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As Religiões Unidas para uma Nova Ordem Global

Autor: Carl Teichrib

Forcing Change, Volume 8, Edição 10.

“A vindoura civilização mundial terá uma única e totalmente abrangente religião, da mesma forma como necessitará de um governo mundial federal e de uma economia mundial integrada.” — W. Warren Wagar, The City of Man. [1].

Há muito tempo que a ideia de colocar juntas as religiões do mundo na causa da paz mundial é um sonho dos visionários globais. Meses atrás, o sonho avançou em diversas frentes, incluindo um gigantesco evento interfé realizado na Coreia do Sul, que apresentou um Acordo de Unidade de Religião: “Todas as religiões precisarão se unir, como uma só, sob Deus”. Parece que estamos testemunhando aquilo que o pensador católico Hans Kung certa vez descreveu como “a terceira dimensão ecumênica”.

Há muito tempo que as visões de unidade religiosa global passam pela cabeça dos pensadores, junto com a crença que a cooperação interfé fará nascer uma nova ordem de unidade e paz, o “Céu na Terra”. Considere algumas citações do Primeiro Parlamento das Religiões do Mundo, que se reuniu em Chicago, em 1893 (fotografia abaixo):

“Neste dia, o sol de uma nova era de paz e progresso religioso nasce sobre o mundo, dissipando as nuvens escuras da luta sectária.”

“Neste dia, uma nova flor floresce nos jardins do pensamento religioso…”

“Neste dia, uma nova fraternidade nasce no mundo do progresso humano, para ajudar na construção do reino de Deus no coração dos homens.”

“A nova era, a flor e a fraternidade trazem um nome. É um nome que alegrará os corações daqueles que adoram a Deus e que amam o homem, independente de sua origem. Aqueles que ouvirem esta música alegremente a ecooarão de volta para o sol e para a flor.”

ESTA É A IRMANDADE DAS RELIGIÕES.” [2; maiúsculas no original].

“A religião do futuro será universal em todos os sentidos. Ela incorporará todos os pensamentos, aspirações, virtudes e emoções de toda a humanidade; ela unirá todas as terras, povos, tribos e línguas em uma irmandade universal de amor e serviço; ela estabelecerá uma ordem celestial na Terra.” [3].

“… a religião universal até aqui ainda não evoluiu na emanação dos sóis. Ela é uma bênção ainda por vir.” [4].

“Caráter e conduta, não um credo, serão os pontos-chaves do Evangelho na Igreja da Humanidade Universal.”

“Mas, e o pecado? O pecado, como uma imputação teológica, possivelmente, desaparecerá do vocabulário desta grande comunhão dos justos… O alvo que está diante de nós é o Paraíso. O Éden aparecerá.” [5].

Ideais elevados e apelos para a unidade — uma nova religião — dominaram o evento em Chicago. Na verdade, um conferencista descreveu a “nova religião” em formação como Idealismo: “Os confessores dela são chamados de idealistas… O objetivo principal é o idealismo… a perfeição em tudo para o ideal da humanidade…” [6]. E um tipo de idealismo religioso universal entrou no quadro, pois esse evento é considerado o ponto de partida para o moderno movimento interfé.

Mas, o Parlamento de 1893 não foi o único fator histórico na busca pelo idealismo interfé. Lojas maçônicas e sociedades esotéricas já tinham iniciado o universalismo religioso dentro do ambiente cultural daquele tempo. A Maçonaria, com suas lojas em praticamente todas as grandes e pequenas cidades, tinha incorporado as ideias de universalismo dentro da consciência de seus membros. Considere duas citações pré-1893:

“A Maçonaria requer somente uma crença no Grande Arquiteto do Universo… o cristão, o judeu, o muçulmano e o hindu, poderão se unir em torno do nosso altar comum, e a Maçonaria se torna, na prática e na teoria, universal. A verdade é que a Maçonaria indubitavelmente é uma instituição religiosa — sendo sua religião a do tipo universal na qual todos os homens concordam…” — Albert Mackey. [7].

“A Maçonaria, em torno de cujos altares o cristão, o hebreu, o muçulmano, o hindu, os seguidores de Confúcio e de Zoroastro podem se reunir como irmãos e se unirem em oração ao Deus que está acima de todos os Baalins…” — Albert Pike. [8].

A Teosofia, um sistema ocultista / esotérico de filosofia e religião que deu origem a outras sociedades e subgrupos, promovia sem acanhamentos o universalismo. Embora seja verdade que o indivíduo mediano na rua nunca teve contato com os teosofistas, é também verdade que o movimento atraiu homens e mulheres de considerável influência social e conquistou o interesse de muitos intelectuais. Na verdade, durante o Parlamento das Religiões do Mundo, de 1893, a Sociedade Teosófica recebeu espaço para realizar um Congresso dentro das atividades maiores do Parlamento. O primeiro Congresso Teosófico foi realizado em uma sala com capacidade para 250 pessoas sentadas, que rapidamente ficou lotada. Em seguida, eles receberam um espaço para 1.000 pessoas, mas que também se mostrou inadequado. Os organizadores do Parlamente então alocaram um salão muito maior, que ficou apertado com 3.000 participantes e interessados.

O propósito da Teosofia foi explicado em 1889 como a reconciliação de todas as religiões, seitas e nações, “sob um sistema comum de ética, baseado em valores eternos”. [9]. Como tal, a Teosofia tem, ao longo das décadas, desde o Parlamento das Religiões, em Chicago, de 1893, feito muito para avançar os ideais da unidade religiosa global. Alice Bailey (fotografia à direita), uma renomada pensadora da Sociedade Teosófica, expressou isto como a evolução para uma “nova religião mundial que enfatizará a unidade, mas sem cobrar a uniformidade.” [10].

Testemunhando a Unidade para a Ordem Mundial

Ao longo dos anos, tive a oportunidade de compararecer como observador a alguns eventos interfé pequenos, porém significativos, e também a alguns grandes. Um dos menores e mais íntimos eventos em que estive presente ocorreu em 13 de novembro de 1999, na Igreja Metodista Unida Foundry, em Washington DC. O programa do dia tinha como título “A Busca da Paz e Justiça Mundiais: O Que as Religiões do Mundo Podem Fazer?”

A resposta à pergunta foi dada no próprio evento: Entrar em parceria com a Associação Federalista Mundial (WFA), o maior grupo de lóbi pró-governo mundial nos EUA e com a recém-formada Iniciativa das Religiões Unidas — uma organização que tenta criar um organismo inter-religioso permanente e global conhecido como Religiões Unidas. Portanto, naquele dia, um pequeno grupo de representantes religiosos, oficiais da Associação Federalista Mundial, e o vice-presidente da Iniciativa das Religiões Unidas enfatizaram a necessidade de governança global, o desejo por um organismo espiritual no estilo das Nações Unidas e a necessidade de harmonia religiosa para garantir a ordem política mundial. O rascunho de uma declaração, distribuído para os participantes dizia o seguinte:

“Nós, participantes na conferência de hoje, afirmamos as iniciativas nos terrenos político e religioso… Propomos um círculo mais amplo de diálogo e de esforços, envolvendo as religiões mundiais que trabalham juntas construtivamente com ideais e tendências pró-governança mundial, para que a unidade da humanidade possa ser trazida a um novo nível de realidade mundial no milênio por vir.”

Cerca de seis meses depois, em 25-30 de junho de 2000, o Encontro de Cúpula Global Iniciativa das Religiões Unidas ocorreu em Pittsburgh, na Pensilvânia. Ao contrário da conferência de um dia da Associação dos Federalistas Mundiais / Iniciativa das Religiões Unidas, em Washington DC, a Cimeira Global foi um evento robusto, com aproximadamente 300 representantes de 39 religiões e tradições espirituais, federalistas mundiais e muitos ativistas globais participantes. Foi um evento suntuoso no campus da Universidade Carnegie-Mellon, completo com apresentações culturais e rituais, uma elegante recepção na Catedral do Aprendizado e uma ricamente adornada celebração da Carta de Constituição da Iniciativa das Religiões Unidas, na Sala de Música Carnegie. A mídia local esteve presente, o suporte de muitas organizações foi apresentado e uma ligação telefônica pública com felicitações foi transmitida a partir das Nações Unidas.

Entretanto, o planejado organismo global das “Religiões Unidas” não se materializou. Em vez disso, a Iniciativa das Religiões Unidas mudou para se transformar em um movimento de raiz popular e um grupo interfé de defesa de direitos. Dez anos mais tarde, em 2010, recebi a credencial de observador para a Cimeira das Religiões Mundiais do G8/G20. Ao contrário da experiência da Iniciativa das Religiões Unidas, esse encontro não teve o objetivo de formular uma nova instituição espiritual no estilo da ONU. Em vez disso, ele exemplificou uma abordagem dirigida pelo consenso para pressionar os governos nacionais a adotarem a governança global. Cada organismo religioso representado permaneceu autônomo, porém cada um se comprometeu a promover e cobrar os objetivos e métodos combinados como um coletivo espiritual. De uma forma nâo incidental, os membros de liderança do Movimento Federalista Mundial eram os atores-chaves na organização e promoção deste evento (leia o artigo “Definindo a Agenda Internacional — Compreendendo o Quadro Grande: O Movimento Federalista Mundial”.

As três conferências acima fornecem um instantâneo, uma rápida visão geral do aspecto do “suporte interfé” para a ordem global.

Interfé 2014

A razão para o histórico acima, incluindo minha interação pessoal com o movimento interfé, é simplesmente a seguinte: Tanto a história documentada e minhas observações pessoais demonstram que o movimento interfé — com sua esperança pela ordem mundial — está firmado na sociedade ocidental. A pressão dele tem sido sentida, em diferentes disfarces e por meio de vários métodos, há muitas décadas.

Entretanto, algo mais precisa ser lembrado. Nem sempre os eventos com objetivos espetaculares, grandes audiências, grandes orçamentos e cobertura da mídia produzem o fruto originalmente esperado. A experiência da Iniciativa das Religiões Unidas é um exemplo, como também o Parlamento das Religiões, de 1893, com seus ideais da “Paternidade de Deus e Irmandade dos Homens”.

Apesar disso, a pressão se acumulou e continua a crescer à medida que os visionários internacionais procuram modelar o “Céu na Terra”. Além disso, frequentemente esse ideal pega carona nas grandemente divulgadas instabilidades e agitações sociais, “crises globais”, ameaça de destruição do planeta e conflitos regionais.

Com isto em mente, é digno de nota que acontecimentos e eventos inter-religiosos ocorreram no terceiro trimestre deste ano. Aqui estão alguns exemplos, pequenos e grandes, que ocorreram nos últimos meses:

Encontro de Cúpula de Paz da Aliança Mundial das Religiões (WARP Summit).
Onde: Seul, Coreia do Sul.
Quando: 17-19 de setembro.

Patrocinado pela Cultura Celestial, Paz Mundial, Restauração da Luz — um controverso movimento religioso de origem coreana fundado por Lee Man-hee — o Encontro de Cúpula da Paz da Aliança Mundial das Religiões foi um evento impressionante. A colorida e complexa cerimônia de abertura teve lugar no estádio Olímpico de Seul e, segundo noticiado na imprensa, mais de 200.000 pessoas participaram. Todos contados, mais de 700 líderes religiosos e mais de 50 chefes de Estado atuais e passados, além de altas autoridades governamentais participaram da cimeira. O resultado: uma declaração formal que reconhece a unidade de Deus, o estabelecimento da “unidade da religião” e um chamado para a “lei internacional” unir a humanidade.

Encontro de Cúpula Interfé Sobre Mudança Climática (ISCC).
Onde: Nova York, NY.
Quando: 21-22 de setembro.

Em setembro passado, a cidade de Nova York foi o epicento da política climática global. Encontros de alto nível ocorreram dentro e em torno do Encontro de Cúpula do Clima da ONU, concentrações e marchas ocorreram nas ruas e grupos de interesse especiais exigiram “justiça social”, “ecojustiça” e governança global. As religiões também estiveram envolvidas. O Encontro de Cúpula Sobre a Mudança Climática foi organizado pelo Conselho Mundial de Igejas e pela Religiões pela Paz, uma organização multifé que coordena a ação global para a paz mundial. O ponto do Encontro de Cúpula Interfé foi declarado na página da Cúpula na Internet: “Todos os participantes serão solicitados a se comprometerem em serem defensores da justiça climática e da proteção da Terra, tanto no nível global quanto no nacional.” Em outras palavras, as religiões mundiais se comprometem a atuar como ativistas políticos.

Conferência Fé e Ecologia.
Onde: Jerusalém, Israel.
Quando: 22 de outubro.

Este evento foi patrocinado pela Iniciativa Fé & Ciência do Planeta Unido, um projeto cujos 12 “líderes fundadores” incluem Desmond Tutu e o Dr. Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental Sobre Mudança Climática, da ONU. Por um dia, cerca de cem pessoas — líderes religiosos representando o Cristianismo, Judaísmo e o Islão, junto com cientistas e estudantes — se reuniram para apoiarem uns aos outros e se unirem “em torno de uma visão compartilhada da sustentabilidade ecológica”.

Outros acontecimentos interfé recentes incluem três anúncios significativos:

Primeiro: Em 9 de setembro, foi anunciado que o próximo encontro do Parlamento das Religiões do Mundo ocorrerá em Salt Lake City, Utah, EUA, em 15-19 de outuburo de 2015. Como explicado pelo presidente do Parlamento, o imã Abdul Malik Mujahid, “os EUA foram o lar de origem do movimento interfé e chegou a hora de o Parlamento retornar para casa.”

Segundo: Em 23 de outubro, Jerry White, um assessor e suplente do Secretário de Estado junto ao Gabinete de Conflitos e Operações de Estabilização, um setor do Departamento de Estado dos EUA, foi à Rádio Vaticano e propôs um Convênio Global das Religiões Mundiais.

Terceiro: Em fim de outubro, foi anunciado que Astana, no Casaquistão, sediará o Quinto Congresso de Líderes do Mundo e Religiões Tradicionais, em junho de 2015. Este evento será a continuação do Congresso de Líderes iniciado pelo presidente do Casaquistão, Nursultan Nazarbayev, em 2003. Como um reforço para o Congresso, a UNESCO proclamou o período de tempo entre 2013 e 2022 como a Década Internacional para a Reaproximação das Culturas, uma iniciativa promovida pelo governo do Casaquistão.

Desde os sonhos do “Céu na Terra”, de 1893, até a política interfé atual para a ordem global, a visão das “religiões em acordo para uma meta comum” tem sido implementada de forma lenta, porém segura. E essa visão ainda está em desenvolvimento.

Em 1982, Hans Kung, o famoso padre católico e acadêmico, que mais tarde rascunhou o documento interfé intitulado Towards a Global Ethic (A Busca por uma Ética Global), escreveu as seguintes palavras reveladoras: “Após o ecumenismo intraprotestante e intracristão, chegamos agora irrevogavelmente à terceira dimensão ecumênica, o ecumenismo das religiões do mundo! [11].

Notas Finais

1. W. Waren Wagar, The City of Man (Houghton Mifflin Company, 1963), pág. 167.

2. Discurso de Charles Carroll Bonney, “Words of Welcome”, The Dawn of Religious Pluralism: Voices from the World’s Parliament of Religions, 1893 (“Palavras de Boas-Vindas: A Aurora do Pluralismo Religioso: Vozes do Parlamento das Religiões do Mundo”) (Open Court, 1993), págs. 21-22.

3. Discurso de Merwin-Marie Snell, “Future of Religion”, The Dawn of Religious Pluralism: Voices from the World’s Parliament of Religions (“O Futuro da Religião: A Aurora do Pluralismo Religioso: Vozes do Parlamento das Religiões do Mundo”), 1893 (Open Court, 1993), pág. 174.

4. Emil Gustav Hirsch, “Elements of Universal Religion”, The Dawn of Religious Pluralism: Voices from the World’s Parliament of Religions, 1893 (Elementos da Religião Universal: A Aurora do Pluralismo Religioso: Vozes do Parlamento das Religiões do Mundo, 1893), (Open Court, 1993), pág. 221.

5. Idem, pág. 224.

6. Adolph Brodbeck, “Idealism the New Religion”, The Dawn of Religious Pluralism: Voices from the World’s Parliament of Religions, 1893 (“Idealismo, a Nova Religião”, A Aurora do Pluralismo Religioso: Vozes do Parlamento das Religiões do Mundo, 1893 (Open Court, 1993), pág. 348.

7. Albert Mackey, A Text Book of Masonic Jurisprudence (Redding & Company, 1859), pág. 95.

8. Albert Pike, Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry (Conselho Supremo da Jurisdição Sulista, Rito Escocês Antigo e Aceito, EUA, 1871 — reimpresso em 1944), pág. 226.

9. H. P. Blavatsky, The Key to Theosophy (Theosophical University Press, 1889 — reimpresso em 1995), pág. 2.

10. Alice A. Bailey, Esoteric Psychology, Volume 1 (Lucis Publishing Company, 1936 — reimpresso em 1979), pág. 362.

11. Hans Kung, Prefácio do livro, The Meaning of Other Faiths, de Willard G. Oxtoby (The Westminster Press, 1983), pág. 10. O prefácio foi originalmente escrito em outubro de 1982.


Clima, Fé e Esperança

As Tradições de Fé Juntas para um Futuro Comum

Nota: Esta é a Declaração do Encontro de Cúpula Interfé Sobre Mudança Climática de 2014.

Como representantes de diferentes fés e tradições religiosas, expressamos conjuntamente uma profunda preocupação pelas consequências da mudança climática sobre a Terra e sobre seus habitantes, que, como nossas fés revelam, foram colocados sob nosso cuidado. A mudança climática é de fato uma ameaça à vida, um dom precioso que recebemos e do qual precisamos cuidar.

Reconhecemos as enormes evidências científicas que a mudança climática é induzida pelo próprio homem e que, sem ações globais e inclusivas para a redução e sem tratar plenamente as causas fundamentais, os impactos continuarão a crescer em intensidade e frequência. Ao mesmo tempo, estamos prontos para dialogar com aqueles que permanecem céticos.

Em nossas comunidades e graças à mídia, vemos as manifestações da mudança climática por toda a parte. Nossos irmãos e irmãs em todo o mundo nos contam a respeito dos efeitos sobre as pessoas e a natureza. Reconhecemos que esses efeitos atingem de forma desproporcional as vidas, os meios de subsistência e os direitos das populações mais pobres e marginalizadas, que são as mais vulneráveis, incluindo os povos indígenas. Quando aqueles que menos fizeram para provocar a mudança climática são os mais afetados por ela, isto se torna uma questão de injustiça. Soluções equitativas são urgentemente necessárias.

Reconhecemos que a mudança climática é hoje um grande obstáculo para a erradicação da pobreza. Os eventos climáticos severos agravam o problema da fome, causam insegurança econômica, forçam as migrações populacionais e impedem o desenvolvimento sustentável. A crise climática é uma questão de sobrevivência da humanidade no planeta Terra e as ações a serem tomadas precisam refletir esses fatos com urgência.

Portanto, como líderes religiosos, nós nos comprometemos com a promoção da redução aos riscos de desastres, adaptação, desenvolvimento com baixo carbono, educação sobre mudança climática, limitação dos nossos próprios padrões de consumo e redução no uso que fazemos dos combustíveis fósseis. Com base nas crenças espirituais e em nossa esperança para o futuro, nós nos comprometemos a estimular as consciências e incentivar nossos pares e comunidades a considerarem essas medidas com urgência.

Compartilhamos a convicção que as ameaças da mudança climática não podem ser limitadas de forma eficaz por um único país, mas somente pela cooperação da comunidade de nações, com base nos princípios da confiança mútua, da justiça e equidade, precaução, justiça com as próximas gerações, responsabilidades e capacidades comuns, porém diferenciadas. Exortamos os ricos a apoiarem os pobres e os vulneráveis de forma significativa, especialmente nos países menos desenvolvidos, nas nações em ilhas pequenas e no Sub-Saara Africano. O suporte significativo inclui recursos financeiros generosos, formação e capacitação, transferência de tecnologia e outras formas de cooperação.

Incentivamos os chefes e ministros de Estado que estão participando do Encontro de Cúpula do Clima a anunciarem a adesão ao Fundo Climático Verde, incluindo compromissos em aumentá-lo daqui para frente, estabelecerem novas parcerias para a resiliência climática e o desenvolvimento de baixo carbono e assegurarem o acesso às energias renováveis para todos os povos.

Como pessoas de fé, pedimos que todos os governos expressem seu compromisso em limitar o aquecimento global bem abaixo de 2 graus Celsius. Enfatizamos que todos os países compartilham a responsabilidade de formular e implementar as Estratégias de Desenvolvimento de Baixo Carbono, que levarão às descarbonização e ao fim do uso de combustíveis fósseis por volta de meados deste século.

Consequentemente, encorajamos os líderes políticos e econômicos mundiais a exercerem sua liderança durante o Encontro de Cúpula do Clima, anunciando ações conjuntas, como cortes importantes na emissão de curto prazo, o fim das políticas de subsídios aos combustíveis fósseis, tetos para o consumo de carvão, fim do investimento em carvão, proteção às florestas, maior eficiência de energia na construção e transporte e outras etapas concretas. Propomos também que todos os governos identifiquem as necessidades de adaptação de médio e longo prazo e desenvolvam estratégias para tratá-las com base em abordagens participativas orientadas para cada país e sensíveis às questões de gênero, para melhor gerenciar as perdas residuais e os danos causados pelos impactos climáticos adversos.

Finalmente, pedimos que todos os Estados trabalhem construtivamente para um acordo climático global de longo alcance, a ser assinado em Paris, em 2015, trabalhando com transparência, adequação e com prestação de contas. O novo acordo precisará ser:

  • Ambicioso o suficiente para evitar que a temperatura suba bem abaixo de 2 graus Celsius.

  • Justo o suficiente para distribuir a carga de forma equitativa.

  • Juridicamente vinculante o suficiente para garantir que as políticas climáticas nacionais eficazes, para limitar as emissões, sejam bem financiadas e plenamente implementadas.

Como representantes religiosos e cidadãos em nossos países, nós aqui nos comprometemos a tratar a ameaça da mudança climática. Continuaremos a contar com a sua liderança e encorajamos e esperamos que os senhores tomem as decisões corretas. Quando decisões difíceis precisam ser tomadas para a sustentabilidade do planeta Terra e de seus habitantes, estamos prontos para ficar ao seu lado. Oramos por vocês e por toda a humanidade ao cuidarem do planeta Terra.

   Nova York, 21 de setembro de 2014.

Fonte: Forcing Change, Volume 8, Edição 10.
   A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/fc-10-2014.asp
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Saiba como são as iniciações religiosas

Nosso país é majoritariamente cristão: os dados mais recentes do IBGE sobre declaração espontânea de confissão religiosa mostram que 64,6% dos brasileiros são católicos e 22,2% são protestantes. Ou seja, 86,8% das pessoas passam, em algum momento, pelo batizado (embora haja bastante diferença entre os ritos católicos e protestantes).
Mas há uma parcela que segue outras religiões ou doutrinas – 5,2% da população, já que 8% declararam não ter religião –, e para essas famílias a iniciação religiosa é completamente diferente.
Saiba, a seguir, como são as tradições (ou a ausência delas) nas religiões ou doutrinas mais significativas do Brasil.
Budismo
De modo geral, é na fase adulta que os budistas passam pela iniciação formal, chamada de “ordenação leiga”. É preciso cerca de um ano de preparação até a cerimônia, em que um mestre ou superior de templo dá à pessoa, que se veste de preto, um novo nome e sua ordem na linhagem de Buda. Amigos e familiares podem acompanhar o ritual.
Candomblé
Os membros do candomblé devem louvar seu orixá e isso só é possível depois da iniciação. No sétimo dia de vida para meninas, oitavo dia de vida para gêmeos ou nono dia de vida para meninos, é realizada a Ikomojádê, cerimônia em que o bebê recebe um nome religioso africano e em que o pai-de-santo é consultado para indicar qual é o orixá dessa criança. Uma mulher joga água por todos os lados enquanto reza em voz alta e é escolhido um casal de padrinhos para o bebê.
Catolicismo
A iniciação religiosa católica é o batismo, realizado no primeiro ano de vida do bebê. Nele, um padre unge o peito do bebê com óleo, faz o sinal da cruz sobre ele e, por fim, derrama água benta em sua cabeça. Há igrejas em que é feito o mergulho do bebê na pia batismal. O batismo é confirmado na primeira comunhão (por volta dos nove anos de idade) e na crisma (a partir dos 14 anos).
Espiritismo
A doutrina espírita não segue rituais e não adota o batismo. Segundo o Instituto Chico Xavier, a justiça divina para aqueles que foram caridosos e seguiram a vontade de Deus não está condicionada ao fato de eles terem sido ou não batizados.
Islamismo
A primeira coisa que um bebê muçulmano deve ouvir é a palavra de Deus. Por isso, logo após o nascimento, o pai fala ao ouvido do pequeno o azan – o pronunciamento dos fundamentos da religião. Quando o bebê completa uma semana de vida, seus cabelos são raspados e seu peso em prata é doado pelos pais a uma família menos favorecida. Nesta cerimônia é escolhido ou revelado o nome da criança. Logo depois é feito o akika, um banquete com carne de carneiro como prato principal.
Judaísmo
A menina judia recém-nascida recebe seu nome na sinagoga, perante a Torá (cinco livros que contêm o texto central do judaísmo); já o menino recebe seu nome durante a circuncisão, realizada na presença de dez homens. A iniciação religiosa, porém, vem só na adolescência, aos 12 anos para as meninas (no bat-mitzvá) e aos 13 anos para os meninos (no bar-mitzvá). Eles leem trechos da Torá e recitam orações em hebraico. Depois, é comum haver uma grande festa para familiares e amigos.
Protestantismo
A maior parte das igrejas evangélicas – batistas, adventistas, pentecostais, neopentecostais, etc. – seguem a mesma linha de iniciação religiosa: o batismo, realizado por volta dos 10 anos de idade ou já na vida adulta. O ideal é que cada um passe pelo ritual apenas quando manifestar vontade de fazê-lo, sem ser forçado. Na cerimônia, a pessoa é totalmente imersa na água, assim como Jesus Cristo foi batizado por João Batista no rio Jordão. O pastor faz algumas perguntas, que são respondidas pelo fiel, e orações são feitas pelos familiares e amigos presentes para abençoar o momento. Os protestantes históricos, presbiterianos, luteranos, anglicanos, tal como os católicos, batizam os bebês.
Testemunha de Jeová
Os testemunhas de Jeová estudam por bastante tempo até poderem ser batizados, normalmente já adolescentes ou adultos. Passa-se por um período de troca de conhecimentos, disseminação da palavra da religião e orientação até poder falar com o coordenador do corpo de anciãos da congregação sobre o desejo de ser batizado. Outros anciãos farão perguntas sobre os ensinos bíblicos e, se concordarem que a pessoa está habilitada, permitirão o batismo. Na cerimônia, a pessoa é totalmente mergulhada na água.
Umbanda
O pai-de-santo ou a mãe-de-santo do terreiro frequentado pela família celebra o batizado. Na cerimônia, o bebê recebe seu nome e é abençoado com óleo, sal e água corrente (de fonte ou de cachoeira). Todos devem se vestir de branco e o clima é de seriedade e respeito aos Babalorixás e Ialorixás.
Mórmons
Os mórmons batizam suas crianças a partir dos oito anos de idade. Uma de suas doutrinas ensina: “E seus filhos serão batizados para a remissão de seus pecados quando tiverem oito anos de idade.” Deste modo, eles argumentam que as crianças pequenas não são batizadas antes dessa idade porque não são capazes de pecar.
CONIC com informações de Bebe.com.br
Imagem: Reprodução
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Quais são os pecados contra o Espírito Santo?

“Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção. Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade.” (Ef 4:30,31)

          Quais são os pecados contra o Espírito Santo?

Este é um tema muito debatido em círculos cristãos, e aqui apresento uma visão panorâmica à luz da Bíblia do que são os pecados contra o Espírito Santo.

Resistência ao Espírito Santo

Este pecado contra o Espírito Santo pode ser compreendido pelo modo como Estevão terminou o seu sermão: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo” (At 7:51). Resistir ao Espírito Santo é recusar, de forma consciente, a sua vontade divina transmitida por Ele.

Entristecer ao Espírito Santo

Na epístola aos efésios está escrito: “Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção. Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade.” (Ef 4:30,31)

Como podemos entristecer o Espírito Santo?

Entristecemos o Espírito Santo quando estimulamos as obras da carne por meio da conversação maligna e corrupta, da linguagem impura e pecaminosa. Ademais, muitos entristecem o Espírito Santo quando se esquecem que Ele nos convence do pecado, levando-nos próximos à justiça e ao juízo, e assim, quando não aceitamos a correção do Espírito e insistimos em praticar coisas que entristecem o Espírito de Deus, Ele se entristece, afinal, Ele é uma Pessoa.

Mentir ao Espírito Santo

A mentira ao Espírito Santo está categoricamente exemplificada na passagem em que Pedro, pelo Espírito, denuncia a mentira de Ananias e Safira:

“Disse, então, Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade?” (At 5:3)

O sentido da palavra “mentira” em Atos 5:3 corresponde a “contar uma falsidade como se fosse verdade”. Quem mente ao Espírito Santo menospreza a sua deidade. Ele é Deus!

Extinguir o Espírito

O apóstolo Paulo, escrevendo aos tessalonicenses, exortou-os: “Não extingais o Espírito” (I Ts 5:19). Assim acerta o pastor e escritor Hernandes Dias Lopes, quando em seus livros e palestras afirma que deve haver um equilíbrio entre fervor espiritual e conhecimento teológico, pois quando temos conhecimento sem fervor, pode-se gerar em nós certo formalismo. Já fervor sem conhecimento pode gerar fanatismo. Desta feita, muitos nos últimos anos têm escrito acerca deste equilíbrio que deve haver na Igreja, entre a exposição da Palavra e a ação do Espírito Santo. Se por um lado não podemos concordar com as meninices e com o fanatismo, por outro não haveremos de nos conformar com um cristianismo ritualista e árido, que anule a ação do Espírito.

Como crentes fundamentados na Palavra e no equilíbrio, devemos buscar a ação do Espírito, baseado na Palavra, pois ela é a voz do próprio Espírito. Em suma, quando se perde a essência do cristianismo, apaga-se o amor, o que, por conseguinte, gera uma vida cristã apática, sem vida no Espírito. Para que não venhamos a extinguir a ação do Espírito, devemos sempre permanecer como os apóstolos: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2:42).

Blasfêmia contra o Espírito Santo

 “Portanto, eu vos digo: toda forma de pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro.” (Mateus 12.31-32)

A orientação apresentada por Jesus neste relato difere a blasfêmia contra o Espírito Santo de todos os outros tipos de pecado dentro da narrativa bíblica. Desta feita, é preciso analisar, à luz da exegese do Novo Testamento, a relação das expressões usadas neste período. A tradução da versão inglesa King James traduz a expressão passa hamartia por “toda forma de pecado”.

É evidente, no entanto, que o sentido da expressão é “toda outra espécie de pecado”. Portanto, a blasfêmia contra o Espírito Santo não está inclusa nesta expressão. As traduções de João Ferreira de Almeida, Edição Revista e Atualizada no Brasil (Sociedade Bíblica do Brasil) e Revista e Corrigida, vindo literalmente do grego, trazem-nos que todo pecado, obscurece o sentido mais amplo. Todavia, existem várias possibilidades sobre o que realmente é blasfemar contra o Espírito Santo. Acerca deste tema tão difícil, começam a surgir várias opiniões, como por exemplo, o que ocorre entre alguns dos pentecostais extremados, os quais afirmam que “blasfemar contra o Espírito Santo” é:

1)        Descrer, duvidar de alguém que fala em línguas;
2)        Rir ou escarnecer;
3)        Não crer na ação do Espírito Santo durante o culto;
4)        Duvidar de qualquer coisa que seja sobrenatural.

Por outro lado, os cessacionistas (os que não creem em dons), ou os mais tradicionais, chegam a afirmar que os exageros do movimento pentecostal ou do neopentecostalismo não deixam de ser uma espécie de blasfêmia contra o Espírito Santo. Contudo, tanto os ultrapentecostais como os cessacionistas, ou tradicionais extremados, demonstram muito exagero e até mesmo fanatismo na exposição destas opiniões, ausentes de coerência teológica. Poucos se detêm a examinar o contexto das passagens bíblicas alusivas à blasfêmia contra o Espírito Santo, como acontece na maioria dos casos dos assuntos aparentemente divergentes na Bíblia.

A análise do texto elucida alguns pontos aos quais devemos nos atentar. Os textos relevantes são encontrados nos três primeiros evangelhos, chamados “evangelhos sinóticos” (que devem ser vistos em conjunto). Em Mateus 12, as afirmações de Jesus sobre blasfemar contra o Espírito Santo ditas foram quando Ele curou um homem possesso de demônios cujo domínio o havia feito cego e mudo. Em Marcos 3, a cura não é mencionada; Lucas registra a cura no capítulo 11, e menciona a blasfêmia contra o Espírito Santo em 12:10.

Considerar o mal como bem ou que luz eram trevas, era prática comum entre os fariseus. Esse ato traz em si mesmo um alerta anunciado pelo profeta Isaías (Is 5:20), e agora reinterpretado por Jesus como blasfêmia contra o Espírito Santo.

Ao longo da história, muitos estudiosos emitiram sua opinião sobre este tema. Segundo Irineu, blasfêmia contra o Espírito Santo seria a rejeição do evangelho. Para Atanásio, a negação da divindade de Cristo, a qual teve sua evidência ao homem pela concepção do Espírito Santo. Já para Orígenes, toda a quebra da lei após o batismo. Finalmente, Agostinho acreditava que a blasfêmia contra o Espírito representada era pela dureza do coração humano, rejeitando a obra de Cristo.

Vemos que a acusação feita contra Jesus em Mateus 12:24 (“Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios”) denuncia, erroneamente, que ele não passa de um simples curandeiro, cujos exorcismos são feitos pelo poder do Maligno, acusação que se repete nos evangelhos. Contesta-se, assim, o verdadeiro significado e a semântica do poder e das obras do Messias. Não vemos, no texto, a negação da realidade do milagre, mas a acusação de que o mesmo é diabólico, negando-o como sinal do poder soberano de Deus.

A reação de Jesus acontece por meio de uma série de parábolas rápidas que demonstram ser ilógico pensar que Satanás daria poderes a

Jesus a fim de destruir a si próprio. A última parábola (Mt 12:29), acerca de apoderar-se dos bens do valente, pode ser uma alusão a Isaías 49:24-25, em que Deus descreve a salvação futura com o mesmo tipo de figura de linguagem.

A existência de um pecado imperdoável tem mexido com a mente dos cristãos em todo mundo e em todos os séculos do cristianismo. Podemos observar, no contexto apresentado pelo evangelista, que a advertência de Jesus dirige-se contra os que rejeitam sua mensagem, ao chamá-la de satânica. No entanto, vemos que, se há preocupação pelo fato de que algo possa eliminar o ato do perdão de Cristo, isso é, ironicamente, evidência de que o homem crê em Cristo, e que o mesmo fora enviado por Deus, provando que tal pessoa, Jesus, não cometera o pecado contra o qual o Senhor adverte.

A blasfêmia contra o Espírito Santo é rejeitar a Graça preciosa para a salvação em Jesus Cristo.

Desta forma, podemos concluir que apenas aqueles que se declaram apáticos às boas novas do Cristo poderiam blasfemar contra o Espírito Santo, e não os cristãos, conforme recomendação do apóstolo Paulo em Efésios 4:17-22: “E digo isto, e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam também os outros gentios, na vaidade da sua mente. Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração; os quais, havendo perdido todo o sentimento, se entregaram à dissolução, para com avidez cometerem toda a impureza. Mas vós não aprendestes assim a Cristo, se é que o tendes ouvido, e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus; que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano (…)”.

Acerca desse terrível pecado, o mundialmente pregador Billy Graham declara em seu livro “O Espírito Santo“, nas páginas 134 e 135, o seguinte: “O pior pecado que um ser humano pode cometer contra o Espírito Santo é blasfemar contra Ele. A razão disto é clara: para este pecado não há perdão. Todos os outros pecados contra o Espírito Santo são cometidos por crentes. Podemos nos arrepender deles, receber perdão, e fazer um novo começo. Com a blasfêmia contra o Espírito Santo é diferente. Este pecado, chamado de “o pecado imperdoável”, é cometido por descrentes Os inimigos de Jesus, quando O acusaram de expulsar demônios pelo poder de Satanás apesar de Ele ter dito antes que os expulsava pela poder do ‘Espírito de Deus’, cometeram este pecado. Então Jesus continuou: ‘Por isso vos declaro: Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do homem ser-lhe-á isto perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isto perdoado, nem neste mundo nem no porvir’ (Mt 12:31, 32)”.

Enquanto o Espírito estiver se ocupando de uma pessoa, esta não comete tal pecado imperdoável. Porém, quando alguém tanto se opõe ao Espírito Santo que Este o deixa de lado, então esta pessoa está em perigo. Noutras palavras, o pecado imperdoável implica na rejeição total e irrevogável de Jesus Cristo. Creio que é sobre isso que Estevão estava falando no sermão que pregou pouco antes de ser martirizado: “Homens de dura cerviz [teimosos, BLH]! Vós sempre resistis ao Espírito Santo” (Atos 7:51).

Portanto, acredito que a chave está na afirmação de Billy Graham: “o pecado imperdoável implica na rejeição total e irrevogável de Jesus Cristo (…)”.

Louis Berkhof, em sua “Teologia Sistemática”, página 249, expressa: “Não é tanto um pecado contra a pessoa do Espírito Santo, como contra a Sua obra oficial, que consiste em revelar, tanto objetiva como subjetivamente, a Graça e a Glória de Deus em Cristo. A raiz desse pecado é o consciente e deliberado ódio a Deus e a tudo quanto se reconhece como divino. É imperdoável, não porque a sua culpa transcende os méritos de Cristo, ou porque o pecador esteja fora do alcance do poder renovador do Espírito Santo, mas, sim porque há também no mundo de pecado certas leis e ordenanças estabelecidas por Deus e por Ele mantidas. E, no caso de pecado particular, a lei é que ele exclui toda a possibilidade de arrependimento, cauteriza a consciência, endurece o pecador e, assim, torna imperdoável o pecado. Daí, nos que cometeram esse pecado podemos esperar ver um pronunciado ódio a Deus, uma atitude desafiadora para com Ele e para com tudo quanto é divino, um prazer em ridicularizar e difamar aquilo que é santo, e um desinteresse absoluto quanto ao bem-estar da alma e à vida futura. Em vista do fato de que esse pecado não é seguido pelo arrependimento, podemos estar razoavelmente seguros de que os que receiam havê-lo cometido e se preocupam com isso, e desejam as orações doutras pessoas por eles, não o cometeram.”

Referências
GRAHAM, Billy. O Espírito Santo. Edições Vida Nova, São Paulo.
MARTINS,Orlando. Diaconia Cristã. AD Santos, Curitiba, 2016.
MARTINS, Orlando. Um presente de Deus para você. Editora Candeia. São Paulo, 2014.
NORDSTOKKE, Kjell (Org). A Diaconia em perspectiva bíblica e histórica. Tradução de Werner Fuche. Escola Superior de Teologia/ Ed. Sinodal. São Leopoldo, RS. 1ª Edição, 2003.304 p.
OLIVEIRA, Raimundo. A Doutrina Pentecostal hoje. Edições CPAD. Rio de Janeiro, 1983.
SILVA, José Apolonio. Grandes perguntas pentecostais. Edições CPAD. Rio de Janeiro, 2004.
STOTT, John. Batismo e plenitude do Espírito Santo. Edições Vida Nova. São Paulo.

 

Orlando Martins

Orlando Martins

Vice-presidente da AD Mais de Cristo em Florianópolis, Pastor-Auxiliar, Bacharel em Teologia e Jornalismo. Especialista em Educação, Mestrando em Teologia na EST. Escritor, Diretor da Faculdade Mais de Cristo. Professor universitário e de matérias teológicas em seminários e faculdades no estado de Santa Catarina. Casado com Cleusa de Oliveira Martins. Pai de Larissa Eduarda de Oliveira Martins.