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O FIM DO AMOR: CUMPRE-SE MAIS UMA PROFECIA BÍBLICA?

Introdução

Vivemos em uma época marcada por grandes avanços tecnológicos, comunicação instantânea e acesso extraordinário à informação. Entretanto, paradoxalmente, também testemunhamos crescimento da intolerância, violência, egoísmo, indiferença e ruptura dos relacionamentos.

Jesus não ignorou essa realidade. Ao falar sobre os acontecimentos que precederiam o fim dos tempos, Ele apresentou uma advertência impressionante:

“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos.”
— Mateus 24:12

Jesus não estava simplesmente fazendo uma observação sobre o comportamento humano. Ele estava apresentando um sinal espiritual relacionado aos últimos tempos.

1. O que significa “o amor se esfriará”?

A expressão de Jesus é profunda. O problema não é apenas que as pessoas deixarão de demonstrar carinho.

O “esfriamento” do amor envolve uma transformação interior: aquilo que deveria produzir compaixão, perdão, solidariedade e cuidado passa a ser substituído por indiferença, egoísmo e hostilidade.

A pessoa pode continuar convivendo socialmente, trabalhando, comunicando-se e até frequentando uma igreja, mas seu coração pode estar cada vez mais distante do próximo.

Jesus coloca uma relação de causa e efeito:

“Por se multiplicar a iniquidade…” → “o amor se esfriará.”

Quanto mais o pecado é normalizado, maior o risco de a sensibilidade espiritual desaparecer.

2. A profecia não fala apenas do mundo

Existe uma advertência importante aqui.

Jesus não diz que somente os incrédulos perderiam o amor. Ele afirma:

“O amor se esfriará de quase todos.”

Isso inclui pessoas que deveriam permanecer vigilantes.

Por isso, Mateus 24 não deve ser usado apenas para apontar o dedo para a sociedade. Ele também precisa provocar uma pergunta dentro da Igreja:

Meu amor está crescendo ou está esfriando?

É possível defender a verdade e, ao mesmo tempo, perder o amor.

É possível conhecer a Bíblia e perder a compaixão.

É possível falar de Deus e tratar pessoas com desprezo.

Por isso Paulo afirma em 1 Coríntios 13 que, sem amor, até os dons espirituais, conhecimento e grandes realizações perdem seu verdadeiro valor.

3. O amor bíblico é diferente de sentimento

Na Bíblia, amor não é simplesmente emoção.

O amor cristão envolve decisão, atitude, sacrifício e compromisso.

Jesus ensinou:

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”
— Mateus 22:39

E levou esse princípio ainda mais longe:

“Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.”
— Mateus 5:44

Esse tipo de amor é extraordinariamente difícil em uma sociedade marcada pela polarização.

Amar quem pensa como nós é relativamente fácil.

O verdadeiro teste começa quando precisamos amar alguém que discorda de nós, nos ofende ou nos decepciona.

4. A multiplicação da iniquidade

Jesus apresenta a “iniquidade” como um dos fatores que provocariam o esfriamento do amor.

Quando aquilo que antes era considerado errado passa a ser tratado como normal, ocorre uma espécie de anestesia moral.

O pecado deixa de produzir indignação.

A mentira passa a ser estratégia.

A violência vira entretenimento.

A desonestidade é justificada.

O egoísmo passa a ser chamado de “autocuidado”.

A vingança é apresentada como justiça.

E, pouco a pouco, o coração perde sua sensibilidade.

Paulo descreveu uma realidade semelhante em 2 Timóteo 3:1-5, quando fala de pessoas nos “últimos dias” caracterizadas por amor a si mesmas, avareza, arrogância, desobediência e ausência de afeto natural.

5. O paradoxo dos últimos dias

Existe aqui uma ironia muito interessante.

Nunca tivemos tanta capacidade de comunicação como hoje.

Podemos conversar instantaneamente com alguém do outro lado do planeta.

Mas comunicação não significa necessariamente relacionamento.

Temos milhares de contatos, mas podemos ter poucos relacionamentos verdadeiramente profundos.

Podemos acompanhar a vida de centenas de pessoas pelas redes sociais e, ao mesmo tempo, ignorar alguém que sofre ao nosso lado.

A tecnologia aproxima distâncias, mas somente o amor aproxima corações.

6. A profecia está se cumprindo?

Aqui precisamos ter equilíbrio.

Não podemos afirmar que cada conflito familiar, cada guerra ou cada mudança cultural seja uma prova isolada de que determinada profecia acabou de se cumprir.

Mateus 24 apresenta um conjunto de sinais e advertências, e Jesus também ordena vigilância.

Portanto, o mais correto biblicamente não é declarar:

“Tudo isso prova que o fim chegou.”

Mas perguntar:

“Estamos vendo características que Jesus advertiu que marcariam os últimos tempos?”

A resposta é claramente: sim, muitas dessas características estão presentes na sociedade humana.

Mas o propósito da profecia não é alimentar especulação sobre datas.

É produzir vigilância, perseverança e fidelidade.

7. O grande perigo: o amor esfriar dentro da Igreja

Talvez essa seja a parte mais séria do estudo.

Jesus não disse apenas que haveria falta de amor no mundo.

Ele advertiu seus próprios seguidores.

Uma igreja pode ter prédios, programas, tecnologia, eventos, conhecimento bíblico e grande estrutura — e ainda assim perder aquilo que deveria ser sua característica principal.

Jesus disse:

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.”
— João 13:35

Observe: Ele não disse que o mundo reconheceria seus discípulos apenas pelo conhecimento.

Nem pela eloquência.

Nem pela quantidade de seguidores.

O sinal seria o amor.

8. O remédio para o esfriamento

Como combater esse processo?

A resposta não é simplesmente tentar “ser uma pessoa melhor”.

Precisamos voltar à fonte do amor.

1 João 4:19 declara:

“Nós amamos porque ele nos amou primeiro.”

Pergunta para reflexão:
Se o amor é um dos sinais que Jesus associou aos últimos tempos, o que a maneira como estamos tratando as pessoas revela sobre a nossa preparação para a volta de Cristo?

O amor cristão nasce da experiência do amor de Deus.

Quanto mais compreendemos a graça que recebemos, mais somos chamados a estendê-la aos outros.

Por isso, quando o mundo responde à violência com violência, o cristão é chamado a responder de outra maneira.

Quando o mundo escolhe vingança, o cristão escolhe perdão.

Quando o mundo escolhe indiferença, o cristão escolhe misericórdia.

Quando o mundo abandona, o cristão procura restaurar.

9. A grande pergunta de Jesus

O estudo de Mateus 24 não deveria terminar com medo.

Deveria terminar com uma pergunta.

Se Jesus voltasse hoje, encontraria o nosso amor vivo?

Porque a grande questão não é apenas saber se estamos vivendo perto do fim.

A questão é:

Como estamos vivendo enquanto esperamos o fim?

Jesus disse:

“Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo.”
— Mateus 24:13

Perceba a sequência:

O amor pode esfriar.A iniquidade pode aumentar.Mas o discípulo é chamado a perseverar.

Conclusão

Talvez uma das maiores evidências da crise espiritual do nosso tempo não seja apenas a quantidade de violência, corrupção ou conflitos.

Talvez seja algo mais silencioso:

a capacidade que estamos perdendo de nos importar uns com os outros.

O mundo precisa de tecnologia, conhecimento e desenvolvimento.

Mas, acima de tudo, precisa recuperar a capacidade de amar.

E a Igreja precisa ser uma demonstração viva de que o amor de Deus ainda transforma pessoas.

O amor não pode morrer dentro daqueles que anunciam o Deus que é amor.

A profecia de Jesus deve nos despertar, não para o pânico, mas para a vigilância.

Não para apontarmos o dedo para os outros, mas para examinarmos nosso próprio coração.

Porque, quando o amor de muitos estiver esfriando, o verdadeiro discípulo de Cristo será chamado a mantê-lo aceso.

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⚡ ALERTA BÍBLICO: A Geopolítica dos Acordos de Abraão e o Perigo Oculto da “Falsa Segurança” no Oriente Médio

Acordos de Abraão

Aqui está a síntese definitiva, unindo o contexto geopolítico dos Acordos de Abraão (a realidade dos fatos e números) ao estudo das profecias bíblicas e escatológicas.
Esta análise demonstra como o tratado de 2020 atua como uma ponte perfeita entre a história do Gênesis e o cenário do fim dos tempos descrito no Apocalipse.

Os Acordos de Abraão: A Intersecção entre Geopolítica, História e Escatologia Bíblica

Os Acordos de Abraão (Abraham Accords), mediados pelos Estados Unidos a partir do segundo semestre de 2020, reconfiguraram o cenário político do Oriente Médio ao normalizarem as relações diplomáticas de Israel com quatro nações do Mundo Árabe: Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão.
Para além dos bilhões de dólares em comércio, turismo e inteligência militar, este tratado carrega uma das mais profundas camadas de simbolismo bíblico da história moderna, sendo analisado sob duas lentes teológicas complementares: a reconciliação histórica (Gênesis) e a preparação do cenário profético (1 Tessalonicenses e Apocalipse).

Parte 1: A Base Histórica – O Retorno à Linhagem de Gênesis

A justificativa cultural e moral do acordo buscou desarmar séculos de hostilidade apelando para a genética e a fé compartilhadas, utilizando o livro de Gênesis como ponto de partida. [ ABRAÃO ] (O Pai Comum)

O Cumprimento Simbólico da Reconciliação

  • A Promessa: Em Gênesis 12:3, Deus promete a Abraão que nele “serão benditas todas as famílias da terra”. Os acordos modernos usaram essa premissa para vender a ideia de uma nova era de prosperidade mútua.
  • O Encontro dos Irmãos: A diplomacia do acordo ecoou diretamente Gênesis 25:9, o momento em que Isaque (ancestral dos judeus) e Ismael (ancestral dos árabes), após uma vida de separação e rivalidades, unem-se para sepultar o pai na Caverna de Macpela. O tratado de 2020 foi desenhado como o reflexo moderno dessa foto de família: os filhos de Abraão sentados novamente à mesma mesa.
  • A Casa da Família Abraâmica: Esse conceito saiu da teoria e virou pedra em Abu Dhabi (EAU), onde um complexo reúne uma Sinagoga, uma Igreja e uma Mesquita no mesmo terreno, materializando o ecumenismo e a convivência das três fés bíblicas.

Parte 2: O Complemento Profético – O Ensaio Geral para o Apocalipse

Se a história de Gênesis serviu como o “argumento de paz”, as profecias do Novo Testamento e do livro de Daniel servem como o “alerta escatológico” para estudiosos da Bíblia. A própria linguagem utilizada pelos líderes mundiais acendeu o radar dos observadores do fim dos tempos.

1. O Eco do Slogan: “Paz e Segurança”

Durante as assinaturas na Casa Branca, as palavras mais repetidas nos discursos oficiais foram, textualmente, “Paz e Segurança para a região”. Para os leitores da Bíblia, isso remete imediatamente ao alerta do apóstolo Paulo sobre o período que antecede o Dia do Senhor:

1 Tessalonicenses 5:3“Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão.”

2. A Mecânica da Falsa Paz (O Cavalo Branco do Apocalipse)

Em Apocalipse 6:2, o primeiro selo é aberto e surge o Cavaleiro do Cavalo Branco. Na teologia escatológica, ele representa o Anticristo, que surge no cenário mundial não com tanques de guerra, mas com um arco sem flechas e uma coroa — o símbolo máximo da diplomacia e da falsa pacificação.

  • O Complemento: Os Acordos de Abraão mudaram a mentalidade da região ao provar que é possível estabelecer pactos baseados em interesses econômicos e convivência pacífica (a abordagem “outside-in”), contornando conflitos locais como a questão palestina. Para os analistas bíblicos, esse modelo estabelece o padrão de comportamento político que o governante global do fim dos tempos usará para seduzir as nações.

3. A Aliança com “Muitos” e o Sentimento de Proteção

A profecia de Daniel 9:27 afirma que um futuro líder global “firmará aliança com muitos por uma semana [7 anos]”, trazendo um período inicial de calmaria para Israel. Paralelamente, Ezequiel 38:11 descreve Israel nos últimos dias como uma terra de “pessoas que habitam seguras; todos eles habitam sem muro, e não têm ferrolhos nem portas”.

  • O Complemento: Ao normalizar os laços com potências financeiras do Golfo (como os Emirados Árabes), Israel começou a quebrar seu isolamento histórico no Oriente Médio. Embora o acordo atual de 2020 não seja o tratado de 7 anos de Daniel (já que potências vizinhas como o Irã o rejeitam veementemente), ele funciona como uma preparação de palco. Ele mostra como Israel pode, gradativamente, passar a se sentir seguro e integrado à região por meio de pactos internacionais.

Conclusão: O Palco Sendo Montado

Unindo os dois estudos, a conclusão dos teólogos e analistas bíblicos é clara:
Os Acordos de Abraão conectam o passado e o futuro da Bíblia. Eles utilizam a narrativa histórica e familiar de Gênesis (a irmandade entre Isaque e Ismael) como a ferramenta psicológica perfeita para tentar construir a estrutura de “Paz e Segurança” preconizada nas profecias do fim dos tempos.

O tratado não é o gatilho final do Apocalipse, mas é o teste mais bem-sucedido da história moderna que demonstra como a diplomacia humana e o comércio inter-religioso serão capazes de forjar uma sensação de estabilidade global antes que o relógio profético atinja a sua hora final.

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Pr. Ângelo Medrado

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Observando dolinas: como o colapso do Mar Morto se tornou uma atração turística

Jerusalem Post Relatório de Jerusalém

Como um dos piores desastres ambientais da região se tornou uma atração turística popular.

Caminhantes passam por uma enorme dolina nas margens do Mar Morto, perto de Ein Gedi.( crédito da foto : Menachem Kahana )Por Ruth Marks Eglash27 DE JANEIRO DE 2026 12:26Atualizado :30 DE JANEIRO DE 2026 04:19

Ao raiar do dia numa sexta-feira recente, uma dúzia de pessoas se reuniu no ar frio da manhã, no ponto mais baixo da Terra.

Agasalhados com suéteres quentes e calçados com botas de caminhada, o pequeno grupo conversou e riu antes de partir para uma aventura em um dos piores desastres ambientais da região: explorar as margens do Mar Morto, que está encolhendo rapidamente.

Seguindo de perto Sergey Andreyev, um guia experiente e proprietário da Wild Adventures , a primeira parada do grupo foi o estacionamento, agora tomado pelo mato, da outrora mundialmente famosa praia e ponto turístico do lado israelense do mar: Ein Gedi .

“Fiquem perto de mim e não se desviem para a direita nem para a esquerda. Se precisarem ir ao banheiro, me avisem”, instruiu Andreyev, guiando o grupo por cima de uma grade de metal desgastada e passando por uma placa com os dizeres “Perigo. Não entre”.Anúncio

Ele lidera esses grupos desde 2019, então sabe onde é seguro ir e onde pode ser perigoso. As pessoas que o seguiam, de todas as idades e de todas as partes de Israel, estavam lá para ver o que aconteceu com o icônico lago salgado e seus arredores.

Nova atração

Se a imagem do turista bronzeado, de chapéu de aba larga, flutuando nas águas tranquilas enquanto lê um jornal já foi sinônimo do Mar Morto , o litoral cada vez mais exposto, com seus enormes sumidouros – alguns cheios de água natural morna –, curiosas formações de sal, massas cristalinas e uma variedade de estalactites e estalagmites deslumbrantes, criou agora um novo tipo de atração turística.

Ao longo dos meses de inverno, de novembro a março, pessoas de todo o país acorrem para ver as mudanças ambientais e ecológicas – algumas resultantes de processos naturais e outras causadas pela intervenção humana – que aqui se instalaram.

Relaxando nas piscinas de água doce ao lado do Mar Morto.
Relaxando nas piscinas de água doce ao lado do Mar Morto. (crédito: Menachem Kahana)

Ao fazer sua primeira parada, Andreyev esclareceu o motivo de todos os avisos. De pé sobre um pequeno trecho de asfalto preto rachado que antes fazia parte da Rodovia 90, a mais longa de Israel, que liga Metula, na fronteira norte, até Eilat, a cidade mais ao sul do país, ele explicou o óbvio: este trecho da rodovia não está mais em uso, depois que enormes crateras se abriram na superfície da estrada há alguns anos.

Apesar de anos de esforços de engenharia – incluindo o preenchimento repetido das crateras e o reforço da estrada – para salvar a área e mantê-la em uso, incluindo a praia pública, a natureza tinha outros planos.

“A natureza é muito mais forte que as pessoas”, brincou um dos participantes da excursão enquanto o grupo olhava nervosamente para um buraco enorme no meio da estrada agora afundada.

Nas proximidades, outrora majestosas tamareiras desabaram sobre si mesmas, e um conjunto de edifícios dilapidados e cercas de metal retorcidas são tudo o que resta do que já foi uma praia muito popular e um ponto de parada à beira da estrada no trecho sinuoso da rodovia.

Como parte da visita guiada, Andreyev descreveu o complexo processo ecológico – e as decisões humanas – que causaram essa devastação em massa, levando a melhor sobre a humanidade e superando sua tecnologia.

Processo ambiental

Com o aquecimento do clima da Terra, as águas particularmente salgadas do Mar Morto, que fica em um local onde as temperaturas de verão podem chegar a mais de 50 graus Celsius (122 graus Fahrenheit), têm evaporado constantemente.

O processo foi agravado por décadas de desvios de água da principal fonte do mar, o Rio Jordão . Os desvios nas nascentes do rio, no Líbano e na Síria, bem como os projetos hídricos agrícolas e nacionais ao longo de seu curso em Israel e na Jordânia, também reduziram o fluxo de água.

A isso se soma a água bombeada por fábricas locais em Israel e na Jordânia para extrair os minerais naturais únicos do Mar Morto – potássio, bromo, cloreto de sódio, magnésia, cloreto de magnésio e magnésio metálico – e o nível do mar, já o mais baixo da Terra, tem diminuído cerca de um metro por ano nas últimas décadas.

Limitado por Israel, Jordânia e Cisjordânia, o Mar Morto também está no centro de tensões geopolíticas, o que significa que, em nível global, os perigos ambientais do desaparecimento do Mar Morto, uma das maravilhas naturais do mundo, não foram adequadamente abordados pelas partes que poderiam ajudar.

Ecoturistas examinam uma enorme cratera que destruiu a rodovia mais longa de Israel, a Rodovia 90, ao lado do Mar Morto.
Ecoturistas observam uma enorme cratera que destruiu a rodovia mais longa de Israel, a Rodovia 90, ao lado do Mar Morto. (crédito: Menachem Kahana)

Com o ressecamento das águas salgadas, alguns processos ecológicos incomuns tomaram forma aqui. As águas naturais desceram das montanhas circundantes, intensificadas pelas chuvas de inverno em áreas mais afastadas, criando rios de água doce caudalosa que fluem sob a superfície da Terra.

Essa fonte de água doce erodiu as camadas de sal deixadas pelo recuo do mar, afrouxando o solo e levando ao surgimento de milhares de dolinas. Um estudo de 2017 da Universidade Ben-Gurion do Negev contabilizou cerca de 5.500, mas o número continua aumentando. Vista de cima, a costa do Mar Morto agora se assemelha à superfície do planeta Marte.

“Faço isso há sete anos e conheço cada uma dessas crateras intimamente”, disse Andreyev, descrevendo como cada uma continua a crescer em tamanho, enquanto novas surgem o tempo todo.

“Não fiquem muito perto da beira, porque ela vai desabar”, alertou ele ao grupo enquanto nos guiava pelo abandonado ponto turístico de Ein Gedi, descendo uma escadaria de tijolos sinuosa e perigosa, passando por guarda-sóis enferrujados e um posto de salva-vidas em ruínas, até chegarmos ao mar.

A praia de Ein Gedi está fechada ao público há quase uma década, principalmente devido aos buracos que se alastram e aos perigos que representam, mas também porque o recuo acentuado do nível do mar torna difícil chegar à beira-mar.

Mas esse grupo não veio para dar um mergulho no Mar Morto ou para aproveitar seus conhecidos poderes terapêuticos. Eles estavam lá para vivenciar algumas das novas maravilhas ambientais que surgiram e para aprender mais sobre o desastre ambiental.

“Eu não fazia ideia de que essa era a situação aqui”, disse Ohad Wagner, que participava do passeio com cinco amigos como parte de uma excursão de aniversário para sua namorada, Sarai Marom, ao The Jerusalem Report .

“É aniversário dela e ela queria fazer algo especial. Era o sonho dela fazer esse passeio”, disse ele, descrevendo como o casal e seus amigos se hospedaram em um acampamento de luxo próximo e transformaram a experiência em uma viagem de dois dias.

Um casal e seu cachorro aproveitam as piscinas naturais que se formaram dentro de dolinas ao lado do Mar Morto.
Um casal e seu cachorro aproveitam as piscinas naturais que se formaram dentro de dolinas ao lado do Mar Morto. (crédito: Menachem Kahana)

Marom, que disse estar prestes a completar 38 anos, declarou ao jornal : “Eu queria fazer algo especial e tirar todo mundo da bolha de Tel Aviv, levando-os para a natureza.”

Apesar de alguns desafios na caminhada de quatro quilômetros, ela disse que achava que seus amigos estavam gostando.

atração selvagem

“Todos têm a mesma reação quando vêm para esta excursão”, disse Andreyev, admitindo: “Você pode ver as mesmas coisas na área do hotel, mas lá as pessoas não estão prestando atenção porque estão ocupadas com as férias”.

Ele se referia a Ein Bokek , um local de férias a poucos quilômetros ao sul de Ein Gedi, onde vários grandes hotéis ficam à beira de uma experiência mais “higienizada” do Mar Morto, onde a água do mar foi purificada e areia fina foi colocada ao redor da orla.

Em contraste, a paisagem aqui é toda natural, até mesmo selvagem e um tanto surreal.

De fato, ao longo de toda a Estrada 90, que corre paralela à costa do Mar Morto, carros estavam estacionados aleatoriamente em acostamentos improvisados. Esses locais indicam o início de trilhas rústicas que levam a uádis escondidos, onde a água doce desce das montanhas para dolinas, criando piscinas naturais de água quente.

Desafiando os avisos, caminhantes curiosos em busca de uma aventura relaxante percorreram o terreno rochoso – rezando para que a terra não se abrisse sob seus pés – e tentaram alcançar alguns dos novos fenômenos naturais que cercam este lago singular.

Ao norte de Ein Gedi, famílias e grupos de amigos se divertiam nas piscinas termais, aproveitando a água oleosa e o sol de inverno antes de retornarem à montanha para seus carros. Mesmo com o Mar Morto de águas turquesa ao alcance, as pessoas estavam claramente ali pelas piscinas de água doce.

Cristais e tesouros

Ao guiar seu grupo da Wild Adventures para longe da praia abandonada de Ein Gedi, Andreyev também compartilhou conosco algumas das novas maravilhas da região.

Na primeira praia, ele recolheu grânulos de sal perfeitamente arredondados que pareciam minúsculos cristais. Na segunda, separou grandes aglomerados da famosa lama rica em minerais do Mar Morto, revelando quadrados de sal brilhantes como diamantes.

Entre uma coisa e outra, ele apontou várias dolinas, algumas cheias de água doce convidativamente tranquila, e contou ao grupo sobre o surgimento da primeira dolina – ou pelo menos a primeira a ser notada pelos humanos – em 1987. Ele também falou sobre como as pessoas agora vêm nadar nessas novas poças de água em vez de no mar.

“Comecei a ver todas essas fotos incríveis do Mar Morto no meu feed do Facebook – ilhas de sal, cogumelos gigantes de sal – e simplesmente me apaixonei pela ideia de visitar o local”, disse Liat Milrod, que se juntou à viagem com o marido, que também estava comemorando aniversário.

“Eu amo a natureza e nunca viria a esses lugares sozinha, então decidi me inscrever nesta viagem”, explicou Milrod, que mora na cidade de Be’er Ya’acov, na região central do país. “É tão bonito aqui, e fica a apenas uma hora e meia da minha casa; é muito perto.”

Formações de sal em formato de diamante são deixadas pelo recuo do Mar Morto.
Formações de sal em formato de diamante são deixadas pelo recuo do Mar Morto. (crédito: Menachem Kahana)

Lizi Tadela, amiga de Marom, concordou que a paisagem era linda e o passeio foi “interessante”.

“Havia tanta coisa que eu não sabia sobre essa região”, disse ela, acrescentando que agora estava “muito curiosa para aprender mais”, especialmente sobre o desastre ambiental que está acontecendo lá e o que poderia ser feito para melhorar a situação.

Para finalizar a visita, Andreyev ofereceu algumas palavras de conforto àqueles que haviam expressado alarme com a possibilidade de o Mar Morto acabar desaparecendo completamente.

Ele destacou as medidas tomadas nos últimos anos pelas autoridades israelenses para restaurar parte do fluxo do Rio Jordão, a principal fonte natural de água do Mar Morto. Em 2022, o governo aprovou um plano de recuperação para o Baixo Rio Jordão que inclui o aumento da liberação de água doce do Lago Kinneret, ao sul de Tiberíades, em dezenas de milhões de metros cúbicos anualmente, juntamente com esforços para reduzir a poluição e a salinidade.

Embora a água adicional ainda não tenha chegado ao Mar Morto, especialistas ambientais esperam que a medida marque uma mudança significativa após décadas em que o rio foi amplamente esvaziado por desvios e projetos de infraestrutura.

Andreyev também citou um estudo do Instituto Weizmann que determinou que é improvável que o Mar Morto desapareça completamente, porque, em algum momento, a natureza prevalecerá novamente e “um novo equilíbrio provavelmente será alcançado em cerca de 400 anos, após uma diminuição do nível da água de 100 a 150 metros”.

“Enquanto nada mudar drasticamente por aqui, o mar não desaparecerá completamente”, assegurou Andreyev ao grupo, enquanto nos guiava de volta pela encosta da montanha para encerrar o passeio.