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Dois anos após conseguir o registro da união poliafetiva, trio do Rio ainda enfrenta problemas burocráticos

Leandro, Yasmin e Thais não conseguiram incluir o nome das duas mulheres no plano de saúde do marido. Família achou arbitrária decisão do CNJ que proíbe registro de novas uniões poliafetivas.

Por Matheus Rodrigues, G1 Rio

Primeira família poliafetiva do Rio (Foto: Arquivo Pessoal)Primeira família poliafetiva do Rio (Foto: Arquivo Pessoal)

Primeira família poliafetiva do Rio (Foto: Arquivo Pessoal)

Há mais mais de dois anos, o trio Leandro, Thais e Yasmin conseguiu registrar sua união estável poliafetiva. Em entrevista ao G1, eles contam que ainda encontram dificuldades burocráticas para levar a vida e comentam como viram a recente decisão do Conselho Nacional de Justiça que estabeleceu que cartórios não podem reconhecer novas uniões do tipo.

A família, que ainda conta com duas filhas, disse que não conseguiu, por exemplo, a inclusão das duas mulheres no plano de saúde do marido. Além disso, teve dificuldades para registrar a nova integrante da casa, de 4 meses, com duas mães.

“Em relação a documentação, conseguimos a inclusão da Yasmin no plano de saúde. Mas eu não consegui a inclusão da Thais. Mas nós vamos procurar os meios legais para isso e tentar adicionar ela. Nós fizemos o pedido administrativo para inclusão das duas. Foi negado. Eu pedi a inclusão de uma e o documento foi aceito normalmente. Se o documento foi aceito para uma, por que não para as duas? Não tem coerência”, disse Leandro Jonattan.

Há quatro meses, a caçula da família Isabela nasceu. Quando a família decidiu registrar, não teve a possibilidade de incluir as duas mães. Para evitar a burocracia e conseguir logo a documentação do bebê, a menina foi registrada com a mãe biológica. Mas a família ainda não desistiu de incluir o nome da segunda mãe.

“Como a gente viu que ia ser algo bem burocrático, registramos no nome da mãe biológica que é a Yasmin. Nós pretendemos incluir o nome da Thais. O que a gente mais preza é o amor e sentimento. Então as duas são mães para nós”, disse o pai.

Decisão do Conselho Nacional de Justiça

Perguntado sobre a decisão do CNJ, Leandro disse que espera que ela seja revista para que outras pessoas possam ter o mesmo direito que ele.

“É uma luta. A gente sempre esteve ciente de que nenhum ganho seria fácil. A questão do CNJ é uma nova luta. Eu entrei em contato com alguns órgãos e eles me informaram que vão entrar com o recurso. A gente espera a revisão dessa decisão do CNJ. A nossa união já está feita e temos esse direito adquirido. Mas a gente espera que outras pessoas possam ter esse direito também”, disse.

A decisão do CNJ foi considerada arbitraria por Leandro. Para ele, a sociedade deveria ser ouvida em decisões que influenciam na vida de milhares de pessoas.

“Perante a constituição todos somos iguais. A decisão não está sendo respeitando o princípio de igualdade. Seria importante que as pessoas envolvidas sejam chamadas para serem ouvidas. Não foi o que aconteceu. Alguns ministros decidiram e influenciaram na vida de milhares de pessoas. Essa é uma atitude completamente arbitraria”.

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Paris literalmente nua

Paris literalmente nua

Pessoas participam de visita nudista à exibição no Palais de Tokyo em Paris, na França, em 5 de maio de 2018 – AFP
AFP

Isto é independente

Até então pudica, Paris se abre para o nudismo, cujos praticantes, em seu empenho de derrubar preconceitos, vão conquistando espaços como museu, restaurante e boliche, ainda causando objeções dos mais puristas.

A França é o primeiro destino mundial de nudismo: com 2,6 milhões de praticantes no país, a cifra supera os quatro milhões no verão, segundo dados da Associação de Nudistas de Paris (ANP).

Mas o salto das praias e dos campings para a capital é um fenômeno recente, que coloca Paris no patamar de outras cidades com mais tradição, como Berlim, Munique, Estocolmo e Londres.

“Até agora tendíamos a pensar que era melhor não nos mostrarmos” em Paris, admite à AFP Cédric Amato, vice-presidente da ANP, que calcula em 88.000 os nudistas na região da capital.

Mas vários dados mostram que a cidade, que neste domingo celebrará a primeira Jornada Parisiense de Nudismo, estava preparada para se abrir a esta prática, contando além disso com o apoio-chave da prefeita socialista, Anne Hidalgo, e de seus sócios ambientalistas.

Um restaurante nudista, “O’Naturel”, abriu suas portas no leste da cidade – transformado de forma pontual em pista de dança com DJ – e em alguns meses aconteceram eventos como uma partida de boliche com 140 participantes e um espetáculo de humor.

Mas a iniciativa com mais repercussão foi a visita, no mês passado, ao Palácio de Tóquio, um museu de arte moderna e contemporânea, que recebeu 30.000 solicitações para 161 vagas.

“Respondemos a um interesse de nossos adeptos que querem praticar na cidade, mas estas visitas também fazem com que se fale de nós”, reconhece Amato, cuja associação aspira a outras atividades em museus como o Centro Pompidou e em “monumentos históricos”.

Mas os mais puristas parecem fugir desta prolífica proposta urbana: graças à ANP e ao acordo da prefeitura de Paris, desde o ano passado é possível deitar nu ao ar livre, em um discreto mas amplo espaço situado no Bosque de Vincennes, situado no leste da cidade.

Este lugar rodeado de árvores e arbustos, para “não impor nenhuma visão a ninguém”, segundo Amato, será palco no domingo, durante a Jornada Parisiense, de uma aula de ioga e um piquenique no qual cerca de 3.000 pessoas demonstraram interesse.

Sentado junto a um grupo de amigos que conheceu ali, Johnny, de 70 anos, comemora que este lugar tenha sido “legalizado”. “Nos tira da clandestinidade e permite que se constate que aqui não acontece nada repreensível”.

Para este aposentado, o nudismo facilita os encontros: “As barreiras sociais desaparecem. Ninguém usa um boné Hugo Boss ou, pelo contrário, da Zara”, afirma.

– As mulheres, minoria –

Cerca de 50 pessoas, em sua imensa maioria homens, aproveitam os tímidos raios de sol. Em um dia quente, no entanto, pode haver até 500 pessoas – gente “demais”, segundo Johnny, que privilegia a tranquilidade em relação às atividades maciças.

Junto a ele um homem de meia idade, que se nega a dar seu nome, critica a iniciativa do Palácio de Tóquio: “Não vejo nenhum interesse nisso, tem um lado muito esnobe, tipicamente parisiense”.

Mais afastado, um casal homossexual que tampouco quer se identificar e que trabalha no setor comercial, afirma que não lhes passa pela cabeça comentar no trabalho que frequentam este lugar ou se exibir em um museu. “Eu fiquei sabendo que existia isto porque meus colegas riam disso”, afirma um deles, garantindo que se trata de um espaço muito “gay friendly”.

Nadia Sabah, uma das poucas mulheres presentes, colocou três guarda-chuvas abertos no chão para esconder seu corpo. “Com os homens nudistas não sinto nenhuma agressividade, mas me protejo dos ‘voyeurs’ em volta porque de vez em quando há alguns. Por isso há policiais por aqui”, explica.

As mulheres são minoria na prática nudista da capital, mas segundo Amato o número de adeptas à associação passou nos últimos anos de três a 70, de um total de 417 atualmente.

Sabah, que também não se uniria a umas proposta urbana porque o que a atrai é a natureza, admite que já havia vindo a este bosque anos antes para se despir dissimuladamente, “mas então a polícia me repreendia por exibicionismo”.

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Igreja na Irlanda proíbe filhos adotados por casais gays de serem batizados

Decisão da Igreja Presbiteriana também impede que homossexuais sejam membros

Igreja Presbiteriana na IrlandaIgreja Presbiteriana na Irlanda. (Foto: Divulgação)

A Igreja Presbiteriana na Irlanda adotou diretrizes que impedirão qualquer pessoa que viva em um relacionamento gay torna-se membro. Estabelece ainda que os filhos de casais do mesmo sexo não podem ser batizados.

A Igreja Presbiteriana irlandesa cortou também as relações históricas com a Igreja Presbiteriana da Escócia, a quem era ligada há cerca de 500 anos, devido à postura liberal em relação à sexualidade adotada pelos líderes escoceses.

A decisão foi tomada na última sexta-feira (8), após um amplo debate na Assembleia Geral da Irlanda, com a decisão tomada em Belfast atingindo seus 220 mil membros na Irlanda do Norte e na República da Irlanda (Sul).

A nova diretriz, esmiuçada em um relatório pelo comitê de doutrina da Igreja, afirma: “À luz de nossa compreensão das Escrituras e do entendimento da Igreja sobre a profissão de fé, está claro que casais do mesmo sexo não estão aptos a serem membros plenos, nem qualificados para receber o batismo de seus filhos. Acreditamos que sua conduta exterior e estilo de vida estão em desacordo com uma vida de obediência a Cristo”.

Parte dos líderes afirmam que essa é uma questão “altamente sensível” e pediu que as novas regras não fossem obrigatórias. No entanto, a maioria argumentou que a Igreja precisava esclarecer sua posição de que não era a favor de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Os casais gays, que assim desejarem, poderão continuar frequentando a igreja, apenas ficam impedidos de ser membros e assumir cargos de liderança. A tradição presbiteriana é o batismo infantil, mas os filhos dos casais homoafetivos poderão ser batizados assim que tiverem idade suficiente para fazerem a declaração de fé. Com informações BBC