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O mais fiel retrato de Madalena

Novo livro e longa-metragem que estreia esta semana no Brasil revisitam uma das mais importantes personagens da Bíblia: a mulher que foi descrita como pecadora, arrependida e santa – até ser considerada pelo papa Francisco “apóstola dos apóstolos”. Sua importância cresce à luz do feminismo atual
O mais fiel retrato de Madalena
Camila Brandalise

Maria Madalena nunca foi prostituta. Esse título surgiu no século VI durante um sermão do papa Gregório Magno ao tentar convencer os fiéis que o arrependimento era condição para a remissão dos pecados, como teria acontecido com ela. Nascia ali uma lenda que percorreu a história. Mais de mil anos depois, essa imagem permanece – embora rivalize com outras versões sobre quem foi Madalena. Esposa de Jesus? Essa hipótese está em um evangelho não reconhecido pela Igreja Católica que afirma ter havido ao menos um beijo entre eles. Nem o documento é validado nem deixa claro se houve relacionamento amoroso. Quem de fato ela foi: discípula de Cristo, uma das pessoas que proviam seu sustento, santa e, desde 2016, considerada pelo papa Francisco como “apóstola dos apóstolos”. Sua verdadeira história se perdeu em uma miscelânea de representações que ao longo do tempo misturaram cânones, teorias da conspiração e charlatanismo, dependendo do interesse de cada um e de sua época. À luz do movimento feminista contemporâneo, revisitar a personagem significa tirar dela as alcunhas equivocadas, mostrar sua importância histórica e religiosa e falar de machismo e do papel da mulher na Igreja.

É a essa tarefa que se propõem duas novas obras, um livro e um filme, cujos títulos levam seu nome e que serão lançados na quinta-feira 15. “A imagem dela como uma prostituta arrependida é uma criação deliberada da Igreja, feita para minimizar o poder e o mistério que ela ganhou através de seu relacionamento espiritualmente íntimo com Jesus. Sua comunhão direta com o divino ameaçou a estrutura apostólica”, afirma o historiador britânico Michael Haag, autor do novo livro “Maria Madalena – Da Bíblia ao Código Da Vinci: companheira de Jesus, deusa, prostituta, ícone feminista” (ed. Zahar).

A confusão foi institucionalizada no ano de 591, quando o papa Gregório Magno afirmou que a pecadora é Madalena. Também disse ser ela outra Maria, irmã de Lázaro, o que não é comprovado. Wilma De Tommaso defende o papa Gregório: “Era uma época em que as pessoas tinham muito medo do inferno e se martirizavam. Por misericórdia, ele falou que ela pecou muito, mas foi perdoada, para dar o exemplo”, afirma. “A imagem da prostitua arrependida foi sendo historicamente construída a partir dessa homilia”, afirma André Chevitarese, especialista em história da religião e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Com o tempo, ganhou contornos de verdade. É como se a pessoa acreditasse haver na Bíblia dados que nunca estiveram lá.” Para a pesquisadora Juliana Cavalcanti, também da UFRJ, que estuda as mulheres no catolicismo, ao reduzir Madalena à figura de prostituta, a Igreja acabou também colocando outras protagonistas femininas para “debaixo do tapete”, pois ela era uma peça chave que simboliza um conjunto de grandes personagens ocupando o papel de apóstolas. Elas, inclusive, bancavam as viagens de Jesus, segundo a Bíblia. “A insistência nessa história encerra também toda a possibilidade de mulheres ocuparem cargos dentro da Igreja.”

“Ela é vista como uma vítima da Igreja. Mas acho que ela foi mais vítima por causa da sua intimidade espiritual com Jesus”
Michael Haag, autor de “Maria Madalena”

Feminista

A história de Madalena se embolou ainda mais porque, com o tempo, a associação foi feita também com a mulher prestes a ser apedrejada por ter cometido adultério, outra anônima. Já no século XXI, o autor Dan Brown, com seu livro “O Código Da Vinci”, popularizou a lenda de que ela foi esposa de Jesus (confira no quadro ao lado), em um raciocínio falacioso que se vale de interpretações insustentáveis de antigos manuscritos não-oficiais. O livro recém-lançado se propõe a trazer essas perspectivas, enquanto o filme, com uma pegada de “blockbuster” gospel, tenta abordar a única leitura oficial sobre ela que pode ser feita: a de uma discípula fiel a Jesus. Na obra cinematográfica, ao abrir mão de se casar com um homem escolhido pelo pai e pelo irmão, ela desafia a estrutura patriarcal, que não permitia a uma mulher decidir o próprio destino, e se torna seguidora de um profeta que fala sobre amor e compaixão. Em um momento do mundo que se fala tanto sobre feminismo, a leitura pende para esse lado. Mas especialistas concordam que é impossível chamá-la de feminista. “Esse filtro de leitura não existia naquela sociedade do século I. Vai surgir do XVIII em diante”, afirma Juliana Cavalcanti, da UFRJ. “É anacrônico dar esse título a ela”, afirma a teóloga feminista Ivone Gebara. O autor Michael Haag aborda essa visão atual e concorda com as especialistas. “Ela é vista como uma vítima da Igreja. Mas acho que ela foi vítima mais por causa da sua intimidade espiritual com Jesus, entrando em desacordo com a hierarquia do cristianismo institucionalizado, que nada tem a ver com os ensinamentos de Cristo.”

Wilma De Tommaso lembra que Madalena foi considerada santa desde a Igreja primitiva, tamanha a importância dada pelo próprio catolicismo, que dedica a ela o dia 22 de julho. Na época em que viveu, contudo, a voz de uma mulher não valia como a de um homem. “Se ela visse um crime, por exemplo, sua palavra não tinha valor algum. Era uma regra cultural”, afirma. Daí vêm algumas especulações sobre o porquê seu papel ter sido historicamente renegado e sua visão da história não ter sido difundida. Ela é uma das personagens fundamentais do cristianismo, pois foi quem viu Jesus ressuscitado. Historiadores avaliam, inclusive, a possibilidade de considerá-la uma apóstola. “O critério de apostolicidade passa a ser ter visto Cristo ressuscitado. Se ela o viu, e foi a primeira, por que não considerá-la como tal?”, afirma o professor André Chevitarese. Durante a divulgação do filme, a atriz Rooney Mara, que interpreta a protagonista no filme “Maria Madalena”, diz ter ficado indignada com o rumo que o reconhecimento à personagem tomou. “Ela foi uma parte intrínseca da história, mas foi relegada ao papel de prostituta enquanto Pedro, que negou Jesus três vezes e distorceu sua mensagem, tem Igrejas no mundo todo. Ela é uma prostituta, e ele é um santo. É simplesmente incrível.”

Mensagens ocultas

Quem leu “O Código Da Vinci” ou assistiu à adaptação para os cinemas provavelmente lembra de uma das principais teorias apresentadas na história: de que o artista italiano teria retratado Maria Madalena em sua interpretação da Santa Ceia, do lado direito de Jesus. Dan Brown, autor do livro, recebeu muitas críticas na época, mas ele não criou essa teoria sozinho. O que ele fez foi popularizar uma hipótese que circulava há algum tempo. Ela aparece em “O Segredo dos Templários”, livro de Lynn Picknett e Clive Prince lançado em 1997. Segundo a dupla, Leonardo Da Vinci deixou pistas sobre o relacionamento entre Maria Madalena e Jesus no quadro, das cores de roupa à posição dos dois à mesa, remetendo a um “M” de Madalena. Para sustentar a tese, os autores se baseiam em evangelhos apócrifos, especialmente os escritos por Filipe e Maria. A hipótese, no entanto, é contestada por historiadores da arte. A versão mais aceita diz que é João o apóstolo retratado ao lado de Jesus na Santa Ceia – e que ele havia sido pintado com feições femininas em outras obras de arte.

COMPANHEIRA Da Vinci teria retratado Madalena ao lado de Cristo, em uma posição que forma um “M”. A teoria é contestada por historiadores da arte

Seguidora fiel

APÓSTOLA Cena do batismo no filme “Maria Madalena”: obra a retrata como discípula de Jesus e afasta sua imagem dos títulos de prostituta ou esposa de Cristo. Abaixo, capa de novo livro sobre o mesmo tema (Crédito:Divulgação)

É em grande parte pela representação artística de Maria Madalena que a alcunha de prostituta foi disseminada. “Só conheço dois longas que saem disso, um grego e um mexicano, pouco conhecidos”, afirma a pesquisadora Juliana Cavalcanti, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O novo “Maria Madalena”, nos cinemas na quinta-feira 15, quebra o padrão. Mostra-a como uma discípula íntima, não no sentido romântico. É uma fiel escudeira, seguindo à risca os ensinamentos e batendo de frente com apóstolos. O filme retoma pregações com certo didatismo. Ainda assim, em tempos de intolerância e ódio, é uma obra necessária. A protagonista é vivida por Rooney Mara e, no papel de Jesus, Joaquin Phoenix encarna um profeta perturbado pela falta de amor entre as pessoas.

Linhagem nobre

Um sucesso de vendas desde que chegou às livrarias em 1982, “O Santo Graal e a Linhagem Sagrada”, de Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln, popularizou uma outra hipótese. Segundo os autores, Jesus e Maria Madalena foram casados e tiveram um ou mais filhos. Estes, ou seus descendentes, viajaram ao sul da França e casaram com famílias nobres. Essa linhagem daria origem à Dinastia Merovíngia, cujo primeiro representante foi Meroveu. Para o trio, o Santo Graal era, ao mesmo tempo, o útero de Maria Madalena e a linhagem de Cristo. A teoria foi considerada blasfêmia e a pesquisa do livro é contestada pela falta de provas capazes de conectar com um mínimo de precisão os merovíngios a Jesus.

Colaborou André Sollitto, com informações da Isto é independente

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Cultos

Igreja de Bethel responde sobre as cartas do “tarot”

(FOTO: FACEBOOK)A equipe de Alinhamento de Cristo no trabalho.

A Igreja de Betel, uma mega-igreja polêmica na Califórnia, disse que não há nenhuma verdade na acusação de que promove o ocultismo da Nova Era usando “Cartões do Destino”, que os críticos comparavam aos cartões de tarô.

A igreja de 8 mil membros em Redding foi acusada  de trabalhar com um grupo baseado em Melbourne, Austrália, conhecido como Christalignment, que afirma ter trabalhado com muitas igrejas nesse país para fazer tais leituras, mas Bethel respondeu dizendo que a Christalignment não é formalmente afiliada com Betel e nem usa “cartas de tarô cristãs”.

Betel admitiu que os líderes de Christalignment, Ken e Jenny Hodge, estão conectados com vários membros da igreja, como os Hodges são os pais do evangelista da igreja Ben Fitzgerald e disseram que os líderes da igreja “têm um valor para o que eles estão buscando alcançar”.

“Eles (Christalignment) concordam com as Escrituras que todas as práticas ocultas (como cartas de tarô) não têm lugar no Reino e não devem ser usadas”, disse Bethel em um comunicado .

O pessoal do Alinhamento de Cristo se descreve como “consultores espirituais treinados” e diz em seu site que eles “tiraram da mesma energia divina do espírito de Cristo”.

“Nós praticamos uma forma de cura sobrenatural que flui da presença universal do Cristo. Nós extraímos da mesma energia divina do espírito de Cristo, como seguidores antigos fizeram e operavam somente do terceiro reino do paraíso para obter percepção e revelação” eles dizem.

Bethel disse que chegou ao Hodges para responder às críticas. “O ministério do Hodge é uma forma de divulgação destinada a compartilhar Jesus com aqueles que nunca o conheceram, ou acham que o odeiam, ou pior, que Deus os odeia”, diz o comunicado. “Esta prática não é o que os Hodges fazem na igreja, nas suas vidas devocionais e no estudo da Bíblia, ao tomar grandes decisões de vida, ou ao discipular as pessoas. Não é ensinado como o próximo excelente modo de maturidade, uma coisa nova e secreta para os jovens cristãos , ou um sincretismo fácil. Este ministério é uma forma de fazer com que as pessoas parem e se envolvam com os semelhantes para que possam encontrar o amor do Pai e a verdade de Seu Filho Jesus Cristo “.

Jenny Hodge escreveu a Bethel, negando a acusação. “Nos últimos seis anos, desenvolvemos um método testado muito bem sucedido para ministrar a milhares de pessoas de nova era”.

Os cartões que os usos de Christalignment não são “tarot nem remotamente similares ao tarot”, escreveu ela. “Nós sabemos que os cartões de tarô são muito perigosos e o desencorajam. As ferramentas que criamos nos ajudam a levar as pessoas a encontros de Deus profundos em nossas mesas, e nosso objetivo em Christalignment é atrair clientes de leitura de tarô, pessoas que estão completamente em novas práticas de idade , psíquicos e bruxas. Todas essas pessoas podem reconhecer imediatamente que nossos cartões não são tarot uma vez que se sentam em nossas mesas “.

Ela acrescentou: “Os conjuntos de cartas, incluindo cartões que fizemos denominados” cartões de Salmo “com as escrituras sobre eles, abordam o presente na vida de uma pessoa. A cor que Deus está mostrando a pessoa em um encontro de oração irá falar com a pessoa através da imagem profética em A frente ou o significado nas costas. É o mesmo que quando nós damos a alguém uma pintura profética, muito mais pequena. São todos não-preditivos, mas nós os chamamos de cartões de destino, pois acreditamos que os dons e os chamados dados por Deus para as pessoas são certamente parte de seu destino “.Com informações The Christian Post

Arqueólogos revelam onde estão as lendárias “minas do rei Salomão”

Achados comprovam relato bíblico do livro de Reis


Arqueólogos revelam onde estão as “minas do rei Salomão”

Por mais de dois séculos, teólogos liberais usavam a falta de comprovação histórica de alguns trechos para criticarem a ideia de uma Bíblia inerrante. Um de seus argumentos mais comuns é que não havia registros extrabíblicos dos reinados de Davi e Salomão.

Contudo, escavações arqueológicas em Israel ao longo das últimas décadas mudaram essa perspectiva. Descobertas recentes mostram que a extensão do reino de Salomão, o maior território que Israel já teve em sua história, realmente chegou onde o registro bíblico diz.

Na edição de fevereiro de 2017 do Journal of Archaeological Science, os arqueólogos Erez Ben-Yosef, Dafna Langgut e Lidar Sapir-Hen anunciam as descobertas que fizeram durante escavações na região mais inóspita de Israel. Eles descobriram em Timna, no extremo sul do país, mais indícios de onde ficavam as lendárias “minas do rei Salomão”. Eles aprofundaram o trabalho que foi primeiramente divulgado em 2013.

Em uma das partes mais áridas e desoladas do deserto do Negev, eles encontraram ruínas de estábulos e depósitos de minério onde um dia se localizavam os maiores campos de fundição de cobre do reino. A datação de artefatos recuperados comprova que são do século X antes de Cristo, o que coincide com as datas do reinado de Salomão.

 Esta descoberta resolve uma grande controvérsia histórica. Embora não existisse evidência histórica abundante sobre a extração de minério de cobre, as ruínas de Timna mostram que havia minas e fundições ativas durante o reinado de Salomão. Portanto, não é difícil concluir que o Vale de Timna realmente abrigava as minas mencionadas pela Bíblia.

Dieta forte

Por causa da extrema aridez da região, materiais orgânicos acabaram ficando extraordinariamente preservados. Ben-Yosef, Langgut e Sapir-Hen foram capazes de recuperar ossos de animais, sementes e pólen em pilhas de esterco de burro, abundante no local. A análise desse esterco revelou que os animais eram alimentados com o bagaço de uva em vez de palha.

O uso de bagaço na dieta mostra como esses burros eram bem cuidados, pois eram fundamentais na retirada do cobre das minas e o transporte de suprimentos para o acampamento. A análise dos ossos de animais e das sementes mostra que os operários -provavelmente escravos – tinham uma dieta rica, que lhes dava condições de desempenhar um trabalho que exigia muito de seus corpos.

Outro aspecto que chama atenção é a disposição do esterco, armazenado na parte interna das estruturas fortificadas. Isso indica que foi usado como combustível para o aquecimento inicial dos fornos de fundição. Os três arqueólogos descobriram artefatos que também demonstram que no local havia mais de um tipo de metalurgia.

Além de fundir o minério de cobre, também o refinavam e preparavam lingotes. As minas de Timna não eram as únicas pertencentes a Salomão, mas podem ter sido as maiores.

Possível local das minas do rei Salomão.

Presença militar

A estrutura do portão principal e dos muros evidenciam que o local era bem guardado. Isso mostra que nos tempos de Salomão tinham ali uma forte presença militar. O valor do cobre era muito alto na época, por ser usado para fabricar ferramentas e armas, vitais para as sociedades antigas. Essa ideia de riqueza gerou, séculos mais tarde, a lenda que as minas de Salomão eram de ouro e diamantes. Essa ideia se popularizou por causa do romance ficcional “As Minas do Rei Salomão”, de Rider Haggard, publicado em 1885. Era cobre, no entanto, o que realmente se extraía dali.

Localização das escavações.

A Bíblia dedica 21 capítulos à história do reinado de Salomão, destacando sua extensão, riqueza, poder e organização. Muitos estudiosos questionavam se não havia exageros nos relatos para agradar o rei. Contudo, surge agora a comprovação de que havia presença militar judaica no extremo sul do deserto do Negueve, historicamente pertencente ao reino de Edom. Com informações Science Direct  Com informações do Gospel Prime