Eclética - Ad Majorem Dei Gloriam -Shema Yisrael Adonai Eloheinu Adonai Ejad, = "Ouve Israel! O Senhor é Nosso Deus e Senhor, o Senhor único." PIX: 61986080227
Os estudiosos da Bíblia encontraram pedras inscritas em hebraico antigo no local que afirmam ser o Monte Sinai – onde Deus teria se encontrado Moisés.
(Imagem: Daily Star)
O Monte Sinai é o lugar onde Moisés recebeu os dez mandamentos de Deus, de acordo com o Livro do Êxodo. No ano passado, pesquisadores da The Doubting Thomas Research Foundation (DTRF) alegaram ter descoberto a localização da montanha. Em um vídeo de 25 minutos no YouTube, eles argumentaram que Jabal al-Lawz, localizado no nordeste da Arábia Saudita, perto da fronteira com a Jordânia, foi o lugar onde Moisés falou com Deus e recebeu os dez mandamentos.
Jabal al-Lawz tem 2.580 metros de altura e se traduz como a ‘montanha de amêndoas’.
Agora, a DTFR postou fotos em seu site, que mostram várias pedras, com escritas em hebraico. Seus pesquisadores disseram que o Dr. Miles Jones, um linguista histórico, examinou as fotografias e disse acreditar que a escrita era “proto-hebraica”.
Além disso, os pesquisadores dizem que as pedras podem ser datadas da época em que o êxodo deveria ter ocorrido.
Algumas das inscrições parecem fazer referências a ‘Yahweh’, que é o nome de Deus.
Os estudiosos da DTFR também apontam para murais de pegadas, que são retratados em algumas das rochas.
Segundo a Bíblia, Deus disse aos israelitas: “Todo lugar que você pisar será seu.”
Os pesquisadores acreditam que essas representações de pegadas representam a demarcação de território pelos israelitas enquanto viajavam durante o êxodo.
A DTRF também cita o Dr. Sung Hak Kim, que afirma ter encontrado a inscrição mais antiga conhecida de uma Menorá em pedras perto da montanha.
O Dr. Sung Hak Kim afirma ter encontrado a inscrição mais antiga conhecida de Menorá (Imagem: Daily Star)
Deus revelou o desenho da Menorá a Moisés e o candelabro de sete hastes foi então desenvolvido durante o Êxodo. É um símbolo do judaísmo desde os tempos antigos, e a DFTR argumenta que essa pode ser a representação mais antiga do candelabro.
Os especialistas da DTRF argumentam que todas essas evidências reforçam suas alegações de que Jabal al Lawz é realmente a localização do Monte Sinai.
Jabal al-Lawz (Imagem: Daily Star)
Em abril, Ryan Mauro, pesquisador da DTRF, disse ao jornalista que não tinha dúvidas de que sua equipe havia encontrado o Monte Sinai.
Ele disse:
O bezerro de ouro, a rocha dividida, o altar de Moisés, o local de travessia do Mar Vermelho; todas essas peças precisam se encaixar e se encaixam neste local de uma maneira que nenhum outro site faz.
Talvez os céticos tenham duvidado do relato histórico da história do Êxodo por causa da falta de evidências no local tradicional, mas o que descobrimos parece se encaixar nos relatos antigos.
No entanto, muitos ainda estão convencidos de que Jabal al-Lawz é o Monte Sinai.
O pesquisador criacionista Gordon Franz disse:
Não há evidências históricas, geográficas, arqueológicas ou bíblicas credíveis para a tese de que o MontemSinai está em Jabal al-Lawz, na Arábia Saudita.
Os principais estudiosos duvidam seriamente da historicidade dos eventos registrados no Êxodo, devido à falta de evidências arqueológicas.
Em resposta, Mauro pediu aos céticos que mantenham a mente aberta, insistindo que os eventos realmente aconteceram.
Ele disse:
Eu diria basicamente a alguém que é cético em relação ao Êxodo que mantenha uma mente aberta sobre o assunto.
Esses eventos realmente aconteceram. Não requer crença em uma dessas religiões para aceitar a evidência.
Empresas lançam tecnologia para reconhecimento facial nas igrejas do Brasil
Ethel Rudnitzki
Agência Pública
Entre os dias 17 e 20 de outubro de 2019, o Centro de Exposições Anhembi, na zona norte de São Paulo, sediou a 15ª ExpoCristã – maior evento voltado para o público cristão da América Latina. Entre shows de música gospel, simulações virtuais de episódios bíblicos e estandes de editoras evangélicas, duas empresas se destacaram com produtos na área de tecnologia.
Com o slogan “mude a maneira de operar sua igreja”, a Kuzzma, empresa estrangeira de inteligência artificial, lançou seu serviço de reconhecimento facial voltado para igrejas no Brasil. Em um estande luxuoso, revendedores associados apresentaram a tecnologia para pastores interessados. O CEO da empresa, Marcelo Scharan, ainda realizou uma palestra intitulada “Personalização, dados e igreja” no primeiro dia de evento.
O serviço de reconhecimento facial também estava sendo vendido pela brasileira Igreja Mobile durante o evento. “Hoje em dia quem não deseja ter o controle do seu ambiente? De quem entra e quem sai? Nas igrejas nós constatamos que eles queriam muito saber disso e por isso trouxemos essa tecnologia”, explica Luís Henrique Sabatine, diretor de desenvolvimento da empresa, que oferece ainda o serviço de transmissão ao vivo de cultos e eventos religiosos.
Vigilância em nome de Deus
Segundo o site da Kuzzma, o reconhecimento facial funciona a partir de uma câmera panorâmica de alta resolução instalada nas igrejas, identificando informações pessoais e assiduidade dos fiéis nos cultos. A partir disso, são gerados relatórios para cada pessoa, incluindo estatísticas sobre seu comportamento e até avisando em casos de atividade considerada anormal. “Dados como sexo, idade, frequência, horário de chegada, motivos prováveis de atraso e muitos outros são analisados e apresentados em relatórios. Conseguimos definir em nossas métricas até mesmo se alguém precisa de uma visita pastoral”, disse o CEO da empresa em entrevista à ExpoCristã.
Representantes da empresa, no entanto, não quiseram dar entrevista para a Agência Pública a fim de esclarecer as dúvidas no serviço. “A Kuzzma optou por não falar publicamente sobre o assunto, por se tratar de um tema delicado”, afirmou por e-mail o vendedor Rafael Melo.
A empresa começou a oferecer o reconhecimento facial no Brasil em outubro e não divulgou clientes ou parcerias. Segundo o site em inglês, o preço do serviço varia conforme o número de eventos em que será utilizado e o número de câmeras, começando com uma mensalidade de US$ 200 para um evento por semana com uma câmera instalada.
No Brasil, a empresa é representada por Marcelo Scharan Augusto, sócio das empresas Eletrica Stillo Ltda., de material elétrico, e Pier Cloud Consultoria Eireli, de serviços de hospedagem em internet e provedor de dados. Não é possível encontrar a representação estrangeira da Kuzzma, e seu site não está registrado no domínio de nenhum país. O endereço https://54.85.50.60 leva o usuário à página da empresa, sem informações para contato.
De maneira parecida, a concorrente oferece o serviço de reconhecimento facial voltado para eventos cristãos há cerca de um ano. A Igreja Mobile utiliza software da TecVoz, empresa de segurança eletrônica, mas com especificidades voltadas para as necessidades das igrejas.
Uma câmera comum captura as imagens e as envia para um computador capaz de reconhecer rostos e mais informações sobre essas pessoas. “Nós conseguimos definir para o cliente a assiduidade do usuário, contagem de pessoas, humor do usuário, se ele está feliz, se está triste, se está angustiado, com medo. Nós conseguimos definir isso tudo”, explica o diretor de desenvolvimento, Luís Henrique Sabatine.
A Igreja Mobile oferece relatórios de quantidade de pessoas presentes, gênero, idade média dos fiéis, assiduidade e análise de sentimento, conforme divulgado no próprio site. Os preços dos pacotes variam e não são divulgados pela empresa.
Site da Igreja Mobile apresenta utilidades do serviço de reconhecimento facial
Segundo Sabatine, cerca de 40% dos clientes da Igreja Mobile – 160 igrejas – utilizam o serviço de reconhecimento facial. O resto utiliza apenas o serviço de transmissão ao vivo dos cultos oferecido pela empresa, que não quis dar nome aos clientes.
A Igreja Mobile pertence a Flávio Carrer Domingues e Rita Cardamone e foi fundada no final de 2018 com o serviço de transmissão ao vivo para igrejas. No início de 2019 começaram a oferecer o reconhecimento facial. Segundo o diretor de desenvolvimento da empresa, “o ponto diferencial é o nicho [cristão], realmente”.
Carrer e Cardamone são evangélicos. Rita é diretora regional da Jethro Internacional, faculdade americana de capelania e inteligência espiritual, no Recreio, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro e sócia de uma empresa de venda de cursos. Já ele é sócio da Carrer e Dom Segurança Eletrônica e Automação.
Igrejas vigilantes
A Igreja Evangélica Projeto Recomeçar, localizada no bairro de Xerém, na zona oeste do Rio de Janeiro, é uma das clientes da Igreja Mobile. O pastor responsável, Cláudio Duarte, fez vídeo promovendo a empresa nas redes sociais. “A Igreja Mobile é um produto que permitirá sua mensagem chegar em lugares que você nunca imaginaria”, diz.
Vídeo promocional da Igreja Mobile no Facebook com o pastor Cláudio Duarte
Segundo Sabatine, foi o próprio pastor que trouxe a demanda pela tecnologia de reconhecimento facial. “Nas conversas e trocas de ideia, ele [pastor Cláudio Duarte] tocou nesse assunto e nós gostamos bastante e implementamos”, conta.
O Projeto Recomeçar utiliza a tecnologia desde o início de 2019, sendo um dos primeiros clientes, e avalia o serviço positivamente. “Nós utilizamos [o reconhecimento facial] para dar uma maior assistência aos membros que não estão vindo aos cultos”, conta Caio Duarte, responsável pela área de TI da igreja.
Em São Paulo, a Igreja da Restauração, na zona norte da cidade, começou recentemente a utilizar a tecnologia para controle de público. “A gente fica sabendo em média quantas pessoas vêm em cada culto semanal. Pra gente é bem importante ter esse retorno”, relata Sabrina Marciano, da comunicação da igreja.
Outros clientes da Igreja Mobile disseram não utilizar o reconhecimento facial, mas têm interesse em implementar em breve. É o caso da comunidade evangélica Estrela da Manhã, que por enquanto só realiza as transmissões ao vivo.
“O trabalho que eles nos apresentaram é um trabalho que ajuda bastante porque você tem como saber quantos membros estão [no culto], quantas vezes o membro veio pra igreja, quantas vezes o membro não veio. Isso, para a mensagem da igreja, ajuda muito. E também a possibilidade de conseguir fazer a pessoa ofertar, da pessoa dizimar”, conta Lilian Ietto, representante da Estrela da Manhã.
Coleta sem consentimento
Segundo o diretor de desenvolvimento da Igreja Mobile, a tecnologia de reconhecimento facial oferecida precisa ser alimentada com dados de fiéis, como nome e foto, para poder gerar os relatórios individuais para cada um. Nesse momento de registro, os fiéis assinam termo consentindo o uso dos dados pela igreja. “A gente leva os membros, eles registram a face no nosso software lá e assinam o termo dizendo que a igreja irá utilizar da imagem dele para o reconhecimento facial, porque o banco de dados não fica com a Igreja Mobile. Isso fica com o cliente”, esclarece.
No entanto, nem a Igreja da Restauração nem o Projeto Recomeçar firmaram termo de uso de dados com os fiéis. “A gente anunciava nos cultos, mas nada de assinatura”, admite Sabrina Marciano, justificando que a igreja se encontra em reforma e que posteriormente isso será implementado.
A reportagem pediu acesso ao contrato citado, mas a Igreja Mobile preferiu não compartilhar.
Para o técnico de TI do projeto Recomeçar, o consentimento dos fiéis fica expresso no momento em que eles fazem cadastro com foto no software da Igreja Mobile. “Creio que isso já seja um termo de que elas aceitam.”
Especialista em uso de dados pessoais, Joana Varon, diretora da organização Coding Rights (Direitos de Código, em tradução livre), explica que esse tipo de consentimento não é suficiente. Para ela, o fiel que já frequenta a igreja pode se sentir coagido a aceitar os termos caso deseje continuar frequentando os cultos. “As pessoas vão deixar de ir ao culto? Elas têm essa opção se elas já fazem parte da igreja? É preciso estar em uma posição em que seu consentimento ou não não limite o seu acesso”, defende.
Além disso, Joana lembra que informações biométricas, como o reconhecimento facial, são consideradas “sensíveis” pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPDP). Também merecem atenção especial pela legislação brasileira os dados relacionados à convicção religiosa ou filiação a organização de caráter religioso.
A LGPDP, ou Lei nº 13.709/2018, determina que dados pessoais sensíveis só poderão ser utilizados “quando o titular ou seu responsável legal consentir, de forma específica e destacada, para finalidades específicas”, ou em hipóteses extremas como o cumprimento de obrigações legais.
Dessa forma, o consentimento não formal, como os citados pelas igrejas, não é suficiente. “A gente tem que saber muito claramente para que fins é a coleta de todos esses dados”, explica Joana.
Inspiração estrangeira
O reconhecimento facial de fiéis não é exclusividade brasileira. Ainda em 2015, uma empresa especializada nessa tecnologia chamada Face-Six, com sede em Israel e em Las Vegas, nos EUA, criou um software especializado para igrejas: o ChurchIX.
A empresa foi fundada por Moshe Greenshpan e a tecnologia já foi instalada em mais de 200 igrejas pelo mundo. No Brasil, o ChurchIX ainda não chegou, mas não por falta de interesse. “Nós temos grande interesse pelo Brasil, mas tivemos obstáculos com o preço do serviço. Agora, oferecemos uma solução com melhor custo-benefício que pode solucionar esse problema”, declarou em nota à Pública.
Em entrevista ao Washington Post, Greenshpan disse que a tecnologia pode ser útil para igrejas controlarem melhor seu público e impacto, além de conseguir retorno financeiro. “Se as igrejas virem que um membro vai frequentemente ao culto, elas vão se sentir mais confortáveis para ligar para ele e pedir doações.”
Segundo a empresa, o ChurchIX é um software bem parecido com o utilizado para fins de segurança, mas possui ferramentas especiais voltadas para monitorar a assiduidade dos fiéis. A tecnologia pode ser aplicada a qualquer câmera, mas funciona melhor com imagens de alta resolução.
Também não é necessária uma base de dados prévia para que o reconhecimento facial seja feito. O software reconhece faces repetidas e cria usuário mesmo sem saber o nome da pessoa, que pode ser incluído pela igreja depois.
A Face-Six ainda admite que na maioria dos casos o reconhecimento facial seja feito sem o consentimento dos fiéis.
Pense em um ser grande, com cabelos compridos suficientes para cobrir o rosto e as costas. Na parte de trás do pescoço, barbatanas. No meio do mar de Itapuã, em Salvador, a criatura afundava e depois voltava à superfície, já em outro ponto da água. Por mais de três horas, em plena terça-feira (20), o ser não identificado vinha e voltava, deixando um acentuado odor de presunto fresco e um mistério no meio do caminho para banhistas e salva-vidas.
Não se sabe se era homem, se era peixe. Na dúvida, quem afirma ter presenciado a aparição de um fenômeno estranho na praia já decretou ao menos duas alcunhas: Homem-Peixe ou, pra quem gosta da resenha, Sereio (ou Tritão?) de Itapuã.
Pela alcunha e pela descrição, daria até para pensar que o Aquaman, herói dos quadrinhos que vive no mar e cujo filme será lançado no dia 13 de dezembro, aportou em águas soteropolitanas. Surreal ou não, há quem jure de pés juntos que encontrou alguém bem parecido com o cabeludo interpretado pelo ator Jason Mamoa.
Começou por volta de 11h de terça. Uma turista argentina abordou dois salva-vidas que trabalhavam perto do Hotel Catussaba. Ela alertou: tinha um corpo na praia. O cadáver – humano, diga-se de passagem – estaria boiando perto da costa. Foi aí que começou a saga dos dois profissionais, que saíram em busca de um cadáver e voltaram contando ter visto um homem estranho, quase sobrenatural.
Salva-vidas
Áudios de pelo menos quatro salva-vidas da região circulam em grupos de WhatsApp contando a mesma história: um homem cabeludo, com barbatanas, que afundava e voltava à superfície continuamente. A cena foi presenciada por cerca de 200 pessoas, entre hóspedes e funcionários do hotel, vendedores ambulantes e outros banhistas.
“Um tal de homem-peixe que está circulando na região”, anuncia uma das vozes nos áudios, tentando alertar salva-vidas e outros profissionais. Em seguida, outra voz masculina continua a história: o corpo apareceu na beira da praia – e era nítido que fosse um corpo. No entanto, a cada aproximação dos salva-vidas que tentavam resgatá-lo, o corpo sumia. Afundava de um lado, aparecia de outro.
“Como a corrente está descendo sentido Farol de Itapuã, ele ia no sentido (Praia do) Flamengo (oposto) e voltava como se tivesse brincando com a gente. Parecia que tinha uma barbatana pequena atrás do pescoço”, narrou um.
Nunca era visto de frente – apenas com os cabelos cobrindo o rosto e as costas. “Gigante”, completa a voz. Ouça abaixo parte dos relatos.
Outro salva-vidas que acompanhou a situação disse que, da beira da praia, era possível ver quando o corpo ‘levantou’ a cabeça. Era como se fosse a cabeça de uma tartaruga, mas não era uma tartaruga. Na gravação, ele conta que, na hora, acreditou que fosse alguém vestindo uma roupa de mergulho. Numa nova subida, conseguiu avistar a cabeça e uma parte do dorso, que voltou a mergulhar.
“Quando ele mergulhou, percebi que tinha uma pequena barbatana nas costas dele, bem colado com o pescoço, com a cabeça. Mas como eu pensei que fosse um mergulhador, imaginei que fosse um equipamento ou alguma coisa do tipo. Ainda falei com a senhora: ‘não se preocupe, não, o rapaz está mergulhando e tal’”, conta.
Num dos áudios, um salva-vidas chega a afirmar que um helicóptero do Graer foi acionado para auxiliar nas buscas. Em nota, no entanto, o departamento de comunicação da Polícia Militar nega a situação. “O Grupamento Aéreo da PM [Graer] não foi acionado para atender a ocorrência dessa natureza”, diz comunicado.
Morto ou vivo
Em seguida, o corpo se afasta mais. No meio do percurso, foi possível ver mais do corpo. No áudio, o salva-vidas afirma ter avistado até o quadril do homem. Era um cara enorme, descreve. Mesmo com muito cabelo, a parte de cima da cabeça era careca. Naquele momento, teve certeza de que era um corpo.
Ele conta que entrou correndo na água, sendo seguido por mais um colega. Já no mar, o corpo aparecia e sumia várias vezes. Não tinha dúvidas: era um cadáver. Mas só aparecia de costas, com o cabelo cobrindo o rosto, mas a poucos metros de distância. Nunca dava para ver os pés.
Começou a fazer contas: com a maré tão forte, se fosse mesmo um cadáver, já era para estar sendo levado em direção ao Farol de Itapuã – não o contrário. “Mas esse cara ficou. Sei lá o que foi, irmão, uma parada que nunca presenciei em minha vida. Eu não sou supersticioso, só acredito vendo. E ontem eu vi”, narra.
Perto do corpo não identificado, ele afirma ter visto uma tartaruga gigante. O bicho tinha uma cabeça “enorme, pretona”. No áudio, ele reforça: a tartaruga não era o cara. Quando o homem parecia finalmente vir em sua direção, a cerca de 10 metros de distância, ele começou a sentir um cheiro podre, de presunto fresco.
“Nunca tive medo para fazer salvamento nenhum. Nunca hesitei por sensação de medo. Mas ontem eu tive essa sensação. A gente tinha a sensação de que estava sendo monitorado, observado por alguém. Vai entrar aí para as lendas, porque quem não viu não vai acreditar (…). Isso aconteceu mesmo. Foi uma coisa sobrenatural, irmão”, completa o salva-vidas, que diz trabalhar na área há 13 anos.
O CORREIO conversou com um dos salva-vidas que presenciou a aparição. Ele confirmou ter gravado o áudio e que a situação aconteceu, mas não quis se identificar, nem dar entrevista.
Banhistas assustados
Funcionária do Hotel Catussaba, a professora Ana Paula Ramos, 36, foi uma das pessoas que presenciou a jornada dos salva-vidas e a aparição na praia. Ela participava de uma atividade de entretenimento na piscina do hotel, quando uma hóspede viu o que parecia ser um corpo se afogando. Nesse momento, todos que estavam no local foram para a areia tentar ajudar a orientar os salva-vidas.
Segundo ela, mais de 100 pessoas estavam na areia.
“O mar estava agitado e a gente estava preocupada em ajudar. Por isso, ninguém filmou, nem tirou foto, mas todo mundo viu”, destaca.
No início, ela chegou a pensar que era alguém praticando caça submarina.Só que, numa das “subidas” do ser não identificado, ela avistou o que realmente parecia ser um corpo. Em um dado momento, o corpo levantou – quase como se uma pessoa fizesse o movimento para deixar o mar, mas de costas para a areia. Pela aparência, ela via um homem de pele escura.
“Não vi o rosto, mas de onde eu estava realmente estava na dúvida para enxergar se era cabelo ou (se estava coberto por) algas. Rapaz, todo mundo ficou pasmo. Porque não era só uma pessoa. Todo mundo estava vendo, por isso todo mundo estava preocupado de alguém estar se afogando”.
Como a correnteza puxava para o lado, ela também descartou a hipótese de tratar de um cadáver. Se fosse, porém, certamente seria levado na direção da correnteza. Ela também diz ter visto uma tartaruga perto do corpo, em algum momento. O animal passou pelo corpo, colocou a cabeça para fora da água e depois sumiu. “Eu sei identificar a tartaruga porque também mergulho. Aqui no hotel, todo mundo está impressionado. Todo mundo viu, mas ninguém sabe o que é”.
O jovem Ícaro Silva, 23, é outro que ainda não acredita no que viu. Surfista e vendedor de bebidas na praia, ele se preparava para cair no mar quando percebeu que um dos salva-vidas e duas mulheres tentavam avistar um corpo no mar. Diante da possibilidade de alguém ter se afogado, desistiu de procurar o melhor lugar para partir para as ondas e começou a prestar atenção no diálogo.
Foi quando o ser apareceu, perto da bancada de corais usada pelos surfistas. Era homem, com a água cobrindo o corpo da cintura para baixo. Ícaro também diz não ter dúvidas que percebeu uma barbatana entre o pescoço e as costas da pessoa.
“Até então, achamos que era um mergulhador, qualquer coisa desse tipo. Mas ele tinha uma barbatana que se movimentava muito rápido. Quando o salva-vidas ia para cima para pegar, ele sumia”, contou, ao CORREIO.
De repente, o jovem, acostumado a encontrar tartarugas, golfinhos e cações, percebeu que nunca tinha visto nada daquele jeito. Passou a mão nos olhos, jogou água no rosto. Quando abriu novamente, continuava vendo a mesma cena. Disse a si: era aquilo mesmo.
“Eu só acredito vendo e, do jeito que eu vi, era parecido com Netuno, aquele jeito das costas. Não tem explicação. Ele nadava contra a corrente, brincando mesmo com os salva-vidas”, lembra, citando o deus romano do mar.
Assim como os salva-vidas, Ícaro diz ter visto um homem cabeludo, com uma careca no topo da cabeça. Tinha a pele bronzeada – e as barbatanas eram da mesma cor da cútis. Foi um homem capaz de mudar até mesmo o clima no mar. Antes dessa confusão, a maré estava calma.
“Quando esse negócio começou a acontecer, parecia que ele fazia um redemoinho por baixo da água. Quando ele subia, dava para ver bem. O rosto nunca virava, foi o que me deixou intrigado”, completou o surfista.
Na terça-feira, sentiu tanto medo que não entrou no mar. Só voltou para surfar nesta quinta-feira (22). A vibe, garantiu, já era outra.
Tartarugas
Coordenador da Salvamar, João Luiz Morais, porém, minimiza a aparição. Segundo ele, tratava-se de um grupo de tartarugas. Ele conta que, na terça-feira, por volta de 15h, o Salvamar foi informado de duas situações: além dos salva-vidas, um banhista ligou para o serviço afirmando ter visto um corpo boiando perto do Farol de Itapuã.
Para ele, a aparição de um ‘homem-peixe’ é fake (falsa). Um grupo de mergulho do Salvamar chegou a procurar pelo corpo na região do farol, mas não encontrou nada humano.
“O que o grupo de mergulho viu foi tartarugas. Tinha umas duas tartarugas juntas, bastante grandes, de um metro e meio. Nessa época, tem muitas. Dá muita sardinha e elas ficam perto da costa”, explica.
Ele também questiona o fato de que ninguém teria filmado a situação. Para João Luiz, trata-se de uma invenção. “Isso é realmente absurdo, coisa de ficção, monstro marinho. Às vezes, a pessoa está na praia e vê um vulto, saco plástico. Acontece. É aquele telefone sem fio: um diz uma coisa e todo mundo vai copiando”.
De fato, é comum que grandes tartarugas transitem na área das praias de Itapuã. De acordo com o biólogo do Projeto Tamar Alexsandro Santos, a tartaruga verde costuma se alimentar na região. Além disso, nessa época do ano, as tartarugas cabeçuda e de pente costumam desovar ali. Esses animais podem chegar a 1m e 1,10 m só de casco.
“A gente estava conversando que poderia ser uma tartaruga boiando para poder desovar ou duas tartarugas adultas copulando. Quando você vê as duas copulando, vai ver que uma afunda e a outra sobe do outro lado. Você acha que é a mesma, fica parecendo maior. Mas só daria para saber mesmo se tivesse algum vídeo”, pondera. Tanto a tartaruga de pente quanto a tartaruga cabeçuda podem copular na área.
Será que os salva-vidas do caso acima realmente viram algum ser ainda não reconhecido oficialmente pelos biólogos, ou se tratou de uma confusão na identificação de um animal marinho comum?