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A hipocrisia da extrema imprensa

Aplaudiram homem nu tocado por criança, mas fazem cara de nojo por tuíte presidencial

 

  – Gospel Prime
Tuíte de Jair Bolsonaro

Tuíte de Jair Bolsonaro. (Foto: Reprodução)

O Brasil que eu quero não é o Brasil do vídeo que o presidente compartilhou. Há problema um chefe de estado publicar algo tão escatológico e obsceno? A meu ver, sim. No entanto, há um problema infinitamente maior neste episódio do tuíte presidencial: o conteúdo e o contexto do vídeo.

Não vamos generalizar, mas o que muitos blocos de carnaval podem nos oferecer é isso e algo mais. Violência nos trios elétricos em Salvador, briga generalizada que antecipa o fim do show de uma cantora de funk no Centro do RJ, além deste espetáculo dantesco proporcionado por dois homossexuais em SP.

Quero dar um recado à grande mídia, liderada pela TV Globo: deixem de ser hipócritas!

Outro recado importante: as últimas eleições provaram que não estamos mais reféns da grande mídia. Vocês não ditam mais as regras do jogo e as redes sociais continuarão a todo vapor. Acostumem-se com este dado da realidade!

Vocês estão completamente descredibilizados. Precisamos recordar o fato de que vocês aplaudiram o homem nu que – “em nome da arte” – foi tocado por uma criança. Vocês silenciaram com a peça “Macaquinhos”, onde homens e mulheres introduzem o dedo no ânus uns dos outros, e isso porque a crítica em torno disso possuía um viés progressista, que é a categoria epistemológica majoritária entre os profissionais da comunicação pertencentes à grande mídia nacional.

Vocês mesmos são aqueles que difundem com normalidade relativizações morais como, por exemplo, a de um cantor famoso aos 40 anos fazer sexo com uma criança de 13 anos ser considerada absolutamente normal e socialmente aceitável, só porque “depois ele se casou com ela”.

O deus de vocês é o deus da libertinagem, coisa que vocês propagam a torto e direito e sempre usam como subterfúgio o argumento de que é em nome da arte.

Vão dizer que as crianças que estavam passando naquela rua no momento do acontecido podiam assistir àquela aberração pornográfica da pior e mais nojenta estirpe?

Desde quando vocês da grande mídia estão preocupados com as crianças ou com a moralidade brasileira? Desde quando pensam na imagem do país para o mundo? O nome disso é mau caratismo e incoerência pessoal deliberada.

Enquanto a ala progressista da sociedade cai em cima do presidente – dando um show de hipocrisia –, eu quero cair em cima da ala progressista da sociedade, pois o assunto “moralidade” nunca foi do interesse de vocês.

Portanto, deixem de ser cínicos e parem de coar um mosquito enquanto engolem camelos e mais camelos.

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Papa diz que pedofilia na Igreja Católica se compara a sacrifício de humanos

Papa Francisco na abertura da cúpula histórica, no Vaticano, sobre abusos sexuais na Igreja CatólicaPapa Francisco na abertura da cúpula histórica, no Vaticano, sobre abusos sexuais na Igreja Católica

(Cidade do Vaticano – AFP) – O papa Francisco comparou neste domingo a “praga” dos abusos sexuais de menores de idade com as práticas religiosas do passado de oferecer seres humanos em sacrifício, em seu discurso de encerramento na reunião sobre a pedofilia celebrada no Vaticano.

“Me traz à mente a cruel prática religiosa, difundida no passado em algumas culturas, de oferecer seres humanos -frequentemente crianças – como sacrifício nos rituais pagãos”

Segundo o papa, a Igreja se compromete a combater este fenômeno com “a máxima seriedade”.

“Gostaria de reafirmar com clareza: se na Igreja for descoberto um só caso de abuso – que em si mesmo já representa uma monstruosidade -, este caso será enfrentado com a máxima seriedade”, completou em um longo discurso para os líderes das 114 conferências episcopais de todo o mundo, secretários de congregações, bispos e cardeais reunidos na Sala Regia do Vaticano.

O pontífice disse que o abusador “é um instrumento de satanás”, antes de recordar que a Igreja está diante de uma manifestação do mal “descarada, destrutiva e agressiva”.

Em seu discurso, Francisco citou as estatísticas a nível mundial e garantiu que a Igreja se compromete a aplicar as estratégias das organizações internacionais, incluindo a ONU e a Organização Mundial da Saúde, para erradicar a pedofilia.

“Não se pode, portanto, compreender o fenômeno dos abusos sexuais contra menores sem levar em consideração o poder, o quanto estes abusos são sempre a consequência do abuso de poder, aproveitando uma posição de inferioridade do indefeso abusado”, afirmou.

“O abuso de poder está presente em outras formas de abuso dos quais são vítimas quase 85 milhões de crianças, esquecidas por todos: os meninos soldados, os menores prostituídos, as crianças desnutridas, as crianças sequestradas e frequentemente vítimas do monstruoso comércio de órgãos humanos, ou também transformados em escravos, as crianças vítimas da guerra, os menores refugiados, as crianças abortadas e assim sucessivamente”, disse o pontífice.

“Diante de tanta crueldade, diante de todo este sacrifício idolátrico de crianças ao deus do poder, do dinheiro, do orgulho, da soberba, não bastam meras explicações empíricas, estas não são capazes de nos fazer compreender a amplitude e a profundidade do drama”, admitiu.

Fonte: AFP via UOL

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Padre católico gay diz que a igreja nos EUA “não é um armário, é uma gaiola”

Gregory Greiten, padre católico da igreja americana que assumiu ser homossexualGregory Greiten, padre católico da igreja americana que assumiu ser homossexual
 The New Yor Times

Era 1982 e ele estava fazendo um retiro com seus colegas de classe do seminário católico St. Lawrence.

Os líderes pediram que cada garoto classificasse o que preferiria que lhe acontecesse: sofrer queimaduras em 90% do corpo, virar paraplégico ou ser gay.

Todos os meninos optaram por ficar queimados ou paralíticos. A brincadeira ganhou o nome de Jogo da Vida.

Sete anos mais tarde ele subiu na janela de seu dormitório no seminário e passou uma perna sobre o parapeito.

Hoje padre em Milwaukee, Greiten se recorda de ter pensado claramente pela primeira vez: “Sou realmente gay”. “Foi como uma sentença de morte”, comenta.

O armário da Igreja Católica depende de uma contradição.

Há anos os líderes da igreja afastam os fiéis gays. Mas milhares de padres são gays.

Menos de dez padres até agora nos EUA ousaram sair do armário publicamente.

Mas gays compõem no mínimo 30% a 40% do clero católico americano, segundo dezenas de estimativas de pesquisadores e de padres gays. Para alguns clérigos, o número real é mais próximo de 75%.

Falando com o The New York Times ao longo dos últimos dois meses, duas dúzias de padres e seminaristas gays de 13 estados compartilharam detalhes sobre sua vida no armário católico.

Quase todos exigiram anonimato total para falar, temendo ser castigados por seus bispos ou superiores.

A maioria deles exerce o sacerdócio ativamente; se eles forem denunciados, podem perder mais que seu emprego.

A igreja quase sempre controla a moradia, o seguro-saúde e a aposentadoria dos padres.

Eles podem perder tudo isso se seu bispo considerar que sua sexualidade os desqualifica do sacerdócio, mesmo que eles sejam fiéis aos votos de celibato.

Para os padres gays, o ambiente vem ficando cada vez mais perigoso.

A queda do antes poderoso cardeal Theodore McCarrick, afastado da igreja na semana passada pelo abuso sexual de garotos e rapazes, inflamou as acusações de que a homossexualidade seria a culpada pela crise ressurgente de abuso sexual na igreja.

Estudos repetidos concluíram que não existe ligação entre ser gay e cometer abuso sexual de crianças.

Mesmo assim, bispos destacados apontam para sacerdotes gays como estando à raiz do problema.

Mesmo o papa Francisco vem ficando mais crítico nos últimos meses.

Ele descreveu a homossexualidade como algo “na moda”, recomendou que homens que têm “essa tendência arraigada” não sejam aceitos no sacerdócio.

Esta semana o papa vai presidir uma reunião de cúpula muito aguardada sobre abuso sexual, com a participação de bispos de todo o mundo.

A discussão promete tratar não apenas da cobrança de responsabilidade dos bispos, mas também da própria homossexualidade.

Convertidos em bodes expiatórios, muitos padres se enfiaram mais fundo no armário.

“A grande maioria dos padres gays não está em segurança”, disse o padre Bob Bussen, de Park City, Utah, denunciado como gay há 12 anos depois de celebrar uma missa para a comunidade LGBTQ.

“Viver no armário é pior do que ser feito de bode expiatório”, ele opinou. “Não é um armário, é uma gaiola.”

Antes mesmo de se saber gay, um padre talvez já conheça o armário. A lição sobre isso é ensinada desde cedo, muitas vezes no seminário.

“Numquam duo, semper tres”, reza o aviso. Nunca em duplas, sempre em grupinhos de três.

Os padres nos EUA tendem a assumir sua condição gay para eles mesmos em idade muito superior à média nacional dos homens gays, que é 15 anos.

Muitos padres gays contaram que se alternaram entre negação e confusão durante anos, finalmente se reconhecendo como gays apenas na casa dos 30 ou 40 anos.

Greiten tinha 24 anos quando entendeu que era gay e pensou em se jogar da janela de seu dormitório.

Ele não o fez, mas contou a um colega de classe sobre o desespero que sentia.

Seu amigo se assumiu como gay, ele próprio. Foi uma revelação para Greiten: havia outras pessoas estudando para ser padres que eram gays.

A questão era apenas que ninguém falava disso. Um ano atrás, Greiten decidiu que era hora de encerrar seu silêncio.

Durante a missa de domingo ele anunciou para sua paróquia que era gay e celibatário. Os fiéis se levantaram para aplaudi-lo.

Sua história viralizou. Um padre de 90 anos telefonou a Greiten para lhe dizer que passou sua vida inteira no armário e que sonhava que o futuro seria diferente.

Para alguns líderes da igreja, essas manifestações de apoio podem ter sido representado uma ameaça ainda maior que a sexualidade de Greiten.

Ele havia cometido o pecado cardeal: abrira a porta para discussões. Seu arcebispo, dom Jerome Listecki, de Milwaukee, divulgou comunicado dizendo que queria que Greiten não tivesse ido a público.

Choveram cartas chamando Greiten de “satânico”, “escória gay”, “monstro” que sodomiza crianças.

É quase certo que um dos grandes tópicos desta semana no Vaticano será atribuir a culpa pelos abusos sexuais na igreja a homens gays.

“Em vez de os bispos assumirem mais responsabilidade pelo que ocorreu, podemos assistir mais uma vez à condenação de lésbicas, gays e transexuais na igreja”, opinou John Coe, 63, diácono gay do Kentucky que saiu do armário no ano passado.

“O problema não é apenas a crise do abuso sexual”, disse Greiten, que que gostaria de ter podido falar com o papa Francisco.

“Estão ferindo e traumatizando sexualmente mais uma geração. Precisamos nos posicionar e dizer ‘chega de abuso sexual, chega de traumatização sexual, chega de inflingir feridas sexuais.”

Fonte e tradução: Folha de S. Paulo