suas consequências.

• A Origem do Registro: O primeiro caso mencionado é o de Lameque, que “tomou para si duas mulheres; o nome de uma era Ada, e o nome da outra, Zilá” (Gênesis 4:19).

• A Lei de Moisés: A legislação protegia os direitos da esposa anterior, determinando que “se ele tomar para si outra, não diminuirá o mantimento da primeira, nem o seu vestido, nem o seu direito conjugal” (Êxodo 21:10).

• Restrições aos Governantes: Para os reis de Israel, havia uma advertência específica em Deuteronômio 17:17: “Tampouco multiplicará para si mulheres, para que o seu coração se não desvie; nem prata nem ouro multiplicará muito para si”. O rei Salomão é o exemplo bíblico de quem ignorou esse preceito, chegando a ter setecentas esposas.

• O Ideal da Criação: Muitos intérpretes apontam que o modelo original de Gênesis 2:24, “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne”, estabelece a monogamia como o padrão divino, tratando a poligamia como uma concessão cultural.

2. A Evolução no Judaísmo Rabínico

No judaísmo, a proibição formal da bigamia não veio de um novo texto bíblico, mas de decretos de autoridades religiosas.

• Decreto de Rabino Gershom: Por volta do ano 1000 d.C., o Rabino Gershom ben Judah estabeleceu um decreto (takkanah) proibindo a poligamia entre os judeus da linhagem Ashkenazim (Europa).

• Prática Contemporânea: Atualmente, a bigamia é proibida no judaísmo e considerada crime civil em Israel. Casos excepcionais exigem a aprovação de cem rabinos e são extremamente raros.

3. A Interdição Total para Mulheres

Diferente da tolerância histórica para os homens, a bigamia feminina (poliandria) nunca foi permitida em nenhum período bíblico ou judaico.

• O Conceito de Adultério: Uma mulher casada que se unisse a outro homem era considerada em adultério, conforme a lei de Êxodo 20:14: “Não adulterarás”. Isso acarretava a dissolução imediata do primeiro casamento e a proibição de se unir formalmente ao segundo parceiro.

Como você analisa a diferença entre o que é permitido por “costume” na Bíblia e o que é estabelecido como “ideal”?

Você acredita que essa evolução para a monogamia reflete uma mudança na compreensão da dignidade da mulher nas escrituras?

Pr. Ângelo Medrado

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Por que Deus permitiu que Salomão tivesse tantas mulheres, se ele condena a poligamia?

Por Redação Gospel+-gnoticias – em 4 de maio de 2010

Por que Deus permitiu que Salomão tivesse tantas mulheres, se ele condena a poligamia?

1 REIS 11:1

PROBLEMA: Em 1 Reis 11:3, lemos que Salomão tinha 700 mulheres e 300 concubinas. Mas as Escrituras repetidamente nos advertem contra manter mais de uma mulher (Dt 17:17) e violar o princípio da monogamia – um homem para uma mulher (cf. 1 Co 7:2).

SOLUÇÃO: A monogamia é o padrão de Deus para os homens. Isso está claro nos seguintes fatos: (1) Desde o princípio Deus estabeleceu este padrão ao criar o relacionamento monogâmico de um homem com uma mulher, Adão e Eva (Gn 1:27; 2:21-25). (2) Esta ficou sendo a prática geral da raça humana (Gn 4:1), seguindo o exemplo estabelecido por Deus, até que o pecado a interrompeu (Gn 4:23). (3) A Lei de Moisés claramente ordena: “Tampouco para si multiplicará mulheres” (Dt 17:17). (4) A advertência contra a poligamia é repetida na própria passagem que dá o número das muitas mulheres de Salomão (1 Reis 11:2): “Não caseis com elas, nem casem elas convosco”. (5) Jesus reafirmou a intenção original de Deus ao citar esta passagem (Mt 19:4) e ao observar que Deus “os fez homem e mulher” e os juntou em casamento. (6) O NT enfatiza que “cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido” (1 Co 7:2). (7) De igual forma, Paulo insistiu que o líder da igreja deveria ser “esposo de uma só mulher” (1 Tm 3:2; 12). (8) Na verdade, o casamento monogâmico é uma prefiguração do relacionamento entre Cristo e sua noiva, a Igreja (Ef 5:31-32).

Em resumo, a monogamia é ensinada na Bíblia de várias maneiras: (1) pelo exemplo precedente, já que Deus deu ao primeiro homem apenas uma mulher; (2) pela proporção, já que as quantidades de homens e mulheres que Deus traz ao mundo são praticamente iguais; (3) por preceito, já que tanto o AT como o NT a ordenam (veja os versículos acima); (4) pela punição, já que Deus puniu aqueles que violaram o seu padrão (1 Rs 11:2); e (5) por prefiguração, já que o casamento de um homem com uma mulher é uma tipologia de Cristo e sua noiva, a Igreja (Ef 5:31-32). Apenas porque a Bíblia relata o pecado de poligamia praticado por Salomão, não significa que Deus a aprove.

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Após casamento gay, Suprema Corte pode aprovar poligamia

Brady Williams posa com suas esposas em reality show americano.

A fala do juiz John Roberts, um dos 4 votos contrários à legalização do casamento gay na Suprema Corte dos EUA, pode abrir espaço para a legalização da poligamia. Na ocasião, ele justificou sua contrariedade alegando que os mesmos argumentos a favor de tais uniões poderiam ser usados para legalizar a poligamia.

A lógica é que se um casal homoafetivo alega que “sofreria o estigma de saberem que sua família é, de alguma forma, inferior”, por que o mesmo raciocínio não se aplica a uma família formada por três (ou mais) pessoas criando filhos?

Correntes do mormonismo, seita que pregava a poligamia até ela ser criminalizada nos EUA, comemoraram. A nova legislação sobre igualdade de casamento já permitiu que mórmons fundamentalistas do estado de Montana entrassem com pedido de uma certidão de casamento civil para o marido e a segunda esposa.

Nathan Collier casou com sua primeira esposa, Victoria, em 2000. Ele acabou se envolvendo com a irmã dela, Christine, e os três passaram a viver juntos. Embora tenham realizado uma cerimônia religiosa em 2007, a união deles não é reconhecida pela justiça americana.

“Só queremos garantir amparo legal a uma família amorosa, forte, funcional e feliz”, explica Nathan. Inspirado pela decisão da Suprema Corte no mês passado, alega que sofre uma violação dos seus direitos civis.

Para quem acha que este tipo de situação não pode ser comparada com o casamento gay, ano passado Kody Brown, um mórmon que vive com suas quatro esposas e 16 filhos, obteve uma vitória na ação que movia há 3 anos contra o estado de Utah.

O juiz federal Clark Waddoups decidiu a favor dos Brown, considerando que a proibição de poligamia, prevista na lei, violava direitos constitucionais de liberdade religiosa. Isso fez com que muitos mórmons defendessem que a poligamia foi “descriminaliza” no estado.

Estima-se que existem mais de 20 mil famílias mórmons vivendo nesta situação e que poderiam “se legalizar”.

Além dos mórmons, estima-se que existam até 100 mil famílias muçulmanas na mesma situação nos EUA. Permitida pela Alcorão, a poligamia é normal nos países que vivem sob a lei religiosa islâmica.

Longe do aspecto religioso, o influente site sobre política americana Politico.com publicou uma extensa matéria sobre o tema, defendendo a prática como o “próximo passo do liberalismo social”. O argumento central é que os homossexuais já viviam maritalmente antes da legalização. Ou seja, adeptos do ‘poliamor’ também deveriam lutar pelos seus direitos e quebrar o ‘tabu’. É apenas uma questão de tempo até que cheguem na Suprema Corte.

O casamento gay viveu um processo similar, sendo gradualmente aceito em um estado depois do outro até finalmente ser aceito nacionalmente.

Segundo uma pesquisa do Gallup sobre valores morais, a poligamia era considerada moralmente aceitável por 7% da população em 2003. Na reedição da pesquisa em 2015, o percentual saltou para 16%.

Culturalmente, as mudanças nos Estados Unidos acabam se refletindo em grande parte do mundo. Vide o significativo número de brasileiros que coloriram suas fotos no Facebook para comemorar a decisão da Suprema Corte. Com informações de Charisma News